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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Anotações - Gentilezas mínimas

Gosto daquelas gentilezas mínimas, quase imperceptíveis. É onde mais se deveria revelar a natureza humana. Das atitudes e gestos sobre os quais não se precisam propagandas. De alguma forma, a natureza humana deve constituir-se de movimentos colaborativos sem alardes.
E, assim, fazer parte de uma rede colaborativa que não precisa arvorar-se em exageradas variáveis.
Pensei nos movimentos quase ocultos em que o que mais interessa é fazer o bem. Justamente em uma cultura que não acredita no bem. Em que as tragédias fazem mais sucesso e público, ao contrário das notícias positivas.
Refleti, na consequência, o quanto precisamos estar atentos a esse movimento das gentilezas mínimas. Até em razão de exercitarmos nossa sensibilidade para enxergarmos o bem, o que é possível. O que é possível quando tudo parece impossível.
Esse movimento pequeno, de detalhes suaves e de cores claras, faz parte do todo que nos chega. Se não conseguirmos observá-lo, perdemos a dimensão da vida. Essa vida que se completa nas porções mínimas do quanto nos chega aos sentidos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Anotações - Pensar no outro

No caminho de entendimento de uma sociedade mais humanizada, é preciso que ampliemos o conceito de alteridade. Deixar de ser apenas perceber o outro, mas também pensar no outro, preocupar-se com o outro e entender os desejos e os direitos dos outros.
Nesses rumos de avanços tecnológicos, em que nos relacionamos mais no plano virtual, parece-nos que a existência física de uma outra pessoa passa a ser entendida como algo distante. O outro está mais nos espaços abstratos de uma relação tecnológica: no teclado de um aparelho celular ou no vídeo de uma teleconferência. E assim, vamos nos despercebendo do outro.
Daí essa necessidade, repetidamente apontada aqui, da alteridade. O outro deve ser visto como a integração de meus caminhos... É preciso cuidado. É preciso que pensemos no outro, que nos preocupemos com o outro. Nesse caminho, meus propósitos e minhas interações precisam ser observados de forma a entender seus desejos e seus direitos. Não estou sozinho, minhas atitudes e meus comportamentos interferem diretamente nos rumos de outras pessoas.
E, nesse processo de interferência, absolutamente natural para quem vive em sociedade, quanto mais eu me preocupar com os outros espaços e as outras necessidades, tanto mais caminho na plenitude de uma integração real e solidária, em que todos saem ganhando.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Anotações - Uma questão de gênero

Uma publicação na coluna do caderno de Esportes do jornal Folha de S. Paulo, dias desses, instigou-me a propósito da questão do gênero, bastante discutida por esses dias. Quem assina a coluna é uma mulher, Mariliz Pereira Jorge, que tem como assunto principal o futebol... Isso mesmo, uma mulher falando de futebol. Mas o que é que tem? Por favor, não engrossemos o coro dos que tratam a colunista com desdém, só por ela ser mulher! Aliás, o mote da coluna (Apelo aos pais de meninas, Folha de S. Paulo, 02 de julho de 2016, Pág. B13) é exatamente o de propor uma discussão sobre a participação (pouca) das meninas nos esportes, de uma maneira geral. Em sua abordagem, há um pouco do problema do preconceito enfrentado pelas meninas, sobretudo quando a escolha é por um esporte dito preferencialmente dos meninos (coisa do futebol. por exemplo).
A autora coloca o dedo em uma ferida interessante: "Esse preconceito não nasce com as crianças. Vem da educação que recebem em casa e muitas vezes na escola.".
A questão de gênero tem sido refletida, atual e principalmente, por conta de algumas violências contra a mulher, noticiadas com expressão. Vale refletir que a violência contra a mulher não é só a que é noticiada; a mulher é vítima de violência em contagem absurda, na maior parte das vezes em um angustiado silêncio... E quase sempre é acusada de ser responsável pela violência que sofre, o que é mais absurdo ainda.
Em um mundo de cultura machista e de desprezo aos sentimentos e capacidade da mulher, chega a ser um alento a leitura de uma coluna no caderno de esportes de um grande jornal dando voz aos interesses femininos. Como na música, "só nos resta aprender...".

terça-feira, 12 de julho de 2016

Anotações - Convivencialidade

Estava lembrando-me de um livro, Convivencialidade (A Expressão da Vida nas Empresas - Orgs.: Marcia Esteves Agostinho, Ruben Bauer e José Predebon - Ed. Atlas, SP, 2002), ao pensar na referência do reconhecimento do outro como ser humano, dotado de emoções, angústias e esperanças como eu mesmo, como você.
Não é curioso que, às vezes, esquecemos da referência do ser humano nos processos de relacionamentos os mais diversos em que nos fazemos?
A ideia de convivencialidade permite-nos uma reflexão mais apurada sobre os princípios de que esse outro ser humano é importante nos caminhos em que buscamos a evolução... É na convivência que estabelecemos os princípios fundamentais da humanidade.
O livro fala da questão associada aos princípios corporativos, mas meus pensamentos caminharam para o dia a dia, para a vida comum. Como está ficando difícil reconhecer o outro, nesse mundo em que, inconscientemente ou não caminhamos para os rumos do individualismo ou dos relacionamentos em que as conveniências falam mais alto do que as sensações reais e integrais.
Acontece que, a menos que vivamos nas montanhas ou em cavernas, nosso princípio social nos impele às relações de coletividade, em que a existência do outro, mais do que um fator biológico, representa mesmo um elemento de sobrevivência. Estamos conectados a um caráter de interdependência, a partir do qual nossos movimentos interferem nos caminhos do outro. Simples assim: a convivência é um elemento de desenvolvimento social.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Anotações - O discurso técnico e o discurso poético

Eu fiquei com o verso na minha cabeça: "A certeza ventilada de poesia...". A letra é da música "Lua e Flor", do Oswaldo Montenegro... Se não conhece, clique aqui. Lembrei-me de uma atividade que desenvolvi por longos anos, "Um pouco de poesia nas agruras do dia a dia". A referência era a mesma: arejar as certezas com um pouco de poesia.
Caminhamo-nos por medidas racionais, como se a seriedade fosse a instância que corroborasse a responsabilidade. Se somos sérios, técnicos, então somos responsáveis. E nessa matemática há pouco - ou nenhum - espaço para a poesia. A poesia, nessa variável, é considerada perniciosa ou, pior, inútil. Não há valor, nem constatação de para que ela serve. Quando julgada de maneira cruel, é dito da poesia como algo que nos desconecta dos espaços reais, alienando-nos da vida que corre lá fora.... Coitada da poesia! Julgada mal, mal compreendida.
A questão é que a poesia não se desincompatibiliza da vida. Se somos humanos, a todo o instante a poesia nos lembra da vida que corre em nossos corpos. Originado do grego "poiesis", que está na direção da essência do agir, o sentido original da palavra "poesia" está relacionado mais aos aspectos da razão do que aos emocionais. Há, ainda, uma ligação com a ideia de "sentir", pressuposta na razão de que o que está nos sentimentos está na vida. Somos o que sentimos.
Quando eu entendo que é possível ventilar (no sentido de arejar mesmo, de criar respiros) toda a certeza que me cerca, estou buscando um espaço em que o discurso técnico e o discurso poético estejam, integrados, consolidando as variáveis da vida. Esta vida que pede técnica e poesia, sem conflitos, nos caminhos da evolução.


terça-feira, 1 de março de 2016

Anotações - Atitude

Estava passando os olhos em um dos cadernos dominicais do jornal Folha de S.Paulo, quando um título me chamou a atenção: "Se não houver vento, reme!" (com exclamação e tudo). Tratava-se de uma seção parecida com essa aqui do Blog, assinada pela Coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM, Adriana Gomes. O mote foi uma ação que a deixou impressionada, a partir de um e-mail recebido, de tantos que entopem nossas caixas de entradas. Aquele e-mail trazia em seu assunto uma referência que, de saída, alcançou-a pelo interesse, impressionando-a pela "prontidão, eficácia, qualidade da abordagem e senso de oportunidade" (em suas palavras - Folha de S. Paulo, Caderno Negócios e Carreiras, 28/02/2016, Pág. 3).
A conclusão do texto coincide com a recorrência de algumas reflexões já colocadas aqui: "A soma de qualidades inspiradoras só reforça a crença de que, em momentos difíceis, a diferença está na atitude...". No projeto de desenvolvimento pessoal, havemos de alcançar caminhos que nos constituam sujeitos dotados da determinação de sermos pessoas que busquem a resolução de problemas e que estejamos sempre dispostos a alcançar positividade em nossas ações. E, sobretudo, que tenhamos a segurança necessária de jamais perdermos a confiança na nossa capacidade de remar, o quanto necessário, sem a preocupação do vento. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Ambiente propício para a aprendizagem

Em Educação, um dos pressupostos fundamentais de trabalho é a preocupação com a aprendizagem. A razão dos trabalhos pedagógicos deve ser a verificação de o quanto o sujeito, submetido àqueles processos, desenvolveu-se em um determinado período. E o desenvolvimento está calcado nas relações de aprendizagem. Não necessariamente nos espaços escolares, é bom que se frise. Aqui, a família, ao lado das escolas, constitui-se um rico e propício espaço de aprendizagens.
É preciso que os agentes escolares e as famílias reflitam, cuidadosamente, sobre a determinação do estabelecimento de ambientes propícios para a facilitação das aprendizagens.
Do ponto de vista dos espaços escolares, é necessário que estejamos todos atentos às diversas variáveis que interferem no processo de assimilação dos conteúdos pedagógicos. Nesses espaços, há um sem-número de relações a serem verificadas, que podem suscitar motivações para a apreensão das aprendizagens.
Uma das primeiras referências, aqui, a serem cuidadas é a do espaço físico. O cuidado com o ambiente físico, no que diz respeito às reflexões sobre as motivações de facilitação da aprendizagem, precisa ser pensado com muito cuidado. Das questões de higiene à preocupação com acessibilidade, o espaço físico faz uma tremenda diferença na verificação desses aspectos. Uma escola com um espaço físico acolhedor, limpo e organizado está em meio caminho andado para propiciar uma melhor qualidade de assimilação de aprendizagens.
Mas não é só. Há de se observar cuidados, também, com algumas estruturas mínimas: salas bem aparelhadas, materiais disponíveis, bibliotecas, espaços livres etc. Todo espaço pedagógico deve contar com uma mínima estrutura que apoie as atividades fins e, sobretudo, que o acesso a essa estrutura seja tranquilo e democrático, permitindo ampliar as relações escolares.
A referência da existência de um corpo diretivo especializado e integrado, que tangencie as variáveis do ambiente escolar, será outro pressuposto para trazer positividade aos processos de assimilação. É fundamental que diretores, coordenadores pedagógicos e outras figuras representantes desse corpo diretivo estejam atuando em um espaço harmônico e integrado de ações, posturas e atitudes.
Por fim, mas que não conclui o assunto, a existência de um corpo docente, formado por professores capacitados, motivados e integrados à proposta pedagógicas dos espaços constitui-se outra referência de grande valia para pensarmos a questão da facilitação da aprendizagem.
Dito da forma que está acima, a ideia ganha contornos de idealização, de alcance distante. Só não podemos nos privar de que a idealização é necessária para a busca de uma realidade. Quando pensamos nas referências de idealização de um ambiente positivo nos espaços escolares, estamos, em justa medida, tratando das questões de ampliarmos a significação das práticas pedagógicas, o que deve suscitar uma melhor qualidade nos aspectos de aprendizagens e desenvolvimento.
Do ponto de vista do compromisso das famílias em relação à manutenção de espaços propícios a esse desenvolvimento, a questão do acompanhamento das atividades escolares dos filhos, na minha opinião, é a principal variável a ser observada. É preciso saber o que se passa com os filhos, em relação aos movimentos escolares - participar de reuniões e de movimentos estimulados pelas escolas, de uma forma positiva e proativa ganha uma dimensão bastante interessante a esse propósito. Ressalte-se bem que essa participação deve ser positiva, já que alguns pais interagem com as escolas de seus filhos mais preocupados em estabelecer conflitos do que em buscar soluções.
Também as famílias devem estar preocupados no estabelecimento de estruturas mínimas que facultem as variáveis de aprendizagem: a proposição de um espaço de estudos, por exemplo, passa por essa preocupação. E que, nesse espaço de estudos, haja toda sorte de materiais estimulantes: livros, por exemplo. Chamo a atenção por conhecer histórias de algumas famílias que nunca se preocuparam com a aquisição do hábito de leitura dos seus filhos. Aqui, deve-se pensar na questão modelar: os pais precisam passar o exemplo aos filhos das referências de desenvolvimento - crianças que têm adultos por perto que gostem de estudar e de atitudes relacionadas aos processos intelectuais e científicos sempre têm mais desenvoltura nos aspectos de aprendizagens.
A questão das relações afetivas é outro tópico a ser cuidado pelas famílias. A criança não se desenvolve apenas em um ambiente cuidado intelectualmente; é preciso que as práticas afetivas estejam na pauta do cotidiano das famílias. As crianças necessitam de um ambiente acolhedor e que lhe cuide das variáveis emocionais, para que o seu desenvolvimento sócio-afetivo seja, também, positivo.
Enfim, temos, nessa reflexão, uma responsabilidade bastante acentuada para a promoção de sujeitos melhores preparados e constituídos de formação positiva.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Anotações - Tudo é uma questão de compromisso, de foco e de consciência

Ouvindo conversas ao vento, tenho aprendido muito. Sempre... mesmo que o tema da conversa não seja do meu agrado, forço-me a apurar o senso de reflexão sobre os meus propósitos de busca e significação de conhecimentos.
No caso dessa conversa, o ganho até foi maior, pois o tema era Educação, o grande mote dessas publicações. Um grupo de professores analisava as questões de retorno às aulas, quando uma das professoras chamou a atenção dos outros para a necessidade da busca de foco nas ações que vierem. Achei muito interessante, já que vivemos em tempos de distração constante. Manter o foco em algo que está sendo produzido é uma condição muito positiva de que essa realização seja melhor... Sobretudo, porque se tem o controle daquilo que está sendo feito - digo isso porque aquela distração a que mencionei levou-nos às instâncias de tornar tudo mecânico (desde o ato em si, até os pensamentos...). A questão de tornar mecânicas as ações fundamenta-se na busca de comodidade, já que se acredita que o desgaste é pouco - o principal efeito colateral dessa variável é a perda dos controles e da sensibilidade diante das práticas. Então, o foco passa a ser uma questão importante, a ser refletida até sobre os meandros dos exercícios de sensibilidade que dedicamos às nossas atividades - em nosso caso, a Educação pressupõe um relevado grau de sensibilidade em nossos afazeres.
Se ao exercício do foco juntarem-se as responsabilidades primordiais do compromisso aos nossos propósitos e da consciência dos caminhos de evolução profissional, aí é quase certo que as práticas serão muito mais significativas.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Anotações: Desenvolvimento emocional - Tenho muitas tristezas em mim, mas as alegrias são maiores

A ideia da busca de um caminho que integre o desenvolvimento emocional ao intelectual parece ser uma rota importante na promoção da evolução pessoal. Fomos instados, durante muito tempo, a pensar a formação como uma variável tão somente intelectual e relegamos as referências emocionais a outras instâncias. Ainda bem que os estudos psicológicos e pedagógicos evoluíram bastante e colocaram os aspectos emocionais em uma variável de importância balizada aos intelectuais.
O sujeito, em seu processo de desenvolvimento, há de cuidar de toda a sua constituição - intelectual, social, profissional, emocional e por aí vai.
Fiquei pensando nisso tudo quando constatei a questão do desequilíbrio emocional que nos acomete de vez em quando. Nas variáveis de sensibilidade e de emoção, em grande parte das vezes, esse desequilíbrio provoca-nos muitas desestruturações.
Uma dessas desestruturações é a que causa um desajuste de leitura do mundo que nos cerca - acreditamos que os sofrimentos são muito maiores e damos a eles uma dimensão quase sempre distorcida, bem exagerada, do que realmente é. E foi aí que me acorreu a expressão lá do título: "Tenho em mim muitas tristezas, mas as alegrias que me formam são muito maiores...".
Refletir constantemente sobre os aspectos do desenvolvimento emocional torna-nos mais equilibrados na percepção dos aprimoramentos a que temos que passar.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Feliz 2016! - com muita esperança!

Que este 2016 seja marcado pela percepção das esperanças que o cotidiano nos traz. Sim, não se assuste, o cotidiano nos reserva, a cada manifestação de suas ocorrências, um sem-número de possibilidades de esperanças. Nem sempre percebemos essas possibilidades, é verdade... Mas aí, o problema está conosco.
Então, eu desejo, na aurora deste novo ano, que saibamos todos enxergar as possibilidades que a percepção de esperança pode nos beneficiar. Está, exatamente, nessas possibilidades a capacidade de transformar as realidades.
Desejo, ainda, que, ao vestir-se das esperanças percebidas pelas ocorrências da vida, você perceba que a palavra "esperança", ao contrário do que o senso comum nos aponta, não tem nada a ver com a ideia de esperar. Esperar guarda em si uma referência de acomodação; de que algo vai acontecer, além das minhas competências e habilidades, e que, por isso, não há nada a ser feito, a não ser, justamente, esperar. A ideia de esperança, por outro caminho, pressupõe uma motivação para que algo possa ser feito, sem esperar nada, a não ser a certeza de que qualquer mudança inicia-se, simplesmente, com esse fazer.
Nesse sentido, sou composto de esperança. Da esperança de acreditar nas mudanças e de saber que eu sou o agente principal das transformações. Desejo mais ainda: que saibamos sempre dessa competência e a exercitemos constantemente. O caminho das verdadeiras transformações está dentro de nós, latente, querendo que nos movimentemos para o alto e avante.
Quando nos movimentamos, criamos uma energia positiva que nos impele à redimensão do olhar e aos vislumbre de outras rotas e caminhos para o fazer.  Nossa percepção ganha novas formas de enxergar e compreender o entorno... Nosso caminhar torna-se mais sólido e consistente na descoberta de novas aventuras... Nossas aventuras ganham cores e disposições... E é exatamente isso que a esperança faz conosco: torna-nos visionários das nossas capacidades e do alcance que elas nos proporcionam, no caminhar do desenvolvimento.
Feliz e esperançoso 2016 para todos!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Anotações - Mais um pouco de poesia (A sensibilidade)

Em Educação, exercitar a sensibilidade traz um certo conforto de pensamentos. É quando estou com a minha sensibilidade aguçada, que posso entender melhor as dificuldades que circundam os meus caminhos de atuação.
Conversando com uma professora, recentemente, ela abordou a questão da dificuldade em integrar a família nos problemas de desenvolvimento dos filhos. Questão comum a vários professores, não é mesmo?
Por um lado, não é possível fechar os olhos às tentativas de correção dos rumos de evolução das crianças; por outro, nem sempre é fácil contar com a cumplicidade dos pais, que, ao invés de buscarem a promoção do desenvolvimento dos filhos, consideram mais eficiente castigá-los (quase sempre, castigos físicos).
A tentativa de busca de uma solução que, ao mesmo tempo, preserve a criança destes castigos ineficientes e integre a família aos caminhos de desenvolvimento parece colocar-nos em um fio de navalha, de sustentação frágil. E precisamos caminhar nesse fio de navalha, exercitando constantemente a nossa sensibilidade para uma realidade que, quase sempre, nos impele a pensamentos não muito claros de atuação.
A atuação do professor, comprometido com o senso de desenvolvimento humano, precisa estar acima dos procedimentos técnicos e rasos, que parecem soluções fáceis dos grandes problemas que enfrentamos em nossos caminhos pedagógicos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Anotações - Educação pelos sentidos

A ideia de se pensar os ditames da Educação pelo viés de um trabalho que explore os sentidos do ser humano parece boa para refletir.
Vivemos tempos em que ou deixamos os nossos sentidos dormentes para as vivências externas, ou exploramos um dos sentidos mais do que os outros. A consequência principal é a falta de sensibilidade para estímulos os mais diversos que recebemos ao longo da nossa jornada; na maior parte das vezes, os tais estímulos representam orientações e lições para situações do dia a dia.
Principalmente, da Educação Infantil, temos as lições mais interessantes da importância de um trabalho da Educação pelos sentidos. Professores dali desenvolvem atividades com as crianças que exploram bastante os exercícios pelos sentidos: cantigas, brincadeiras sensoriais, destrezas manuais etc.
Nós, seres humanos, temos a compleição fisiológica dos movimentos pelos sentidos: olhamos as coisas, sentimos cheiros, ouvimos estímulos, apreendemos sabores, realizamos percepções pelo tato. Não podemos perder de vista a referência de cuidar das vivências por todos os sentidos - perceber, experimentar, aguçar. Assim, o nosso desenvolvimento completa-se na plenitude.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Anotações - Um pouco de poesia

Quando pensamos em poesia, normalmente, pensamos em um texto escrito em versos ("Você leu aquela poesia do Drummond?", dizemos). Aqui, gostaria de explorar um pouco mais o sentido da palavra. Para isso, recorro à sua origem grega, que encerra o significado de "sentir". Por esta via, quando dizemos "poesia", queremos estabelecer uma relação com os sentimentos advindos daquele texto... Bom, para ser mais sincero, não é necessário que seja exclusivamente de um texto. Qualquer referente que desperte os meu sentidos, posso categorizar como um referente poético. É assim com uma pintura, com uma música, com uma fotografia, com uma imagem qualquer, com um aroma etc. Mas fiquemos, por enquanto, no texto.
Há um poema do Manoel de Barros, O apanhador de desperdícios (se não conhece, clique aqui para ver uma antologia especial do Manoel de Barros, em que consta esse poema), que brinca bem com essa referência dos sentimentos. O poeta já começa com um paradoxo interessante ("Uso a palavra para compor meus silêncios."), em torno do qual tece imagens fantásticas ao longo do texto, para encerrar na mesma variável: Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Em uma leitura livre, a ideia de compor silêncios remete ao processo de introspecção por que devemos passar quando das situações de reflexões que o cotidiano exige de mim. Essas reflexões não podem ser aleatórias, nem irresponsáveis; é preciso conteúdo (palavras) para firmar o processo de reflexão (meus silêncios) - conteúdo esse fundamentado nas leituras e apreensões que fiz ao longo de minha vivência.
O poema apresenta-nos, ainda, variadas imagens, que nos deleitam o olhar, à medida em que me permito ampliar o conceito de poesia. Experimente sorver essas imagens.