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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Para refletir - O primeiro movimento


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Anotações - Ordens mentais

Para além da piada do sujeito que justificou o fato de falar sozinho por gostar de conversar com pessoas inteligentes, o fato de você estabelecer uma conversa consigo mesmo pode ser convertido em elemento de motivação.
Pensei muito nos atletas, de quem gosto de observar comportamentos e atitudes, principalmente aqueles de competições individuais. Antes da execução de sua habilidade, ele gasta um tempo revendo, mentalmente, as variáveis que perfazem o desenvolvimento de sua especialidade; neste momento, ele trava uma conversa consigo mesmo, apontando para si os melhores e os mais perfeitos caminhos da execução de sua prática esportiva. Provavelmente, esses caminhos foram treinados à exaustão e discutidos por intermináveis vezes com o seu treinador ou sua equipe. Seguramente, naquele momento, além de repassar tudo o que foi treinado, há também a referência de gestão de quem se assegura de analisar os rumos previstos, ajustando-os às adversidades do momento. Mas, também, há uma espécie de conversa mesmo, algo até intimista, suponho, de quem fica se lembrando para ser melhor do que na prática anterior.
E nessa conversa, há todo um jogo de ordens mentais, como de quem busca armazenar preceitos e dispositivos para que o foco esteja na superação do que já tenha sido. Essa, na minha opinião, é a melhor motivação. Uma conversa ensimesmada, na busca de fazer o melhor.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Anotações - A evolução pessoal

Na maior parte das vezes, o processo de evolução pessoal é dimensionado pelos fatores de aprendizagens por que o ser humano passa. E, em alguns casos, esses fatores de aprendizagens não representam situações suaves. Em muitos dos caminhos, o desenvolvimento é marcado por espinhosas trilhas.
Aprender algo significa reter conhecimentos que lhe serão úteis nas variáveis de evolução. E o processo de retenção de conhecimentos exige algum tipo de disposição e de entrega, às vezes superior ao que se pode suportar. Parece dramático, mas é assim que acontece. Você quer aprender algo na busca de alguma rota de desenvolvimento? É preciso um pouco de sacrifício.
E como a vida é dinâmica, não há uma carta de navegação que lhe garanta caminhos macios... Aliás, até há a tal carta de navegação, mas ela vai exigir uma postura de atenção constante, que, em alguns casos, resulta em variadas revisões de caminhos.
Dito assim, parece preferível evitar o desenvolvimento. Acontece que o ser humano está fadado a esse processo. Evoluir faz parte do ser humano. Resta-nos que estejamos preparados aos caminhos e descaminhos que surgirão. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Anotações - Pensar no outro

No caminho de entendimento de uma sociedade mais humanizada, é preciso que ampliemos o conceito de alteridade. Deixar de ser apenas perceber o outro, mas também pensar no outro, preocupar-se com o outro e entender os desejos e os direitos dos outros.
Nesses rumos de avanços tecnológicos, em que nos relacionamos mais no plano virtual, parece-nos que a existência física de uma outra pessoa passa a ser entendida como algo distante. O outro está mais nos espaços abstratos de uma relação tecnológica: no teclado de um aparelho celular ou no vídeo de uma teleconferência. E assim, vamos nos despercebendo do outro.
Daí essa necessidade, repetidamente apontada aqui, da alteridade. O outro deve ser visto como a integração de meus caminhos... É preciso cuidado. É preciso que pensemos no outro, que nos preocupemos com o outro. Nesse caminho, meus propósitos e minhas interações precisam ser observados de forma a entender seus desejos e seus direitos. Não estou sozinho, minhas atitudes e meus comportamentos interferem diretamente nos rumos de outras pessoas.
E, nesse processo de interferência, absolutamente natural para quem vive em sociedade, quanto mais eu me preocupar com os outros espaços e as outras necessidades, tanto mais caminho na plenitude de uma integração real e solidária, em que todos saem ganhando.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dos difíceis caminhos de um trabalho positivo em Educação

Desenvolver um trabalho positivo em Educação não é dos caminhos mais fáceis. Há vários entraves e percalços a serem vencidos no trilhar dos rumos.
Há o problema da formação e da desmotivação na busca de estratégias e tecnologias que pudessem ajudar. Há a questão da falta de envolvimento das famílias. Há, também, a falta de reconhecimento dos sistemas e dos empregadores. Há, ainda, os entraves naturais das estruturas precárias. Há o problema da inexistência de uma integração entre os próprios colegas. Há, nessa linha, uma falta de diálogo entre o pessoal do corpo diretivo das escolas e os professores. E há, ainda, o próprio desgaste físico e mental dos atores, que precisam dividir-se em mais de uma unidade escolar, para o desenvolvimento sustentável de suas necessidades.
Nesse quadro, falar de qualidade em Educação parece até cruel. Mas é preciso falar.
Ainda que nos custem tempo e disposições, é preciso que os agentes pedagógicos incluam a questão das melhorias de qualidade no trabalho pedagógico nas discussões que ocorrem. De quebra, a inclusão da pauta pode representar também melhorias para os entraves e percalços aí expostos.
O problema da formação guarda em si uma referência cultural de maneira generalizada e, neste caso, de identidade profissional. Os professores, de uma forma geral, entendem-se como profissionais que sabem e que, por isso mesmo, não têm como elemento principal a busca de seu aperfeiçoamento - são poucos os professores que destinam tempo e recursos para o processo de formação continuada. E em um trabalho que se destina à promoção do desenvolvimento humano, torna-se capital a busca de reformulações de saberes e de diversificadas estratégias e tecnologias que favoreçam o trabalho.
Quanto ao problema da falta de envolvimento das famílias no âmbito das atividades escolares, é preciso que ampliemos a reflexão de o quanto a própria escola contribui - ou contribuiu - para esse caminho. Na maior parte das vezes, há falta de diálogo e de integração. Normalmente, as famílias são chamadas às escolas para resolver problemas de falta de disciplina dos filhos ou para participar de festas ou comemorações cujos roteiros são repetidos à exaustão. Isso pode mudar, quando pensarmos em uma forma de aproximação com as famílias de uma maneira mais positiva e que possibilite integrações mais qualificadas.
A questão das faltas de reconhecimento está mais atrelada aos problemas de comunicação e de postura. De um lado não se tem claros as metas e os objetivos, de caráter pedagógicos, a serem alcançados - cada indivíduo parece fazer o que acha melhor -; o problema revela o quanto os agentes não sabem comunicar-se em relação ao problema. De outro lado, identificamos posturas e atitudes que, nem sempre, parecem vir de profissionais preocupados com o desenvolvimento dos alunos.
No que diz respeito aos problemas das estruturas, nem sempre é possível interferir. Mas o desafio maior é criar um espaço racional de discussão em que esta questão seja constantemente pensada e debatida. O que acontece, em várias ocasiões, é a aceitação das precariedades, quando não a contribuição para que o problema se perpetue.
A ideia da falta de integração entre os próprios colegas torna-se o caminho mais inaceitável. Não se pode atribuir ao espaço de atuação dos professores algo parecido com um campo de batalha, em que se instalem rinhas de combate. Um professor contra o outro, em movimentos de confrontos sem que se pesem os referenciais ideológicos - simplesmente se colocam em campos opostos por questões as mais birrentas possíveis. Os professores, em seu cotidiano de trabalho, devem buscar aparar diferenças sem valor e concentrarem-se no trilhar de caminhos positivos que propiciem um trabalho mais qualitativo. Enquadram-se aqui, naturalmente, as questões das inexistências de diálogos entre os professores e o corpo diretivo. É preciso que se pense na ideia de união e parceria como algo a constituir-se em pontes de desenvolvimento.
Por fim, o desgaste natural por que passam os agentes escolares poderia ser um pouco mais minimizado se as referências racionais de desenvolvimento do trabalho fosse o principal caminho dos planos que se discutem nas escolas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Recesso escolar

Por essas bandas, as escolas vivem o tempo de recesso neste mês, momento em que se espera uma renovada de energia e de perspectivas para um caminho mais positivo do desenvolvimento das aulas e das atividades pedagógicas, quando do retorno.
Dito assim, a máxima é de descanso. Mas não é só isso. Professores, alunos e demais agentes escolares até devem descansar, sim. E bastante, já que o trabalho pedagógico exige muito... Porém, é necessário que se entenda ser um momento, também, de investimentos - emocional, pessoal, formativo etc.
Então, faça do seu descanso um momento de contemplação e de elevação emocional. Descanse muito... Procure ações que o façam sentir-se bem. Olhe em busca do novo nos seus caminhos habituais. Quando se busca o novo, há um exercício de captação do que se está ao redor e os olhos fazem um trabalho de percepção mais integral... os ouvidos, também! Aguce todos os seus sentidos na observação das novidades.
A melhor variável para essa busca são os passeios que se podem fazer. Passeie bastante... sozinhos, acompanhados, carregados de alegrias, olhos de crianças... acompanhados de crianças. As crianças são os melhores cicerones para nos conduzirem às felicidades.
Quando estiver nestes passeios, busque conhecer espaços que lhe remetam aos tempos infantis... de preferência, com referência à natureza. É nesses lugares que nos conectamos, verdadeiramente, com a nossa interioridade - conexão essencial de que nos valemos quando precisamos buscar a consciência do que somos e do que podemos.
Participe de programações que lhe enriqueçam as percepções emocionais - leitura, visitas a exposições e museus, filmes, música. O enriquecimento das percepções emocionais é o que nos completa o desenvolvimento da alma e da espiritualidade, deixando-nos mais fortes e sensíveis para os exercícios de criatividade e de contemplação estética.
Reserve um tempo, também, para os movimentos racionais e intelectuais, que podem ser definidos e/ou orientados para as leituras e atividades de formação. Seu desenvolvimento profissional e intelectual precisa ser levado em consideração, constantemente.
Faça desse momento de descanso um caminho integral de evolução. O período de recesso deve ser visto como um espaço de busca do equilíbrio sócio-emocional, equacionado ao dos movimentos racionais, necessários ao restabelecimento das energias. E é disso que todos precisamos!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Anotações - Sobre o entusiasmo

Várias das situações pelas quais passei recentemente, acenderam-me a reflexão sobre a ideia de entusiasmo, essa máxima que, além de nos movimentar, faz-nos movimentar as pessoas que estão ao nosso redor.
Pois essa é uma das características principais do entusiasmo: envolver e motivar as pessoas com que nos relacionamos, criando uma rede integrada de realização. Nessa conjugação de esforços, a capacidade de reunir outras capacidades, inteligências, competências, habilidades, propósitos afins e energia a um direcionamento positivo torna-se uma referência extremamente valorosa nos dias de hoje. Não estamos sós... não faremos nada sem integrar-se a outros, que compartilham nossas definições, nossos propósitos e nossa vontade de realização.
Ao referenciar o entusiasmo como algo concreto e imbuído da capacidade de realização, no congraçamento de esforços e inteligências, passamos a ter mais possibilidades de concretização.
Isso tudo sem esquecer que ao entusiasmo devem ser somadas outras características naturais das variáveis de desenvolvimento: reconhecer o valor do planejamento e da disciplina; enfrentamento dos desafios e obstáculos que surgirem; capacidade de organização e de elaboração de processos que a sustentem ; investimento nas formações acadêmicas e intelectuais; investimentos nas formações humana e emocionais... e por aí vai.


terça-feira, 31 de maio de 2016

Anotações - A arte de estudar

A ideia do estudo é a referência da busca da evolução pessoal. Uma matéria do jornal Folha de S.Paulo, a propósito dos desafios dos vestibulandos, traz-nos um pouco de luz sobre a questão do estabelecimento de técnicas e de planejamento para a definição de um caminho mais racional para os estudos e pesquisas. (Breve história do tempo - Folha de S.Paulo, 15/05/2016, Pág 2, Especial Vestibular no meio do ano).
A matéria propõe ao candidato o estabelecimento de um método de estudo interessante, destacando elementos que podem influenciar positivamente os resultados.
O primeiro dos elementos diz respeito à organização de um espaço adequado aos estudos - o espaço adequado colabora, e muito, na concentração; a seguir, reflita sobre os elementos que propiciam as distrações e tente eliminá-los.
Algumas variáveis relacionam-se quanto ao teor concreto dos estudos - definir metas em relação ao conteúdo a ser estudado, fazer intervalos a tempos estabelecidos, identificar tópicos que podem suscitar dificuldades... e por aí vai.
Há elementos que dizem respeito, é bom que se reflita sobre isso, a questões biológicas: uma alimentação bem feita reflete nas relações de aprendizagem; a qualidade do sono interfere na capacidade de concentração.
Estudar - e, na extensão, preparar-se para uma avaliação qualquer - mais do que arte, está inserido nas variáveis racionais e de planejamento que perfazem os processos de evolução pessoal.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Raízes

Meu amigo Carlos Cravo, Mestre 5º Dan em Hapki-do e Terapeuta Holístico (se quiser conhecer um pouco do seu trabalho, clique aqui), tem me alertado, já há algum tempo, sobre a questão do estabelecimento de raízes na constituição do desenvolvimento pessoal. No processo de evolução pessoal, ensina-me o Mestre, é preciso gastar um tempo no cuidado com a raiz... é ela quem vai garantir a sustentação firme e confiante nas andanças.
Em síntese, a ideia é a de que, às vezes, a colheita dos frutos e das flores pode demorar um pouco, estender-se por um tempo maior. Mas a maior importância é a do cuidado que devemos destinar à consistência da estruturação das nossas raízes. Afinal, as flores e os frutos, ainda que embelezem as árvores, guardam na sua beleza a constituição da fragilidade e da efemeridade; já as raízes, ainda que pouco sejam visíveis, são as responsáveis pelo propósito das árvores - as raízes, de caráter consistente e fornecedoras de vida, trazem, no seu simbolismo, a representação da permanência.
No caminho do desenvolvimento pessoal, a metáfora da raiz - e do cuidado com sua estruturação - está relacionada à constituição sólida de propósitos, que nos garante a força e a determinação para os desafios que nos serão constantes.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Planos, rotas e tomadas de decisão

A ideia do estabelecimento de planos na variável de organização de rotas, no processo de empreendimento de qualquer empenho, é uma instância das mais significativas no rumo de desenvolvimento. É necessário estabelecer rumos e planos nos caminhos do trabalho ou da vida. E é assim para demandas grandes ou para pequenas venturas.
O planejamento é o mapa que nos traça e aponta as direções a serem seguidas. É como uma carta de trilhos e rumos das nossas direções.
Tudo isso é bem verdade, mas é preciso que se diga do estabelecimento de planos e rotas o que está no âmbito das imprevisibilidades. Não há exatidão... não há precisão ("Navegar é preciso, viver não é preciso", já nos ensinou o poeta).
Às vezes, no caminho e nas andanças, nosso sentido de orientação nos leva a rever direções. E deve ser assim mesmo, ainda que tenhamos traçado um plano. Nossa mente e nossa inteligência precisam estar a serviço da leitura dos instantes e dos caminhos e das direções, de tal forma a nos possibilitar as releituras - "Será que não é melhor mudar de caminho?"... "Será que não é melhor mudar o olhar?"... E assim por diante.
As releituras estão na variável da complexidade dos processos. O planejamento é importante para nos traçar rotas... as releituras nos obrigam a perceber nos caminhos sinais que nos acordem para a necessidade de rever os planos. Nem sempre é fácil; há um dinamismo tão marcante a ditar a vida, que é preciso considerar as revisões de planos, as mudanças de rotas.
E nesse dinamismo frenético da vida, a medida da racionalidade, que deve fazer parte dos planos, é a nossa capacidade de analisar esses meandros. "As coisas estão dando certo?"; "É necessário mudar de caminho?"; "Deu certo a mudança?"... De pergunta em pergunta, a respeito dos volteios que permitirem os caminhos, os rumos do desenvolvimento pessoal vão construindo novos olhares e novas motivações para a percepção das possibilidades de renovação das diretrizes. E a principal consequência desse movimento é a confiança para as tomadas de decisão, necessária nesse processo.
A evolução pessoal, como caminho principal dos processos pedagógicos e profissionais, é o resultado das competências que se verificam nas diversas tomadas de decisão que permeiam nossos trilhos de andanças.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Metodologia da inspiração

Durante algum tempo, fiquei reticente às ideias de inspiração. Gostava de dizer que não acreditava em inspiração, valorizando as variáveis de esforço e do trabalho no caminho do desenvolvimento. Em minha tese, a referência de inspiração conferia uma dimensão mágica ao produto do trabalho. Até usava, para reforçar meu conceito, a imagem de alguém sentado, esperando uma luz divina acorrer-lhe à falta de ideias do que fazer... essa era, para mim, a imagem de inspiração.
Gostaria de aproveitar esse espaço para rever meus conceitos. Ainda defendo - e valorizo - as dimensões do esforço, da determinação e do trabalho. Entendo que, ainda que tenhamos habilidades e competências para determinada elaboração (e as temos!), é só na realização do trabalho árduo e consistente (e insistente!) que o desenvolvimento se sustenta.
Acontece que uma variável tomou-me os pensamentos, nestes últimos dias. Eu reconheço que me inspiro em várias pessoas, em várias ideias e em várias dimensões para o movimento do meu trabalho. Algumas pessoas fornecem-me ricos subsídios de inspiração para os meus conceitos e credos; muitas ideias acrescentam valores aos meus princípios de realização; e assim por diante. E é claro que isso é inspiração.
Valho-me desse processo de inspiração para redimensionar, para subverter, ou simplesmente para apoiar meus projetos... é um caminho consciente de evolução pessoal. Um tanto dessa inspiração cria um elemento simbiótico às minhas habilidades. E eu carrego comigo, em minhas realizações, elementos óbvios desse processo de inspiração.
Só faço algumas ressalvas: a primeira, inquestionável e inegociável, é que ainda tenho por máximas as variáveis do esforço e da determinação pessoal como pressupostos de desenvolvimento... Sem elas, não há inspiração que sobreviva; a outra, é que os valores éticos me impelem, sempre, a citar as referências de inspiração... é preciso que os meus interlocutores saibam, claramente, de onde vêm minhas referências. É uma demanda pedagógica: ao saber de minhas referências, os que me ouvem podem entender que eles mesmos podem inspirar-se em outras instâncias.
Uma outra ressalva, de caráter filosófica (e que aprendi com minhas inspirações), é que as minhas inspirações devem ser modelos para que eu as supere... Nada aí de exibicionismo, por favor não pensem nisso. O que está por trás do critério de que é necessário superar minhas inspirações é a máxima da primeira ressalva: minha preocupação não é copiar, mas sim valer-me das referências daqueles de quem admiro para subsidiar o meu esforço, o meu trabalho, na constituição de algo inovador e criativo. É assim que caminho.
Ao dizer de tudo isso, percebo que o trabalho de Educação deve ser assim: inspirar e ser inspirador!

terça-feira, 1 de março de 2016

Anotações - Atitude

Estava passando os olhos em um dos cadernos dominicais do jornal Folha de S.Paulo, quando um título me chamou a atenção: "Se não houver vento, reme!" (com exclamação e tudo). Tratava-se de uma seção parecida com essa aqui do Blog, assinada pela Coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas da ESPM, Adriana Gomes. O mote foi uma ação que a deixou impressionada, a partir de um e-mail recebido, de tantos que entopem nossas caixas de entradas. Aquele e-mail trazia em seu assunto uma referência que, de saída, alcançou-a pelo interesse, impressionando-a pela "prontidão, eficácia, qualidade da abordagem e senso de oportunidade" (em suas palavras - Folha de S. Paulo, Caderno Negócios e Carreiras, 28/02/2016, Pág. 3).
A conclusão do texto coincide com a recorrência de algumas reflexões já colocadas aqui: "A soma de qualidades inspiradoras só reforça a crença de que, em momentos difíceis, a diferença está na atitude...". No projeto de desenvolvimento pessoal, havemos de alcançar caminhos que nos constituam sujeitos dotados da determinação de sermos pessoas que busquem a resolução de problemas e que estejamos sempre dispostos a alcançar positividade em nossas ações. E, sobretudo, que tenhamos a segurança necessária de jamais perdermos a confiança na nossa capacidade de remar, o quanto necessário, sem a preocupação do vento. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O analfabetismo motor

Vivemos a era em que é necessário criar motivações as mais diversas para os nossos movimentos. Preferimos ficar sentados... se for no sofá, diante de um programa de televisão que mal percebemos do que se trata, melhor ainda. E não é mera preguiça, a questão é cultural - fomos nos adaptando à comodidade das coisas e achando bom. E aí cansamo-nos de qualquer caminhadinha de dez minutos. Mas não é só da caminhadinha, cansamo-nos de todas as referências de movimento a que somos submetidos.
E há um agravante nisso tudo. Nosso corpo e nossa compleição física são organizados para o movimento - andar, correr, pular etc. Como não nos movimentamos, entramos em um processo de atrofia. E como não nos movimentamos, não sabemos mais como motivar as crianças que estão sob nossa responsabilidade. Filhos e alunos acabam reproduzindo nossa variável de acomodação.
Outro dia, uma professora altamente comprometida com o seu trabalho, a quem admiro muito, reclamou de o quanto as crianças não sabem brincar. Em sua reclamação, constatou que aquelas brincadeiras ingênuas da infância perdida - pular amarelinha, brincar de corre-cotia etc - eram do total desconhecimento das crianças de sua sala. Logo, pensamos no analfabetismo motor - essa categoria da modernidade, que estabelece o desconhecimento dos códigos do movimento, e já tão amplamente estudada nas cátedras preocupadas em recuperar o espaço desse movimento. E já que se trata de um caso de analfabetismo, é preciso que ensinemos.
Em Educação, a responsabilidade é muito grande. E, se você é agente pedagógico que trabalha com as séries iniciais ou com a educação infantil, essa responsabilidade, então, aumenta e muito sua dimensão. É preciso que estejamos preparados para lidar com essa situação do analfabetismo motor. Alguns caminhos precisam ser trilhados para que esse trabalho seja desenvolvido de uma forma mais positiva: no início, é fundamental que reflitamos sobre os nossos limites e nossas habilidades em relação a esse grau de analfabetismo - é preciso olhar para nossas percepções e verificar qual é o nível de nosso envolvimento em relação aos aspectos motores; é preciso, ainda, que tenhamos um repertório, constantemente renovado, de brincadeiras e atividades lúdicas que propiciem o movimento; é necessário, também, que façamos aliados nos trilhares dos nossos rumos - direção, coordenação, pais, colegas etc -, para que incluamos em nossos propósitos o maior número possível de pessoas que possam nos ajudar na empreitada; por fim, é preciso que saibamos apresentar as propostas aos alunos e pais e colegas com aspectos de motivação, de significação e de contextualização e embasamento pedagógicos.
Note que o primeiro caminho apresentado é o da auto reflexão... é o passo mais importante e valioso no lidar com o analfabetismo motor. Isso porque o problema não é da juventude, como querem que entendamos. O problema alcançou-nos em uma dimensão que nem nos damos conta mais - simplesmente, nos acomodamos e nos ressentimos das dores e cansaços do nada fazer.
Ao lidar com o analfabetismo motor, preciso olhar para os descaminhos em que me encontro, em relação ao tema. Nesse sentido, buscar aceitar os chamados resultantes daquelas motivações ditas lá acima, que procuram criar-nos uma nova identidade - a do movimento - em relação as aspectos sedentários da vida.
A Educação só tem a ganhar, no propósito de formação e de desenvolvimento de uma geração, não só mais saudável, mas em consonância com as variáveis humanas.