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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Recesso - Dia do Trabalho


Para refletir - Ensinar e aprender


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Anotações - Autorias de pensamento e o problema das notícias falsas

A partir do momento em que sabemos pensar e que temos a habilidade de elaborar textos (escritos ou não) para expressar esses pensamentos, é possível refletir sobre a ideia de autorias de pensamento. Quando nos expressamos - seja por qual via for -, estamos sendo autores da dita expressão. Quanto mais interações formos capazes de fazer em relação às leituras que subsidiam os nossos pensamentos, tanto mais prestigiosos os nossos textos (falados, escritos etc) serão.
Nos caminhos de modernidade em que vivemos, os alcances dos meios digitais subverteram um pouco esse pressuposto do prestígio em elaborações de textos proporcional às capacidades das interações de leituras reflexivas; hoje, muita gente se aventura nas produções de textos, hajam vista as diversidades de vídeos e de textos que proliferam os portais multidimensionais, propondo-se um caminho positivo de aprendizagem para essa ou aquela questão.
Penso que foi nessa esteira que vieram os textos que disseminam as notícias falsas. Dada as facilidades de acolhimento e de transmissão das elaborações textuais que nos permite o meio digital, ficou simples propagar os ditos conhecimentos. De quebra, essa realidade produziu uma outra: leitores que não se dão ao trabalho de questionar aquelas autorias de pensamento. O escritor Cristovão Tezza, em sua coluna de estreia no jornal Folha de S.Paulo, do último domingo, disse isso assim: "... Num estalo, milhões de pessoas que jamais leram ou escreveram nada estavam lendo ou escrevendo alguma coisa em milhões de telinhas e teclados. Um potencial civilizatório gigantesco, (...). Mas, em pouco tempo, comecei a perceber que havia alguma coisa errada na minha equação mecânica: aparentemente, todos leem o tempo todo, mas nada além de manchetes, pedaços de frases e caixas de comentários. (...)". (Literatura, internet e silêncio - Folha de S. Paulo, 23/04/2017, Pág. C6). Ou seja, uma superficialidade que grita!
A ideia de autorias de pensamento pede que sejamos mais conscientes e reflexivos nas elaborações dos nossos textos para que os nossos leitores exercitem-se em um meio de informações mais positivas.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Anotações - Quanto é o suficiente?

A questão do título desta publicação é a mesma do livro do economista político britânico Robert Skidelsky e seu filho, o filósofo Edward, da Editora Civilização Brasileira. Sei que parece absurdo falar do livro que não lemos, mas a questão é crucial: quanto é o suficiente? Ou ainda, será que não conseguimos enxergar o que é suficiente?
Desde as referências ao materialismo por si só, até as variáveis de busca da felicidade, diversos pontos convergem para essa pergunta. Quanto é o suficiente? Sabemos viver a vida nas suas pequenezas que nos cabem ou colocamo-nos constantemente descontentes com o que ainda não temos? 
Quando pensamos nas linhas do desenvolvimento pessoal, a resposta a essa questão torna-se crucial. Sabemos mensurar a suficiência dos que nos chega? Sabemos relacionar esse aspecto ao que estabelecemos como meta para as nossas trilhas? O pior é que, talvez, nem tenhamos estabelecido meta alguma...
Buscar aprimorar a quantificação do que seja suficiente para a vida deve ser o princípio de sabermos enxergar os valores de nossa existência.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Aprender e o equilíbrio emocional

Como é complicado pensar nas relações de aprendizagem, no que se refere aos processos de busca de conhecimento. E não digo apenas sobre as questões acadêmicas, escolares; refiro-me à ideia de aprendizagens de uma maneira geral, esse caminho em que nos vimos - na vida - tentando subsistir aos cinzas do desconhecimento.
A maior complicação é que, nesses caminhos, faltam roteiros e sistemas lineares de estudos. Via de regra, essa forma mais geral de busca de conhecimento é proporcionalmente dinâmica aos ditames da vida mesmo. E flutua conforme as emergências dos rumos - se estamos em momentos de desequilíbrios, sofremos mais; se estamos pacificados, dispomo-nos mais às intempéries.
Assim, talvez o caminho de tornar mais positivas as trilhas do aprender seja o de cuidar dos aspectos emocionais. Manter a cabeça tranquila e os pensamentos arejados podem representar um pouco mais de sucesso quando nos comprometemos à construção de um conhecimento qualquer. Claro que não deve ser fácil, mas parece que é o caminho.
O equilíbrio emocional é o pressuposto da positivação das aprendizagens. Sei que dito assim, soa uma enorme obviedade. A questão é que somos seres emocionais, por excelência e que, ainda que não queiramos, deixamos a nossa mente interferir nos processos racionais.
Se conseguirmos - e precisamos conseguir! - estabelecer uma relação de consistência entre o aprender e o equilíbrio emocional, a tendência é que tornemos as trilhas da vida um caminho menos tortuoso para a busca da construção dos conhecimentos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Recesso - Dia de Tiradentes


Anotações - Checagem de notícias

Por acaso, você percebeu que há uma onda crescente de abordagem aos princípios da checagem das notícias, para evitarmos a disseminação de notícias falsas e boatos que tanto nos enche o mundo digital? Pode ver por aí: certamente, enquanto você está lendo estas linhas, seu aparelho celular está sugerindo às suas ações o repasse e o compartilhamento de notícias as mais diversas (salvar um hospital, engajamento em alguma causa nobre, assinatura de alguma petição de suma importância e por aí vai). Se não, são aquelas correntes inocentes.
O que está ao redor desse movimento todo é a facilitação de se criar um caso noticioso, nestes tempos digitais. Tudo está ao alcance de uns cliques e de convencimento à sua rede de contatos para distribuir a dita notícia... É tudo muito fácil. Some-se a isso a questão de que poucas pessoas dão-se ao trabalho de conferir a veracidade daquelas informações antes de compartilhar e pronto, está feita a corrente.
Mas não podemos compactuar com esse movimento. A ideia de checar as informações, antes de validá-las, é fator de responsabilidade social. Por isso, o salutar movimento anda ganhando corpo. Mídias jornalísticas e empresas influenciadoras estão investindo nesse pressuposto, em publicações recorrentes de caminhos, até fáceis, de verificação de checagem de notícias, para que diminuamos a disseminação de boatos e falsas informações.
Como agentes pedagógicos que somos, temos, também, que assumir essa responsabilidade. Busquemos essas informações e aprendamos a separar o joio do trigo das notícias que nos chegam.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Monteiro Lobato





Anotações - Imagem

No filme a que estava assistindo outro dia, o herói rejeita as histórias de seus feitos e diz, modestamente, a uma interlocutora que tudo não fora bem assim e que nem é daquela maneira que ele vê aqueles feitos. Ao que ouve, imediato: "Não importa como nós nos vemos, mas sim como nos veem".
Eis aí um dos princípios importantes do nosso processo de evolução: a questão da imagem que nossas atitudes e ações representa na constituição do que se espera de nós.
É mais ou menos assim: se a nossa identidade profissional, por exemplo, impele-nos ao exercício da calma e da tranquilidade e, se por algum tempo, exercitamos esse posicionamento, é natural que fiquemos com a imagem de alguém calmo e tranquilo. Ainda que não sejamos assim o tempo todo, as pessoas vão nos enxergar dessa maneira. E não adianta que tentemos explicar o contrário.
A consciência da imagem que representamos nos outros é um passo importante para entendermos todo o nosso desenvolvimento, já que o que significamos aos olhos de quem nos vê vai determinar os caminhos que percorreremos.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Degradação política - O papel da Educação

Diante das recentes notícias políticas que assolaram os noticiários, com ênfase nos descalabros das corrupções e ilegalidades várias, envolvendo uma diversidade de nomes dos variados escalões, a certeza é a de que vivemos em um sistema de degradação política como nunca se viu. Claro que a transparência das informações virou nossa maior arma de conhecimento, mas, em princípio, gera um sentimento de raiva e tristeza incontidas. Dependemos dos sistemas políticos, precisamos acreditar nas instituições - incluídas aí os políticos que elegemos - e vemo-nos em um cenário de total incredulidade. E agora, o que fazer? Não podemos, simplesmente, afundar-nos nessa incredulidade toda. Mas precisamos ser racionais, em um momento como esse.
É preciso que entendamos, primeiro, que a questão não é de fácil resolução. O problema é muito crônico e reflete uma variável sistemática. O princípio da corrupção - como a que estamos assistindo, cotidianamente - fundamenta-se em elementos muito sérios: a impunidade, o enriquecimento, os privilégios. Todos os acusados, cujas notícias nos apresentam, trazem, em si, esses elementos. Como a riqueza está latente, e a oferta é tentadora, em um espaço de consciência falha, cresce a situação em que se corrompem os valores morais. Findo esse aspecto, só a questão da punição é que salvaria o cenário; mas não, os agentes nesse tópico são banhados, exatamente, pelo sentimento de impunidade. O que alimenta a ganância e a desonestidade. Está feito o círculo que conclui o problema maior.
Minha crença de solução está em um aspecto que até poderia soar ingênuo, mas não é. Está na Educação o fundamento da salvação desse descalabro.
Os agentes pedagógicos precisam incluir em seus quadros curriculares um pouco de exercício de consciência política para a juventude que está por aí. E é importante, muito importante, que esse exercício de consciência política não esteja atrelado aos simplismos de agremiações partidárias. A consciência, como exercício de evolução pessoal, precisa da substância dos processos de reflexão racional. E, nesse sentido, o princípio fundamental da Educação, o de proporcionar transformações nas pessoas e nas sociedades, é o que deve balizar todas as ações e programações. Precisamos de uma transformação muito séria. Transformação dos sistemas, das atitudes, das consciências. E a formação reflexiva e racional dos jovens pode ser o pressuposto destas transformações.
Para tanto, há de haver uma nova mentalidade dos processos de formação, já que as ações pedagógicas devem estar fundamentadas de uma visão muito elaborada nesse sentido. Se os professores não entenderem essa necessidade, muito pouco poderá ser feito. Assim, a visão do professor precisa ser redimensionada para um outro espaço crítico-reflexivo: não importa em nada a concepção político-partidária, o que deve valer é a leitura da necessidade de uma transformação plena.
E é preciso que se some a essa ideia uma outra referência de suma importância: não vai haver espaço para mágicas quaisquer. O que quer que façamos, nesse sentido, vai exigir muito trabalho e é muito possível que o resultado dessas transformações não vai alcançar nossas gerações. Estaremos trabalhando para a transformação de um mundo que deve representar algo positivo para as gerações que virão.
Apesar disso, não podemos ficar parados ante a tantos absurdos que nos chegam pelas notícias.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Recesso - Sexta-feira Santa


Anotações - Inovar é necessário, mas não é suficiente

Em uma matéria já antiga, de 2015, publicada no site Porvir, o fundador do CESAR - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, Silvio Meira, discute a questão da inovação, sob o aspecto de que ela até é possível e necessária, mas sua abrangência merece uma reflexão melhor.
A ideia mais séria naquela fala é a de que a inovação não pode ser pensada como algo fechado, em que se configurem sucessos e mudanças positivas de uma hora para outra. É preciso criar um pensamento sistêmico, em que os fatores da inovação estejam atrelados a diversos elementos que perfazem a instituição toda. Assim, em que pese o fato de a matéria não ser atual, o assunto é bem atual e urgente.
Tanto no que diz respeito à Educação, quanto aos caminhos da evolução pessoal, pensar em inovação é pensar no processo sistêmico em que ela vai se concentrar. Nessa linha de raciocínio, o ser humano é a linha mestra da transformação. Em Educação, o professor e os alunos são os mais envolvidos nos processos; na evolução pessoal, o sujeito, em consonância com sua variações de interrelacionamentos os mais variados (pessoal, profissional, acadêmico etc.) passa a ser o elemento de pensamento sobre a ideia.
Buscar a inovação é um caminho necessário, haja vista a sociedade dinâmica em que vivemos. Mas trazer a substância para o indivíduo é o que vai fazer a inovação acontecer e sustentar-se nos rumos da evolução que pretendemos.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Anotações - A autoridade cênica

Acabo de ler um depoimento da atriz e cantora Alessandra Verney sobre seu relacionamento de trabalho com o ator, diretor, dramaturgo e incansável Miguel Falabella (Jornal Folha de S. Paulo - Caderno Ilustríssima, 09/abril/2017, Pág. 9). Alessandra nos apresenta uma história de um trabalho teatral dirigido e protagonizado por Falabella  que, na sua fala, na estreia, tinha tudo para dar errado (pouco tempo de ensaio e outros fatores). Em sua narração, na sua primeira cena, temerosa do caos que imaginava vir adiante, sua personagem encontra a de Miguel Falabella, que a cumprimenta com um aperto de mão e diz o texto. A atriz conta que aquele aperto de mão e a presença do ator retirou toda sua ansiedade e conduziu o trabalho ao sucesso daquela estreia. Quando estavam comemorando aquele resultado, ela contou a Falabella seus temores e que viu naquele cumprimento a presença de Deus. O consagrado artista rebateu, humorado: "Não, meu amor. O que você viu foi autoridade cênica".
Em nossos caminhos de desenvolvimento pessoal, seja em situação de liderança ou de liderado, é preciso que saibamos exercitar esse conceito de autoridade profissional a que se referiu Miguel Falabella naquele contexto. Ora, a pessoa está segura do que é e do que representa naquele trabalho; sabe que sua atitude e seu comportamento pode influenciar o grupo com que se relaciona; e, mais precioso ainda, sabe que essa questão toda vai representar os caminhos que o trabalho vai tomar. Se houver uma variável negativa do desenvolvimento do trabalho, a elaboração vai por água abaixo; se se coloca uma questão mental positiva às realizações, a chance de positividade aumenta. É simples a leitura: deve-se acreditar no que está fazendo, quando o que se está fazendo está imbuído de responsabilidade, de honestidade e de determinação de provocar uma transformação positiva, por mínimo que seja, nas pessoas que serão atingidas por aquele trabalho.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Histórias Pedagógicas - Os elogios

No caminho das leituras racionais sobre os desenvolvimentos dos espaços pedagógicos, iniciei, aqui, na publicação da semana passada, uma análise a partir do viés crítico dos comportamentos ou atitudes verificados em alguns momentos da história dos trabalhos. Admito que foi uma publicação meio acinzentada, mas que cumpriu seu propósito, o de expor situações em que se pesem leituras críticas. O que é preciso dizer, a título da verdade, é que tais situações - as que representam conceitos negativos - são em menor ocorrência. A bem do testemunho da qualidade do trabalho pedagógico que desponta nas instituições, de uma maneira geral, as situações dignas de elogios são em maior número e as que representam maior significado no processo de desenvolvimento dos alunos.
Cotidianamente, um verdadeiro exército de ótimos professores desbravam suas carências - as mais diversas - para oferecer aos alunos o que há de melhor em oportunidades de evolução nas aprendizagens.
Lembro-me, para ilustração inicial, da professora que driblava as deficiências de estruturas da sua escola para motivar seus alunos com propostas de vanguarda (ainda pensada assim, lamento!): sempre vinham aulas com leituras de poesias e de histórias, brincadeiras as mais diversas, jogos pedagógicos inventados com tampinhas de garrafas, oficinas de elaboração de papel artesanal e de culinárias, construção de hortas... e por aí vai. Tudo, diga-se, em verdadeiro confronto com os materiais pedagógicos estabelecidos (que, lamentavelmente, não previam o desenvolvimento dessas atividades como recurso altamente eficiente...) e com a inércia de colegas e sistemas que compunham o quadro de trabalho. (Pronto, já estou na leitura da criticidade... mudemos esse caminho.).
Durante algum tempo, trabalhei com um verdadeiro guerreiro dessa manifestação positiva. Aquele professor valia-se das realidades tangentes (música, filmes, leituras de jornais etc.) para transformar o universo de suas aulas. E a sala era um laboratório de experimentações incríveis, na estimulação de aprendizagens concretas e significativas de verdade.
Ao aguçar essas lembranças, vem-me um conjunto de referências que ajudam-me a pensar a questão da positividade das ações pedagógicas, Por exemplo, o espaço físico é um tópico de alto valor na compreensão dessa questão. Eu trabalhei em uma escola, cujo pátio lembrava aquele cenário de sítios e chácaras: árvores frutíferas e céu aberto, por onde se podia descortinar (metaforicamente) verdadeiras quebras de limites de ações. Era possível dar uma aula sobre Arcadismo, por exemplo, criando (e vivenciando) uma imagem de contato com a natureza, questão tão cara àquele período. Obviamente que esse pressuposto precisa estar em consonância com as permissões dos diversos agentes que atuam, também, nos espaços pedagógicos: diretor, coordenadores, demais funcionários etc. Então, o conceito de atmosfera pedagógica positiva (naquela época, verificado) torna-se um elemento indiscutivelmente valoroso nos caminhos de um trabalho qualitativo.
Outra questão é a interminável discussão sobre as ferramentas tecnológicas de que dispomos, no que tange ao quanto elas favorecem (ou não) os processos pedagógicos. Como ilustração comum, temos o fato dos aparelhos de telefones celulares serem tratados como inimigos das aulas. Ora, os jovens estão mais antenados aos sistemas tecnológicos do que os professores, de uma maneira geral. Assim, é louvável, por exemplo, a história daquela professora que, em vez de abolir o uso dos celulares em sala de aula, incentivam, até, sua utilização como recurso pedagógico. A equação é simples, acreditem: a utilização de uma linguagem pertinente ao universo dos jovens representa uma maior aceitação dos conteúdos curriculares a serem trabalhados. É o caso, também, de um outro caso que conheci, o de uma professora de Artes que resolveu trabalhar seus conceitos com seus alunos valendo-se do universo mitológico e artístico de um jogo popular que os alunos tinham instalado em seus aparelhos celulares. E o de outra professora que se valeu da popularidade das redes sociais para incentivar seus alunos a usarem desse recurso para criarem uma rede de comunicação sobre a história do seu bairro (nesse caso, a ideia transcendeu os limites da escola para transformar-se em um aplicativo que demonstrava a história da região em que os alunos moravam... fantástico! Fantástico, como deve ser toda ação educativa!).
Lembro-me, ainda, da ação de alguns professores que incentivaram a mobilidade urbana como elemento pedagógico - uma ação extra-muros muito interessante.
E há, ainda, tantas histórias a serem mostradas. Prometo voltar, de tempos em tempos, a esses elementos dignos de elogios para a transformação da realidade em que vivemos, através de verdadeiros heroísmos pedagógicos. Explico o apontamento do "heroísmo": em todas essas lembranças, vem-me a questão de que aqueles professores sempre nadaram contra corrente: foram contestadores de uma realidade que oprime, não se detiveram à falta de recursos, não retrocederam a partir da verificação de que aquilo daria um enorme trabalho e, sobretudo, guardaram a relação de que estariam, repito, provocando uma enorme transformação no processo de desenvolvimento pessoal de seus alunos e de seu trabalho.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Anotações – A mente

A busca por condições ideais de elaborações de pensamentos que proporcionem o equilíbrio mental é tarefa a ser cuidada de maneira preciosa. De alguma forma, somos o que pensamos e, se não houver um mínimo de harmonia nos processos mentais, estaremos fadados a não ser ou fazer grande coisa. Acontece que o dinamismo da vida e dos caminhos que nos cercam, às vezes, prega-nos peças homéricas e todo o desequilíbrio mental aflora-se e deixa turvos os nossos destinos.
É preciso força e persistência para que não caiamos na desordem e desorganização da mente.
Respire, invoque suas competências, fortaleça-se. A mente, também, proporciona as viradas de caminhos para os resultados mais positivos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Anotações - A vida pelo monitor

Já reparou que há um movimento humano de acompanhar tudo por um monitor? Se vamos passear, assistir a um show ou acompanhar as crianças nas brincadeiras, a principal preocupação é ligar a câmera dos aparelhos celulares para registrar tudo. Deixamos de acompanhar os momentos reais e dinâmicos da vida para deter-nos no que aparece pelas telinhas.
É um verdadeiro fenômeno sócio-tecnológico. O que quer que estejamos fazendo, se surgir um acontecimento qualquer, lá estamos nós gravando e registrando tudo com os nossos aparatos tecnológicos. E sentimo-nos bem, e até importantes!
O que mal sabemos é o efeito colateral desse movimento. Tornamo-nos reduzidos ao que o monitor dos nossos aparelhos nos demonstra. E ficamos à mercê do ato de recuperar esses registros para termos a percepção da vida que encerramos naqueles vídeos ou fotografias. Percepção pequena, diga-se de passagem, porque o interesse em recuperar os registros é inversamente proporcional ao prazer de registrar. Registramos demais, recuperamos muito pouco do que está registrado.
E, assim, vamos perdendo a vida, deixando de aproveitar as sutilezas dos acontecimentos, inclusive a vivência dos frios vídeos e fotografias, até porque aqueles registros todos serão em grande parte esquecidos.

domingo, 2 de abril de 2017

Histórias Pedagógicas – As críticas

Nestes últimos tempos, em conversas com Educadores ou em observações várias, tenho colhido anotações que dariam verdadeiras histórias pedagógicas. São apontamentos, a bem da verdade, em que se verificam situações críticas e situações merecedoras de altos elogios. Pretendo, em algumas publicações por aqui, apontá-las, mais a título de reflexão. Não é intenção fazer apologias de qualquer natureza, já que os aspectos críticos, por exemplo, nem sempre resumem as deficiências, unicamente, do educador; em alguns casos, o próprio sistema contribui para a perpetuação de um aspecto. 
De outro lado, as situações elogiosas, por si só, não representam avanços significativos que busquem mudanças representativas. São acontecimentos elogiosos porque mostram que existe luz no fim do túnel. 
Nesta primeira publicação, vou abordar três casos de apreciação negativa. 
O primeiro diz respeito a um tópico bastante nevrálgico nos sistemas educativos, a avaliação. É preciso pensar, cada vez mais de forma elaborada, os sistemas de avaliação. Já há algum tempo, ainda como professor, esses sistemas incomodavam-me os pensamentos. O sistema de notas, por exemplo, não me diz muita coisa – o resultado de um valor expresso em um boletim não nos aponta nenhuma variável de verificação de aprendizagem, já que inúmeros fatores podem ter contribuído para aquele apontamento. E, ainda, o sistema de mensuração também não aponta, em minha opinião, qualquer possibilidade de reflexão maior: a nota 7,0 expressa no boletim não significa, necessariamente, que o dono daquele valor sabe menos que o que sustenta um 9,0 em seus registros. É fato! E é justamente um subproduto desse problema do sistema que desemboca em minha observação crítica: é possível verificar uma completa falta de significado nos instrumentos de avaliação, tanto no preparo quanto nas correções. 
Lembro-me, a título de ilustração, de uma velha conversa na sala dos professores, em que um dos colegas, indisposto com uma das turmas sob sua responsabilidade, prontificou-se a colocar algumas questões em sua prova de tamanha dificuldade que, segundo sua fala, nem ele mesmo conseguiria resolvê-las... Ora, seria uma avaliação para “ferrar!” os alunos e não para estimular a aprendizagem. Em outra história, o professor, ao corrigir uma questão de alternativas, até sabia que a resposta do aluno estava correta, mas apontou-a como errada porque o gabarito – retirado de um livro - anotava outra solução... Lamentável, mas ainda sonho com um sistema de avaliação em que, mais importante do demonstrar se o aluno acertou ou errou, se estimulem os reais valores da aprendizagem: construir e modificar os conhecimentos. 
O segundo caso de apreciação negativa de minha parte refere-se à ideia de preparo e de formação do professor. Por mais avanços que estejamos verificando nessa questão, ainda há certa leniência ao tópico. Em algumas instâncias, nem se verifica se o professor está, realmente, habilitado para o trabalho. O resultado imediato aparece na sala de aula: desinformação, falta de competências básicas, falta de conhecimentos fundamentais dos conteúdos a serem trabalhados, falta de preparo no desenvolvimento dos conceitos do currículo, falta de consciência crítica em relação aos ditames pedagógicos, desconhecimento das relações de aprendizagens... e por aí vai. 
O melhor exemplo ilustrativo que me vem é o do professor que, em determinado momento, pediu-me que lhe falasse de certo livro a ser adotado em uma de suas turmas. Seu interesse não era de buscar reflexões sobre a diversidade de leituras... era mais prosaico: ele não havia lido aquele livro – nem pretendia lê-lo – e precisava de algum modo cobrar alguma coisa das leituras de seus alunos. 
Não vejo como dourar a pílula sob esse ponto. É preciso que sejamos responsáveis em nossos processos de formação: a partir do momento em que me proponho – ou sou obrigado - a trabalhar pedagogicamente algum conceito, tenho que ser responsável o suficiente para preparar-me, sob diversas nuances, dos variados aspectos que abrangem aquele conceito. 
Para finalizar minha abordagem dos referenciais críticos observados nos espaços pedagógicos, vem-me aquele que transcende tais espaços. É a questão do reforço negativo. Esse, até entendo, que existe em qualquer espaço da sociedade, mas que nas escolas transborda e perfaz seu cotidiano. É o que representa a questão da valorização dos aspectos negativos, do que se deixou de fazer, enquanto se esquece de observar os pontos positivos. Um dos mais perniciosos subprodutos dessa questão é a, já comum, característica de culpar os alunos de todas as mazelas que o sistema educacional apresenta. 
Ao ampliar nossa reflexão sobre as questões pedagógicas, de maneira que consigamos vislumbrar novas variáveis de modificação de realidades, já teremos encaminhado passos de mudanças necessárias à qualificação mais positiva dos trabalhos pedagógicos.