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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Para refletir - Obstáculos


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Anotações - Sobre coincidências e sorte

O assunto vira e mexe vem à cabeça: quanto de coincidências e de sorte os nossos caminhos são constituídos?
Minha percepção mental puxada à racionalidade procura sempre negar esses preceitos de coincidência e sorte nos rumos do desenvolvimento pessoal; ou se compromete com os desgastes das trilhas ou pouco se vê logo ali adiante, penso quase sempre. Acontece que, no meu caso, há mesmo um embate sempre profundo: percebo que em alguns momentos ocorrem lances um pouco inexplicáveis que parecem conduzir para variáveis metafísicas... Puxa, e não faz muito tempo (acho que foi antes de ontem) acabei publicando aqui nestas páginas uma reflexão que preconiza uma ideia contrária aos ditames metafísicos. É a vida... ou, como diria o maluco beleza, é preferível ser aquela metamorfose ambulante.
Mas os conceitos de coincidência e de sorte são temas complexos de se abordar. É preciso descer do aparato sagrado e puxar para a ciência na tentativa de encaminhar algum pensamento sobre o assunto.
E a ciência vai dizer que o nosso cérebro responde a estímulos concatenados com a visão de mundo que temos. Se somos otimista, encaminhamos nossas soluções para uma realização; se somos negativos, não achamos a solução das realizações. Somada essa premissa às capacidades de determinação e de preparo, inerentes aos processos de desenvolvimento pessoal, o sujeito otimista vai navegar por mares, ainda que revoltos, com valentia e coragem no enfrentamento dos dissabores; o sujeito pessimista, ainda que o mar esteja em forma de regato, vai enxergar sempre obstáculos nos caminhos (e creditar esses obstáculos a alguma entidade divina e à sua culpa em relação à crença naquela entidade...).
Ora, de enfrentamento em enfrentamento, pensando nos sujeitos mais positivos, é natural que surja uma luz no fim do túnel. E é essa luz no final do túnel que chamamos de coincidência ou de sorte.


terça-feira, 27 de junho de 2017

Anotações - Transpiração

Vou confessar outra coisa, e espero que os amigos seguidores da metafísica não me queiram mal: incomodam-me bastante as ideias esotéricas de evolução pessoal, que apregoam umas referências etéreas de aperfeiçoamento pessoal. Há, por aí, uns discursos meio simplistas de que se deve fazer essa ou aquela experimentação sensorial para se atingir o nirvana. Respeito muito tudo isso, mas é preciso que sejamos claro: qualquer relação evolutiva a que se pretender é necessária muita transpiração. Creio até que os gurus que apregoam aqueles caminhos sabem disso - e até se valem desse pressuposto para alcançar seu desenvolvimento -, mas proferem os discursos de ensinamento como se fosse simples assim: respire assim, vibre assado e todo o universo entrará em sincronicidade com suas aspirações.
Mas não é só assim, é preciso muita transpiração, sim! Vejamos o ensinamento de um dos nossos poetas maiores, João Cabral de Melo Neto, que nos deixou o legado, a propósito da poesia, de que ela não é mero resultado de inspiração em razão do sentimento, mas do fruto do trabalho paciente e lúcido do poeta.
E ainda que acreditemos naqueles postulados metafísicos, é preciso que entendamos a nossa responsabilidade na realização dos nossos trabalhos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Percepção estética

O trabalho com a arte - ou com elementos artísticos - exercita, sobremaneira, a referência de percepção artística no desenvolvimento das pessoas. E é com essa percepção que o sujeito conta para as elaborações de criatividade e sensibilidade, só para ficar em duas variáveis que rimam e contribuem bastante para os estágios de evolução.
Nas escolas, os agentes pedagógicos devem valer-se dessa premissa. Qualquer indivíduo, ao largo de suas formações, precisa dos componentes estéticos desenvolvidos para o seu pleno desenvolvimento. Enxergar o mundo pela ótica da sensibilidade, além de uma possibilidade formativa, é uma necessidade neste mundo que exige comportamentos dinâmicos e de soluções positivas. Pode ver, o sujeito que consegue ver além das superfícies rasas e enxergar ali nuances quase que mágicas de caminhos possíveis desenvolve uma postura de proatividade e de transformações de mundos... é desse sujeito de que precisamos!
Precisamos de alguém que coloque resoluções coloridas nas trilhas preenchidas de cinzas impossibilidades. Para isso, é preciso modificar olhares, modificar comportamentos, modificar atitudes. Aqui, a capacidade de exercitar a experimentação deve ir além do que é normal. Eis aí a ponte com a referência aos espaços escolares: cabe aos agentes pedagógicos procurar motivar nos estudantes essa capacidade de experimentação; vale destacar que a ideia de experimentação é tão válida para o desenvolvimento pessoal, que ela nos acompanha cotidianamente. Está na experimentação, essa variável diária, o movimento constante de aperfeiçoamento. O que aconteceu com esse aspecto foi que nos avanços da humanidade, perdemos as instâncias da experimentação, porque nossa evolução cultural cobriu-nos de medo e de insegurança frente às tentativas que devemos fazer.
E a percepção estética, além dos preceitos da experimentação, passa por uma série de variáveis: vivências, experiências, formação etc. É um processo extenuado de evolução.
Por esses dias, acerca desse tema, fui indagado por uma senhora que se deu conta de que estava frente a frente com um artista (vejam só!) da minha opinião sobre cores e combinações. Eu a ouvia atentamente, mas disse-lhe que não havia uma resposta pronta e única sobre o seu questionamento, que a ideia de combinação de cores abrigava-se um referencial mais pessoal e abstrato do que se poderia imaginar. Por fim, conversamos bastante sobre as ideias contidas aqui neste publicação. Ao final de tudo, quis dizer-lhe que o meu trabalho artístico é, em grande parte, intuitivo, mas não sei como ela entenderia isso. Normalmente, associamos a referência de intuição a um processo mágico, em que se "recebem" as ideias já encaminhadas. Para mim, o trabalho intuitivo, componente das elaborações de percepção estética, é resultado de dois processos desgastantes: a autocrítica e a determinação de experimentar.
E vejam que apontei sobre a ideia de determinação... Experimentar é uma determinação! A autocrítica, por outro lado, nasce da capacidade de rever-se o tempo todo.
O conceito estético, que molda os aspectos do desenvolvimento humano, pode tornar-se o elemento de essencialidade nas transformações do mundo que nos cerca.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Anotações - Sobre Deus, o mito do Herói e os caminhos das oportunidades

No filme "A volta do Todo Poderoso", o personagem de Morgan Freeman (o próprio Deus!) ensina: "Quando alguém pede coragem a Deus, não é isso que Ele concede; Ele mostra oportunidades para a pessoa ser corajosa.".
Pensei, nas relações do empreender, que o ensinamento tem a ver com a ideia dos caminhos das oportunidades, tão expostas em treinamentos os mais diversos... E também com a questão do mito do Herói, que versa sobre o desenvolvimento pessoal.
Independente das percepções religiosas de cada um, é natural que acreditemos em um ser supremo, criador do mundo que existe e sobre o qual se escreveram as mais diversas façanhas. A questão é que, por conta da magnitude desse ser, grande parte das pessoas credita a ele todos os vieses de sua vida e encaminha seus rumos ao sabor do que determina esse ser. Torna-se, portanto, comum que se espera o próprio Deus conceder todas as respostas e as ferramentas de que precisamos; quando não acontece, creditamos às nossas falhas perante o sagrado a impossibilidade de alcançar tais ferramentas e respostas. E assim caminha a humanidade.
Ora, pensemos, porque um ser supremo nos daria tudo pronto? Está na raiz do nosso desenvolvimento os caminhos de transformar as trilhas, com todas as suas nebulosas pistas, nas ferramentas e respostas necessitadas. Somos, assim, responsáveis por essa transformação. Não seria o pressuposto de enxergar as oportunidades? E de fazer com elas o combustível necessário para modificar todos os caminhos. Exatamente, como no mito dos Heróis.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Anotações - A anestesia aos sentidos

Vou confessar um comportamento meio sádico: eu me divirto um pouco com aquelas pessoas, de fone de ouvido embutido, que não escutam os avisos nas estações de trem, como por exemplo aquele que informa sobre o fato da composição seguinte não prestar serviços e, que portanto, devem as pessoas continuarem esperando na plataforma, sem poderem embarcar. Mas me divirto ainda mais quando acontece com pessoas que não estão com fone de ouvido, desligadas dos sentidos essenciais.
Tem ocorrido esse fenômeno, que bem parece um processo de anestesia aos sentidos. Que se nota muito neste exemplo dos avisos sonoros nas estações de trens (também do metrô), mas que ainda se estende para todos os movimentos de relações sociais a que nos submetemos.
É nesse contexto que as pessoas parecem estar anestesiadas, com os sentidos adormecidos frente aos estímulos do cotidiano. É um sinal sonoro que não se escuta; é o outro que não se enxerga; e por aí vai.
O meu comportamento meio sádico é mais crítico do que de satisfação, preciso ressaltar. Fico impressionado no rumo que demos para a nossa vida, quando sequer nos damos conta desse outro com que nos relacionamos no cotidiano de nossos caminhos.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

O problema da política e a responsabilidade da Educação

Por esses dias, uma frase do deputado federal Daniel Coelho, do PSDB, revela muito dos problemas ​da política. Ao analisar os conflitos do seu partido frente à questão de permanecer ou não com o apoio à presidência, o deputado lembrou a frase que simbolizou a fundação de seu partido: "Longe das benesses e próximo ao pulsar das ruas". Sem querer entrar no mérito das críticas a um posicionamento do citado partido mais condizente com sua história, vale destacar aqui, nesta publicação, a reflexão de o quanto o sistema político tal como está hoje cada vez mais se degenera. A tal frase, na minha opinião, emblemática, pode - e deveria - sintetizar os propósitos de qualquer agremiação política. E em sendo assim, talvez as instituições políticas poderiam ser mais respeitadas: longe das benesses e mais próximas do que clamam os interesses do povo.
Não é assim. Somos bombardeados, a cada dia, por notícias e fatos que desonram todas as intenções democráticas (no sentido grego da palavra: governo do povo...). Em consequência, podemos nos tornar desesperançosos de movimentos de transformações sociais que tragam luz a este túnel turvo.
É neste cenário que a Educação deveria surgir como instituição que pode salvar a coisa... ou pelo menos, criar espaços de reflexões e de transformação do conhecimento, em que podemos vislumbrar uma formação mais apurada.

A formação das crianças e dos jovens, principalmente em relação aos caminhos de uma consciência de cidadania, precisa ser trabalhada por parâmetros de estabelecimento de conceitos que denotem a elaboração de um pensamento mais racional e coberto de positividade a propósito de mudanças. É preciso, nestes tempos, trabalhar os conceitos políticos de uma forma mais crítica, que fundamente os rumos de renovação dos mundos que temos hoje. Sobretudo, que se trabalhem os ideais de esperança na transubstanciação desse panorama que temos atualmente. É importante que enxerguemos as transformações possíveis.
A crença do trabalho da Educação em oferecer esperanças para as transformações sociais, principalmente no que diz respeito à consciência política, é o combustível principal para uma nova formação.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Anotações - O livro Zoom e a questão dos detalhes e a percepção do todo

Penso que já devo ter dito aqui, neste espaço, uma menção ao fabuloso livro Zoom, de Istvan Banyai. É uma bem feita alegoria sobre a necessidade de sabermos nos aproximar e nos afastar dos centros de atenções para percebermos detalhes e visões gerais daquilo que queremos entender. A história sem texto traz um recurso imagético bem elaborado que propõe essa reflexão o tempo todo, descortinando-nos leituras dos ambientes que modificam a partir da mudança do ponto de vista.
A vida deveria ser assim. Já que o problema é comum ao dinamismo dos dias: o que parece verter uma leitura de uma forma, modifica-se à mudança do ponto de vista.
E deveríamos exercitar, constantemente, essa variável: procurar enxergar o mundo sob variadas óticas: ora nos aproximando do centro para enxergar os detalhes; ora nos afastando, o que permitiria as visões gerais.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

E se tudo não der certo?

Lamentavelmente, o título desta publicação reflete a ideia de alguns estudantes de uma escola religiosa de elite, por aqui no Brasil, que pensaram em fazer uma festa com este tema. Para explicitar o tema, eles fantasiaram-se de profissões, ao ver deles, consideradas inferiores: garis, porteiros, trabalhadores de redes de lojas de fast-food e assim por diante. A festa aconteceu recentemente e movimentou a internet em um festival de críticas.
Muito lamentável a atitude dos estudantes! Já começa com o pensamento elitista de que algumas profissões consideradas - por eles mesmos! - desprestigiadas refletem a ideia de que aqueles trabalhadores não deram certo na vida. Desconhecem, por exemplo, que muitos daqueles profissionais, vivendo com honestidade e dignidade criaram famílias com valores preciosos.
Lamentável, ainda, a conveniência da Escola em permitir o que aconteceu.
Vale destacar que o ambiente escolar tem por função principal desenvolver uma série de programações que permitam o desenvolvimento do ser humano.
Vivemos tempos em que os verdadeiros valores ficam desvirtuados. A ponto de se criarem perspectivas em que algumas pessoas sintam-se superiores a outras, mensurando essa superioridade por referências absurdas (estrato social, cor da pele, religião, orientação sexual, profissões etc.). Cabe à Educação assumir o debate desse absurdo e transformá-lo em reflexões nos ambientes escolares. É preciso pensar que o desenvolvimento do ser humano passa pelo processo de transformação de alguns hábitos ditos culturais... É preciso, também, que nos incomodemos com notícias desse tipo, para que as transformações culturais virem transformações pedagógicas.
As escolas precisam aceitar a missão de resistência a esses vieses que deturpam a consciência humana. Se jovens elitizados acreditarem que podem desmerecer essa ou aquela variável, simplesmente, por seus indivíduos não pertencerem àquele degrau estabelecido por escalas econômicas, então está tudo errado. O valor do ser humano é estabelecido por outros parâmetros (caráter, honradez, honestidade, alteridade... e por aí vai).
Ainda bem que as reações, negativas ao que ocorreu, foram tantas e possibilitou alguns pensamentos contundentes a propósito da consciência social e da educação. Ao par de nosso comprometimento com a máxima do fazer pedagógico - promover o desenvolvimento humano -, deve estar sempre a nossa consciência de humanidade, que preconiza a valorização que merecemos e somos, simplesmente pela característica de que as nossas diferenças - sejam elas quais forem - devem estar a serviço de uma troca que possibilite as ações colaborativas e coletivas, de valor positivo. E não as visões de marginalidade e de preconceitos.






quinta-feira, 8 de junho de 2017

Anotações - A formação

O tema da formação é matéria constante por aqui. Vale sempre retomar e buscar reflexões as mais variadas. Há conceitos pertinentes a esse tema que são necessários sempre estarem à luz dos nossos pensamentos. Mesmo que seja por caminhos tangentes.
Outro dia, vendo uma análise sobre a questão da formação dos técnicos de futebol brasileiros, visualizei estes conceitos... Noves fora ter sido a matéria com abordagem à profissão de técnico de futebol, penso que o assunto é concernente a qualquer profissional que se pretenda em meios de desenvolvimento positivo de seu trabalho.
Palavras e conceitos como preparo, formação, estudo, pesquisa, prática, habilitação para, gestão de pessoas / de equipes, gestão de produtos / metas e  conhecimento  saltaram, o tempo todo, na matéria da reportagem.
Toda profissão e consequente desenvolvimento de trabalhos devem valer-se destes conceitos para os necessários exercícios de reflexão das práticas. Todo profissional precisa destinar parte de seu tempo para preocupar-se com esses conceitos.
O grande problema é que a maioria das pessoas, por força da formação cultural, destinam pouco tempo para análises e leituras  que consolidem sua formação.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Anotações - Comunicação: A escrita

O assunto foi abordado aqui, recentemente: a questão dos problemas nos meios de comunicação, dificultando divulgação e compreensão das mensagens. Produzir um texto para os fins de comunicação estendem-se pelos meios da fala e da escrita.
O meio da fala é normalmente associado às referências de melhor aceitação, já que apresenta uma situação de maior dinamismo na ocorrência. Somos mais condescendentes com os problemas nesse canal de comunicação, até porque as inadequações podem ser corrigidas no imediato... dependendo, é claro, dos emissores e interlocutores. Entretanto, não se pode caminhar no desleixo. A fala é mecanismo, também, de prestígio e precisamos tomar cuidado às expressões nesse meio.
A escrita, por outro lado, é sempre mais preocupante, já que não se contempla essa questão das correções imediatas, olho no olho do interlocutor... Quando se vê, o texto já está impresso e veiculado. Daí a emitir uma errata, talvez o problema já está feito.
Inevitável, então, chamar a atenção para os cuidados que se devem ter com a prática da escrita. Penso nisso, ao saber da primeira tradução para a nossa língua do aclamado e clássico manual de escrita Como escrever bem, de William Zinsser, sucesso editorial norte-americano e em mais oito línguas por esse mundo afora. A edição nossa é da Editora Três Estrelas, vale dar uma olhada. Há uma citação do autor, que vale a reflexão para esse caminho do bem escrever: "Escrever tem a ver com caráter. Se seus valores são sólidos, o seu texto será sólido.".

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Indisciplina

Não há como negar: existe uma dificuldade muito grande para os agentes pedagógicos em lidar com as questões de indisciplinas nos ambientes escolares. Entretanto, penso que sempre foi assim. Temos uma grande dificuldade em lidar com situações que desestruturam as normalidades das programações.
Mas é preciso refletir na questão, já que ela compromete cada vez mais. Não apenas a normalidade das estruturas, mas também a saúde (física, emocional e psíquica) dos agentes. É necessário que saiamos, de imediato, com a pergunta: o que provoca aquela indisciplina que nos perturba?
Não é questionamento simples, que traz respostas imediatas, já que ela embute posicionamentos nem sempre tranquilos. Por exemplo, ao questionar o que provoca a indisciplina, eu posso ter como resposta principal ser a minha própria atuação, provavelmente desprovida de significados, a causadora do desinteresse que leva à situação de indisciplina. Não é tranquilo lidar com isso, já que é mais fácil colocar as razões do processo nos planos externos: os alunos, a escola, as famílias, as realidades cultural e social etc.
Sim, todos esses planos externos podem contribuir, sim, para a questão. O que pode me levar a deslocar para eles a análise rasteira do problema.
O pensamento crítico e racional é uma ferramenta interessante de análise de um problema qualquer. Mas ele exige que se levem em conta todas as possibilidades. Vamos, então, a esse exercício.
Em todas as instâncias de trabalho, as escolares inclusive, vivemos já há algum tempo, esse momento de burocratização dos sistemas. Para nos acomodar diante das perspectivas incontroláveis do trabalho, preferimos estabelecer normas e procedimentos sistemáticos que antecipam os problemas e preveem as melhores alternativas de soluções. Do ponto de vista das intenções, penso, até, que sejam estabelecimentos necessários, mas o efeito colateral disso tudo é que nos tornou automatizados para as funções gerenciais: ao menor sinal de desvio de alguma normalidade, olhamos para os diversos manuais e sistemas inventados e olhamos para as seções que nos antecipam as respostas... e o que é melhor, às vezes, os tais manuais até explicitam o que devemos dizer em determinadas situações. Esse ambiente tornou-nos incompatíveis com as questões dinâmicas da vida, em que as respostas aos movimentos cotidianos não podem ser previstos ou antecipados; é preciso ter expedientes e leituras legítimos para ações rápidas que neutralizem um movimento considerado negativo. Não é esse o caso da indisciplina nos espaços escolares?
E essa burocratização das atuações leva-nos a atividades destituídas de significados que motivem participações positivas.
O que nos leva a uma questão tangente: vivemos uma realidade cultural, já há algum tempo, que pressupõe vivermos eras em que não queremos ter trabalho para nada; ou dito de outro jeito, tudo o que nos dá trabalho, acaba sendo um estorvo muito grande. E aí preferimos as soluções imediatas e sem análises preciosas. E resolver um problema de indisciplina, como já exposto acima, demanda um certo trabalho.
Há, ainda, o problema da realidade social a que estamos submetidos: as famílias estão desestruturadas, o que leva ao contexto da falta da parceria necessária com esta instituição, além da situação cada vez mais notada do fortalecimento do poderio dos alunos frente aos agentes naturais de autoridades (pais, professores, patrões etc). Claro que há também, aqui, o problema da autoridade descabida, mas não vamos estender mais na análise.
Nessa realidade, cada vez mais as Escolas estão, também, partícipes desse problema de descontrole de autoridade: os diretores não têm autoridade sobre os demais agentes escolares e em todas as instâncias descortinam-se esse problema. Observa-se uma total falta de integração entre todos os agentes pedagógicos, em que uma das principais consequências é a falta de responsabilidade estabelecida para as tomadas de decisões.
Bom, o problema é grande. Mas, se tivermos um posicionamento de reflexão crítica diante dele, em busca de posicionamentos mais positivos, é possível que alcancemos, senão a solução difícil, pelo menos as respostas imediatas e pertinentes que o problema requer.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Anotações - Degradação do sistema político

É bem verdade que, a cada dia em que somos assolados pelo noticiário político, deixamos de crer em uma solução a contento da situação que atravessa nosso país. O sistema político do Brasil tornou-se uma rede de contaminação moral e ética, em torno do que duvidamos de que haja alguém honesto e de boas intenções. Enxergamos em cada notícia uma referência de fatos que joga todos os envolvidos em um mar de lama sem precedentes em nossa história... ou pelo menos sem precedentes descobertos.
É bem verdade, também, que, ao assistirmos a uma entrevista ou a uma reportagem de teor político, vemos personagens desavergonhadamente defendendo-se do que não existe defesa.
E é ainda bem verdade que o tal sistema político não só criou, como permitiu esse cenário de corrupção e de benesses desvairadas.
A questão é que não podemos nos furtar ao trabalho de Educação que deve levar aos jovens as análises críticas pertinentes à compreensão do cenário que ora atravessamos. E, com isso, proporcionar um ambiente positivo e racional de reflexões apuradas sobre o assunto. Cabe a todo processo pedagógico responsabilizar-se por produzir conhecimentos lógicos a respeito da crise política que atravessamos, para que não fiquemos apenas na superfície dos memes engraçadinhos... Nada contra os memes engraçadinhos.
É bem verdade que, na busca de implantação de ambientes reflexivos, principalmente nos espaços escolares, renovamos a esperança de transformações verdadeiramente positivas para as gerações futuras.