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quinta-feira, 26 de março de 2015

Resenha - O filme "Peixe Grande" e a questão do simbólico

Lembro-me do filme Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (Direção de Tim Burton, Columbia Pictures, 2003) quando penso na importância do simbólico na formação pessoal. Se não viu o filme, ou não se lembra dele, e quiser dar uma olhada no trailer, clique aqui.
O filme narra a reaproximação entre um filho e seu pai, de quem ouviu as mais fantásticas histórias sobre fatos marcantes de suas vidas. O problema é que este filho, no atual momento em que está, acredita que todas aquelas histórias não passaram de fantasias descabidas e pretende comprovar quanto do que seu pai lhe contou é realmente fato.
Viver a fantasia que advém dos universos fantásticos permite à criança uma experimentação saudável de referências do seu desenvolvimento. As professoras das séries iniciais e as de educação infantil conhecem muito bem essa variável, ao estruturarem seus planejamentos de trabalho fundamentados em princípios lúdicos.
O universo simbólico - e todas evoluções em seu espaço - permite à criança um jogo de experimentação altamente necessário para que seu desenvolvimento possa ser fortalecido o suficiente para, que dali, resulte um adulto melhor. No filme, o filho, que está prestes a ser pai, vai perceber que o confronto do que é real e do que é fantasioso, sobre as histórias de seu pai, não é o mais importante. O que vai importar, mesmo, é como aquilo tudo transformou-o na pessoa que ele é.

terça-feira, 24 de março de 2015

Resenha - Para ensinar, é preciso fundamento!

Recentemente, fiz um curso sobre uma das técnicas de encadernação e o professor fez um comentário que considerei fantástico para essa reflexão de hoje. Ao dizer sobre alguns movimentos particulares de parte das pessoas em querer ensinar algo que ainda não aprenderam muito bem - e, lamentavelmente, como tem gente assim!... -, ele disse a frase que é título da resenha de hoje: "Para ensinar, é preciso fundamento.". Gostei muito.
Já há algum tempo, percebo que a quantidade de especialistas em alguma coisa cresceu muito, explicitando suas referências nos diversos currículos que se veem por aí. Tem sempre muita gente, especialista nas mais diversas áreas do conhecimento. Mas até aí, tudo bem, não vejo muito problema. As coisas ficam tristes, na verdade, quando esses especialistas resolvem desenvolver uma atividade de formação, propondo-se a ensinarem o seu objeto, em que é expert.
Quando é honesto, outra vez, tudo bem. É até bom - e louvável - compartilhar conhecimentos e colaborar no desenvolvimento de outras pessoas. Mas não se pode esquecer: para ensinar, é preciso saber! E saber aqui, aproveitando-se do termo "fundamento" do meu professor de encadernação, engloba um conjunto de experiências e vivências que sedimentam o objeto de seu estudo. Alguém que vai ensinar alguma coisa, necessariamente, deve passar pelo processo lúdico de experimentação de seu conhecimento, em que, como em um laboratório, processou, incansavelmente, um sem-número de tentativas, acertos e erros, sobre os quais elaborou conscientes reflexões. E sobre os quais testou hipóteses, construiu e desconstruiu teorias e internalizou saberes. E, sobretudo, entende que o fundamental, nos processos de ensino e aprendizagem, é estar sempre com a mente aberta para novos conhecimentos sobre sua especialidade.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Resenha - A Sensibilidade

Discute-se, muito, em Educação, o pressuposto da sensibilidade no desenvolvimento de um trabalho mais apurado nos espaços pedagógicos. Concordo. Mas é necessário trazer o tema para as referências científicas, para não deixá-lo no âmbito das emoções e afetividades, apenas. Claro que emoção e afeto ajudam, mas a sensibilidade, como emoção e afeto, são constituintes da nossa formação humana. Somos razão e emoção, em uma espiral - harmônica ou não - de realizações.
Acontece que em Educação lidamos com o ser humano em sua variável de formação - pessoal, intelectual e social. Nessa lida, precisamos nos revestir, continuamente, das variáveis da sensibilidade para o entendimento mais amplo dessas variáveis.
É no plano do que sentimos - e de como os nossos sentimentos estão despertos ao que nos cerca - que podemos melhor fazer a leitura das situações: leitura do ambiente, das referências familiares, dos conceitos profissionais, das metodologias a serem abordadas, dos casos específicos, do contexto familiar e social etc. Dada a complexidade do que o meu trabalho exige, é no âmbito da sensibilidade que eu vou poder guiar a racionalidade das minhas tomadas de decisões.

terça-feira, 17 de março de 2015

Resenha - Tolerância

Minha amiga, Elizabeth O, uma cantora de primeira, viu, na semana passada, minha mensagem de reflexão com a frase de Paulo Freire sobre tolerância (a questão de conviver e aprender com o diferente e respeitá-lo). Mas não se contentou e disse-me que faltava algo. Vou tentar, então, desenvolver um pouco do meu pensamento sobre a questão da tolerância.
Um dos maiores males da humanidade, em todos os tempos, é, justamente, o princípio da intolerância - não sabemos conviver com quem pensa diferente dos nossos princípios (futebolísticos, políticos, culturais, de orientação sexual, religiosos etc.). Parece-nos, a princípio, que quem diferencia dos nossos pensamentos não merece nossa consideração e respeito, muito menos a nossa tolerância. Essa tem sido a fundamentação de muitas guerras e de muitos conflitos ideológicos que resvalam para a violência.
A tolerância, dizia Paulo Freire na frase que escolhi, é uma virtude. A que nos ensina, preciosamente, a entender essa diferença como elemento de colaboração para o meu crescimento. Sim, é no processo de convivência com as diferenças que aprendo os elementos básicos de respeito e de multiplicidade de aspectos que constituem os seres humanos. Nessa multiplicidade, não é preciso atribuirmos juízo de valor (um aspecto não é mais importante que outro, por exemplo), na medida em que cada aspecto dessa diversidade vai colaborar para o entendimento da importância da diversidade. E vai colaborar para a constituição de um ambiente macro, no qual as opiniões, as preferências, as crenças etc vão desenhar um corpo maior, pleno de referências variadas e significativas para o nosso desenvolvimento.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Resenha - Consciência Política

Atravessamos, em nosso país, um momento delicado de desagrado às instituições políticas. Notícias impressionantes de subornos ou de corrupções, envolvendo instâncias políticas, em descalabros sem fim refletiram na confiança que, talvez, tivéssemos nestas instituições. É preciso aproveitar o momento, valendo-se do conceito de "demanda pedagógica", exposto dias atrás.
A Escola pode - e, na minha opinião, deve - desenvolver trabalhos, que tangenciem o currículo já determinado, a contemplarem exercícios de consciência política. É preciso buscar a formação de fato de cidadãos críticos a essa realidade absurda. Para isso, a consciência é a maior variável de desenvolvimento que se possa apresentar. Consciência do ideal político, consciência da questão de servir a causa pública, consciência de um desenvolvimento das ideias no plano coletivo e que visem ao bem de uma coletividade.
É um trabalho que vai exigir - e muito - de todos os envolvidos no espaço pedagógico. Precisamos mudar os comportamentos - os nossos e os alheios; precisamos ampliar nossa visão e leitura de mundo; precisamos intensificar os conceitos de ética e moral; precisamos aprender a reivindicar os direitos; precisamos aprender a ouvir e a respeitar o outro... 
A Escola pode ser o berço de formação de uma nova mentalidade que vá se constituir na transformação a que tanto almejamos.

terça-feira, 10 de março de 2015

Resenha - Indisciplina

Recentemente, eu li algo sobre o problema da indisciplina de comprometer o tempo do trabalho do professor. Já há algum tempo, essa questão da indisciplina desestrutura, sobremaneira, o fazer pedagógico. E a indisciplina assume várias facetas, desde as variáveis mais simples constituídas pelas farras infantis, até as de cunho mais agressivos e violentos por parte dos alunos.
Não é questão simples. É preciso haver um trabalho integrado e coletivo por parte do corpo da Escola - direção, coordenação, professores e demais funcionários. Na minha opinião, a primeira coisa a se fazer é que esse corpo assuma conceitos e regras coletivos a propósito da indisciplina. Não há fórmula pronta, mas, quando a Escola posiciona-se de forma integrada frente à indisciplina, torna-se mais fácil o trabalho com a questão. Um dos maiores entraves a esse propósito de integração é a criação de um espaço de conflito entre direção, coordenação e professores, em que uma das instâncias "sabota" algum tipo de orientação ou de determinação, favorecendo um espaço de caos. Nesse espaço de caos, fica difícil estabelecer sensos de organização - entre a direção e professores; entre os próprios professores; entre os alunos. A desorganização resultante é um ambiente propício para o estabelecimento da indisciplina.
Outro fator que observo na questão da indisciplina é a extensão dessa variável de integração a ser levada às relações com as famílias dos alunos. É preciso envolver, direta e objetivamente, os pais ou os responsáveis dos alunos com as questões emergentes do espaço pedagógico - desde as questões mais simples, como as de aproveitamento, até as mais difíceis de abordar, como são os casos de indisciplinas. Aqui, é preciso conscientizar as famílias que, ainda que elas insistam no fato de os seus filhos serem bonzinhos, que há uma larga diferença entre ser filho e ser aluno. A ideia é estender, de forma racional, aos pais e responsáveis, quando isso acontecer, a responsabilidade dos filhos neste ou naquele evento que desestruturou todo um trabalho. A parceria, elaborada de forma racional, com os pais e responsáveis, tem se revelado um grande aliado na resolução de alguns problemas de indisciplina.
O trabalho coletivo e integrado, seja na própria Escola ou em parceria com as famílias - pode constituir-se uma eficiente estratégia de diminuir os casos de indisciplina, que incomodam e atrasam as ações pedagógicas.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Resenha - Escritores da Liberdade

O filme Escritores da Liberdade (Paramount Pictures, 2006) é um desses filmes de professores que vale a pena conhecer. No filme, a professora Erin Grunwel, interpretada por Hilary Swank, precisa vencer a barreira da agressividade e violência com que seus alunos estão acostumados e em que estão submersos, para provocar uma transformação de âmbito social, cultural e pedagógico. (Se quiser dar uma olhada no trailer do filme, se ainda não assistiu a ele, clique aqui.).
A professora Grunwel vale-se de um idealismo e determinação invejáveis. Como o filme é fundamentado em uma história real, não vale pensar que tudo não se passa de um melodrama inventado por um roteirista criativo. Não é. A verdadeira professora Grunwel enfrentou mesmo aqueles problemas e realizou mesmo aquilo que se vê no filme. Ao questionar a realidade de seus alunos e buscar meios para interferir naquele caos, a professora coloca-se na posição fundamental de buscar resolver o que se vê. Às vezes, o sistema não ajudava; em outras, faltava-lhe o aparato de formação; em outros momentos, parecia que tudo ia por água abaixo. Ela poderia desistir de tudo, mas, municiada de o que Paulo Freire preconizou em seus discursos - principalmente da amorosidade e da coragem -, a professora do filme vai vencendo cada um de seus dissabores, em nome da necessidade de provocar uma transformação positiva em seus alunos.
Que o simbolismo a ser vertido pelas ações de resistência e de persistência da professora do filme possa nos inspirar nos momentos de dificuldade em nossos caminhos. 

terça-feira, 3 de março de 2015

Resenha - Água

O problema da água (para mais ou para menos), que tem acontecido em dimensões mais significativas em nosso país, nestes tempos, é um verdadeiro combustível para trabalhos pedagógicos de variados conceitos.
Os espaços pedagógicos devem ser uma instância que acolha, de forma relevada, esse conteúdo. Aliás, já há algum tempo, o problema da água tem se mostrado altamente relevante para transformar os conteúdos curriculares. Ora, era a seca, principalmente nas regiões norte e nordeste do país; ora, as enchentes, principalmente na região sudeste. Desta vez, algumas inversões nesse quadro acentuaram o problema.
A utilização da água de forma errada e/ou o descuido com alguns de seus referentes (acúmulo de lixo nas entradas de bueiros, construções irregulares nas áreas de mananciais etc.) fazem e fizeram o sofrimento de muita gente.
É preciso transformar as discussões sobre esse tema em trabalhos consistentes e contínuos nas escolas. Desde as reflexões sobre o papel do cidadão nas variáveis de economia na utilização do recurso (banhos mais rápidos, consciência nos diversos graus de utilização, a questão do desperdício etc.), até as de cunho social e político, em que se abordem os tópicos do papel do Estado e das instituições na mesma problemática.
Motivar e elaborar as discussões e debates sobre temas emergentes na vida dos estudantes, como é esse da água, é um dos papéis fundamentais das escolas no processo de desenvolvimento de seus alunos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Resenha - Cartas a Quem Ousa Ensinar

No meu processo de formação de Educador, constante como deve ser, há um livro a que retorno sempre: Professora sim, tia não - Cartas a quem ousa ensinar, de Paulo Freire (O meu exemplar é de 1993, da Editora Olho d'Água, de São Paulo - não sei se o livro ainda está editado lá...). Já no título e no subtítulo, referências provocativas ao nosso trabalho - professora, não tia... E o material do livro são cartas a quem ousa ensinar, a quem tem ousadia...
E acredito que Paulo Freire, não só nesse livro, mas em sua obra total, voltada ao questionamento constante do fazer pedagógico, quis exatamente despertar-nos a consciência de uma ousadia. De não nos prendermos às armadilhas que poderiam advir do trabalho (lá por dentro do livro, por exemplo, Paulo Freire gasta um pouco de verbo para explicar as razões que o levaram a explicitar a contraposição à tia no título - o que estava, na verdade, por trás era o que sempre norteou seu trabalho: as referências de valorização ao papel do professor).
Em várias passagens, fica explícita a importância de o professor valorizar seu processo de trabalho, incutindo-lhe respeito e amor. Respeito à variável de construção do conhecimento e amor à natureza essencial do trabalho que promove o desenvolvimento do ser humano.
É um desses livros cuja leitura não se esgota, nem se deteriora no tempo. E, como o próprio mestre cuidou de deixar na apresentação desta obra, em nossos caminhos, devemos lutar por "uma escola que, continuando a ser um tempo-espaço de produção de conhecimento em que se ensina e em que se aprende, compreende, contudo, ensinar e aprender de forma diferente..."
Qualquer hora dessas, com certeza, ainda volto a esse livro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Resenha - Olhar o Mundo com Olhos de Criança

Dois desses vídeos que nos fazem pensar, dos muitos que pipocam nas redes sociais, chamaram-me a atenção para convidar-lhes a refletirmos sobre a importância de pensarmos o arquétipo da Criança no nosso processo de desenvolvimento pessoal. Em um dos vídeos, uma criança e um adulto - separados por uma espécie de biombo - são estimulados a repetirem as caretas de pessoas que aparecem em uma projeção; quando uma dessas projeções reflete uma criança com o que parece algum tipo de paralisia cerebral (desculpem-me, não consigo identificar ao certo a doença) fazendo uma careta, o adulto fica desconcertado e sente-se desconfortável em repetir o que vê, talvez "penalizado" com a situação. A criança, do outro lado do biombo, nem pensa duas vezes e imita, sem grilos nenhum, a careta como está sendo projetado. (se quiser dar uma olhada no vídeo, clique aqui)
No outro vídeo, com intenção social, duas crianças sentam-se próximos a um balcão parecido com o de uma lanchonete. Após algumas orientações, elas são esclarecidas que, à frente, em dois pratos cobertos, somente em um deles há um sanduíche, o que quer dizer que uma das crianças vai ficar sem o que comer. Após o sinal estabelecido, elas descobrem os pratos, realmente só há um sanduíche. O que acontece? Mais uma vez, ninguém pensa duas vezes e aquele que descobriu o prato em que está o sanduíche, divide-o, natural e generosamente com a outra criança. (para ver o vídeo, clique aqui)
O despojamento e a naturalidade das crianças, representados, simbolicamente, por suas reações nos vídeos, instigam-nos a pensar um mundo em que podemos resgatar a espontaneidade nas relações humanas, em que o que está em jogo é a convivência saudável e compartilhada das alegrias. Além disso, a lição de que a humanidade é o viés mais positivo dessas relações. Quem sabe, podemos, assim, aprender alguma coisa...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenha - A Busca do Extraordinário


Já há algum tempo, uma pergunta de um dos artigos do Contardo Calligaris que vi no jornal, perpetua-se em meus pensamentos: "...como se apaixonar pela vida esperando dela apenas o ordinário?". Contardo Calligaris, naquele texto, explana sobre a necessidade de fugirmos das banalidades cotidianas, mas, ao mesmo tempo, expõe as dificuldades de se fazer o extraordinário. Quem quiser dar uma olhada no artigo completo, clique aqui.
Fico pensando no quanto desperdiçamos nossos sonhos e nossas aspirações na mediocridade dos caminhos. Quanto deixamos de tentar por medo e falta de disponibilidade. Quanto nos represamos na comodidade do que é fácil. Quanto nos cuidamos para não exagerar nos nossos passos e, no imediato, sentirmo-nos frustrados de não termos tentado ir mais adiante...
Apaixonar-se pela vida exige uma certa entrega. Um certo despojamento dos temores que nos retêm. A vida nos reserva fantásticas aventuras e não pode nos encontrar indispostos, fechados os olhos aos brilhos que só os poetas veem. É na poesia que a vida se revela... poesia, aqui, com a tradução de "sentimento". Perceber o referencial poético do que me cerca é estar com os sentidos despertos para captar a integralidade das coisas. Então, estar disposto a afastar-me das banalidades que me atrasam...  E só assim o extraordinário pode me alcançar.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Resenha – Aprender Sempre


Escutei, no Metrô, dois senhores de idades avançadas conversando e apurei a seguinte mensagem, em tom festivo e de conclusão a algo que estavam observando: “É, vivendo e aprendendo... E nunca acaba de aprender”... Para o senso comum, não é difícil assimilar a máxima – nunca terminamos de aprender. Na prática, e saindo do senso comum, percebo que há problemas em pensarmos que nunca se acaba de aprender. Exatamente por vivermos em uma sociedade notadamente apressada, que já conta com o produto final, a ideia de aprender sempre parece representar certo suplício.
Entretanto, e é bom que tenhamos essa consciência, a aprendizagem, de fato, nunca termina. Quanto mais nos enxergarmos como seres em desenvolvimento, tanto mais estaremos abertos a novas experiências de saber. Estar aberto a essas novas experiências significa, grosso modo, disponibilizar-se para a recepção de novos conceitos e de transformações mentais. Aprender algo exige um constante colocar-se disponível para os estímulos – os mais diversos – que nos chegam; estar atento e disposto a estes estímulos – e observá-los com olhos de querer saber - é o que diferenciam os que conseguem aprender mais.
Daí é só aproveitar da vida o que ela nos traz e sempre observar, em tom festivo: “É, vivendo e aprendendo...”.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Resenha - O Lúdico no Desenvolvimento Pessoal


No universo lúdico livre que criam para si, as crianças jogam e se divertem de forma entusiasmada. É fantástico ver as crianças brincando. Há entrega, há diversão, há aprendizagem.
É preciso que nós, Educadores, saibamos enxergar as crianças nestes espaços de ludicidade como sujeitos em desenvolvimento. Observá-las na realização das brincadeiras, na instituição de suas regras e das elaborações que o jogo exige, pode propiciar ao nosso entendimento verdadeiras aulas. A principal delas é que a brincadeira existe e, por si só, é dinâmica e integradora. Somam-se, em consequência, outras aprendizagens: na brincadeira livre, a criança exercita a sociabilização; experimenta exercícios de tolerância; desenvolve aspectos de lideranças e de resolução de conflitos; promove a elaboração dos conceitos de sucessos e frustrações etc.
Refletir sobre os referenciais lúdicos – esses retirados de o quanto observamos quando as crianças brincam livremente – pode trazer-nos subsídios importantes para o aprimoramento das práticas pedagógicas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Resenha - Leituras


... O que tenho visto bastante, contrariando os ditos do dito senso comum, são jovens lendo... e lendo bastante! Em quase todos os lugares, há sempre quem saque de suas bolsas e mochilas um livro. Fico feliz de ver esse espetáculo, já que, por algum tempo, ouvi bastante a ladainha de que os jovens não leem. E que qualquer trabalho de leitura encontraria resistência nesta constatação indiscutível: os jovens não leem. O que, talvez, esses críticos tenham querido dizer é que os jovens não leem o que se quer que eles leiam. Isso lá é verdade, é honesto que se diga. Mas, de verdade, não vejo problema algum nisso.

O gosto apurado pela leitura, além de subjetivo, é algo que se aprende. É preciso que o leitor ganhe intimidade com as referências de leitura, para, daí, desenvolver o senso estético. Mesmo, assim, nada impede - e, outra vez, não há problemas nenhum nisso - que o tal senso estético seja direcionado para o que o leitor definir como sendo boa leitura. É preciso, aqui, separar o prazer de ler de ler por ofício.