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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Para refletir - Talento, disciplina e trabalho


quinta-feira, 30 de julho de 2015

Anotações - A cultura da esperança, da felicidade e da vida

Remexendo em anotações antigas, chegou-me uma nota do escritor moçambicano Mia Couto, que, penso, vale uma bela reflexão: "A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixar encantar. Quase tudo se adquire nesse tempo em que aprendemos o próprio sentido do tempo.".
Liguei a frase a uma situação por que atravessei, recentemente. Ministrando uma oficina de Origami para públicos heterogêneos - crianças e adultos -, uma das senhoras participantes comentou sobre o desprendimento de uma das crianças que estava no grupo: "Veja como para ele tudo é mais fácil", disse a senhora referindo-se às facilidades da criança em dobrar o papel.
Foi ali que a frase do Mia Couto encaixou-se: "... É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixar encantar...". Nessa referência de surpresa e de encantamento, a criança fica mais suscetível às variáveis de aprendizagens. E, mais do que isso, posiciona-se mais receptiva à ideia de criatividade e de experimentação. Como a criança não tem medo de errar, sua dinâmica de experimentação é muito mais eficiente e produtiva. E é na experimentação que o desenvolvimento ocorre mais positivamente.
Parece-me que é assim nos caminhos da evolução humana: quando deixamos a nossa criança interior comandar os processos de assimilação, fundamentados na curiosidade, na determinação e na criatividade, a realização da aprendizagem verifica-se em melhores resultados.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Anotações - Trabalho em equipe

Lembrei-me de um vídeo a que assisti, já há algum tempo, que versava sobre os bastidores de treinamento artístico do Cirque du Soleil. Lá pelas tantas, quando o assunto tangenciou a questão do trabalho em equipe e da confiança, um dos artistas comentou: "Eu não preciso pensar no que ele está fazendo. Nem ele precisa pensar no que eu estou fazendo. Nós, simplesmente, sabemos o que o outro está fazendo.".
Assim, penso, deve ser a consciência de coletividade. Quando há algo que deva ser feito em equipe, é necessário que a soma de esforços, de competências e de habilidades seja algo tão natural e integrado, que não se precise pensar no que o outro está fazendo. Sabemos, definitivamente, o que o outro está fazendo.
O pressuposto dessa intenção é o da integração. Uma equipe precisar estar a tal ponto integrada, que cada um dos esforços individuais saiba do outro; que cada um dos indivíduos saiba exatamente o que o outro pode e é capaz de fazer. Que, além das competências e habilidades, também os limites individuais sejam claros e conhecidos.
Para isso, é preciso tornar cada vez mais primorosos os exercícios do olhar e da comunicação. Enxergar o outro e as suas demandas deve ser competência básica de um trabalho de equipe. Aprender-se a comunicar, estabelecendo práticas objetivas de leituras, é outro caminho da formação.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Novos temas em Educação - 2ª parte


Quando publiquei uma reflexão sobre novos temas a serem pensados no desenvolvimento de um trabalho pedagógico mais positivo, achei que ainda faltavam mais tópicos. A Educação, por ser um processo dinâmico, faz-se preciso que seja entendida como algo vivo, que necessite dialogar constantemente com outras instâncias e aspectos do conhecimento. E que esse diálogo provoque transformações positivas na elaboração de um trabalho mais significativo.
A ideia de tornar significativa a prática pedagógica é assunto recorrente quando se discute a melhoria da qualidade. Tudo há de ser significativo: a aula, os conteúdos, os sistemas de avaliação, os relacionamentos, as propostas de trabalhos e exercícios. E para que seja tudo significativo faz-se urgente uma postura reflexiva diante dos objetos de trabalho - professores, alunos, pais e todos os agentes dos espaços pedagógicos precisam estar imbuídos da necessidade dessa reflexão.
Um dos pontos de partidas para esse fazer significativo pode ser a elaboração de temas modernos - que hoje circunvagam apenas os espaços pedagógicos - para trazê-los, concretamente, ao movimento da prática. Assim, as equipes pedagógicas estariam preocupadas em contextualizarem as leituras da sociedade moderna à práxis da escola.
O caso das tecnologias, por exemplo, é sintomático. Hoje em dia, qualquer criança pequena é expert no uso dos aparelhos celulares. Nas escolas, porém, eles são proibidos. Não seria o caso de buscar uma integração entre a forma de ministrar um conteúdo e o uso dos aparelhos celulares, dentro de critérios estabelecidos e claros para todo mundo?
As redes sociais, cuja utilização extrapola qualquer tentativa de parametrização, já há muito deixou de ser novidade. Nas escolas, entretanto, engatinham-se tímidas tentativas de torná-las parte do contexto pedagógico. Recentemente, mas ainda em caráter ínfimo, divulgou-se, justamente, uma análise sobre a questão das comunicações entre professor e aluno via redes sociais.
É claro que, quando se fala no uso das tecnologias nos ambientes pedagógicos, precisa acoplar, aos planos discutidos, uma consciência de limites e de regulamentações claras para todos (sim, todos, professores, alunos e demais atores dos espaços pedagógicos). E é óbvio que isso é trabalhoso. O que alenta é o vislumbre dos benefícios que a questão traz.
Um dos benefícios bem pode ser pensado, ainda, como outro tema a ser incluído nas variáveis pedagógicas: a questão da aprendizagem e do ensino colaborativos. Hoje, os processos pedagógicos não se resumem mais aos ambientes clássicos; a Educação acontece em tempos e espaços os mais diversos. A ideia de um sistema colaborativo - em que todos os atores envolvidos contribuam com referentes de ensino e de aprendizagem - ganha corpo e contexto impressionantes. É possível utilizar de variadas plataformas, beneficiando-se das tecnologias existentes, na criação de uma rede pedagógica de múltiplo alcance, por exemplo. E é possível alcançar uma diversidade de pessoas, nos mais imagináveis lugares, criando um espaço pedagógico que se torne muito mais significativo.
Fica estabelecido, em destaque, que quando se fala de tecnologias e de espaços colaborativos de ensino e de aprendizagem, não se desprestigia o referencial humano. Muito pelo contrário, é preciso que existam pessoas participando desse processo, ao tornar a Educação um objeto de alcance mais positivo e fundamental.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Anotações - O mundo virtual

A observação de que, paulatinamente, vamos vivendo em um mundo em que se desvanecem as relações reais em preferência aos contatos virtuais deixa-me preocupado a propósito do desenvolvimento humano. Vivemos em um mundo desconectados com o real, em que imperam as comunicações virtuais e, nesse mundo, os mais diversos relacionamentos (familiares, sociais, profissionais etc) vão sendo construídos e destruídos.
E as pessoas vão consolidando esse espaço de relacionamento, não sabendo mais como integrarem-se nos espaços sociais. É dado para pensarmos, já que essa mesma tecnologia que criou essa referência é a que vem salvando pessoas e modificando instituições positivamente para o desenvolvimento das pessoas.
Em nome do avanço da tecnologia e da modernidade, modificaram-se os aspectos relacionais. Claro que podemos listar uma série de benefícios advindos dessa modernidade, mas o efeito colateral é o do distanciamento humano e do estabelecimento da prioridade virtual nas comunicações. Distanciamo-nos do outro. O problema vai ser quando começarmos a estranhar o outro ser humano com quem deveríamos estar integrados.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Anotações - A geração da pressa

Vivemos a cultura e a geração da pressa, em que atravessamos em desabaladas carreiras pelos caminhos. É uma pressa generalizada. Mas pressa de quê? Se pudéssemos fazer uma enquete, provavelmente iríamos detectar que não é bem pressa de algo. A correria faz parte de uma referência cultural, segundo a qual fica estabelecido que ao vermos alguém com pressa, correndo para lá e para cá, atribuímos a ele um significado de responsabilidade. Essa pessoa que corre, decerto, a ela serão atribuídos conceitos de seriedade e de compromisso.
Mas não precisa ser assim. Uma vez que a correria gera uma consequência interessante de se refletir. As pessoas não veem mais as coisas ao redor; não enxergam mais as outras pessoas com quem cruzam os caminhos; não percebem mais as referências que estão pelas trilhas. Vemos uma geração que não sabe mais se integrar nem relacionar-se com outras pessoas, criando uma variável de individualismo pernicioso. E nessa instância de individualismo, vamos nos perdendo dos aspectos de humanidade.
Correr nem sempre é pressuposto de responsabilidade, muito menos de compromisso. E é esse aspecto da cultura moderna que devemos trazer sempre à consciência.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Crenças em Educação - é tudo uma questão de princípios!



Em todo trabalho a ser elaborado e desenvolvido, no exercício da consciência profissional, é importante que o trabalhador formule para si, tendo em vista a realidade do seu exercício, um conjunto de princípios que sejam o norte das aplicações que envolvem aquele trabalho. Em Educação, não é diferente. A título de reflexão, apresento, no formato de tópicos, algumas anotações que considero minhas crenças em Educação. Gostaria que fizessem refletir, ainda que não precisem ser uma receita concreta, sobre o estabelecimento de princípios ao nosso trabalho:
  • A Educação é o bem maior no desenvolvimento do ser humano. Entende-se a Educação, aqui, como um conjunto de variáveis que contribuam para o desenvolvimento integral do ser humano, referendando-se nas formações intelectual, emocional, social, familiar, técnica e profissional;
  • A Escola, na sua estrutura e definições, dará prioridade aos níveis intelectual, emocional e social, tangenciando os outros níveis de forma transversal;
  • Consequentemente, entende-se que a Educação deva ser um exercício integrado das instituições Escola, Família e Sociedade.
  • No âmbito escolar, o aluno deverá ser avaliado não só pela referência quantitativa da nota, mas também pela valoração das atitudes e comportamentos que se verificarem nos espaços pedagógicos;
  • No que diz respeito à adequação ao sistema oficial de ensino, vale a referência quantitativa da nota. Nesse sentido, nosso compromisso é o de desenvolver métodos e instrumentos que apurem essa nota da melhor forma possível;
  • Assim, nossa crença é a de que apliquemos os instrumentos de avaliação quantitativos para atender ao sistema, mas nos dediquemos ao entendimento de outros instrumentos. A ideia de Avaliação deve ser a de conseguirmos medir os avanços do aluno e a do estabelecimento de estratégias, quando esse avanço não se verifica;
  • Entende-se, aqui, que todos os agentes existentes na atmosfera pedagógica, que se cria nos espaços escolares, devem ter um papel de mediação propositiva nos encaminhamentos que surgirem. E, dessa mediação, devem surgir as resoluções de conflitos;
  • Os espaços escolares devem ser ambientes em que a transformação do conhecimento seja prática rotineira e motivadora para todos os envolvidos. E que essa transformação do conhecimento seja entendida como algo integrada e significativa.
Não está fechado o estabelecimento de princípios que resultem na proposta de crenças a serem defendidas no exercício da consciência profissional. Fica o convite para que novas crenças sejam listadas em seu espaço de reflexão contínua.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Anotações - Os textos e mensagens instrucionais

A questão de não estarmos devidamente conectados às mensagens externas, e sua consequente falta de percepção aos estímulos que poderiam contribuir com o desenvolvimento pessoal, apresenta-se com um dado interessante: a maioria desses estímulos aparece mostrando exatamente o que deve ser feito, sem necessidade de pesquisar símbolos ou de traduzir metáforas. São o que poderiam ser chamado de mensagens instrucionais, aquelas que contêm todas as instruções para a realização de algo.
Em nossos caminhos, recebemos, em momentos significativos, instruções quase sempre claras sobre os rumos que devemos seguir. O que pega é o que já foi dito aqui: estamos desconectados, fechados à percepção de o quanto essas mensagens podem nos ajudar.
Os textos e mensagens instrucionais são nossos principais aliados para o conceito de saber fazer. Ficar atento a esses referentes pode encurtar os caminhos que a evolução nos reserva.


terça-feira, 14 de julho de 2015

O SABER EM PAUTA - 10.000 Visualizações

Na data de hoje (14 de julho de 2015), o número de visualizações totais deste blog passou de dez mil. Ainda que, em seu conceito geral, esse número seja pequeno - o blog iniciou suas publicações em 04 de dezembro de 2010 - é preciso que se diga que só a partir de janeiro deste ano deu-se a definição de um calendário editorial de publicações, estabelecendo uma constância e regularidade das publicações e os consequentes constantes acessos.
Nesse calendário editorial, ficou estabelecido que às segundas-feiras é publicado um texto mais longo e denso, quase um artigo, enfocando algum dos temas a que o blog se propõe a mencionar. Às terças e quintas-feiras, são publicados textos mais curtos, no estilo de resenha ou de crônica, abordando aspectos sobre o que vi, o que ouvi ou o que li acerca dos temas propostos. Às quartas e sextas-feiras, são publicados cartazes gráficos com uma frase de uma personalidade, que guarde alguma relação com a definição editorial.
Assim, desde janeiro, nos dias úteis, essa regularidade está garantida. E tenho colhido muita satisfação com a resposta do leitor a essa organização. Agora, faço questão de comemorar o significado dessas dez mil visualizações, alcançada nesta data. E faço questão, também, de dividir com o leitor essa alegria. Muito obrigado por sua preciosa participação. E um muito obrigado especial a todas as pessoas que incentivaram e colaboraram na reflexão do Blog. O processo reflexivo não é prática das mais difundidas nos tempos atuais; fico mais feliz, ainda, já que a proposta do Blog é, justamente, a de desenvolver um viés reflexivo dos caminhos da Educação, da Construção do Conhecimento e do Desenvolvimento Pessoal.
Muito obrigado! E continuemos juntos!

Abraços.

Anotações - Estar com os sentidos abertos

Em tempos em que andamos e portamo-nos desconectados de todos e de tudo, vale uma reflexão sobre a necessidade de aumentar a percepção para captar bem as mensagens externas.
O meio externo, que pode ser entendido como as pessoas, os lugares e as referências que nos chegam, funciona como uma ponte para incrementar o nosso desenvolvimento. A questão é que, via de regra, não percebemos os sinais com que essa ponte nos presenteia. Estamos distraídos, dormentes nossa capacidade de atenção e nossa percepção do outro, de tal forma que passamos pelos caminhos sem perceber o que os rumos nos reservam. Passamos pelos caminhos até mesmo sem perceber as outras pessoas que cruzam os nossos trilhos.
Estar com os sentidos abertos, além de devolver os aspectos de humanidade que perdemos em relação à falta de percepção do outro, certamente nos propiciará referências mais valorativas do nosso desenvolvimento. Estar com os sentidos abertos prepara-nos para enxergarmos as possibilidades de travessias que a ponte da evolução nos reserva. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Novos temas em Educação

Em Educação, é imprescindível que os atores pedagógicos estejam antenados com as variáveis de leitura que ocorrem no mundo real; as mudanças precisam ser incorporadas no cotidiano escolar. Nesse contexto, vivemos tempos em que variadas ocorrências deveriam influenciar as ações nos espaços pedagógicos. O mundo exige a formação de um sujeito com domínio nas percepções múltiplas que concorrem nas mais diversas situações.
E esta formação precisa ser mais abrangente do que alcançam os currículos determinados. O conceito de "protagonismo", por exemplo, é tópico essencial a ser refletido no processo de desenvolvimento pessoal. As relações - pessoais, sociais, profissionais etc. - exigem que assumamos posturas protagonistas em relação às atitudes e tomadas de decisões. Ser protagonista é assumir responsabilidades nos rumos que surgirem, ao que se exige a evolução de um conjunto de competências e habilidades que transcendem os conteúdos vistos nos materiais didáticos.
Na extensão, outro conceito importante a ser examinado como um novo tema é o da "autonomia". A autonomia relaciona-se diretamente com a ideia de protagonismo, haja vista que o exercício da autonomia fundamenta-se na posição de privilegiar a resolução de problemas, sem que, necessariamente, precise-se de um comando de liderança. É o que a sociedade moderna exige das pessoas: "não me traga problemas, seja parte da solução" é um lema estabelecido nas instituições das quais fazemos partes. Para isso, outro conjunto de competências e de habilidades precisa ser exercitado, para que o processo de desenvolvimento pessoal atinja uma plenitude correspondente aos anseios da modernidade.
A variável de "empreendedorismo" torna-se outro ponto valioso a ser incorporado nas relações de evolução pessoal. É preciso que o sujeito saiba desenvolver projetos, nas suas mais diferentes instâncias. Desde a criação do projeto à leitura de suas aplicabilidades na sociedade, o sujeito precisa ser um executor de ideias. Aqui, toda a análise de viabilidade de um projeto - criação, justificativa, ações, sustentabilidade - há de ser o resultado das habilidades empreendedoras a serem exercitadas nos variados níveis de formação. 
O conceito de "sustentabilidade", associado à reflexão acima, não se prende apenas à referência de empreendedorismo. A ideia de sustentabilidade está, hoje, atrelada aos mais diversos assuntos: ecologia, meio ambiente, economia etc. Desenvolver-se com sustentabilidade é garantir uma continuidade de ações sem que se desgastem, desnecessariamente, os recursos existentes. E, sobretudo, buscar caminhos para que esses recursos sejam renováveis, em um contínuo de desenvolvimento.
Além das ideias voltadas aos espaços externos de desenvolvimento, outros dois conceitos tornam-se importantes para as relações internas do sujeito. É o caso das referências de "consumo responsável" e de " finanças pessoais", pontos relacionados com os processos de evolução. Os agentes pedagógicos precisam voltar suas reflexões às ações educativas que privilegiem esses tópicos, na medida em que a constituição de um sujeito mais positivo perpassa as referências de economia pessoal.
Entendo que o trabalho com esses novos temas em Educação - e outros temas que surgirem - não precisa ser uma revolução no estabelecimento dos currículos (se bem que, honestamente, eu gostaria de ver uma revolução...). Conheço das dificuldades por que passa a burocracia dos aspectos técnicos envolvida nos planos pedagógicos. O que proponho é que, ao menos, destinemos um espaço de tempo para as reflexões sobre o assunto. E daí, quem sabe, uma ação aqui e outra acolá, possamos caminhar para atividades mais significativas no caminho de formação dos nossos alunos.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Anotações - Seguir os próprios passos

Há um poema, Cântico Negro, do poeta português José Régio, que vale uma olhada em seus versos. Cântico Negro é um texto que inquieta e conclama o leitor a refletir sobre suas potencialidades, principalmente a de seguir seus próprios passos, em um universo que somos impelidos a seguir os "sábios" e "mestres". "Vem por aqui", começa o poema, em um tom quase sedutor para que o discípulo não se perca em outros espaços. Não sei se conhece o texto, mas há uma versão interpretada por Maria Bethania, que considero interessante de se ver. (Clique aqui para acessar a versão).
O poema contesta, a todo o momento, essa sedução. "Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos...". A contestação carrega um tanto de confiança e de segurança no que se constituiu o eu-lírico, o que nega seguir os passos de outrem. Não é tarefa simples a de ser determinado, muito menos ser confiante, mas refletir sobre as próprias potencialidades e o reconhecimento dos limites e das possibilidades que a sua competência inscreve é o que vai nos dar a tal segurança.
É preciso que saibamos nos portar diante dos encaminhamentos que a vida nos impõe. Às vezes, até podemos seguir alguns movimentos, se os sabemos interessantes para a nossa evolução, mas, em certos momentos, precisamos nos espelhar nos ditos do Cântico Negro: " (...) Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou. / Sei que não vou por aí!". 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sobre o trabalho

Nos aspectos culturais, via de regra, o trabalho assume um conceito de sacrifícios pesarosos. Para ajudar, a etimologia da palavra "trabalhar" remete ao significado de torturar. Derivado do latim vulgar tripalium (instrumento de tortura, composto de três paus), o ato de trabalhar passou da ideia inicial de "sofrer" para o conceito de "esforçar-se", "lutar". Isso, etimologicamente. No inconsciente das formações da cultura, ficou mesmo a ideia de sofrimento associada ao ato de trabalhar, em um plano geral.
Quando pensamos em desenvolvimento pessoal e nos estágios de evolução pessoal, a ideia de trabalho permeia todas as instâncias a serem cumpridas no processo. Só pode ser por intermédio do trabalho que alcançaremos as fases de crescimento. É através do trabalho, em suas diversas variáveis (intelectual ou físico), que o ser humano evolui.
Ao refletirmos sobre a dimensão cultural que enxerga o trabalho como sofrimento, então, deparamo-nos com a incongruência  àquela premissa. O ato de trabalhar precisa ser compreendido como algo de formação, de crescimento.
É claro que, para alcançarmos essa ideia, precisamos aprender a valorizar o trabalho - como conceito e como referência de desenvolvimento. Quando conseguimos enxergar no ato de trabalhar as variáveis de evolução e de paixão ao que fazemos podemos avançar nesse sentido. Alguns profissionais conseguem isso de forma natural; outros, não. Em algumas referências profissionais, iremos encontrar não só os desânimos óbvios do contexto em que se insere (uma empresa não muito boa, chefes incompetentes, falta de sentido nos processos operacionais etc), como também a questão de que nem todas as pessoas trabalham naquilo que gostam.
Por necessidade ou por falta de oportunidades, alguns profissionais dedicam grande parte de suas vidas ao desenvolvimento de um trabalho sem que se verifiquem, além do significado, quaisquer envolvimentos emocionais. A principal consequência é o desgaste emocional de quem fica contando as horas que faltam para o fim do expediente.
A mudança é a busca de uma reflexão mais apurada ao posicionamento de uma carreira profissional. Há de se pensar bem em qual direcionamento caminharão os esforços profissionais. Não devemos imaginar que a questão resume-se a apenas termos a sorte de encontrarmos uma empresa justa nas recompensas das competências e metacompetências. O nosso movimento é o mais importante - devemos nos formar, satisfatoriamente, nos principais parâmetros: emocionais, intelectuais, das competências e habilidades, Quando conseguimos entender que a nossa formação tem um alcance incomensurável nos processos que ditam a evolução, havemos de perceber melhor o nosso papel nos caminhos que se nos descortinam.
Encontrar o melhor trabalho e dedicar paixão e significado a ele são rumos que, conscientemente, direcionamos ao nosso desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, colher os melhores frutos desse movimento (alegria, prestígio e recompensas) não é uma questão de sorte.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Anotações - Aprendizagens

Fiquei um tempo reparando na mãe, com seu bebê de colo, no vagão do trem. A criança, curiosa aos estímulos que o externo lhe propiciava, exigia um pouco da mãe. "Ali é uma placa"... "Vovô"... "Caminhão"... "Carros"... "Azul"... "Blusa da mamãe"... "Ônibus"..., ia dizendo ela ao que estivesse na direção dos olhos saltitantes e questionadores do menino. E a mãe ia denominando as coisas não só atendendo a curiosidade do pequeno, mas como se ela também absorvesse aquelas denominações pela primeira vez. Aí, tanto a criança quanto a mãe divertiam-se nesse jogo. E reinava uma paciência impressionante - se a criança não entendia muito bem a denominação de um referente qualquer, seus olhinhos tratavam de explicitar o que ainda a fala não podia atender; a mãe repetia, mudando a entonação - ou enfatizando uma letra ou uma sílaba, com a intenção de deixar tudo mais claro... Era um jogo interessante de se observar.
Pensei no princípio filosófico da aprendizagem: é preciso que exista alguém dotado de um saber estabelecido por algum princípio (idade, escolaridade, especificidade técnica etc) e outro alguém com uma curiosidade de aprender aquele saber - ao primeiro, cabe a definição de estratégias e de métodos que tornem significativos esses saberes; ao segundo, cabe a curiosidade e a vontade de estabelecer sentidos ao que é transmitido. Sobretudo, é necessário que entre um e outro haja o estabelecimento de um vínculo consolidado, que permita leituras correspondentes aos desejos recíprocos - assim, um percebe e entende os sinais do outro.