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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Para refletir - O encantamento


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Mensagem - O conhecimento e o encantamento de pessoas


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Anotações - O encantamento

A capacidade de encantar-se com o que é simples. Esse, talvez, o princípio essencial da nossa escala de desenvolvimento pessoal. E até existe uma razão bastante especial para essa ideia. O que é simples quase nos escapa da observação... Então, para encantar-se com o que é simples, é preciso ter um senso de observação bastante apurado.
É preciso olhar com calma e devagar, como quem busca preciosidades... Paradoxal? Buscar preciosidades no que é simples? Não, não há paradoxos aqui... A simplicidade é carregada de bens valiosos.
Lembra-se do jogo infantil de buscar a identificação de imagens nas nuvens que teimavam no céu? Pois é!
Precisamos apurar o sentido da observação... Justo nós, que passamos correndo pelos caminhos. Quase que nem os enxergamos direito. Quase que nem nos enxergamos direito nessa pressa toda.
Pois, para observar os caminhos é preciso parar um pouco. Coragem. Você não vai perder nada, acredite. Detenha-se um pouco na sua pressa cotidiana e enxergue melhor o que está ao seu redor. Perca tempo.
Para o encantamento da vida, divague pelos rumos à busca de imagens escondidas, de sons escondidos, de cores escondidas, de aromas escondidos. O que nos encanta, quase sempre, a princípio, está escondido no normal dos olhares.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A capacidade de encantar-se

A característica do encantamento, frente às vicissitudes da vida, está mais para a capacidade de resistir aos destemperos da vida do que ao que se imagina estar vivendo à margem das realidades, como quem foge do que é inevitável.
Explico melhor. É comum, quando os assuntos descampam para os intangíveis, as pessoas nos olharem com olhos de quem desconfia estarmos alheios aos que os viventes têm como experiência: a realidade da vida. Pensam que, com o nosso observar para as poesias das agruras da vida, estamos nos distanciando do que é palpável.
E a vida é tão real... E tão dinâmica. Ao mesmo passo em que ela se configura como algo concreto e ríspido, a vida também nos mostra lúdica e carregada de fantasia. É preciso saber olhar para não perder a capacidade de encantar-se.
E a questão do encantamento carrega, em si, um pouco de ciência. Já começa que o homem (nós) é o único animal que consegue encantar-se e desencantar-se com os caminhos, sejam eles quais forem. Basta que saibamos o que se passa na nossa mente, se estamos fortalecidos emocionalmente e essas coisas assim, para que entendamos os passos do (des)encantamento. É por isso que reagimos diametralmente oposto às pequenas manifestações do viver.
Tomemos um dia de chuva, por exemplo. Se estamos bem com as nossas emoções, a chuva é um registro de bemquerença... faz-nos bem! Se, ao invés, estamos sofrendo com os descaminhos da mente, não toleramos a mesma chuva. Somos assim.
E, se somos assim, basta trazermos à consciência os processos de desenvolvimento por que passamos para entendermos melhor a ideia dos destemperos da vida... Veja que a vida, essa instituição real, dinâmica e intensa, vai nos proporcionar as mais diversas experiências; nem sempre vai ser tudo azul... nem sempre vai ser tudo vermelho. E, às vezes, nem dá para traduzir em cores as trilhas que enfrentamos no processo de evolução.
São esses os destemperos. Quando eu não consigo traduzir em nuances que me definam os ditames, há uma ideia de perplexidade ao que não se pode definir... um destempero, por assim dizer.
E resistir a essa variável de indefinição está na capacidade de sabermos nos encantar diante daquilo com que não contávamos.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Anotações - O mundo que nos cerca

Observar o mundo que nos cerca e daí tirar aprendizagens é tarefa um pouco complicada. Já partimos da variável de que, lentamente, perdemos a capacidade da observação. Quando muito, damos uma rápida olhada pelos caminhos e seguimos adiante sem nos apercebermos muito do que está ao nosso redor... sejam pessoas, sejam lições, sejam sinais, seja o que for.
A nossa capacidade de observação ficou presa na pressa dos dias. Mal temos tempo de saborear os instantes, muito menos o de estarmos atentos ao que nos acontece. E às vezes (ou será sempre?) nem precisa de muito, basta entrarmos em sintonia com o real que está ao nosso lado.
Pensei na amiga que, comemorando o aniversário, demonstrou tanta felicidade com a surpresa que recebeu e comentou, nas suas alegrias verdadeiras: "E nem precisa muito...". Dizia ela do prazer de estar entre amigos e saborear a vida.
Poderia ser sempre assim. Então, pararíamos um pouco com as nossas ditas responsabilidades sérias e nos deliciaríamos com as surpresas do viver, ou com as distrações do viver (como diria o Rosa!), em exercício primoroso da capacidade de observação.
Dessa observação que precisamos fazer do quanto nos cerca!


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Anotações - Gentilezas mínimas

Gosto daquelas gentilezas mínimas, quase imperceptíveis. É onde mais se deveria revelar a natureza humana. Das atitudes e gestos sobre os quais não se precisam propagandas. De alguma forma, a natureza humana deve constituir-se de movimentos colaborativos sem alardes.
E, assim, fazer parte de uma rede colaborativa que não precisa arvorar-se em exageradas variáveis.
Pensei nos movimentos quase ocultos em que o que mais interessa é fazer o bem. Justamente em uma cultura que não acredita no bem. Em que as tragédias fazem mais sucesso e público, ao contrário das notícias positivas.
Refleti, na consequência, o quanto precisamos estar atentos a esse movimento das gentilezas mínimas. Até em razão de exercitarmos nossa sensibilidade para enxergarmos o bem, o que é possível. O que é possível quando tudo parece impossível.
Esse movimento pequeno, de detalhes suaves e de cores claras, faz parte do todo que nos chega. Se não conseguirmos observá-lo, perdemos a dimensão da vida. Essa vida que se completa nas porções mínimas do quanto nos chega aos sentidos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Anotações - Tirar os olhos do chão

Descobri, dia desses, o escritor português Walter Hugo Mãe, que me apresentou um trecho inquieto de um dos seus poemas: "Do que adianta ser pássaro quando não se tira os olhos do chão" é parte de seu poema O desgoverno dos sonhos. Na obra o eu-lírico resgata pássaros em meio a um cenário de desilusão de árvores caídas (essa é a minha leitura) e, inconformado com o que vê questiona com o trecho que destaquei. De que adianta ser pássaro se os olhos estão no chão. Há na definição de pássaro o pressuposto de voar, de alçar alturas diante das intempéries.
Somos assim. Fomos feitos para o despropósito, como nos versos do Manoel de Barros, mas nos acomodamos diante do que entendemos como cansaço; fomos feitos para as grandes aventuras, mas nos contentamos com a mesquinhez das pequenas façanhas (é mais tranquilo e consome menos energia); somos constituídos da arquitetura das grandes realizações, mas resignamo-nos ao custoso dia a dia.
De que adianta, então, ser pássaro? De que adianta termos a natureza espiritual das realizações se estamos preocupados demais com as pequenezas do cotidiano? De que adianta termos sido feitos para a evolução e nos perdermos em retrocessos de humanidade?
Fecho os olhos por um tempo que dura o mínimo segundo de minha tristeza e volto ao poema para alçar outro voo:

" (...) por isso persigo o pôr do sol
janelas abertas e
vacilo

lágrima, pavio de
água que acabo de
acender, arde, onde
por fim parto

já tu me esperas,

abrevias-me"

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A importância do brincar

Em tempos de renovados avanços tecnológicos, em que os brinquedos brincam sozinhos, penso que cabe uma reflexão sobre esse binômio instigante: o brinquedo e a brincadeira.
Observando crianças a brincarem, na entrega do momento, tenho percebido que pouca importância tem o brinquedo em si, já que a mudança, a transformação da brincadeira é uma constante. Entretanto é quase constante também a necessidade de um objeto (o brinquedo) para desencadear a brincadeira.
Essa oposição me faz crer que a coisa não é tão simples assim. Antes de tentar mensurar uma importância maior para um ou para outro, a análise do brinquedo e da brincadeira merece uma melhor e mais elaborada investigação.
O brinquedo, aqui pensado como o material concreto em torno do qual se realiza a brincadeira, ganhou uma conotação comercial e sofisticada. É muito comum, nos dias atuais, os já famosos carrinhos e bonecas, clássicos brinquedos de crianças, aparecerem fazendo referências a esta ou aquela apresentadora ou celebridade de TV ou assemelharem-se a filmes hollywoodianos, para que os pequenos brincantes sintam-se um pouco parecidos com os heróis ou estrelas que desfilam na tela seus super poderes ou suas vaidades. Não sou um cientista do assunto, mas parece-me que as crianças ao brincarem com esses brinquedos deixam de exercitar a criatividade e a fantasia, na medida em que apenas copiam e/ou repetem movimentos pré determinados, ou, pior ainda, ficam simplesmente observando as desenvolturas do “brinquedo”.
O jornal “Folha de São Paulo”, em reportagem antiga, divulgou uma pesquisa, apoiada em estudos neurológicos, que concluiu: “brincar é fundamental para o desenvolvimento humano”. No corpo da reportagem, vamos nos defrontar com o conceito interessante de sinapse, segundo o qual quanto mais a criança brinca, mais são formadas novas sinapses (conexões) no cérebro, a serem utilizadas quando forem necessárias “para atividades que exijam certo tipo de movimento”. Esse conceito de sinapse, se é que entendi, não condena o que expus acima sobre a cópia dos movimentos, mas mesmo assim ainda fico ressabiado sobre a ideia do brinquedo que brinca sozinho.
Quando a criança pega um daqueles carrinhos em que basta por algumas pilhas, apertar um botãozinho e lá vai o brinquedo, todos acham bonito. O carrinho muda de direção, dá umas cambalhotas, volta à posição normal , bate em algum obstáculo, volta, acende uma luzinha, emite um som, e por aí vai, até que alguém desligue o tal botãozinho. A pergunta que me fica, após este espetáculo, é “será que a criança brincou?”. E a resposta que me vem é a imagem de um desenho animado a que eu assistia há algum tempo, chamado “Os Anjinhos”. Não sei se você se lembra ou se viu, o desenho narrava as aventuras e desventuras de um grupo de crianças, em que a maior da turma tinha 3 anos. Num dos episódios, eles entravam num desses tubos que há em parques e o interior do tubo assumia, para cada um deles, um cenário diferente: ora era um oceano, ora uma casa, ora uma floresta, e assim por diante. Em outro episódio do mesmo programa, uma caixa de sapatos sofria o mesmo processo do interior do tubo: a cada hora virava um personagem ou um brinquedo novo. E isso para mim parecia brincadeira de verdade.
Lembrei-me de que gostava de observar minha filha brincando; esse conceito de brinquedo e brincadeira apurou minha reflexão para o assunto. Improvisávamos com um lençol uma espécie de tenda e ela ficava embaixo dessa “tenda” se divertindo a valer; como a brincadeira era tanta, era necessário batizar o brinquedo e ela deu o nome de um desses brinquedos sofisticados que aparecem na TV. Ato contínuo, a minha mente formulou a seguinte questão: “para ela, naquele momento, o brinquedo em si apenas servia como referência, para denominação. O que contava mesmo era a brincadeira”. Não posso atribuir um peso científico a essa ponderação, mas sou levado a acreditar nisso como uma questão bastante séria; claro que as crianças sempre quererão brinquedos, mas deve ficar claro, também, que há de se atribuir uma importância relevada à brincadeira.
Ponderações à parte, o que parece indiscutível mesmo é o ato de brincar. Como este meu apontamento não se pretende conclusivo sobre o tema, é terminado, aqui, com uma breve, mas contundente reflexão a partir da citação do educador francês Jean Chateau (autor de O Jogo e a Criança, Ed. Summus, l987): “Uma criança que não sabe brincar será um adulto que não saberá pensar.”

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Anotações - Aos que trabalham e convivem com crianças pequenas

Se você trabalha ou convive com crianças pequenas, aproveite bem esse privilégio, para além dos desgastes naturais que a demanda resulta. 
E é mesmo natural esse desgaste. Nessa fase, as crianças têm uma dinâmica muito intensa de vida. Além da energia peculiar, que lhes confere sobrevidas para os mais diversos movimentos.
Acontece que, justamente, precisamos de vivências em que o dinamismo da vida possa nos dar a medida das experiências significativas. E, também, da lição dessa energia de sobrevivência.
Isso mesmo, a convivência com crianças pequenas pode representar verdadeiras lições para nós. Além das ditas aí acima, é possível aprender uma diversidade de variáveis com elas. 
Lições de espontaneidade, da capacidade de experimentação e da coragem de tentar novos caminhos, de coleguismo e solidariedade, do encantamento das coisas, da busca da poesia da vida... E por aí vai. 
E ainda há uma lição essencial, da observação que faço das crianças, a qual precisamos carregar conosco sempre: a inesgotável capacidade de transformar as coisas mais simples e corriqueiras em um manancial de grandes felicidades!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anotações - A alteridade

Em entrevista sobre um programa de televisão, que ainda vai estrear (A Arte do Encontro), o ator Tony Ramos, que vai comandar a atração, filosofa sobre a ideia de alteridade: "A vida se renova quando você ouve o próximo. Quando você monologa, você não tem vida, tem só uma ansiedade de viver. A vida perde o encanto. O gostoso é quando você ouve a quem está à sua volta, você devolve, concorde ou não. Isso é vida, o resto é perfumaria." (A entrevista está na Revista Monet - Editora Globo -, nº 160, julho 2016, pág. 59).
Já conversamos, aqui, sobre a questão da alteridade - a capacidade de perceber o outro. E de como, por vivermos em sociedade, essa é uma capacidade importante a ser exercitada. Mas a frase do ator Tony Ramos proporcionou-me uma leitura mais urgente: quando você monologa (só vê a si mesmo), a vida perde o encanto. Até penso que, em algumas situações, chega a ser importante o tal do monólogo, talvez o exercício da consciência... Mas só nesse nível, como exercício de consciência. No mais, é imperioso que tornemos a vida encantada: perceber o outro, interagir com o outro, ouvir o outro, conectar-se ao outro.
Na interação, nossa consciência ganha em perspectivas da ideia de viver em coletividade... E, sobretudo, que é possível aprender e dividir com outro.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Equilíbrio emocional

No desenvolvimento de um trabalho que prima pela perspectiva do desenvolvimento humano, como é o realizado nos espaços escolares, é preciso cuidar, sistematicamente, das referências do equilíbrio emocional. Não é raro constatarmos que uma boa parte dos profissionais de Educação passam por reiteradas situações de stress emocional. O cotidiano das ações e das relações propicia essas instâncias.
O equilíbrio emocional deve ser uma variável de cuidado, em que se busque, efetivamente, o comprometimento de estratégias e de organização de posturas para o seu alcance.
Há vários caminhos para esse fim... e é preciso que cada pessoa reflita sobre esses caminhos para o estabelecimento de um rumo positivo, que atenda às especificidades individuais. Note-se que não é possível estabelecer um padrão de encaminhamento, como uma receita de posturas e atitudes. Mesmo assim, proponho-me a convidar à reflexão sobre quatro itens interessantes a serem incluídos no propósito de uma vida que contemple a emocionalidade em equilíbrio: a espiritualidade; o pensamento positivo; o entusiasmo pela vida e pelo trabalho; e a realização de uma atividade manual e criativa.
O exercício da espiritualidade deve estar atrelado à perspectiva da crença em algo divinatório, não necessariamente ligado a uma religião. Em minha concepção, a religião é algo que vem de fora; a espiritualidade está fundamentada na interioridade do indivíduo. E é o desenvolvimento dessa percepção interior, que se encaminha para a reflexão da espiritualidade. Aqui, estão as concepções de fé, por exemplo. Desenvolver a fé e buscar o seu sentido espiritual é algo que faz bem ao escopo das emoções.
A ideia de pensamento positivo não é uma leitura acomodada de quem acha que tudo vai dar certo; ter pensamento positivo sobre algo é, sobretudo, encontrar-se pleno de motivações para vencer os desafios que a vida nos impõe. A variável do pensamento positivo é aquele movimento que nos impele ao caminho da consciência nas competências e habilidades que são necessárias para a realização de algo... Esse algo a ser realizado nunca é visto como um elemento impossível - o enfoque dá-se na necessidade de elaborar certas competências e habilidades para a fundamentação das forças necessárias ao enfrentamento dos desafios.
Daqui, chega-se, por extensão à outra variável: a do entusiasmo pela vida e pelo trabalho. Quando nos confrontamos com a situação de stress emocional, é normal perdermos esse entusiasmo. O que nos afunda na falta de perspectiva das soluções. É preciso estar atento: o entusiasmo está consolidado na visão racional que temos dos problemas e dos desafios enfrentados... E é justamente nesse conceito que se visualiza a referência de entusiasmo: os desafios precisam ser enfrentados. E essa ideia é tão fascinante que, via de regra, quando estamos entusiasmados, conseguimos mobilizar outras pessoas a partilharem do nosso entusiasmo. É quando o enfrentamento dos desafios ganha uma consciência coletiva de realização.
Por fim, há um caminho interessante de mantermos a interioridade em exercício constante de busca do equilíbrio emocional - a realização de uma atividade manual e criativa. Experimente. Dê vazão a suas potencialidades do exercício manual e busque as inspirações criativas para a sua realização. Certamente, você vai enxergar uma transformação que possibilita uma melhor compreensão das buscas do desenvolvimento de uma consciência emocional.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Recesso escolar

Por essas bandas, as escolas vivem o tempo de recesso neste mês, momento em que se espera uma renovada de energia e de perspectivas para um caminho mais positivo do desenvolvimento das aulas e das atividades pedagógicas, quando do retorno.
Dito assim, a máxima é de descanso. Mas não é só isso. Professores, alunos e demais agentes escolares até devem descansar, sim. E bastante, já que o trabalho pedagógico exige muito... Porém, é necessário que se entenda ser um momento, também, de investimentos - emocional, pessoal, formativo etc.
Então, faça do seu descanso um momento de contemplação e de elevação emocional. Descanse muito... Procure ações que o façam sentir-se bem. Olhe em busca do novo nos seus caminhos habituais. Quando se busca o novo, há um exercício de captação do que se está ao redor e os olhos fazem um trabalho de percepção mais integral... os ouvidos, também! Aguce todos os seus sentidos na observação das novidades.
A melhor variável para essa busca são os passeios que se podem fazer. Passeie bastante... sozinhos, acompanhados, carregados de alegrias, olhos de crianças... acompanhados de crianças. As crianças são os melhores cicerones para nos conduzirem às felicidades.
Quando estiver nestes passeios, busque conhecer espaços que lhe remetam aos tempos infantis... de preferência, com referência à natureza. É nesses lugares que nos conectamos, verdadeiramente, com a nossa interioridade - conexão essencial de que nos valemos quando precisamos buscar a consciência do que somos e do que podemos.
Participe de programações que lhe enriqueçam as percepções emocionais - leitura, visitas a exposições e museus, filmes, música. O enriquecimento das percepções emocionais é o que nos completa o desenvolvimento da alma e da espiritualidade, deixando-nos mais fortes e sensíveis para os exercícios de criatividade e de contemplação estética.
Reserve um tempo, também, para os movimentos racionais e intelectuais, que podem ser definidos e/ou orientados para as leituras e atividades de formação. Seu desenvolvimento profissional e intelectual precisa ser levado em consideração, constantemente.
Faça desse momento de descanso um caminho integral de evolução. O período de recesso deve ser visto como um espaço de busca do equilíbrio sócio-emocional, equacionado ao dos movimentos racionais, necessários ao restabelecimento das energias. E é disso que todos precisamos!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O desenvolvimento do senso estético

Saber enxergar o belo deve ser uma competência a exercitar-se constantemente. Belo, aqui, está no sentido filosófico, e não midiático. O belo midiático atende a interesses e conveniências nem sempre balizadas por uma clareza da percepção - às vezes, a mídia faz com que eu enxergue o belo em situações ou pessoas a partir de aspectos discutíveis.
O belo, na percepção filosófica, está associado à ideia do senso estético (palavra, que, na origem grega, está associada à referência de quem se nota, de quem se percebe).
Podemos, por extensão e na simplicidade do espaço, refletirmos sobre a ideia da capacidade de desenvolver a percepção do que está ao nosso redor, em uma instância de integralização (ser integral) ao que nos acontece e está nos nossos caminhos. A variável de contemplação está nesse caminho de leitura.
Saber contemplar o que está à nossa vista é um ótimo exercício de percepção do mundo que nos cerca, em um valioso referencial de desenvolvimento humano. Como a contemplação está associada a um aspecto de desligar-se frente aos movimentos rápidos da vida, talvez esteja aqui - na compreensão do desenvolvimento do senso estético - uma ideia melhor apurada da apreensão da visão mais humanizada da vida.





segunda-feira, 20 de junho de 2016

Da imaterialidade das coisas - Reflexão poética da vida

Em nossa sociedade e em nosso tempo, de uma maneira geral, é quase certo que as pessoas atribuam um valor muito mais significativo às coisas materiais, às posses, ao que se vê ou ao que se pode pegar... Gostaria, na contramão desse senso, de propor aqui uma reflexão sobre a imaterialidade das coisas.
Como atribuir uma dimensão de valor material a um silêncio? Sobretudo, se o silêncio estiver sendo contemplado às margens de um regato ou de uma queda d'água, que cria uma contraposição - o silenciar de tudo, mesclado ao barulho da água... Já sentiu isso?
Já esteve sentado à escadaria de uma igreja de uma cidadezinha, quando o tempo parece suspenso? À frente da escadaria, uma dessas praças - com coreto e tudo - que parece ter sido desenhada, que convida os passantes a circular por sua calçada, em um jogo de sedução quase infantil... já viu isso? Já brincou, na confusão do sol e chuva, de caçar arco-íris pelo céu?... Já inventou seres fantásticos e nomes atrapalhados em brincadeira com as crianças?... Já parou, em sua caminhada séria e responsável, para admirar pequenos detalhes do dia?... 
Que dimensão de valor material atribuir a essas sensações?
Na imaterialidade das coisas o que conta é exatamente isso: as sensações. Já andou por uma estradinha, à noite, sem luz artificial, só o brilho da lua a banhar o caminho? E, para completar, ser agraciado por uma revoada de vagalumes, que cismaram de criar encantamentos de luzes. Já passou por isso? Já experimentou esse encantamento?
Pois é, quando se vivencia significativamente momentos como esse, parece que todas as questões materiais perdem o sentido. E não é só viver de poesia, como alguns críticos podem manifestar-se. Claro que precisamos de referenciais materiais, que nos deem conforto e segurança. Mas não podemos, em hipótese alguma, esquecermos da imaterialidade das coisas. Nossas vivências, certamente, preencheram-nos de sensações e de experiências que alimentaram as referências imateriais do nosso desenvolvimento... a tendência é perdermos isso. Ou, o que é pior, dar a relevância desmedida às conquistas materiais, atribuindo-lhes um valor maior.
Pense sempre, então, na imaterialidade das variáveis que a sua vida lhe atribuiu. É dessas sensações que o seu corpo e o seu espírito vão se alimentar para torná-lo resistente e capaz para as conquistas materiais.



quinta-feira, 16 de junho de 2016

Anotações - Ter um propósito

Quando se tem um propósito, viver e buscar a evolução torna-se um caminho mais fácil... Imagine uma vida em que não se tem motivações de caminhada e de busca e você terá um cenário no qual os rumos tornam-se desfocados e sem sentido.
Não sei se você assistiu ao filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de 2002. É um belo filme, independente de querer debater esse tema que apresento. A Amélie do filme é uma moça que leva uma vida sem cor e sem perspectivas, até que, por uma graça do destino, resolve impor-se um propósito: tornar alegre, emocionante e colorida a vida das pessoas. Não pense que a moça é só altruísta - ao ajudar as outras pessoas, ela acaba encontrando uma maneira de ajudar-se, também. (Se não assistiu ao filme e quiser dar uma olhada no trailer do filme, clique aqui.).
O estabelecimento de um propósito, tenha a dimensão que ele tiver, faz a diferença no seu planejamento. Experimente traçar um objetivo - mesmo que seja pequeno - de realização em um dado momento (é essencial que você estabeleça esse momento: na hora, no dia, na semana etc) e conduza-se, pelos caminhos, na estratégia e determinação de alcançar esse propósito naquele tempo determinado. A sensação de felicidade, quando você tiver realizado o tal propósito, não tem medidas.
Acredite, tudo é uma questão de hábito (como tenho aprendido) - quando um dos propósitos for realizado, você vai ficar com vontade de estabelecer-se outros propósitos (alguns maiores, outros menores; alguns com maior complexidade, outros nem tanto) e vai verificar que não há segredo para a realização da vida. Ou melhor, o segredo é exatamente é esse: o estabelecimento de um propósito.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Anotações - Falar menos e orientar mais

O professor José Moran, Doutor em comunicação pela USP, em um Congresso de Educação acontecido na semana passada, apresentou a máxima que dá título a essa publicação: "Uma boa aula é quando o professor fala menos e orienta mais.".
E concordamos com isso. Falar menos e orientar mais talvez seja o preceito mais claro de uma Educação de melhor qualidade a ser desenvolvida nesses tempos de modernidade. O professor, às vezes, gasta muito de seu tempo em verborragias que não levam a lugar algum... e esquecem-se do propósito de orientar os jovens aos seus avanços.
Via de regra, os alunos estão à espera de orientações... e propensos a isso. A ideia de orientação é muito mais positiva do que a de ensino. Ensinar pressupõe uma mente superior preterindo a habilidade do aluno; orientar indica o caminho de que um mentor vai ajudar o discípulo a descobrir suas potencialidades e usá-las de forma qualificada.
Um dos maiores problemas, aqui, na reversão de uma lógica estabelecida, é que o ato de orientar exige que o professor saiba ouvir bem o aluno, e que desenvolva uma metodologia de aproximação eficaz e positiva.  É necessária uma outra abordagem de aproximação que não a da imposição do medo - orientar alguém não guarda relação alguma com aqueles terrorismos infundados de notas e de disciplinas mal elaboradas.
Quando a Educação entender que os mecanismos da orientação produzem efeitos de melhor qualidade para o desenvolvimento, certamente vislumbraremos caminhos mais iluminados para os espaços escolares.






terça-feira, 17 de maio de 2016

Anotações - Superação

Não é curioso que conheçamos diversas histórias de superação? O homem que perdeu o braço e vive de catar sucatas pela rua... O que perdeu o pé e hoje é atleta profissional... Aquele que perdeu a visão e trabalha com determinação. Todas essas histórias são sempre mostradas pela característica de alegria e de força de superação. Quase sempre vemos que são pessoas que colocam as dificuldades em um plano de motivação.
Essas histórias que conhecemos, via de regra, mostram-nos histórias e fatos de elementos concretos de dificuldades (a falta de alguma parte do corpo, um limite físico etc). Mas a ideia de superação não necessita de exemplos tão concretos assim... às vezes, o limite é subjetivo - um pensamento, uma descrença, uma fraqueza qualquer etc.
E aí, os limites ganham uma referência extremamente abstrata - o sujeito não consegue ir adiante porque seus pensamentos não deixam... não há avanços porque o sujeito perdeu a crença nas suas capacidades... e por aí vai.
Nessas situações, o conceito de superação precisa ser aprendido com aqueles cujas limitações são reais e aparentes. O sujeito sem braço que busca a sobrevivência no trabalho de catar sucatas pelas ruas e coloca ali toda a sua nobreza de vida não diminuiu sua fé em seus potenciais; o atleta, que se supera em relação à deficiência, não pensou na carência física para limitar-se a seus propósitos; o deficiente visual, que se entrega ao trabalho com renovada determinação, não diminuiu o ritmo de seus sonhos.
Quando entendemos que os limites que colocamos em nossos caminhos estão mais no âmbito dos pensamentos do que da razão, já teremos traçados os rumos da superação de qualquer obstáculo.