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terça-feira, 27 de junho de 2017

Anotações - Transpiração

Vou confessar outra coisa, e espero que os amigos seguidores da metafísica não me queiram mal: incomodam-me bastante as ideias esotéricas de evolução pessoal, que apregoam umas referências etéreas de aperfeiçoamento pessoal. Há, por aí, uns discursos meio simplistas de que se deve fazer essa ou aquela experimentação sensorial para se atingir o nirvana. Respeito muito tudo isso, mas é preciso que sejamos claro: qualquer relação evolutiva a que se pretender é necessária muita transpiração. Creio até que os gurus que apregoam aqueles caminhos sabem disso - e até se valem desse pressuposto para alcançar seu desenvolvimento -, mas proferem os discursos de ensinamento como se fosse simples assim: respire assim, vibre assado e todo o universo entrará em sincronicidade com suas aspirações.
Mas não é só assim, é preciso muita transpiração, sim! Vejamos o ensinamento de um dos nossos poetas maiores, João Cabral de Melo Neto, que nos deixou o legado, a propósito da poesia, de que ela não é mero resultado de inspiração em razão do sentimento, mas do fruto do trabalho paciente e lúcido do poeta.
E ainda que acreditemos naqueles postulados metafísicos, é preciso que entendamos a nossa responsabilidade na realização dos nossos trabalhos.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A variável comportamental no processo de desenvolvimento humano

Vivemos tempos em que a formação técnica sobressai-se na verificação do desenvolvimento do ser humano. O sujeito é reconhecido pelos níveis de aspectos em seu currículo que atestam sua evolução e desempenho profissionais. Até entendo que é importante o quanto ele investiu na sua evolução técnico-profissional, mas o processo de desenvolvimento humano não é uma questão de mão única - é preciso que se verifique, à dimensão da formação técnica, o quanto foi investido, também, nas instâncias de evolução humana.
É aqui que entra a variável comportamental nas verificações de desenvolvimento. E entende-se, a propósito desta variável, o quanto de sua inteligência emocional está desenvolvida, nos aspectos de formação humana.
O sujeito é um ser complexo e suas relações do dia a dia também observam essa mesma complexidade. No cotidiano de seu viver, independente de o quanto está evoluído tecnicamente, é preciso associar os elementos de relações sociais, de integração humana e de equilíbrio emocional, que perfazem seus movimentos.
Sobretudo, porque vivemos em sociedade. E é em sociedade, que entram as considerações de humanidade, necessárias para as diversas apreensões das nossas trilhas. Sempre penso, nesse tópico, de um trecho do discurso da personagem de Charles Chaplin, no filme O Grande Ditador, em seus momentos finais: "... Mais do que de máquinas, precisamos é de humanidade..."... Para as máquinas e os sistemas, até nos detivemos bem, na elaboração e construção de seus processos; para as relações humanas, não nos esforçamos tão bem assim. Mal enxergamos o outro e sabemos de seus anseios. Mal cumprimentamos as pessoas que nos cercam (e quando o fazemos, é de um modo mecânico e desprovido de realidade). Mal sabemos o que fazer em situações reais de sociabilidade e de reconhecimento do outro.
E é, justamente, das apreensões dessas situações reais de sociabilidade e de reconhecimento do outro, que retiramos as competências e habilidades mais necessárias aos aprimoramentos de qualquer processo técnico e profissional. Todo e qualquer negócio deveria primar pela referência máxima de bem servir ao ser humano (que, normalmente, é chamado de cliente), em uma relação de satisfação e de contentamento tão perfeita o máximo possível, que esse mesmo ser humano transforme-se no principal divulgador do negócio. Ora, isso só é possível quando eu reconheço aquele dito cliente como um sujeito que é, dotado de emoções e de vicissitudes humanas, que apresenta uma teia de formações complexas e diversas, que precisa ser compreendido como tal.
É claro que a formação técnica e racional por que passamos é de suma essencialidade - é em nome dela, por exemplo, que consigo intelectualizar sobre as leituras que me chegam. O caminho é não priorizar essa ou aquela instância de desenvolvimento, mas associar aos nossos potenciais elementos do intelecto todas as variáveis de formação humana e emocional a que pudermos nos ater.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Anotações - Mais um pouco de poesia (A sensibilidade)

Em Educação, exercitar a sensibilidade traz um certo conforto de pensamentos. É quando estou com a minha sensibilidade aguçada, que posso entender melhor as dificuldades que circundam os meus caminhos de atuação.
Conversando com uma professora, recentemente, ela abordou a questão da dificuldade em integrar a família nos problemas de desenvolvimento dos filhos. Questão comum a vários professores, não é mesmo?
Por um lado, não é possível fechar os olhos às tentativas de correção dos rumos de evolução das crianças; por outro, nem sempre é fácil contar com a cumplicidade dos pais, que, ao invés de buscarem a promoção do desenvolvimento dos filhos, consideram mais eficiente castigá-los (quase sempre, castigos físicos).
A tentativa de busca de uma solução que, ao mesmo tempo, preserve a criança destes castigos ineficientes e integre a família aos caminhos de desenvolvimento parece colocar-nos em um fio de navalha, de sustentação frágil. E precisamos caminhar nesse fio de navalha, exercitando constantemente a nossa sensibilidade para uma realidade que, quase sempre, nos impele a pensamentos não muito claros de atuação.
A atuação do professor, comprometido com o senso de desenvolvimento humano, precisa estar acima dos procedimentos técnicos e rasos, que parecem soluções fáceis dos grandes problemas que enfrentamos em nossos caminhos pedagógicos.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Anotações - Ensina-me a crescer

Há um filme que já tem algum tempo, de 1992, que aborda o universo das relações das necessárias mudanças de paradigmas em que um professor se vê envolvido, quando quer provocar uma transformação. Trata-se do filme Ensina-me a crescer, produção para a televisão, baseada em fatos reais. É a história de um professor que se muda para uma cidade pequena para trabalhar com alunos rebeldes.
Lá pelas tantas do filme, o personagem principal tem em seu diálogo a seguinte frase: "Devemos tornar o aprender algo emocionante, interessante e divertido...". Parece-me uma boa síntese. Se é algo que precisa ser aprendido, há de ser emocionante, interessante e divertido.
O problema maior é que as variáveis de emoção, de interesse e de diversão parecem ter sido banidas dos propósitos das aprendizagens. Tomara que elas sejam resgatadas: aquilo a que se percebe envolvimento emocional, ou ao que se pode atribuir significados de interesse, ou em torno do qual se possam permitir elementos de diversão, penso que a chance de ser referendado como objeto de aprendizagem torna-se altamente provável.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Anotações - Sonhos

O poeta uruguaio, falecido recentemente, Eduardo Galeano, ensinou-nos, através da citação de uma resposta dada pelo cineasta argentino Fernando Berri, que a utopia serve para que eu não deixe de caminhar. Aliás, há um vídeo bem interessante sobre essa passagem, que, de quebra, apresenta-nos uma declamação belíssima sobre o direito de sonhar. (veja o vídeo, clicando aqui).
E é sobre sonhos que se desdobram estas anotações. O movimento de andar, da busca, só é possível por intermédio dos sonhos que pretendo alcançar. E entenda, por favor, que a palavra "sonho", aqui, não está colocada desprovida de racionalidade. Meus sonhos são as metas que estabeleço no meu plano de desenvolvimento pessoal. Nesse sentido, fico com os artistas e poetas que viram na ideia de sonho a busca pelo possível, pela capacidade de transformar o mundo.
E, como um pouco de metafísica não faz mal pra ninguém, penso que o tamanho dos sonhos interfere na nossa disposição e entusiasmo da busca. Quanto maior e mais largo forem meus sonhos, tanto mais força e energia serei capaz de dispender na busca de suas realizações.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Anotações - Um pouco de metafísica não faz mal a ninguém

Andei lendo, recentemente, algumas anotações sobre o preparo para as variáveis de aprendizagem e de alcance dos objetivos e metas. Dentre as observações racionais e científicas, havia uma ou outra de natureza metafísica, como "mantenha os pensamentos positivos". Tomo, aqui, a palavra "metafísica" em seu sentido fundamental, o que "está para além da física", para além do que podemos explicar. A ideia de manter os pensamentos positivos parece estar além dos processos racionais, já que, em tese, os pensamentos positivos não podem influenciar na lógica das variáveis de aprendizagem.
A aprendizagem, nos termos racionais, é um processo de esforço científico para se apreender algo necessário aos aspectos de desenvolvimento. Então, como explicar que os pensamentos positivos possam intervir, positivamente, na aquisição de aprendizagem ou das variáveis de desenvolvimento?
É aqui que entra a percepção de como são constituídos os seres humanos. Nós somos elaborados de matéria racional e emocional. E uma interfere, explicitamente, na outra. Minha consciência racional colabora para o meu aprimoramento emocional, e vice-versa.
Um dos aspectos emocionais é o que trata do equilíbrio, aquele que nos coloca tranquilos diante das intempéries (equilíbrio, aqui, pode ser substituído por "pensamentos positivos"). Manter os pensamentos positivos coloca-me em aspecto de equilíbrio para, dentre outras coisas, discernir melhor sobre as estratégias e caminhos a serem seguidos na busca de meu desenvolvimento.
Nessa variável de entender minha constituição humana como as relações de harmonia entre razão e emoção, um pouco de metafísica não faz mal. De jeito nenhum.