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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Anotações - Sobre a percepção

É preciso investir no desenvolvimento da capacidade de perceber o mundo ao nosso redor. É a partir dessa capacidade - a percepção - que podemos analisar melhor as nuances do que está tangenciando os caminhos que perseguimos.
A ideia de percepção, mais associada aos meios metafísicos, não é necessariamente uma questão etérea. Perceber os sinais que acontecem é um exercício constante de atenção e de observação... Pode ser compreendido como a tal leitura de mundo.
O problema maior para essa compreensão é que andamos tão distraídos e desconectados das coisas aos nosso redor, que mal nos apercebemos dessas referências externas que nos chegam.
Entretanto, é quando estivermos mais atentos a todas as instâncias que nos circundam, que poderemos captar todos os sinais que elas nos representam. Daí, é só filtrar e analisar essa percepção e transformar os sinais em referências concretas de desenvolvimento.
Que nesse final do calendário, sedentos de desejos para o próximo ano, possamos redimensionar de uma forma positiva as nossas percepções para as variáveis de conhecimentos que devem nos alcançar.
Aliás, fazer do novo ano uma concretização positiva de expectativas é uma consequência natural desse exercício de percepção.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Anotações - Saber o que está acontecendo

Aquela ideia de que "não li e não gostei" há de ser revista... Uma palestra a que assisti recentemente colocou-me a reflexão de que precisamos estar atentos ao que está acontecendo. O expositor falava dos avanços tecnológicos e o quanto precisamos estar conectados com as ferramentas digitais, que se renovam constantemente. Mas, penso, a máxima vale para todos os campos de conhecimento. Disse o palestrante: "Você pode até não gostar do que está acontecendo, mas não pode não saber o que está acontecendo".
É frase, na minha opinião, para guardar nas anotações gerais. E trazer sempre à baila dos pensamentos.
Vira e mexe, confundimos os dois conceitos. Já que eu não gosto, não preciso saber... é o que pensamos e o que se traduz no mantra lá em cima: "não li e não gostei...".
Mas é preciso entender o que está acontecendo. E esse entendimento pressupõe a sapiência do que está acontecendo, a formulação de conceitos e de conhecimentos pertinentes, justamente, a essa ocorrência. Não se pode vislumbrar manifestações de opiniões sem que essa conexão seja verificada.
Na maior parte das vezes, somos tomados por juízos de valores superficiais e expressamos nossas opiniões fundamentadas nessa superficialidade... Não dá!
Faz-se necessário - e muito! - entender muito bem o que está acontecendo!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Anotações - O livro Zoom e a questão dos detalhes e a percepção do todo

Penso que já devo ter dito aqui, neste espaço, uma menção ao fabuloso livro Zoom, de Istvan Banyai. É uma bem feita alegoria sobre a necessidade de sabermos nos aproximar e nos afastar dos centros de atenções para percebermos detalhes e visões gerais daquilo que queremos entender. A história sem texto traz um recurso imagético bem elaborado que propõe essa reflexão o tempo todo, descortinando-nos leituras dos ambientes que modificam a partir da mudança do ponto de vista.
A vida deveria ser assim. Já que o problema é comum ao dinamismo dos dias: o que parece verter uma leitura de uma forma, modifica-se à mudança do ponto de vista.
E deveríamos exercitar, constantemente, essa variável: procurar enxergar o mundo sob variadas óticas: ora nos aproximando do centro para enxergar os detalhes; ora nos afastando, o que permitiria as visões gerais.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Anotações - A psicologia do sucesso

Um novo tema vem ganhando corpo, há algum tempo, no preparo dos caminhos para a busca da evolução pessoal. O preparo mental, que se notabilizou pelo termo em inglês "mindset". Em uma rápida e rasteira tradução, nada mais é do que "mentalidade". Mas mindset, a palavra associada às técnicas de desenvolvimento, quer dizer muito mais do que isso. Sobretudo, porque estão na mente das pessoas algumas chaves de sucesso.
A ideia de perceber como lidamos, primeiro na mente, com alguns referenciais de propósito leva-nos a compreender melhor a nossa direção e o nosso comportamento para a busca daquele propósito.
Em uma ilustração rasa, é a percepção daquelas pessoas que se comprometem a determinado caminho, mas já saem nas trilhas achando que nada vai dar certo. Vestem-se de negativismo frente às perspectivas de caminho.
É preciso que compreendamos que todas as idealizações são produtos mentais, de algo que ainda não existe - ou, se existe, que precisa ser melhorado. A mentalidade, então, direcionada às expectativas dos rumos que se pretende alcançar, precisa estar trajada de certa positividade. Claro que, dizendo assim, parece metafísico - pensamento positivo gera realizações positivas... Mas não é bem assim. Os caminhos mentais de perspectivas positivas devem preparar o cérebro para recepções positivas dos encaminhamentos.
E é esse preparo do cérebro, com as transformações mentais que forem necessárias, que fará com que estejamos mais determinados ao desenvolvimento.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Mover-se

Pensei nas folhas caídas das árvores... Parece sofrimento, em uma remissão à ideia de morte. As folhas caídas, a árvore despida, sem flores, sem cores, a vida que se foi. Mas, como na história do Buscaglia (*), as folhas caídas são o alimento para que a árvore renasça nas outras primaveras.
E penso que há muita relação entre a visão das folhas caídas - e esse viés reflexivo - com os nossos caminhos de desenvolvimento pessoal. Sobretudo, a partir do conceito de mover-se a algum lugar.
Não se pode conceber a referência da estagnação quando se encaminham os pressupostos para os trilhos da evolução pessoal. No movimento é que se encontram todas as perspectivas e possibilidades de transformação. A grande questão é que está, também, no movimento todos os riscos e ousadias do mundo. Daí, a ideia de medo quando se pensa em mover-se em direção a algo. O movimento, de alguma forma, revela muito do inesperado. Daí, também, que parece estar contida, na ideia de movimento, a referência do perigo... E, assim, para alguns pensamentos, mover-se parece atrelar-se a um rumo desconhecido, em que pairam todos os temores do mundo. Na mesma história do Buscaglia, a folha tinha medo de morrer... E é amparada, por uma máxima filosófica: "Todos temos medo do que não conhecemos...". Mas é preciso enfrentar o desconhecido, nesta aventura que se chama "conhecimento".
O conhecimento é um dos resultados do mover-se para algo. Faz-se necessário preparar-se para o tal do inesperado, do desconhecido. E é aí que se revela importante o quanto de energia se transferiu para a busca do conhecimento. Repita-se: esse movimento, esse gasto de energia traz à tona todo o cansaço possível. Às vezes, quando faz parecer que não suportaremos, a vontade é a de encostar-se a um canto, em um estado de quase morte, como quem não consegue dar mais um passo. Nessa hora, pense, também, nas folhas caídas das árvores: não é um fim; é um revelar-se de outro caminho, sabe-se lá com que configuração, que se demonstra necessário para a retomada da vida.
É assim que é o movimento: a busca de uma configuração que transforma a vida! E aí, damos mais um passo... alargamos mais o horizonte, na busca de outras contemplações... enxergamos outras possibilidades... estabelecemos novos aprendizados... vislumbramos rotas não previstas... e damos outros passos. Quando percebemos, a quase morte transfigurou-se em uma nova vida. Afinal de contas, a ideia de morte, de fim, está mais associada à estagnação do que ao movimento.

(*) A história de uma folha, Leo Buscaglia.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Anotações - Aprender, desaprender e reaprender

Dias desses, chegou-me, através das redes digitais, uma frase atribuída ao escritor e futurista Alvin Toffler, falecido recentemente, aos 87 anos: "Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender.".
A frase é emblemática para refletirmos sobre os processos de aprendizagem. Longe de pensar a aprendizagem como algo finalizado, pronto, acabado, a mensagem nos convida a pensar o ato de aprender como algo que se reconfigura em um moto contínuo de mudanças de fases. Aquilo que eu aprendo, tenho que estar preparado para a possibilidade de desaprendê-lo, no sentido de reaprender, de enxergar uma nova forma - um novo olhar - de construção do conhecimento. A ideia de reconfiguração cabe bem aqui: modificar as variáveis de aprendizagem.
Não há ideia estanque de evolução. O processo todo é dinâmico e exige perspectiva de mudança e de renovação do olhar.
Àquela variável de aprendizagem como algo fixo, colocamos o sentido de revisão e de reformulação... E é assim com a vida, com os caminhos naturais que enfrentamos em nosso crescimento. Às vezes, um conhecimento serve; às vezes, não. É preciso redimensionar toda a nossa visão do mundo e as leituras que nos chegam, em um movimento constante de busca de replanejamento das linhas e dos caminhos que tomamos.
Quando estivermos plenos desse propósito - aprender, desaprender e reaprender - é que estaremos conscientes dos rumos de nossa evolução pessoal.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Viver a vida

Nas trilhas do desenvolvimento pessoal e nos processos naturais de evolução pessoal, fomos apresentados ao conceito de seriedade. Precisamos ser sérios e responsáveis, é o que nos dizem as máximas de evolução. E a esse conceito, deixamos de lado os aspectos de alegria da vida, já que a ideia de sorrir e de ser feliz opunha-se ao sentido de seriedade. Quanto mais aparentarmos seriedade, tanto mais nos apontarão como pessoas responsáveis.
E assim vivemos a vida negando os conceitos de felicidade, já que fomos nos acostumando aos princípios dos sacrifícios - quanto mais nos sacrificarmos em relação aos caminhos que tomamos, tanto mais adotaremos posturas e comportamentos de pessoas responsáveis... O pior de tudo é acreditar nessa máxima e fazer de nossa vida um porto de tristeza e de lamentações.
A dinâmica da vida não olha para alegrias e tristezas. A vida flutua ao sabor de ocorrências naturais, casuais ou não, todas elas despidas de significado valorativo - as coisas acontecem porque acontecem. Nós é que atribuímos valores a estas ocorrências. Se estamos bem e equilibrados, enxergamos tudo por uma ótica maviosa; se não estamos bem, a ótica é a do negativismo.
Precisamos aprender a viver a vida, como ela se nos apresenta. Não há maquiagem na ocorrência dos momentos... eles são porque são. Quem faz a maquiagem somos nós.
Lembro-me de uma teoria que aprendi, já há algum tempo, do encantamento da vida. Somos os únicos animais capazes de encantar e desencantar as coisas. Diante de qualquer situações que enfrentamos, podemos encantar ou desencantar as ocorrências - é assim, para ficar em uma situação trivial, que há aqueles que gostam do sol e aqueles que gostam da chuva... E não há no sol ou na chuva nenhuma referência valorativa que traga uma dimensão avaliativa para um ou para outro.
Viver a vida é reconhecer que as ocorrências dela são assim: dinâmicas e sem aspectos valorativos.
Dotados desse conhecimento, podemos passar a dar importância ao que realmente é significativo: nossa formação (vivencial, cultural, emocional etc) diante das perspectivas que me chegam (concretamente ou não). É como estou formado que me habilita a perceber os aspectos da vida.
Não é fácil falar de formação. Isso, porque fomos levado por outra instância cultural: a das avaliações. Os sistemas tentam nos balizar por parâmetros reconhecidos como medianos e de certificação. Novamente, a vida mostra-nos outros trilhos: não há sistema de avaliação que parametrize, de forma padronizada, nossa capacidade de portar-nos diante das intempéries: em algumas situações, eu reajo de um jeito: em outras, minha reação é completamente diferente.
Esqueçamos, pois, os parâmetros e os mecanismos de padronização dos sistemas diversos que nos chegam. Vivamos a vida!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Anotações - Desenvolvimento

Vi uma campanha publicitária, de um banco governamental, com um mote interessante, aproveitando-se da referência dos Jogos Olímpicos: "Vencedores não nascem prontos. Eles se desenvolvem.".
Novamente, o tema da determinação e dos caminhos de desenvolvimento.
Não há variáveis prontas, acabadas. É preciso que nos entreguemos às trilhas de realização. Com tudo o que vai representar esses caminhos: esforço, competência, talento, obstinação e, admito, até uma ponta de sorte, sim.
O desenvolvimento não é um caminho estanque, em que as variáveis finalizem-se em moldes acabados. Ás vezes, é preciso retomar caminhos, retomar planejamento, rever estratégias, reposicionar metas, modificar metas, e assim por diante. O que torna o caminho da realização uma referência viva e dinâmica.
É preciso falar do desenvolvimento como algo que exige comportamento e postura de vencedores, como os que vemos nos esportes: determinados, esforçados, concentrados, com foco na meta a ser alcançada.
Eis um tema altamente pertinente aos processos de evolução, a ser continuamente trabalhado nos espaços pedagógicos.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Os propósitos da educação

Qual o propósito da Educação? Penso que haja muitos, já que o princípio fundamental da Educação seja o de facilitar a promoção do desenvolvimento humano e esse objetivo encaminha-se sob variáveis diversas. E exige diversos caminhões de atuação. Mas, e sobretudo, na minha opinião, a Educação deve encaminhar seus rumos para a correção das distorções de valores que encontramos na sociedade.
Conheci a história da professora, cujo trabalho admiro bastante, revestida da angústia que lhe acometeu, quando se viu acusada por fazer um ótimo trabalho. 
Explico. Mas antes, é preciso que se diga que ela é uma excelente professora; que trabalha com a base fundamental do ensino, que são as séries iniciais; e que leva muito a sério os reais propósitos de uma Educação de melhor qualidade... e que já sofreu muito por causa disso. Normalmente, já foi incompreendida por seus pares, por seu corpo diretivo e até por alguns pais... mas nunca o foi, significativamente, pelos alunos. Seus alunos, como na história maluquinha - do menino e da professora -, traziam sempre brilho nos olhos e uma curiosidade muito grande em aprender.
A história é a seguinte: a professora viu-se em apuros, quando seus alunos do ano anterior começaram a comparar a professora atual em relação a atitudes e comportamentos de atenção com que eles estavam acostumados. No lugar da professora atual pensar em rever programações ou refletir sobre isso, achou por bem tascar uma malcriada resposta: "Eu não sou a professora fulana de tal...".  E deu início um conflito desnecessário... "É muito difícil dar aula para alunos que foram seus", ouviu a professora maluquinha. "Seus alunos querem saber de tudo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter jogo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter histórias...". E por aí vai.ual o propósito da Educação? Penso que haja muitos, já que o princípio fundamental da Educação seja o de facilitar a promoção do desenvolvimento humano, e esse objetivo encaminha-se sob variáveis diversas. E exige diversos caminhões de atuação. Mas, e sobretudo, na minha opinião, a Educação deve encaminhar seus rumos para a correção das distorções de valores que encontramos na sociedade.
Conheci a história da professora, cujo trabalho admiro bastante, revestida da angústia que lhe acometeu, quando se viu acuada pelos colegas, pelo motivo contraditório de fazer um ótimo trabalho. 
Explico. Mas antes, é preciso que se diga que ela é uma excelente professora; que trabalha com a base fundamental do ensino, que são as séries iniciais; e que leva muito a sério os reais propósitos de uma Educação de melhor qualidade... e que já sofreu muito por causa disso. Normalmente, já foi incompreendida por seus pares, por seu corpo diretivo e até por alguns pais... mas nunca o foi, significativamente, pelos alunos. Seus alunos, como na história maluquinha - do menino e da professora -, traziam sempre brilho nos olhos e uma curiosidade muito grande em aprender.
A história é a seguinte: a professora viu-se em apuros, quando seus alunos do ano anterior começaram a comparar a professora atual em relação a atitudes e comportamentos de atenção com que eles estavam acostumados e não eram contemplados agora. No lugar da professora atual pensar em rever programações ou refletir sobre isso, achou por bem tascar uma malcriada resposta: "Eu não sou a professora fulana de tal...".  E deu início a um conflito desnecessário... "É muito difícil dar aula para alunos que foram seus", ouviu a professora maluquinha. "Seus alunos querem saber de tudo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter jogo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter histórias...". E por aí vai.
E é aqui que entram as distorções de valores... Ora, o que se pensa em Educação, principalmente quando se trabalha com crianças pequenas, é a garantia de referenciais que permitam o pleno desenvolvimento. E as questões de ludicidade e de respeito às potencialidades dos pequenos estão amplamente discutidas como principais elementos desse desenvolvimento. E é dessa forma, que se promove, positivamente, o tal desenvolvimento.
É descabido, assim, aquele conflito. A professora maluquinha deveria servir de exemplo, isso sim. A defesa inabalável dos propósitos reais da Educação deve fazer parte de qualquer ética de um bom professor. Mas, reconheço, para isso os tais propósitos deveriam fazer parte das constantes reflexões. As diversas reuniões que se fazem, os encontros pedagógicos que acontecem, os planejamentos que ocorrem, tudo deveria priorizar os debates e os subsídios para a consciência dos propósitos da Educação. Já disse, aqui, em outras ocasiões, que gosto de uma máxima: "A Educação é o processo de desenvolvimento do ser humano.". E, nessa máxima, repetem-se, para mim, os verdadeiros propósitos de uma Educação de melhor qualidade.
É processo, pois está em constante realização... É dinâmico, não estanque. E por estar em constante realização, exige competências também dinâmicas por parte dos professores.
E a missão principal do trabalho pedagógico é o desenvolvimento do ser humano. Reflexões à parte, promover o desenvolvimento do ser humano exige posturas condizentes com os ideais de positividade de um trabalho. Ser positivo e estar positivo.
Que a professora maluquinha console-se na certeza de que, para os propósitos da Educação, sua atuação é digna e merecedora de exemplo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Anotações - Pensar no outro

No caminho de entendimento de uma sociedade mais humanizada, é preciso que ampliemos o conceito de alteridade. Deixar de ser apenas perceber o outro, mas também pensar no outro, preocupar-se com o outro e entender os desejos e os direitos dos outros.
Nesses rumos de avanços tecnológicos, em que nos relacionamos mais no plano virtual, parece-nos que a existência física de uma outra pessoa passa a ser entendida como algo distante. O outro está mais nos espaços abstratos de uma relação tecnológica: no teclado de um aparelho celular ou no vídeo de uma teleconferência. E assim, vamos nos despercebendo do outro.
Daí essa necessidade, repetidamente apontada aqui, da alteridade. O outro deve ser visto como a integração de meus caminhos... É preciso cuidado. É preciso que pensemos no outro, que nos preocupemos com o outro. Nesse caminho, meus propósitos e minhas interações precisam ser observados de forma a entender seus desejos e seus direitos. Não estou sozinho, minhas atitudes e meus comportamentos interferem diretamente nos rumos de outras pessoas.
E, nesse processo de interferência, absolutamente natural para quem vive em sociedade, quanto mais eu me preocupar com os outros espaços e as outras necessidades, tanto mais caminho na plenitude de uma integração real e solidária, em que todos saem ganhando.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anotações - A alteridade

Em entrevista sobre um programa de televisão, que ainda vai estrear (A Arte do Encontro), o ator Tony Ramos, que vai comandar a atração, filosofa sobre a ideia de alteridade: "A vida se renova quando você ouve o próximo. Quando você monologa, você não tem vida, tem só uma ansiedade de viver. A vida perde o encanto. O gostoso é quando você ouve a quem está à sua volta, você devolve, concorde ou não. Isso é vida, o resto é perfumaria." (A entrevista está na Revista Monet - Editora Globo -, nº 160, julho 2016, pág. 59).
Já conversamos, aqui, sobre a questão da alteridade - a capacidade de perceber o outro. E de como, por vivermos em sociedade, essa é uma capacidade importante a ser exercitada. Mas a frase do ator Tony Ramos proporcionou-me uma leitura mais urgente: quando você monologa (só vê a si mesmo), a vida perde o encanto. Até penso que, em algumas situações, chega a ser importante o tal do monólogo, talvez o exercício da consciência... Mas só nesse nível, como exercício de consciência. No mais, é imperioso que tornemos a vida encantada: perceber o outro, interagir com o outro, ouvir o outro, conectar-se ao outro.
Na interação, nossa consciência ganha em perspectivas da ideia de viver em coletividade... E, sobretudo, que é possível aprender e dividir com outro.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Equilíbrio emocional

No desenvolvimento de um trabalho que prima pela perspectiva do desenvolvimento humano, como é o realizado nos espaços escolares, é preciso cuidar, sistematicamente, das referências do equilíbrio emocional. Não é raro constatarmos que uma boa parte dos profissionais de Educação passam por reiteradas situações de stress emocional. O cotidiano das ações e das relações propicia essas instâncias.
O equilíbrio emocional deve ser uma variável de cuidado, em que se busque, efetivamente, o comprometimento de estratégias e de organização de posturas para o seu alcance.
Há vários caminhos para esse fim... e é preciso que cada pessoa reflita sobre esses caminhos para o estabelecimento de um rumo positivo, que atenda às especificidades individuais. Note-se que não é possível estabelecer um padrão de encaminhamento, como uma receita de posturas e atitudes. Mesmo assim, proponho-me a convidar à reflexão sobre quatro itens interessantes a serem incluídos no propósito de uma vida que contemple a emocionalidade em equilíbrio: a espiritualidade; o pensamento positivo; o entusiasmo pela vida e pelo trabalho; e a realização de uma atividade manual e criativa.
O exercício da espiritualidade deve estar atrelado à perspectiva da crença em algo divinatório, não necessariamente ligado a uma religião. Em minha concepção, a religião é algo que vem de fora; a espiritualidade está fundamentada na interioridade do indivíduo. E é o desenvolvimento dessa percepção interior, que se encaminha para a reflexão da espiritualidade. Aqui, estão as concepções de fé, por exemplo. Desenvolver a fé e buscar o seu sentido espiritual é algo que faz bem ao escopo das emoções.
A ideia de pensamento positivo não é uma leitura acomodada de quem acha que tudo vai dar certo; ter pensamento positivo sobre algo é, sobretudo, encontrar-se pleno de motivações para vencer os desafios que a vida nos impõe. A variável do pensamento positivo é aquele movimento que nos impele ao caminho da consciência nas competências e habilidades que são necessárias para a realização de algo... Esse algo a ser realizado nunca é visto como um elemento impossível - o enfoque dá-se na necessidade de elaborar certas competências e habilidades para a fundamentação das forças necessárias ao enfrentamento dos desafios.
Daqui, chega-se, por extensão à outra variável: a do entusiasmo pela vida e pelo trabalho. Quando nos confrontamos com a situação de stress emocional, é normal perdermos esse entusiasmo. O que nos afunda na falta de perspectiva das soluções. É preciso estar atento: o entusiasmo está consolidado na visão racional que temos dos problemas e dos desafios enfrentados... E é justamente nesse conceito que se visualiza a referência de entusiasmo: os desafios precisam ser enfrentados. E essa ideia é tão fascinante que, via de regra, quando estamos entusiasmados, conseguimos mobilizar outras pessoas a partilharem do nosso entusiasmo. É quando o enfrentamento dos desafios ganha uma consciência coletiva de realização.
Por fim, há um caminho interessante de mantermos a interioridade em exercício constante de busca do equilíbrio emocional - a realização de uma atividade manual e criativa. Experimente. Dê vazão a suas potencialidades do exercício manual e busque as inspirações criativas para a sua realização. Certamente, você vai enxergar uma transformação que possibilita uma melhor compreensão das buscas do desenvolvimento de uma consciência emocional.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Anotações - Refletindo com a Educação da Finlândia

Todo mundo que reflete a Educação, em seu sentido mais amplo, certamente já ouviu falar do propalado sistema educacional finlandês e o seu alcance positivo, em relação às variáveis de aprendizagens e de estímulo ao professor.
O site Carta Educação publicou ontem uma entrevista com a Diretora das Relações Internacionais do Ministério da Educação e Cultura daquele país. Vale uma olhada na entrevista para ampliarmos as reflexões e, quem sabe, buscarmos parâmetros para idealizarmos um trabalho mais positivo por essas bandas. Para acessar a entrevista, clique aqui.
Há vários elementos ali. Desde a ideia de valorização do professor e do alcance de sua estima, em relação aos processos de formação, passando pelas instâncias da cultura de formação de um povo e englobando a visão dos aspectos sistemáticos que devem nortear o trabalho pedagógico. É o caso da avaliação, por exemplo.
Na entrevista, a Diretora dá uma medida interessante para quem gosta de pensar a avaliação: “A ideia de avaliar não é medir quem vai melhor nos testes, mas identificar quem precisa de apoio. Nós trabalhamos muito para nos livrar do estigma social de uma educação corretiva”. É importante que se diga que, em meus caminhos pedagógicos, a avaliação sempre foi um tema que me incomodou. E veja essa colocação: identificar quem precisa de apoio. Não é fantástico pensar em um sistema de avaliação que se preocupa mais em verificar as instâncias das necessidades de apoio (e olha que, até aquele aluno aplicado - que mal dá problemas em sala de aula -, no fundo, também deve precisar de apoio...) a tratar apenas as questões de medição quantitativa de quem é melhor nisso ou naquilo?... Bom, esse é um tema ao qual ainda vamos voltar.
De qualquer forma, refletir sobre experiências e vivências exteriores à nossa é um dos caminhos fundamentais para a busca de uma Educação de melhor qualidade.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Anotações - Perfeição - ou a grande dificuldade de lidar com os erros

Fiquei pensando na imagem dos pais que ajudam as crianças pequenas a fazerem seus trabalhos escolares e os realizam com aquela perfeição arquitetônica e estrutural. Quando os vemos (os trabalhos), já identificamos, de saída, que jamais uma criança poderia ter realizado aquela obra - tudo está elaborado, bem acabado, de uma maneira que parece aquelas alegorias de escolas de samba - ou de cenário de uma peça altamente profissional.
Se a ideia era realmente fazer algo bonito e bem elaborado, até que seria compreensível. Mas, via de regra, os pais sujeitam-se a isso com a pretensa boa ação de evitar que os filhos sejam julgados abaixo da média. Fico até imaginando, para ficar na instância simbólica, a ideia de contratação de profissionais das artes plásticas e designers para que a elaboração fique o mais perfeita possível...
E é assim que criamos, na escala de nossa evolução, a referência da dificuldade de lidar com os erros, com as rejeições. Ou, ainda, a referência da dificuldade de sabermos lidar com as potencialidades individuais: alguns terão potenciais para o desenvolvimento dessa ou daquela habilidade; outros, não. Paciência, nada vai ficar comprometido.
E essa visão da família já passou para a escola. Sei de algumas situações, como aquelas das famosas festas, em que os próprios professores constroem os adereços e elementos que, pensávamos, teriam sido produzidos pelas crianças.
A ideia da perfeição deve existir, sim. É até saudável. Mas deve estar relacionada com os aspectos das competências individuais e com o amadurecimento correspondente à busca das evoluções.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Uma questão de significado

Quando nos acontecem as variáveis da vida, é importante que consigamos atribuir a cada ocorrência o seu real valor significado, a sua importância. Digo isso porque, nos caminhos do desenvolvimento pessoal, nem sempre atribuímos a real importância dos momentos por que passamos. Às vezes, dimensionamos para mais ou para menos os instantes que nos acometem.
Saber atribuir o verdadeiro significado das coisas é o pressuposto da consistência das nossas sensações ao longo das trilhas que enfrentarmos.
Se tivermos que nos entristecer por algo, que seja por merecido significado e não por valores abstratos que pensamos em atribuir ao que nos ocorre.
Assim também, se tivermos que nos alegrar por algo, que seja por merecido valor.
Dito assim, parece fácil. Mas não é. A vida é dinâmica e, como dizia a canção, de viés. É normal que nos posicionemos, em alguns momentos, mais levados pelos valores emocionais e pelos sentimentos, estes que nos ludibriam reiteradas vezes. É normal, também, que nossa posição seja valorizada pelas circunstâncias - se estamos bem, tendemos a olhar as variáveis com vistas mais amenas; se não estamos bem, a tendência é que enfrentemos os caminhos com passos mais acinzentados.
Criar uma referência em que se busca a dimensão do significado pode ser o passo para tornar as relações - sejam elas de que valores forem - muito mais sólidas. Primeiro, é preciso que se pense que não há perfeição - algo vai falhar. E é preciso que reflitamos, justamente, sobre essas falhas. Elas são realmente significativas? Têm a importância que julgo terem? São incontornáveis? E por aí vai.
Há um pressuposto característico do ser humano: somos mais propensos a encaminhar a valorização dos nossos momentos para o que traz sofrimento. Podemos ter inúmeras experiências de alegria e júbilo, mas vamos deter mais importância ao que nos entristece, ao que nos deprime. É da vida. Quando se tem essa percepção, vale ter cuidados ao estabelecer valores às vivências. Elas foram realmente significativas? E as mesmas perguntas retomam, já que vivemos em um ciclo constante. Alegramo-nos... sofremos... e assim por diante!
Nossas tristezas até têm importância, mas, sejamos francos: os instantes de alegria e de contentamento da vida são muito mais significativos e frequentes. É da vida!


terça-feira, 12 de julho de 2016

Anotações - Convivencialidade

Estava lembrando-me de um livro, Convivencialidade (A Expressão da Vida nas Empresas - Orgs.: Marcia Esteves Agostinho, Ruben Bauer e José Predebon - Ed. Atlas, SP, 2002), ao pensar na referência do reconhecimento do outro como ser humano, dotado de emoções, angústias e esperanças como eu mesmo, como você.
Não é curioso que, às vezes, esquecemos da referência do ser humano nos processos de relacionamentos os mais diversos em que nos fazemos?
A ideia de convivencialidade permite-nos uma reflexão mais apurada sobre os princípios de que esse outro ser humano é importante nos caminhos em que buscamos a evolução... É na convivência que estabelecemos os princípios fundamentais da humanidade.
O livro fala da questão associada aos princípios corporativos, mas meus pensamentos caminharam para o dia a dia, para a vida comum. Como está ficando difícil reconhecer o outro, nesse mundo em que, inconscientemente ou não caminhamos para os rumos do individualismo ou dos relacionamentos em que as conveniências falam mais alto do que as sensações reais e integrais.
Acontece que, a menos que vivamos nas montanhas ou em cavernas, nosso princípio social nos impele às relações de coletividade, em que a existência do outro, mais do que um fator biológico, representa mesmo um elemento de sobrevivência. Estamos conectados a um caráter de interdependência, a partir do qual nossos movimentos interferem nos caminhos do outro. Simples assim: a convivência é um elemento de desenvolvimento social.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Desenvolvimento Pessoal

Os caminhos do desenvolvimento pessoal são sempre estradas sinuosas, de longa trilha. Em algum ponto do caminho, vamos ser acometidos ou pelo cansaço, ou pelas distrações naturais ou por um envolvente desejo de desistência.
O que deve ser o fiel da balança dos nossos desejos é a certeza de que este é o único caminho a que estamos fadados: desenvolver-se!
Os seres humanos estão na vida - e a nossa evolução mostra isso - à busca do desenvolvimento constante. Nossa trilha, nos rumos da evolução biológica (crescimento), são desenhadas por esse propósito: da dependência dos adultos para a saída para a escola, a saída para o trabalho, a saída para a constituição de uma nova família etc. Essa linha mostra um rumo natural de evolução, em que saímos de uma instância de acomodação (a tal da zona do conforto) e saímos à estrada para vencer e enfrentar os obstáculos que a vida nos prepara. A menos que aconteça algo excepcional, esse é o caminho óbvio de evolução humana.
Por essas razões, devemos destinar aos trilhos do desenvolvimento pessoal uma reflexão até de certa forma bem simples. Não é opção, é predestinação. Somos predestinados a esse crescimento.
A grande questão é que, ainda que seja um caso de predestinação, não significa que os rumos e as trilhas estejam definidos e claros. É preciso que haja um movimento consciente (e desperto!) de escolhas, de interferências pessoais, de análises, de replanejamentos e por aí vai.
Nosso rumo de desenvolvimento carrega muito de o quanto estamos preparados para lidar com essas vicissitudes. Nossa formação, em seus variados aspectos, será a fundamentação que nos consolida e nos prepara para essas interveniências que a vida vai nos reservar.
E essa formação não é apenas a intelectual. Toda e qualquer experiência pela qual passamos pode representar uma situação formativa - depende do significado que pudermos atribuir a essa experiência e das reflexões críticas que conseguirmos elaborar a seu respeito; quanto mais significativas e reflexivas forem as experiências, tanto mais possível será a sua condução aos processos de aprendizagens de que nos valemos.
E as experiências são das mais diversas naturezas: sociais, intelectuais, pessoais, emocionais, profissionais etc. Cada uma delas nos permitem um sem número de possibilidades formativas... às vezes, não percebemos todas.
Na trilha do desenvolvimento pessoal, sairá na frente quem se dispuser a parar para pensar um pouco nas vertentes dessas vivências, em o quanto cada uma possibilitou essa ou aquela formação.