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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Para refletir - A capacidade de começar de novo


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Anotações - Metodologia

A questão do desenvolvimento de uma metodologia de trabalho é assunto importante para pensarmos a evolução profissional. Sobretudo, se estamos como empreendedores.
Para quem trabalha com produção, vai entender a questão. A ideia de planificar um método para a realização de um trabalho está na variável de elementos sérios para uma atividade: economia, busca de qualidade, otimização de recursos, de tempo e por aí vai.
E é interessante que tenhamos essa percepção no planejamento de um trabalho. Pensar no todo, relacionado às especificidades dos detalhes, e ter claros os processos para a realização das tarefas são os elementos essenciais desse planejamento.
Torna-se, então, necessário enxergar as etapas de produção e criar estruturas de trabalho que contemplem essa ideia metodológica. Em algumas situações, ainda que os componentes científicos e técnicos sejam importantes, as soluções até podem ser intuitivas. Basta estarmos atentos aos sinais e ao entorno que circunda os meios de produções.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Anotações - A primavera

Na semana passada, em nossa região no hemisfério, começou a primavera. É uma estação que guarda uma representação metafórica interessante para falarmos da vida. 
Já começa que, se estamos comemorando a entrada da primavera, é porque vencemos os rigores do inverno. E, aqui, na dualidade inverno-primavera, temos essa ilustração do renascimento: enquanto no inverno temos a impressão de uma hibernação fria (a morte), a primavera nos reserva as cores do desabrochar (a vida).
E, assim, podemos aprender um pouco com esse movimento climático natural. Também nós estamos a mercê das situações corriqueiras que nos afligem ou nos alegram. São estações naturais do nosso cotidiano de vida. E o renascimento representa a capacidade que temos em vencer as vicissitudes que nos chegam.
Em alguns momentos, dependendo das situações, podemos até pensar em desistir e soçobrar-se diante das fraquezas normais. Mas que esses momentos, dada a nossa determinação, durem instantes insignificantes, para, logo em seguida, renascermos a nossa primavera.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O alfabetizar


Por mais que sejamos ótimos professores, acredito que não vamos experimentar tão facilmente a emoção que se tem com o trabalho de alfabetizar as crianças... Pensem: é o desvelar do segredo do mundo letrado em que vivemos. É como iluminar os caminhos múltiplos de revelação das comunicações escritas por que vamos passar.
Imagine a professora (sim, nessa profissão, a tarefa é feminina, por excelência), depois de mais de trinta anos com essa experiência, ainda chegar com brilhos nos olhos e dizer, toda vaidosa: "Todos os meus alunos estão alfabéticos!...". E só é possível entender essa felicidade quando se tem clara a importância do que ela significa: aqueles alunos que estão alfabéticos já conseguem reconhecer as letras e juntá-las e entenderem-nas em uma leitura qualquer. A dimensão desse alcance está na constatação de que vivemos em um mundo letrado e o prestígio (também o sucesso e as conquistas) das pessoas estão diretamente proporcionais ligados à competência de traduzir e saber representar bem o código letrado (seja ele escrito, falado ou escutado). Vejam a importância da alfabetização.
E não é só. Há professoras que se dão ao luxo, ainda, de embelezar ainda mais esse trabalho, quando complementam à missão nobre sessões de pura poesia. Literalmente falando. Acrescentam ao processo de alfabetização leituras de poemas, de cantigas, de obras de artes, de brincadeiras... E entre um espaço e outro, ainda trabalham conceitos importantíssimos de vida: respeitar o outro, o senso de coletividade, de organização, de higiene e por aí vai. 
O trabalho de educar precisa ser visto com a grandiosidade que ele guarda. E, aqui, a propósito do alfabetizar, a ideia de grandiosidade extravasa as dimensões possíveis. É tudo muito imenso.
Fico, ainda, pensando, a professora revendo seus alunos depois de alguns muitos anos; aqueles alunos mirrados, sem letramento, que mal projetavam o que viria pela frente. Mas que para a professora eram sementes de alguma árvore frondosa, cujos frutos nem ela mesma saberia dizer estariam por vir. E aí, em nome da consciência dessa ideia de semente, começava a transmitir-lhes as luzes daqueles mistérios que passariam a ser conhecidos por letras. E, ao largo desse iluminar, vinham carinhos, broncas, alegrias, tristezas, reprimendas, recompensas, conversas com os pais, bilhetinhos nas agendas e por aí vai. Tangenciando tudo isso, desenhos e mais desenhos com declarações de amor as mais diversas (algumas, a professora guardaria em cadernos amarelados, que, vez ou outra, olharia para relembrar esse ou aquele aluno...). Mas o reencontro com um desses alunos seria o prêmio maior: o menino, agora um profissional de destaque, diria, quase trinta anos depois, que jamais se esquecera da importância das ações da professora... e que adora ir a museus para olhar as obras de arte, como ela incluíra nas aulas.
É certo que a professora vai chorar um pouco, na emoção que transborda o que a razão tenta calar, mas vai ter cada vez mais certeza de que, quando disser, vaidosa e feliz, que os seus alunos estão alfabéticos, estará expressando a consciência do quão importante e significativo é o seu trabalho!


(Para a Professora Maria Helena)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Anotações - Epitáfio

Não me lembro se já falei, aqui, sobre a letra da música Epitáfio, da banda Titãs. De qualquer forma, há sempre algo novo a se falar do que já dissemos. Vamos lá.
A música, para quem não conhece, é aquela que diz sobre o que deveríamos ter feito, de forma a sentir melhor as coisas presentes. ("Devia ter amado mais... complicado menos... ter visto o sol se por..." e por aí vai.). Para quem, por acaso, ainda não conhece a música, clique aqui para ver um clipe bem legal sobre ela.
Interessante que a palavra Epitáfio, além de significar a inscrição sobre as lápides nos túmulos, também significa um tipo de poesia que traduz um certo lamento.
Penso que a banda queria, exatamente, fazer significado desse sentido, o de um lamento. Às vezes, esquecemos tanto a vida presente porque estamos presos a convenções e ditames que nos impuseram, que nem a vivenciamos como deveríamos. E perdemos algo da essência que a poesia da vida nos preparou, seja ela como for.
Em uma virada de esquina, sofremos um pouco com as tristezas que nos vêm; em outra virada, somos surpreendidos pelas alegrias imprevisíveis que nos chegam. E tanto para um quanto para outro momento, faz-se necessário que estejamos atentos ("atentos e fortes", como diz outra canção...). E aí o que acontece? Não estamos atentos.
É o que me chega com a letra desta canção. O lamento para que nunca - jamais! - percamos a capacidade de atentar-nos para o dinamismo da vida. Ou, dizendo como está na música, "Queria ter aceitado / A vida como ela é / A cada um cabe alegrias / E a tristeza que vier...".

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Anotações - Educação política

Noves fora os debates, os entendimentos e os desentendimentos sobre a questão da escola sem partido, é imperioso que os espaços escolares incluam em sua programação as referências de uma educação política que ajude os jovens a entenderem o mundo nosso. Sobretudo, essas questões da nossa política suja, cujas notícias inundam os noticiários de referências negativas, de desesperança.
Não sei se acontece com outras pessoas, mas comigo, eu tenho ouvido os políticos e as notícias e fico em uma reação de quem acha que está tudo perdido. Claro que, por conta de minha natureza, acredito na esperança de que as coisas vão mudar, mas que parece está tudo perdido, ah, isso parece.
Penso que uma educação política, dessas que trabalham os conceitos e as estruturas da administração dos bens públicos, para uma verdadeira conscientização dos jovens sobre os sistemas que regem as cidades, possa ser uma solução. Ainda que seja uma responsabilidade muito grande, não há como deixar de dizer que cabe aos jovens a elaboração de uma mudança significativa no panorama que hoje nos assola.
Assim, é necessário que os jovens estejam preparados - técnica, moral e conceitualmente - para novas regências. E novas transformações. E a nós, ainda que estejamos no espaço de transição, devemos nos preparar para as responsabilidades que as nossas escolhas determinam.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O feminino

Entendo que a Educação deve criar um conjunto de estratégias para trabalhar o feminino como aspecto curricular. Preocupam-me as constantes notícias das mais variadas espécies de violências por que passam as mulheres e os aspectos do feminino, de uma maneira geral. Além das situações de violência física, há as questões de violência moral, de desrespeito profissional, de injustiças nas oportunidades profissionais e assim por diante.
A mulher passa, ainda que estejamos em avanços de tempos modernos, por constrangimentos os mais diversos pura e simplesmente por ser mulher. E não pensem que é uma ocorrência por aqui, na nossa terra. O problema, de natureza cultural, é global, é universal... Lamentavelmente, o problema atinge as mulheres no mundo todo. E em todas as instâncias, situações, profissões e ocorrências.
No meio artístico, nos ambientes corporativos, nas estruturas políticas, nas práticas desportivas, nas situações corriqueiras... em tudo, o feminino é vítima dos mais variados tipos de desprestígios.
É preciso que encontremos uma via para trabalhar a conscientização para essa questão. E, como sempre no que acredito, a Educação pode ser a tábua de salvação.
Imagino, então, um trabalho sendo feito desde os níveis da educação infantil. Em duas frentes: uma delas, com as meninas, para o exercício do que vem sendo chamado de "empoderamento"; em outra, com os meninos, uma espécie de "escolas para homens". Para os dois grupos, constantes debates e reflexões sobre o distanciamento de oportunidades e de respeito para homens e mulheres.
A ideia do "empoderamento" é interessante. Fazer com que as meninas percebam seu lugar no mundo e busquem posicionamentos frente aos espaços de injustiças. É preciso que se diga desse aspecto cultural, que se consolidou há séculos, para que as meninas entendam a dificuldade que vão enfrentar neste mundo. É um trabalho de conscientização - dizer que, no mundo todo, há, em cada segundo, as mais variadas situações de desrespeito e de violência contra as mulheres. E, com esse trabalho de conscientização, é preciso que se municiem as meninas das informações e das estratégias para que elas aprendam a reverter esse universo o quanto possível.
Vejam que esse é o conceito de "empoderamento". Que as pessoas aprendam a reverter as situações que lhe aflijam. E as meninas só vão poder conseguir essa situação se entenderem o processo de conscientização do problema e terem informações de o quanto é possível fazer. Esse, o objetivo de um trabalho pedagógico bem feito.
Já a ideia de "escolas para homens", que pode guardar em si algumas reações não muito simpáticas, teria como pressuposto a razão mesma de ensinar para os homens algumas variáveis de respeito e consideração aos aspectos femininos. Até porque quase toda situação de violência à mulher - se não toda - é causada pelos homens. 
Pensando bem, há uma terceira frente. As instituições escolares precisam estar preparadas para, além dela mesma, saberem atuar com as famílias e as instituições de seu entorno, quando perceberem ou detectarem sinais de que os aspectos femininos estão sendo atacados, em virtude do gênero.
No mais, é preciso que nos incomodemos quando recebemos as informações de que, em algum lugar, uma mulher sofreu certa situação de constrangimento ou de violência de qualquer natureza pela simples razão de ser uma mulher.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Anotações - As pesquisas escolares

Estudantes e professores já pressentem do que vou falar, mas não sei se todos desvendam esse contexto. Na esteira do que publiquei aqui, dias atrás, sobre as lições de casa, deu-me vontade de conversar um pouco sobre essas tarefas propostas pelos professores.
A ideia está tomada de boas intenções, principalmente a de desenvolver nos estudantes a necessária capacidade científica de estudar determinado tema pertinente ao currículo. É preciso que os jovens consigam elaborar hipóteses acerca dos assuntos verificados em sala de aula e, a partir de questionamentos salutares, testar ou invalidar tais hipóteses. As pesquisas escolares deveria ter esse pressuposto. Deveria, eu disse.
Na prática, a realidade é a mesma de tempos antigos dos bancos escolares, com a referência de que, nestes tempos em que vivemos, a tecnologia ajuda e bastante. Tanto naqueles tempos, como nesta modernidade de cliques, o império é o da técnica do copiar e colar; naqueles idos, a cópia era das enciclopédias que enfeitavam as estantes. Hoje em dia, basta, como se diz, "dar um Google".
Tanto nas antigas, quanto na modernidade, o que fazia e faz diferença é a atitude do professor na análise do trabalho apresentado. Via de regra, fazia - e faz-se - um pouco de vista grossa nas deficiências... e assim caminha a humanidade.
A prática das pesquisas escolares deveria ser a prática de trabalhar a competência dos estudantes no que diz respeito ao exame das fontes consultadas, principalmente nestes tempos em que o que mais existem são fontes dizendo de um mesmo assunto. Aquilo é verdadeiro? É confiável? Pode ser complementado?... e assim por diante. No elaborar destas e de outras questões que poderiam até ser exercitadas é que deveriam ser balizados os conceitos das pesquisas escolares.
Claro que daria um pouco de trabalho, mas aí já é outra história.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Anotações - Inteligência Artificial

Normalmente, associamos a ideia de inteligência artificial a uma realidade em que máquinas e conceitos automatizados vão tomar as rédeas dos processos de evolução, tirando da humanidade o princípio das inteligências frente à capacidade de realizações que levamos séculos a aprimorar. É quando imaginamos robozinhos e máquinas assumindo a liderança da evolução, relegando a humanidade a patamares subalternos.
E ficamos preocupados com isso, temerosos de que o nosso lugar no mundo tenha chegado a um fim indiscutível.
Mas não precisa - e não deve! - ser assim.
A inteligência artificial diz respeito, saindo do plano ficcional, a um conjunto de soluções tecnológicas que aprimoram os nossos processos de evolução. Como está acontecendo nos dias atuais, todas as referências que a ela estão contextualizadas são pensadas para agilizar processos que levaríamos muito tempo para resolver com as nossas limitações. Ora, o movimento de agilização de tomadas de decisões é um pressuposto do ser humano. Cabe a qualquer um de nós, relacionando-se com as variáveis tecnológicas, saber utilizar das ferramentas digitais para o bem encaminhar dos rumos.
Como sempre, quando as ferramentas tecnológicas são utilizadas, vai depender dos nossos posicionamentos para que os fins sejam positivos.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A capacidade de encantar-se

A característica do encantamento, frente às vicissitudes da vida, está mais para a capacidade de resistir aos destemperos da vida do que ao que se imagina estar vivendo à margem das realidades, como quem foge do que é inevitável.
Explico melhor. É comum, quando os assuntos descampam para os intangíveis, as pessoas nos olharem com olhos de quem desconfia estarmos alheios aos que os viventes têm como experiência: a realidade da vida. Pensam que, com o nosso observar para as poesias das agruras da vida, estamos nos distanciando do que é palpável.
E a vida é tão real... E tão dinâmica. Ao mesmo passo em que ela se configura como algo concreto e ríspido, a vida também nos mostra lúdica e carregada de fantasia. É preciso saber olhar para não perder a capacidade de encantar-se.
E a questão do encantamento carrega, em si, um pouco de ciência. Já começa que o homem (nós) é o único animal que consegue encantar-se e desencantar-se com os caminhos, sejam eles quais forem. Basta que saibamos o que se passa na nossa mente, se estamos fortalecidos emocionalmente e essas coisas assim, para que entendamos os passos do (des)encantamento. É por isso que reagimos diametralmente oposto às pequenas manifestações do viver.
Tomemos um dia de chuva, por exemplo. Se estamos bem com as nossas emoções, a chuva é um registro de bemquerença... faz-nos bem! Se, ao invés, estamos sofrendo com os descaminhos da mente, não toleramos a mesma chuva. Somos assim.
E, se somos assim, basta trazermos à consciência os processos de desenvolvimento por que passamos para entendermos melhor a ideia dos destemperos da vida... Veja que a vida, essa instituição real, dinâmica e intensa, vai nos proporcionar as mais diversas experiências; nem sempre vai ser tudo azul... nem sempre vai ser tudo vermelho. E, às vezes, nem dá para traduzir em cores as trilhas que enfrentamos no processo de evolução.
São esses os destemperos. Quando eu não consigo traduzir em nuances que me definam os ditames, há uma ideia de perplexidade ao que não se pode definir... um destempero, por assim dizer.
E resistir a essa variável de indefinição está na capacidade de sabermos nos encantar diante daquilo com que não contávamos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Anotações - Resiliência e consistência

A ideia de fortalecer-se diante das intempéries está na razão de ser empreendedor. Nem sempre há o que comemorar... Ou melhor dizendo, existem ocasiões em que o cansaço e a tristeza falam mais alto, e o corpo e a mente ressentem da situação. São comuns sintomas como desânimo, depressão e vontade de desistir de tudo.
É aqui que entram as ideias de resiliência e de consistência em nossos caminhos. Pensei na metáfora oriental do bambu que se verga ante às tempestades, mas que não se quebra. E há uma razão nada metafísica para que não se quebre: as raízes, bem alimentadas durante toda a fase de constituição da planta, fincam-se sólidas e firmes no solo e sustentam a árvore. A raiz é a representação da consistência.
A simbolização da resiliência e da consistência em nossas vidas representa, exatamente, a solidez dos caminhos que fundamentaram o preparo do quanto somos. Às vezes, nem percebemos, mas na trajetória da constituição do nosso desenvolvimento, as experiências e vivências da evolução perfazem nossa identidade da firmeza frente aos dissabores.
Perceber e trazer à consciência as características da resiliência e da consistência dos nossos comportamentos e atitudes faz diferença no quanto resistimos aos instantes pouco doces dos caminhos da aventura que atravessamos em nossa busca de desenvolvimento.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Não saber - uma conversa sobre a identidade docente

Escrevo essa conversa para os amigos educadores, mas penso que vale para outros profissionais, também.
Já passou pela situação em que se viu sem saber responder a uma questão qualquer, das mais simples às mais escabrosas? Pois é, é fato comum - ou deveria ser. Não somos obrigados a saber tudo.
Alguns educadores, por causa da identidade docente (a que lhe ensinou que é preciso saber tudo), acabam cometendo deslizes nessa hora. Quando indagados sobre algo de que não fazem a mínima ideia, recolhem alguma palavra do contexto - ou uma imagem simbólica do que está sendo dito - e respondem qualquer coisa... Sem a mínima responsabilidade do que está fazendo. Um "chute", por assim dizer. 
A identidade docente, objeto de estudos sérios sobre a formação do professor, já esclareceu esse ponto. O educador tem por essência profissional o ato de ensinar; alguns educadores entendem que, para assumir essa essência, não podem passar uma imagem de quem não tem respostas para tudo. E aí desenvolvem estratégias - nem sempre responsáveis - de terem respostas a qualquer questionamento. Tascam comentários sobre quaisquer temas; dão soluções inimagináveis; apontam respostas diretas e pretensamente dadas como certas.
E, vejam, não há problemas nenhum em não saber. Aliás, é exatamente do "não saber" que chegamos aos caminhos da busca do saber (assim mesmo, filosoficamente...). Grandes pensadores e cientistas partiram, exatamente, do que não sabiam para chegar a soluções hoje dadas como essenciais. É o pressuposto do que não sabemos que deveria ser o motor da curiosidade e da busca das respostas...
O problema é que grande parte de nós deixa de alimentar essa característica de curiosidade e de determinação da busca pelas respostas. Para alguns profissionais, ainda que o problema seja o mesmo, o alcance da prática não é lá, digamos, muito nefasto. Mas para os educadores há aí um grande problema.
Os educadores trabalham com a matéria humana, no objetivo de proporcionar seu desenvolvimento. Ao posicionarem-se como alguém que não precisa procurar saber (já que tem a ideia de sabe tudo), espelham sua característica nos alunos que lhes circundam. E criam um círculo nada virtuoso de que a busca do saber não é tão importante assim.
E essa é a variante imposta pela referência da identidade docente. Fazer-se ver como alguém que não pode enfraquecer-se diante do estigma da dita ignorância...
Desculpem-me, grande bobagem essa, a da dita ignorância. Já começamos em que não há área do saber nenhuma que garanta a existência de uma personalidade que possa se garantir como supra-sumo do conhecimento extenso... É preciso perceber que se pode, repito, declarar, sem a mínima preocupação, não saber algo.
Quando tudo o mais parecer turvo, em relação aos caminhos do saber, havemos de pensar que a construção do conhecimento dá-se, integralmente, na relação do que desconhecemos... Do que desconhecemos e fazemos de tudo para procurar conhecermos!