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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Crônica sobre a necessidade de aprovação

Quando um dos meus ídolos havia me dito que tinha lido o meu livro, tomou conta de mim um misto de alegria e angústia de saber o que ele havia achado.
_ Bem singelo. - disse-me ele.
_ Espero que isto seja um elogio. - Estava nervoso e torcia pela aprovação.
_ E porque você precisa do meu elogio? - Perguntou-me, assim, filosoficamente.
Devo ter parado uns bons minutos neste pensamento. Por que precisamos dos elogios? Vaidade, insegurança, necessidade de afirmação... sei lá.
E lá vamos nós, caminhando, nesta necessidade frenética de aprovação. Aprovação da nossa compleição física, das nossas posturas e atitudes, das nossas produções...
Talvez uma das soluções seja o desenvolvimento de um senso crítico mais apurado, que se adiante a qualquer mensuração externa (não que as mensurações externas sejam ruins...). O senso crítico deve ser o termômetro de qualquer movimento.
Entretanto, vivemos um momento social e tecnológico em que somos instados a seguirem determinado modelo - quase sempre inalcançável... -, que nos impele a sermos o que não somos. E o pior é que acreditamos ser possível transformar-nos no que não somos.
Nessa distorção, diminuímos toda possibilidade de desenvolvimento do senso crítico para aprimoramento de um certo senso de cópia àquele modelo que não nos pertence.
Assim, sem elaboração de um pensamento crítico, deixamos de perceber o que somos e o que fazemos de maneira mais original. E, sem essa percepção, sim, precisamos de uma aprovação externa.
Claro que é importante ouvirmos e entendermos as críticas que recebemos. Mas, de uma maneira geral, as opiniões que nos chegam estão balizadas pelos princípios básicos do "gostei" e do "não gostei". E gostar ou não gostar de algo não representa, exatamente, um pensamento crítico. Quando o nosso senso está apurado, sabemos peneirar essas manifestações: para o "gostar" ou o "não gostar", meu posicionamento é um; para as apreciações críticas e racionais, minha postura deve ser outra. Além do mais, as apreciações críticas de valor estarão muito longe dos sentidos rasos de aprovação ou de desaprovação...
É importante saber caminhar pelos rumos de captar essas diferenciações.
Meus devaneios reflexivos ainda iam longe, mas o meu ídolo, certamente cônscio do que se passava na minha cabeça, despertou-me:
_ Você não precisa dos meus elogios!


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Anotações - Essência e aparência

Na dicotomia clássica entre essência e aparência, ainda há bastante o que se dizer.
Neste processo de evolução a que atravessamos, percebem-se algumas pessoas preferindo a ideia das aparências ao aprofundamento da essência.
É o velho debate sobre as reflexões entre "ser" e "ter", cujos propósitos nem sempre harmonizam-se.
A valorização da aparência é a ilustração dos referentes acondicionados no significado do "ter"; o sentido de "ser" encontra respaldo nas variáveis ilustrativas do que se pensa a respeito da essência.
Mas nada é tão simples como parece. Não basta assumir um posicionamento entre "ser" e "ter", é necessário aprofundar o entendimento sobre essas ideias.
É bem verdade que o exercício do desenvolvimento de uma essência - ao que somos e fazemos - traz-nos um sentido de aprofundamento, de consistência. Mas não podemos fechar os olhos à instância de que somos produtos de uma consciência imagética... Somos a imagem que alguém nos valida ou com que somos percebidos.
E essa forma com que somos validados delineia a percepção que o outro tem de nós. O que, em justa medida, está nas raias da aparência.
Lidar com essas referências polares - a importância do desenvolvimento de uma essência e o juízo que o outro desenvolve de nós a partir da aparência apreendida -, em seu necessário equilíbrio que deve me constituir, é o caminho a ser buscado para o desenvolvimento pessoal.