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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Feriado - Dia de Finados


Para refletir - Conhecimento


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Anotações - A questão dos analfabetismos

Pensei, no propósito de ampliar reflexões sobre o processo de evolução humana, discorrer sobre a referência dos múltiplos analfabetismos que presenciamos (ou de que somos acometidos) nestes tempos em que atravessamos. Como são múltiplos, não será possível desenvolvê-los em uma única publicação. Assim, ao longo dos conteúdos expostos aqui, futuramente, voltarei a esse tema.
O tema veio-me em uma ocasião de viagem, lá pelos tempos atrás. quando encontrei um guia turístico extremamente consciente de seu trabalho. Sua preocupação era de tornar acessíveis todas as informações (desde as mais básicas às mais complexas) sobre os locais visitados a nós, turistas. Imediatamente, pensei em sua atuação como a de um alfabetizador; nós, ali, estávamos na situação de um analfabetismo característico - desconhecíamos todos os códigos daquela região e precisávamos de um alfabetizador (alguém que decifrasse os tais códigos e permitisse que enxergássemos as leituras variadas que os lugares poderiam nos agraciar, para podermos bem usufruir de tudo o quando pudéssemos). Fiz questão de parabenizar o guia e dizer exatamente isso para ele - que, naquele momento, ele estava nos alfabetizando, estabelecendo o paralelo pedagógico ao trabalho dele. Sua reação positiva e concordante com minhas colocações tornaram-nos amigos e deixaram-me a ideia de reflexão de o quanto somos - e podemos ser - analfabetos em determinados temas.
E, o mais importante, é só quando reconhecemos esses analfabetismos, que podemos nos movimentar para as necessárias transformações que nossos processos de evolução precisam atravessar.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Anotações - A Educação e a Cidadania

A ideia de buscarmos uma leitura reflexiva sobre o tema da cidadania no contexto pedagógico precisa ser sempre repetida.
Este mundo em que vivemos, que prioriza os avanços tecnológicos em detrimento dos relacionamentos humanos, vem levando-nos ao paradigma inaceitável de que pouco precisamos nos relacionar com o outro ser humano. Consequência imediata desse pressuposto é a falta de reconhecimento do valor das pessoas com quem nos relacionamos, relegando-as às instâncias da conveniência ou do interesse, perpassando, mesmo, pelos referenciais de desrespeito e desprestígio. Parece-me que caminhamos para um momento em que, até, deixaremos de enxergar o outro ser humano... Bom, na verdade, isso já acontece em diversas situações.
A Educação bem pode apropriar-se desse pressuposto em que vivemos e criar estruturas integradas às disposições curriculares (sem que sejam necessárias grandes mudanças nas grades), nas quais a cidadania passe a ser tópico que valorize aquelas discussões.
O lugar no mundo é um lugar coletivo, em que as atitudes, ações ou comportamentos de um interferem, diretamente, no posicionamento do outro. Assim, a ideia de cidadania pode ser ampliada em seus propósitos da busca de um ser humano melhor.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Um pouco de conversa sobre o uso do lúdico no contexto pedagógico

Eu gosto de pensar no referencial lúdico como uma estratégia de valor muito positivo, a ser inserida nas variáveis pedagógicas. Entretanto, acredito, ainda, que há muito de preconceito e desentendimento sobre a utilização do lúdico nos espaços escolares.
O que imagino como plausível e possível é a visualização de uma Escola, em que o lúdico, o imaginário e a felicidade estejam na ordem do dia para o desenvolvimento de um trabalho de formação que prime pela qualidade positiva. Para sustentar meus pensamentos, é bom que se diga que tanto o lúdico, quanto o imaginário e a felicidade devem ser pensados como ricas estratégias de redimensionamento do fazer pedagógico.
De saída, qualquer estratégia a ser utilizada como subsídio nos processos pedagógicos deve ser realizada com responsabilidade, seriedade, com planejamento e com domínio técnico. As estratégias dizem respeito a um conjunto de ações reflexivas, estruturadas para tornarem mais efetivo e positivo o trabalho. Com a ludicidade, não é diferente.
Do ponto de vista de uma mentalidade científica - para entender racionalmente o problema -, quaisquer ações reflexivas demandam um conjunto de preparações especialmente elaboradas: melhora do embasamento intelectual; aperfeiçoamento da leitura e conhecimento de mundo; desenvolvimento de competências técnicas e sócio-relacionais; cuidado nas fases de planejamento do trabalho, principalmente as que dizem respeito às variáveis de revisão e de tomada de decisão.
É possível, assim, visualizar que há muito de preparo e estudo para que uma estratégia de trabalho - no nosso caso, a utilização do lúdico - busque um processo de modificação e de transformação, em que o binômio "fazer melhor / ser melhor" seja o principal combustível das atuações.
Sem contar que, em paralelo, as instituições sociais e profissionais passam por discussões constantes e renovadas de novos conceitos e/ou temas que as modifiquem. Em Educação, como era de se esperar, não poderia ser diferente. Hoje, às reflexões sobre metodologias e estruturas curriculares somam-se as percepções desses novos temas/conceitos, dos quais, aqui, é possível destacar: a questão do protagonismo; a questão do ensino colaborativo; a necessidade do desenvolvimento de uma capacidade maior para a resolução de conflitos; e por aí vai. É com essa premissa que surge a necessidade da busca de uma formação de um novo ser humano, que assimile e apreenda as bases desses novos conceitos/temas. E essa formação precisa ser entendida em via de mão dupla: é preciso buscar a nova formação de um professor e a nova formação de um aluno.
Como vivemos um tempo em que se acentua a dicotomia entre o âmbito racional e o emocional - como se fôssemos segmentados sem ser -, vale a constatação de que falta mesmo uma visão poética do mundo, a partir da qual seja possível reconhecer a magia e os mistérios que norteiam os saberes. Descontada toda a necessária leitura acadêmica, na minha opinião está aqui a síntese do entendimento do lúdico: buscar a visão poética do mundo. Antes que atribuam à minha síntese uma pecha subjetiva, já que me vali  da palavra "poética", preciso ressaltar que a palavra aqui está utilizada no seu sentido clássico, o de sentir. Poesia, para os gregos, remetia ao instante dos sentimentos. Então, falta uma visão de mundo, em que os sentimentos diante dos estímulos sejam exercitados e colocados à mesa.
A ludicidade, assim, está relacionada ao estabelecimento de uma visão de educação mais humanizada, em torno da qual possamos acreditar que o jogo, a festa, o brinquedo, o lazer e a poesia sejam verdadeiramente entendidos como variáveis formativas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Anotações - Uma reflexão sobre o erro

Ninguém gosta muito de errar, é verdade... Acontece que é exatamente da forma como administramos os nossos erros (e os nossos acertos, também) que podemos pensar em desenvolvimento.
Lembrei-me de uma atividade de Origami que desenvolvi, há algum tempo, em uma Escola, em que quase tudo deu errado: a programação foi feita em um pátio aberto, em que se juntou várias turmas, eu perdi as estribeiras no meio da atividade, não havia muito apoio por parte da organização da Escola e por aí vai... Depois de tudo, fiquei com o incômodo que os erros me proporcionaram.
Pois, para mim, é isso. Este incômodo que ficaram com os erros geraram em mim diversos pensamentos que balizaram o que eu deveria fazer, em uma próxima ocasião, com a sedimentação das variáveis acertadas e a correção das que não saíram como esperadas. Aprender com o erro, então, ganha uma nova dimensão reflexiva: é preciso aprender com a leitura filosófica do erro - tomar do erro a consciência do que se acertou e a do que não se pode validar. Tangenciando a tudo, está a postura reflexiva de quem não se acomoda diante do que foi realizado.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

Anotações - O Conformismo

As variáveis do impacto das mudanças em nossa vida também são temas recorrentes, aqui, nestas publicações. Acreditamos que a tese do conformismo - normalmente na instância de quem quer ficar na zona de conforto - é um dos grande males que prejudicam o desenvolvimento humano.
Dia desses, deparei-me com uma propaganda inteligente do canal de televisão Futura, cujo mote é "Conforme-se e o mundo será sempre igual". Se você não viu a propaganda, dá uma olhada aqui, nesse link.
No meu posicionamento de quem busca a evolução, não posso considerar que as coisas fiquem como estão... é preciso incomodar-se um pouco (senão bastante!) daquilo que não evolui.
Nossa tendência, justificada exatamente pela tranquilidade do que se reputa como confortável, é acomodar-se diante das trilhas da nossa vida. O que não é visto, na medida das leituras necessárias, é que esse dito conforto encobre as falhas da evolução; na verdade, nem se pode falar de evolução em relação àquilo que se conformou, que se deixou como estava.
É até compreensível que as mudanças exigem um pouco de coragem e de disposição em desbravar caminhos desconhecidos. E isso vai nos levar a patamares de enfrentamentos os mais variados. O que não se pode compreender é a falta de confiança na capacidade de transformar o mundo em que vivemos.


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A essência de ser Educador

Ser professor é a minha essência. Não porque saiba mais do que ninguém - até porque não sei mesmo -, mas pela oportunidade de entender e de participar do desenvolvimento do ser humano (inclusive o meu desenvolvimento). A ideia de estar inserido em um processo que pode transformar o desenvolvimento é minha maior motivação de querer sempre ser educador.
Quando se pensa em um trabalho em que suas ações, atitudes e reflexões estão diretamente relacionadas com a possibilidade de representar mudanças - seja em sua vida ou na de outras pessoas -, é que se toma a medida da dimensão deste fazer.
Ser educador é, exatamente, participar de um movimento de transformação. Cabe a nós, educadores que somos, na busca dessa essência, preparar-nos para as variáveis que nos permitirão a positividade do nosso trabalho. E esse caminho exige uma determinação incansável na busca do aperfeiçoamento pessoal.
Não nos esqueçamos que tudo isso é um trabalho: exige uma formação técnica que nos municie das estratégias melhores a serem tomadas diante das dificuldades; exige um conhecimento de mundo, a ser constantemente revisado, que nos prepare para todas as alternativas que forem necessárias; exige uma vivência humana altamente elaborada, que nos complete de percepções as mais diversas sobre as referências pessoais; exige um conhecimento do sistema ao qual estamos inseridos; exige uma consciência política e cidadã que transcenda nossas relações individuais e parciais...
Não nos esqueçamos, também, que tudo isso é uma convicção: exige de nós um posicionamento quase missionário de quem não se desvirtua dos objetivos maiores da evolução humana.
Ser educador é estar constantemente incomodado das coisas que não evoluem. É não se contentar com respostas prontas, nem com fórmulas desgastadas. É não se acomodar nas fáceis apreensões da vida. É buscar, insistentemente, tirar o melhor de si e daqueles que o cercam. É não esmorecer diante das leituras desestimulantes que nos chegam. É aprimorar-se, sempre, nas consciências política e humana, que fazem parte da evolução pessoal. É saber ouvir e saber falar e saber calar-se diante do que não se sabe...
O educador, em sua essência, sabe refletir sobre seus erros, para que dali surjam rumos de mudança - de comportamento, de leitura, de realizações.
A busca da essência no caminho de ser educador é o que pode mobilizar forças e variáveis para que a formação seja a mais positiva possível. É com isso que a Educação pode ser transformadora... e transformada!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Anotações - Mais uma do Armandinho e a importância da Educação

Em uma das últimas tiras do Armandinho (conhece?... Não? Não sabe o que está perdendo... Dê uma olhadinha em suas publicações, clicando aqui.), a discussão foi sobre a importância da Educação como saída para curar o preconceito.
Além do humor e das sacadas filosóficas do Armandinho, vale refletir sobre essa variável que dá à Educação uma importância além das dimensões que podemos alcançar, mas que resume a questão de uma forma inabalável: só mesmo a Educação pode tratar os mais diversos problemas.
E é preciso que nós, agentes da Educação, entendamos nosso trabalho dessa forma: somos sujeitos responsáveis pela transformação de uma sociedade. E é através do nosso trabalho que as propostas de desenvolvimento humano acontecem.
Por conta dessa premissa, é necessário que estejamos conscientes de nossas ações e dos caminhos por que percorrem nossas atitudes. É preciso que estejamos convictos da dimensão de nossas atuações, no caminho da formação e evolução pessoais.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Anotações - Tenha uma atitude cidadã

Os avisos no trem, metrô e quiçás, pelos caminhos em que tenho andado, devolvem-me ao espaço de reflexão, dito aqui, da necessidade de pensarmos uma educação para a cidadania.
Lá, nos trens e metrôs da vida, os avisos referem-se a atitudes recorrentes: não atrapalhar o outro, deixar as portas livres para facilitar entrada e saída, esperar as pessoas desembarcarem primeiro para depois entrar e por aí vai.
Penso que o exercício da cidadania é questão a ser muito repetida para ser compreendida. Parece-me que nem todas as pessoas estão ouvindo detidamente os avisos insistentes, mas pode ser também que vivemos tempos em que cada sujeito, em sua maioria, preocupa-se, primeiro, com seu umbigo. É um espaço de individualização ferrenha, em que parecem não ter muito importância o espaço e a necessidade do outro.
A ideia de não enxergar muito bem a necessidade e o espaço do outro remonta a uma variável de egocentrismo - em torno de mim é que o mundo gira... E não pode ser assim: vivemos em coletividade, nossas ações trazem consequência para outras pessoas, os espaços que frequento não são de uso exclusivo meu etc.
Justamente por vivermos em coletividade é que o conceito de cidadania passa a ser tópico de valor pedagógico inestimável. Cada sujeito, com suas atitudes, tem uma responsabilidade imensa no ambiente coletivo. Ter uma atitude cidadã, para além de escutar os avisos insistentes que nos chegam, é perceber que podemos tornar melhores os ambientes que frequentamos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Anotações - Agentes de transformação

Há uma frase de Gandhi, amplamente divulgada e já entronizada em nossa consciência, que propõe ótima reflexão sobre a variável de transformação: "Seja a mudança que você quer no mundo.".
A ideia de entender a mudança passa a ser imperiosa - seja a mudança! Todos nós, em algum momento, experimentamos a sensação de que algo não estava bem, ou em acordo, conforme nosso movimento e nossa necessidade. Esse algo deve sofrer uma ação direta para que se transforme no que estará de acordo com o que queremos. Guardadas as variáveis de intelectualidade, para mim, esse é a melhor definição de "mudança".
A maior questão, aqui, é que, em grande parte, nos acomodamos frente à necessidade das mudanças e esperamos que alguém seja o protagonista de nossas necessidades. Ou, ainda, esquecemos que a mudança do que está no exterior reside em nossas varáveis internas. É preciso criar a consciência de sermos agentes de transformação do mundo.
Gandhi, em sua mensagem conhecida, propõe uma reflexão, exatamente, sobre esse ponto. Por um lado, precisamos assumir o protagonismo de quem inicia os movimentos, à busca das transformações; por outro, é preciso que enxerguemos que essa mudança que queremos para o mundo inicia na transformação das nossas ações, pensamentos e atitudes.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Descompasso

Em conversa entusiasmada com meu irmão dia desses, na qual ele cunhou o termo "para-Educação" - aquilo que está ao largo da Educação... -, que, aliás, gostei muito, ele contou-me um caso de pai chamado na Escola para discutir uma inadequação do filho. Corriqueiro isso, eu sei, mas meu irmão saiu-se com essa, que ficou pairando sobre meus pensamentos: "Deve ser difícil para o professor dos tempos de hoje enfrentar as crianças do século 21, com os aparatos do século 19...".
Terrível descompasso paira sobre os espaços pedagógicos. Crianças e situações - sociais, econômicas, políticas, tecnológicas etc - avançaram, obviamente, no avanço dos tempos (século 21) e as escolas ainda se valem de ferramentas desgastadas com o tempo (carteiras com disposições rígidas, normas e apetrechos desatualizados, arquiteturas descabidas aos tempos modernos, falta de identidade com os aparatos tecnológicos e por aí vai).
Meu irmão, ainda, fez uma análise rápida sobre um dos dísticos fantásticos deste descompasso: "A Educação pressupõe que as crianças tenham a mente aberta, mas oferece um espaço fechado de posturas e percepções...". Bom, foi mais ou menos isso que ele falou (ele o disse com mais propriedade, eu quis dramatizar...). A verdade é que ao pressupor um espaço de mentes abertas, os espaços pedagógicos precisariam estar antenados com a perspectiva de oferecer um manancial, digamos mais libertário de atuação. Sei que a simples menção da palavra "libertário" possa causar um certo incômodo, já que associamos a ideia de liberdade à de bagunça. Entretanto, precisamos criar um espaço em que a liberdade de pensamentos promova uma liberdade de atuação, em um espaço livre para que o protagonismo e a criatividade resultem em variáveis de transformação.
De saída, conceitos como "liberdade de pensamentos", "liberdade de atuação", "protagonismo", "criatividade" e "transformação" remontam a percepções de descontrole. Mas não é  e não precisa ser assim. Na verdade, ficamos com medo de perder os controles, porque somos, em grande parte, de uma geração que foi tolhida, exatamente, dessas variáveis. E é mais fácil, para nós, ficar na malfadada zona de conforto, em que não perdemos a referência do que é tranquilo... ledo engano de visão!
Não há tranquilidade no que não é significativo.
Além do mais, a ideia de liberdade - seja ela de pensamentos, de atuação ou de qualquer outra referência - exige de nós uma alta responsabilidade. E é exatamente a reflexão e a análise dessa responsabilidade, com todas as suas nuances (formação, posicionamento, alteridade, desenvolvimento de habilidade de negociação, revisão de conceitos etc), que devem permear os trabalhos pedagógicos, no desenvolvimento de um sujeito pleno e consciente de seus deveres e direitos. Na extensão, a variável de protagonismo pressupõe exatamente a consciência dessa responsabilidade, para que dali possamos ser sujeitos positivos de nossa representação - social, profissional, política, cultural etc.
A criatividade e a transformação são temas desses novos tempos. De nós, são exigidas características que provoquem transformações nos modelos vigentes, visando benefícios e conquistas coletivas. A criatividade será o referente direto dessa exigência.
As atuações pedagógicas, se querem buscar elementos de qualidade e de proatividade, precisam municiar-se das ferramentas modernas para alcançar os sujeitos dessa modernidade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Anotações - Um pouco de poesia

Quando pensamos em poesia, normalmente, pensamos em um texto escrito em versos ("Você leu aquela poesia do Drummond?", dizemos). Aqui, gostaria de explorar um pouco mais o sentido da palavra. Para isso, recorro à sua origem grega, que encerra o significado de "sentir". Por esta via, quando dizemos "poesia", queremos estabelecer uma relação com os sentimentos advindos daquele texto... Bom, para ser mais sincero, não é necessário que seja exclusivamente de um texto. Qualquer referente que desperte os meu sentidos, posso categorizar como um referente poético. É assim com uma pintura, com uma música, com uma fotografia, com uma imagem qualquer, com um aroma etc. Mas fiquemos, por enquanto, no texto.
Há um poema do Manoel de Barros, O apanhador de desperdícios (se não conhece, clique aqui para ver uma antologia especial do Manoel de Barros, em que consta esse poema), que brinca bem com essa referência dos sentimentos. O poeta já começa com um paradoxo interessante ("Uso a palavra para compor meus silêncios."), em torno do qual tece imagens fantásticas ao longo do texto, para encerrar na mesma variável: Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Em uma leitura livre, a ideia de compor silêncios remete ao processo de introspecção por que devemos passar quando das situações de reflexões que o cotidiano exige de mim. Essas reflexões não podem ser aleatórias, nem irresponsáveis; é preciso conteúdo (palavras) para firmar o processo de reflexão (meus silêncios) - conteúdo esse fundamentado nas leituras e apreensões que fiz ao longo de minha vivência.
O poema apresenta-nos, ainda, variadas imagens, que nos deleitam o olhar, à medida em que me permito ampliar o conceito de poesia. Experimente sorver essas imagens.