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terça-feira, 30 de junho de 2015

Anotações - Aqui e agora

A presentificação dos atos, das atitudes e das tomadas de decisões é o caminho mais precioso quando estamos nos referindo às variáveis de desenvolvimento. Estar presente, viver o aqui e o agora, coloca-nos em estado superior de consciência frente às possibilidades de descaminhos.
E não é só a questão temporal (estar no tempo presente), mas também viver a integralidade do momento, como algo valoroso e que nos preenche a vida. É preciso aprendermos a viver as relações nessa integralidade - estar integral, e não em partes -, para que delas possamos retirar as aprendizagens mais significativas. Viver o aqui e o agora, nesse sentido, coloca-nos em sintonia com o que há de melhor nas variáveis com que nos defrontamos em nosso cotidiano.
Como na canção, "o melhor lugar do mundo é aqui e agora...".

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Os fundamentos do Esporte como referências de desenvolvimento técnico-pessoal

Há muito a aprender com algumas variáveis dos fundamentos do Esporte, como parâmetros para refletirmos sobre os encaminhamentos para o desenvolvimento pessoal. Já há algum tempo, venho analisando alguns pensamentos que retirei do Esporte, como metáfora para aprofundarmos os entendimentos sobre a questão da evolução pessoal. Tenho, é preciso que se diga, especial predileção por alguns componentes de postura e de atitude que observo nos esportistas de alto rendimento; e, via de regra, enxergo nessas atitudes e posturas verdadeiras lições a nos complementarem o processo de aprendizagens.
De saída, retomo o que já foi apresentado aqui, neste espaço: o atleta está preparado para ganhar ou perder, mas nunca para desistir. Em nossos rumos da busca do aperfeiçoamento, vamos nos deparar com reiteradas instâncias em que estaremos propensos a ganhar ou perder; a propósito de ganhar, até estamos preparados - ficamos felizes e animados, cheios de entusiasmo e transbordamos energia. À ocorrência de algumas derrotas, entretanto, perdemos a energia e o entusiasmo, e o primeiro impulso é o de desistir; não estamos preparados para perder e entendemos, quando da derrota, que o melhor passo é desistir. A principal lição a recolher com o mundo dos esportes é esta: ganhar ou perder faz parte do jogo, o que não faz parte do jogo é desistir de jogar.
E dessa primeira lição vêm conceitos como disciplina, determinação, persistência. São conceitos que estão no dia a dia de qualquer atleta. É preciso disciplinar mente e corpo para o preparo do que virá: condicionamentos, disputas, deslocamentos, pressões internas e externas etc. A disciplina será o rumo para o foco e a concentração.
A determinação, irmã da persistência, ensina-nos a buscar o que se almeja, não se importando com as dificuldades que, certamente, chegarão pelos caminhos. Determinação e persistência fazem parte do caderninho de cabeceira de qualquer atleta - são pressupostos fundamentais de sua formação. E tanto uma quanto outra estarão integrando outro conceito interessante, que muito tem a nos ensinar. O do aprimoramento.
O atleta tem em sua mentalidade a preocupação tão elaborada de aprimorar-se, que, é comum saber, o seu princípio de treinamento é parte integrante da constituição de sua vida. A busca pelo aprimoramento - físico, mental, tático, estratégico etc - consome boa parte do tempo de um atleta. Quanto mais ele aprimorar-se em sua especialidade, tanto mais estará seguro nas competições que surgirem.
O cuidado com o preparo físico é consequência dessa preocupação em aprimorar suas performances. E ele tem claro quais níveis de seu corpo precisam estar consolidados para auxiliá-lo no desenvolvimento do jogo. E cuidar do corpo - com alimentação balanceada ou com treinamentos físicos específicos - faz parte da rotina de desenvolvimento de suas competências, também.
Independente do esporte que pratica - individual ou em equipe - o atleta sabe que sozinho não chega a lugar algum. E aí desenvolve o que podemos chamar de consciência coletiva, a partir da qual percebe-se como parte integrativa de um todo. E, sabe ainda, que na hora do jogo, é, justamente, esse "todo" que precisa brilhar e aparecer. E, em nome dessa consciência, desenvolve e aprimora outros conceitos bastante interessantes: respeito, coragem e liderança, por exemplo.
A busca por caminhos de desenvolvimento pessoal e de aperfeiçoamento aproxima-nos - e muito! - das variáveis de atitudes dos esportistas. Se pudermos enxergar estas variáveis, e refletirmos, cuidadosamente, sobre elas, nosso preparo já estará com meio caminho andado.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Anotações - Vida em sociedade, interesses individuais

Vivemos em sociedade. Boa parte dos nossos movimentos, portanto, não pode ser pautada por interesses individuais. Claro que isso é uma obviedade sem tamanho, mas vemos, no nosso cotidiano, diversos exemplos que contestam o que é óbvio. Imperam, em alguns movimentos, as famigeradas leis da conveniência e de que é importante levar vantagem em tudo. E aí, as pessoas estão cada vez mais olhando para o próprio umbigo. 
A questão maior é de que as pessoas não fazem isso por mal; a individualidade chegou ao patamar de uma variável cultural. Sim, vivemos o momento cultural de que não pensamos mais na coletividade.
E, da variável cultural para uma prática que se fundamenta cada vez mais no individualismo, vamos - gradativamente - perdendo o senso de coletividade.
A questão é que, salvo para quem optou por uma radical vida reclusa, ainda precisamos do outro. É da interação social que tiramos o nosso sustento, a nossa felicidade, a nossa energia e o nosso desenvolvimento.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Anotações - Ensina-me a crescer

Há um filme que já tem algum tempo, de 1992, que aborda o universo das relações das necessárias mudanças de paradigmas em que um professor se vê envolvido, quando quer provocar uma transformação. Trata-se do filme Ensina-me a crescer, produção para a televisão, baseada em fatos reais. É a história de um professor que se muda para uma cidade pequena para trabalhar com alunos rebeldes.
Lá pelas tantas do filme, o personagem principal tem em seu diálogo a seguinte frase: "Devemos tornar o aprender algo emocionante, interessante e divertido...". Parece-me uma boa síntese. Se é algo que precisa ser aprendido, há de ser emocionante, interessante e divertido.
O problema maior é que as variáveis de emoção, de interesse e de diversão parecem ter sido banidas dos propósitos das aprendizagens. Tomara que elas sejam resgatadas: aquilo a que se percebe envolvimento emocional, ou ao que se pode atribuir significados de interesse, ou em torno do qual se possam permitir elementos de diversão, penso que a chance de ser referendado como objeto de aprendizagem torna-se altamente provável.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Na sala de aula, mas sem aprender"

O título está entre aspas, porque não é meu. Essa é a denominação de uma análise que saiu no The New York Times International Weekly, publicação semanal de excertos do famoso jornal americano, publicado pela Folha de São Paulo. A matéria é do dia 06 de junho passado e disserta sobre referências de alguns problemas de Educação, citando, principalmente a África do Sul e o México.
Apesar do título estar em um veículo de comunicação distante e não referir-se diretamente ao Brasil, não são distantes as variáveis reflexivas sobre um dos maiores problemas da Educação, que enfrentamos por aqui. E o problema tem sua reflexão baseada em dois pilares principais: o popular "você finge que aprende e eu finjo que ensino"; e a outra ponta, fundamentada em uma preocupação do ensino justificado pela necessidade, apenas, de se tirar uma boa nota nos sistemas de avaliação que por aqui reinam.
E a questão maior fica mesmo resumida no título da análise: as crianças e jovens até estão na sala de aula, mas aprendem bem pouco. E é grave isso. Se formos nos atentar, nos detalhes, às duas principais metas que corroborariam o prenúncio de um ensino de qualidade - domínio fundamental dos mecanismos de leitura e de escrita; e aprofundamento do raciocínio matemático -, já teríamos, e muito, com o que nos preocupar.
Em consequência, a questão fica bem mais delicada: em uma ponta, os professores comprometidos estão desmotivados a ensinar; na outra extremidade, e como era de se esperar, os alunos não atribuem significados ao ato de aprender.
A mudança de paradigma dessa realidade vai exigir uma nova leitura de posturas e atitudes. É preciso rever caminhos e planejamentos. Acredita-se que a referência de quantidade até está bem encaminhada; vamos ter que concentrar esforços na variável da qualidade.
A busca de uma melhoria na qualidade da Educação não é tarefa das mais simples, já que exige uma mudança de visão, mas é empreitada que precisa ser encaminhada. Para isso, talvez o início da caminhada seja a de nos revermos como profissionais - quanto estamos investindo em nosso papel nesse propósito de transformação de que precisamos? Quanto estamos colaborando com a nossa experiência e a nossa ciência para subsidiar a mudança? Quanto sabemos da dimensão dessa mudança? Quanto estamos investindo na coletividade de ações?
A verdade é que temos tantas respostas para buscar, nos mais variados níveis de atuações em que estamos envolvidos. E à busca dessas respostas, precisamos acrescentar a transformação de nossas posturas - esquecer a visão negativista de que estamos acostumados; assumir protagonismo de comportamentos e ações; assumir os papéis colaborativos de que os tempos modernos estão constituídos; entender o papel da tecnologia, tanto na nossa formação, quanto nas atuações; saber ler as transformações das sociedades em que estamos inseridos; e, sobretudo, resgatar os princípios mais fundamentais da arte de ensinar e de aprender.
Quando estivermos plenamente inseridos nesses propósitos, é bem possível que enxerguemos melhor novas rotas por onde caminhar nossos objetivos de transformação da tão discutida melhor qualidade em Educação.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Anotações - O pensamento empreendedor

O desenvolvimento de uma mentalidade e de uma postura empreendedoras são bases fundamentais para a evolução pessoal. Normalmente associado ao mundo dos negócios, o empreendedorismo pode, ainda, ser entendido como um fundamento para o aprimoramento pessoal e formação intelectual.
O pensamento empreendedor prepara o ser humano para os mais variados obstáculos e desafios que surgem em nosso caminhos de formação. É do pensamento empreendedor, por exemplo, a característica do desenvolvimento de uma habilidade que nos prepare para as situações de tomadas de decisões.
Normalmente, somos impelidos, pelos caminhos que tomamos, a decidir por esse ou aquele rumo. Essa variável - a de decidir por um outro caminho - já nos impõe o uso de algumas competências que podem ser exercitadas pelo pensamento empreendedor: a competência de analisar os prós e contras; a competência da formação intelectual, que nos fundamenta as decisões; a competência de calcular e assumir os riscos pelas decisões; a competência do autoconhecimento, que permite julgar minhas potencialidades e decidir por quais delas usar em determinados contextos; a competência da visão de onde se quer chegar... e por aí vai. Valer-se destas competências - que, repito, devem ser exercitadas - é a dimensão principal que pode interferir no sucesso das conquistas.
Enxergar no pensamento empreendedor os fundamentos dos quais podemos nos valer para o caminho da formação pessoal pode representar bastante na busca de nossa transformação.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Anotações - Trabalho em equipe

As referências que vemos, por aí, sobre as discussões da importância do trabalho em equipe, trazem-nos significativas reflexões para aprimorarmos o pensamento sobre essa questão. Normalmente, quando avançamos às variáveis individuais, ainda assim não estamos desempenhando um trabalho em equipe; na maior parte das vezes, podemos dizer que somos um grupo, mas ainda não uma equipe. O grupo é um ajuntamento de pessoas, com características desconexas e objetivos não coesos. Uma equipe é um coletivo que se fundamenta, justamente, na coesão e conexão de metas e potencialidades. Então, o primeiro passo é, exatamente, promovermos a passagem de grupo para equipe, fundamento importante para ingressarmos na coletividade.
Depois, cada indivíduo constituinte da equipe deve desenvolver competências significativas para propiciar a evolução de todos. Essa questão dos valores fundamentais de cada membro da equipe é o que vai impactar, consideravelmente, no desenvolvimento dos constituintes da equipe e, por extensão, da coletividade. Assim, um indivíduo vai colaborar com o seu entusiasmo para motivar o conjunto; outro, com sua capacidade de organização, vai desempenhar importantes variáveis; outro, ainda, pode desempenhar a gerência de ações; outro colabora com o conhecimento técnico, e assim por diante. O resultado é a constituição conjunta de ganhos e de evolução coletiva.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A referência do treinador no desenvolvimento pessoal

No processo de desenvolvimento pessoal e na busca de uma evolução positiva, é preciso dar destaque ao papel do treinador como referência importante nos caminhos de transformação.
A palavra "treinador" está mais visível nas variáveis esportivas, mas a ideia de alguém treinando alguém guarda dimensões altamente filosóficas, associadas, desdes tempos idos, ao processo de desenvolvimento, seja ele individual ou em equipe. A palavra, também, está referenciada a um sujeito externo, que indica movimentos e posicionamentos para a busca da perfeição - técnica ou estratégica; entretanto, não há problemas em imaginarmos um mesmo indivíduo desempenhando, ao mesmo tempo, os papéis de treinador e treinando.
O que é importante, para as nossas reflexões, é que, independente de estarmos no papel do treinador ou daquele que recebe os treinamentos, faz diferença entender as dimensões desta variável nos trilhos do desenvolvimento pessoal.
O treinador, antes de tudo, é aquele sujeito que detém a visão externa, que capta o todo e os detalhes de uma maneira extremamente analítica. A partir de seu posicionamento - aquele que está de fora -, o exercício do afastamento permite, de saída, uma visão de quem não se envolve emocionalmente com o problema. É essa posição privilegiada que faculta a tomada de decisão para uma referência estratégica mais eficiente e positiva; é possível enxergar rotas de saída e/ou caminhos mais produtivos, que os envolvidos não conseguem ver.
Aliada a essa referência, o treinador é aquele que possui a capacidade de saber o que faz. Ao analisar os caminhos por onde se deve ir, o treinador, em sua mente, já desenhou os movimentos possíveis, fundamentados em sua consciência do saber. Para isso, o treinador é aquele que experimentou as situações e descaminhos, os quais o treinando experimenta em sua busca de evolução.
A característica de saber o que faz referencia o treinador à posição de um mestre - aquele que sabe ensinar. O treinando precisa passar pelas variáveis de aprendizagens, e o treinador coloca-se como o mestre competente para essa questão. Em suas posturas e atitudes, está o treinador, costumeiramente, interessado em fazer com que o treinando aprenda e apreenda as leituras de que vai precisar.
Em seu trajeto de professor, sabe o treinador que uma das estratégias mais positivas é a de desafiar o treinando. Não à toa, o treinador posiciona-se como alguém que quer tirar o melhor do aprendiz: provoca-o, desafia-o, instiga-o na busca da perfeição necessária.
Somada a essas variáveis, a característica da confiança é uma das referências principais da postura do treinador. Ele confia, indiscutivelmente, no desempenho do treinando. É com base nessa confiança que o treinador reúne toda a sua força e energia ao propiciar a evolução do treinando.
O que é importante, ainda, nessa nossa reflexão, é que consigamos entender estarmos vivenciando, conforme os nossos movimentos, o papel de treinador e de treinando, em constante revezamento de situações e de posicionamentos. Ora, os nossos caminhos nos levam ao processo de ensinantes; ora, ao de aprendizes. Quando soubermos desenvolver as competências essenciais para um ou outro papel, estaremos nos capacitando melhor para as variáveis de evolução pessoal.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Anotações - Alteridade

Os filósofos antigos já haviam debatido os princípios fundamentais que a palavra "alteridade" expressavam. Opondo-se à ideia de "identidade" - em que o "eu" prepondera - a "alteridade" preconiza as referências de percepção do outro, em torno das quais manifesta-se o princípio de sociedade.
Trazendo a referência para olhares mais simplórios, perceber o outro é, basicamente, respeitá-lo. No entanto, vivemos tempos em que o apressado das trilhas levaram-nos, justamente, a deixarmos de enxergar o outro. Ou quando o enxergamos, é pelo prisma do estorvo - em que o outro nos atrapalha -, ou pelo olhar da competição - em que o outro não pode ser melhor do que eu.
A consciência de alteridade é a visão de que vivemos em coletividade, na qual a minha existência só é positiva através do contato com o outro. Pode até ser que haja conflitos, mas eles existirão à luz do que a diversidade permite: o conflito é a base da variável das diferenças e dos necessários respeitos que elas devem suscitar.
Quando deixamos de enxergar o outro, deixamos de valorizar a diversidade de referências que o mundo me apresenta para um convívio de desenvolvimento.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Anotações - Vida de atleta

Já foi dito aqui sobre as referências de saber perder e saber ganhar sem desistir de nossos objetivos. E de como essa premissa relaciona-se com a vida de um atleta esportivo, preparado firmemente para essas variáveis.
Tenho visto muito essa aproximação de pensamento, já que de alguma maneira as emissoras de televisão estão cada vez mais aproximando-se dos esportes que consagram aqueles atletas. Seja no popular futebol - tão amplamente destacado -, seja em outros esportes não tão equiparados, a referência a ser campeão em algo inunda os meios de comunicação.
Precisamos estar cada vez mais atentos à demanda que nos surge em nosso processo de desenvolvimento. Como o atleta esportivo, precisamos estar preparados para aquela premissa: saber ganhar e saber perder, sem desistir. Você já deve ter visto como se prepara um atleta de alto rendimento para a disputa de algum torneio: ele parece conversar consigo mesmo, como quem lembra algum percurso e/ou alguma estratégia para obter o melhor quando for a hora. E, no momento final da prova, ele não parece estar pensando no troféu ou na medalha ou na vitória - ele parece pensar apenas, e tão somente, em executar aquilo que ele conversava consigo mesmo: fazer o melhor que puder, com as ferramentas que ele tem. Após o resultado final, ele não se deita nos louros da vitória - se for o caso -, nem se abate ao insucesso do momento - se este for o resultado -; o atleta já está pensando na próxima competição e no próximo adversário. Isso porque ele não foi preparado para desistir.Que possamos aprender com essa alegoria.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A Arte de Pensar

Ainda não tomamos completa consciência da importância dos nossos pensamentos. Como o ato de pensar, assim como respirar, não exige maiores esforços conscientes, não damos muita importância a essas variáveis. Mas é aí que reside um desperdício muito grande: não acompanhamos nossos pensamentos como ferramenta de aprendizagem e/ou de construção de conhecimento.
Rubem Alves, saudoso e eminente filósofo que tanto contribuiu para um pensamento mais aberto sobre a Educação, mostra-nos, em uma de suas crônicas, que as escolas deveriam preparar-se mais para o ensino das perguntas do que das respostas. O ensino das perguntas eleva o mecanismo da consciência dos pensamentos, o que interfere, positivamente, nas aprendizagens.
O pressuposto de entender a arte de pensar como uma das variáveis mais significativas dos processos de aprendizagens, além do exercício filosófico da razão, é a possibilidade de fazer com que as pessoas se vejam como autores de seus pensamentos. Há uma frase, atribuída ao filósofo grego Aristóteles, de que eu gosto muito: "Presta atenção. Não nas minhas palavras, mas nos torvelinhos que alevantam em ti, enquanto me escutas...". Prestou atenção? É preciso estar atento a este emaranhado de elucubrações que saem de seus pensamentos, enquanto está escutando/vendo algo ou assistindo a algo.
O seu cérebro é uma perfeita máquina de elaboração, ao mesmo passo em que está imerso em algum estímulo externo ou interno. Como não exercitamos a variável de entender o pensamento como elemento de aprendizagem, na maioria das vezes desperdiçamos esta capacidade de elaboração. O que a frase acima nos incita é à visão de perceber esta elaboração. O que estamos pensando enquanto conversamos com alguém; ou quando lemos um livro; ou quando assistimos a um filme; ou quando estamos admirando o céu bonito; ou quando estamos vendo o movimento da vida à nossa frente... e assim vai. A cada estímulo que recebemos, nossos pensamentos elaboram algo. Como há um dinamismo bem grande de estímulos - ainda que estejamos focados em algo definido! -, os nossos pensamentos tornam-se ondas revoltas de elaborações (daí, o "torvelinho" a que se referiu o filósofo). A ideia de estarmos atentos a estes torvelinhos convida-nos ao papel de autores das nossas reflexões.
Ser autor de nossas reflexões é o que nos faz ter opiniões, sem precisar, como disse Rubem Alves naquela crônica, "papaguear os pensamentos dos outros". Para isso, e é aqui que entra a Escola, é preciso que estejamos preparados para a pedagogia da pergunta, ao invés de sermos preparados só para a resposta. "As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.", ensina-nos o saudoso filósofo.
E é justamente quando nos permitimos entrar pelo mar desconhecido que nossa aventura do desenvolvimento e da formação ganha contornos de elaboração.
Preste atenção em seus pensamentos!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Anotações - Por uma rede social de verdade

Já há algum tempo, vivemos a época em que, a partir do fenômeno das redes sociais digitais, é possível ter, como na canção antiga, "um milhão de amigos". O problema é que essa popularidade toda demonstra, a todo o instante, um contraponto à fragilidade das relações verdadeiras. Mal conhecemos ou mal nos relacionamos com a maioria desses amigos todos, cujos números ostentamos como um status precioso.
As relações digitais redundaram em um processo absurdo de descaracterização da humanidade, em que nos enganamos a partir dos verdadeiros conceitos sociais e suas principais extensões: falar, ouvir, perceber o outro. Desaprendemos a conversar, pois é mais fácil teclar; desaprendemos a ouvir, pois eu não vejo o outro; desaprendemos a perceber, pois é mais fácil fingir que eu me relaciono com o outro. E de desaprender a desaprender, uma principal e preocupante consequência é, justamente, a de perder de vista as referências de humanidade.
A instituição das redes sociais digitais não é algo ruim. Há uma variável de aproximar quem está distante (distante mesmo!), de reencontrar amigos e parentes esquecidos, de facilitar pesquisas e aprendizagens, de melhorar as percepções do mundo em que estamos inseridos e por aí vai. Como sempre, o problema não é da ferramenta, mas sim do uso que fazemos dela. E a questão, aqui nessa reflexão, é o retorno aos tempos de se ter amigos de verdade.
Claro que ter amigos de verdade dá muito trabalho - não é só "adicionar", "curtir" ou "dar uns cliques". É preciso cuidar; é preciso respeitar; é preciso mostrar interesses; é preciso encontrar-se; é preciso compartilhar (de verdade) momentos bons e ruins, em uma cumplicidade de sentimentos; é preciso saber ouvir; é preciso saber falar; é preciso saber silenciar... Uma rede social de verdade exige muito de nós, mas representará uma consistência sólida e indissolúvel na caracterização de relacionamentos mais humanos e eternos.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A Escola que Precisa Mudar

Os gestores de Escolas precisam refletir sobre as necessidades de mudanças por que devem passar todo o sistema pedagógico das instituições que coordenam, seja elas públicas ou privadas. As sociedades transformam-se em velocidade rápida e é preciso estar atento a essa transformação.
E as mudanças são complexas. Em alguns casos, as mudanças são estruturais; em outros, são de atitudes e de posturas; em outros, ainda, podem ser mudanças de comportamentos e de identidade. O que não se pode é fechar os olhos a essa necessidade de rever-se a cada transformação de conceitos e das relações.
Vivemos tempos em que os comportamentos passam por transições as mais elaboradas. E, em uma boa parte das ocorrências, nos vemos sem diretrizes ou ideologias bem definidas. Aqui, talvez haja a pontuação de uma mudança fundamental por que temos que passar - até óbvia, é verdade, mas negligenciada, às vezes. É a mudança de precisarmos,continuamente, rever o estabelecimento de conceitos sobre o nosso trabalho.
O trabalho pedagógico, teoricamente, é fundamentado por modelos e sistemas clássicos. Ainda que um desses sistemas ou modelos, individualmente, não resolva todas as ocorrências que surgirem, mesmo assim é preciso que estejamos trilhados por um conceito de trabalho. E esse conceito precisa estar claro e que perfaça a consciência de todos os envolvidos no espaço pedagógico. Entretanto, a intelectualidade - que deve ser competência básica dos agentes envolvidos naquele espaço -, vai determinar as referências de mudanças necessárias para os ajustes que cada situação exige para a sua funcionalidade. Pode acontecer de uma dessas mudanças exigir, para sua positividade, justamente, um conjunto de ações que contrariam o modelo ou o sistema adotado; a intelectualidade vai ser determinante para que se decida a tal contrariedade de conceitos.
Em outros casos, a estrutura física demanda uma reflexão da necessidade de mudanças. Já há algum tempo, ilustrativamente, os espaços pedagógicos passaram por essa reflexão, a partir do aprofundamento das discussões sobre as questões da inclusão (necessidades de rampas, deslocamento de salas para locais mais acessíveis conforme a ocorrência de casos que demandassem a ação etc.). E a estrutura física de um espaço pedagógico, também, é item importante de reflexão sobre as referências de aproveitamento e de convivência.
Há escolas que descuidam dessa questão, não se preocupando, por exemplo, com referências básicas de estruturação física (higiene, limpeza, aparência dos prédios, acessibilidade de espaços importantes - como bibliotecas, salas de leituras, quadras esportivas etc.) e o resultado, quase sempre, é o das desmotivações e da falta de comprometimento, tanto por parte dos alunos, quanto dos professores.
E há, ainda, talvez a que seja a principal mudança: a de atitudes e de posturas. Caminhamos, grosso modo, para uma linha de ações em que não assumimos responsabilidades, atitudes ou posturas positivas. Claro que a não assunção destas variáveis está relacionada com o que foi dito acima da falta do estabelecimento de um conceito, mas pouco refletimos sobre a mudança desse paradigma.
Toda e qualquer mudança exige muito de nós. Temos a cultura da acomodação, que nos induz a um pensamento equivocado de tranquilidade e conforto (quantas vezes ouvimos falar da necessidade de sair da zona de conforto?), então analisamos que é melhor deixar tudo como está. O problema é que, quando se pensa em desenvolvimento pessoal e evolução do ser humano, deixar tudo como está significa exatamente que não estamos nos desenvolvendo, nem evoluindo.