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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Para refletir - Saber escutar


terça-feira, 20 de junho de 2017

Anotações - A anestesia aos sentidos

Vou confessar um comportamento meio sádico: eu me divirto um pouco com aquelas pessoas, de fone de ouvido embutido, que não escutam os avisos nas estações de trem, como por exemplo aquele que informa sobre o fato da composição seguinte não prestar serviços e, que portanto, devem as pessoas continuarem esperando na plataforma, sem poderem embarcar. Mas me divirto ainda mais quando acontece com pessoas que não estão com fone de ouvido, desligadas dos sentidos essenciais.
Tem ocorrido esse fenômeno, que bem parece um processo de anestesia aos sentidos. Que se nota muito neste exemplo dos avisos sonoros nas estações de trens (também do metrô), mas que ainda se estende para todos os movimentos de relações sociais a que nos submetemos.
É nesse contexto que as pessoas parecem estar anestesiadas, com os sentidos adormecidos frente aos estímulos do cotidiano. É um sinal sonoro que não se escuta; é o outro que não se enxerga; e por aí vai.
O meu comportamento meio sádico é mais crítico do que de satisfação, preciso ressaltar. Fico impressionado no rumo que demos para a nossa vida, quando sequer nos damos conta desse outro com que nos relacionamos no cotidiano de nossos caminhos.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Anotações - A minha vida é diferente da sua

No ônibus, os amigos conversavam. Não prestei atenção nos meandros da conversa, mas sei que ela se concluiu com a frase que dá título a essa publicação: "A minha vida é diferente da sua.". Talvez estivessem falando dos comportamentos que devemos ter frente a uma situação qualquer e um deles, possivelmente, pensou em padronizar as referências, ao que, imagino, o outro saiu-se com essa: "A minha vida é diferente da sua".
E não há certeza mais contundente. Cada indivíduo comporta-se de forma personalíssima frente a qualquer variável. A assertiva vale para entendermos um pouco sobre os relacionamentos vários: cada sujeito vai posicionar-se segundo suas vivências e experiências, de maneira absolutamente individual e não padronizada ou pasteurizada.
A insistência justifica-se pela maneira como nos portamos diante das diferenças. Na maior parte das vezes, queremos que as pessoas concordem com nossos argumentos e posicionamentos, sob pena de instaurarmos o fim da amizade e do querer bem. É o princípio da intolerância.
Ora, cada vida é diferente. Natural que cada vida vai valer-se de suas experiências para julgar ou posicionar-se diante de algum embate, tenha ele o tamanho que tiver. Em alguns casos, pode até haver concordância - mas não o será por causa da beleza dos nossos olhos; a concordância deve ser balizada pelas vivências que o indivíduo experimentou e em cujo propósito residem as opiniões afins.
Em outros casos, podem acontecer discordâncias - mas não o será por conflitos desnecessários; a mesma experiência de vida pode suscitar discrepâncias de opiniões. Tudo normal.
E até porque "a minha vida é diferente da sua", pode até acontecer que, nas suas discussões, eu não precise ter opinião formada. Nesse caso, minha quietude é pura e simplesmente por razão de não ter o que dizer.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Anotações - Viver em sociedade

A ideia de uma boa convivência social está atrelada ao sentido oposto das individualidades. Mas o ser humano mostra-se, cada vez mais, propenso ao individualismo. O "cada um por si" meio que se institucionalizou nas variáveis sociais. Nos transportes públicos, nas correrias das pressas incompreensíveis, o que mais se vê são atropelos constantes; pelas vias, também veem-se atropelos vários ocasionados pela mesma correria sem sentido; nas relações de trabalho, também não é diferente... Se tudo fosse pela pressa mesmo, da iminente perda de algum compromisso inadiável, era até aceitável. Mas o que parece é o total desconhecimento do outro. 
Desconhecimento, aqui, no sentido, também, de não se aperceber de... O outro é alguém que não merece nem que se tome conta de sua existência... O outro é alguém que precisa ser ultrapassado, a todo custo.
A vida em sociedade, por outro caminho, precisa, exatamente, de um aperceber -se; de um saber do outro; de um tomar consciência do outro; do pensamento em coletividade. É assim, na preciosidade das reais interações sociais, que o nosso desenvolvimento afirma-se para o caminho positivo da evolução humana.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Anotações - Um hino para todas as nações

Aproveitando o tema das Olimpíadas, há uma propaganda, na minha opinião fantástica, de uma marca de telefonia celular, que explorou a ideia da existência de um hino, como se fosse uma colcha de retalhos, com trechos das letras de hinos de diversos países. O mote da propaganda é a questão do orgulho em patrocinar um mundo sem barreiras. Claro que é comercial, mas é um tema interessante para um trabalho pedagógico.
Se você ainda não viu a propaganda, dê uma olhadinha neste link.
A ideia de um mundo sem fronteiras não é nova e foi consolidada, talvez como propaganda sociológica, a partir da música Imagine, de John Lennon, Hugh Martin, Paul McCartney e Ralph Blane. O que a publicidade faz é recriar essa ideia, aproveitando-se do momento de Jogos Olímpicos.
Discutir, no âmbito pedagógico, a questão da globalização e da possibilidade de visualizar um espaço sem fronteiras pode suscitar interessantes discussões, principalmente acerca da tolerância e do respeito ao outro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Anotações - Pensar no outro

No caminho de entendimento de uma sociedade mais humanizada, é preciso que ampliemos o conceito de alteridade. Deixar de ser apenas perceber o outro, mas também pensar no outro, preocupar-se com o outro e entender os desejos e os direitos dos outros.
Nesses rumos de avanços tecnológicos, em que nos relacionamos mais no plano virtual, parece-nos que a existência física de uma outra pessoa passa a ser entendida como algo distante. O outro está mais nos espaços abstratos de uma relação tecnológica: no teclado de um aparelho celular ou no vídeo de uma teleconferência. E assim, vamos nos despercebendo do outro.
Daí essa necessidade, repetidamente apontada aqui, da alteridade. O outro deve ser visto como a integração de meus caminhos... É preciso cuidado. É preciso que pensemos no outro, que nos preocupemos com o outro. Nesse caminho, meus propósitos e minhas interações precisam ser observados de forma a entender seus desejos e seus direitos. Não estou sozinho, minhas atitudes e meus comportamentos interferem diretamente nos rumos de outras pessoas.
E, nesse processo de interferência, absolutamente natural para quem vive em sociedade, quanto mais eu me preocupar com os outros espaços e as outras necessidades, tanto mais caminho na plenitude de uma integração real e solidária, em que todos saem ganhando.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Anotações - Desfile das delegações na Olimpíada

É uma ótima sugestão para integração das disciplinas de Geografia, História, Artes e Comunicações, no mínimo: refletir sobre os países menos conhecidos que participam dos Jogos Olímpicos em nossa casa.
Ao ver o desfile, sobram desconhecimentos de algumas nações. E há tanta referência a ser explorada - onde fica o país, regime político, economia, sociedade, cultura, língua, bandeira etc.

Um evento de grande porte, como esse dos Jogos Olímpicos, deve ser visto como uma ótima oportunidade de redimensionamento dos trabalhos pedagógicos. E, em minha opinião, não há problema algum que o tema não tenha sido previsto... É uma oportunidade, como dito aí atrás.
E a questão não se refere apenas ao fato de aproveitarmos um evento midiático. Refere-se, também, ao fator de comunicação com os alunos.
Certamente, as diversas mídias estarão abordando o assunto. Estar conectado com essas situações que transcendem as comunicações corriqueiras é ótimo para transformar as motivações nos ambientes escolares. De quebra, há de se abordar - em caráter crítico, além dos ufanismos propagandísticos - o fato de os Jogos estarem acontecendo em nosso país.
O tema dos países menos conhecidos parece-me um ótimo elemento motivador para diversos trabalhos pedagógicos. Principalmente, porque ouvimos tanto sobre globalização e quebra de fronteiras e, quando estamos sentados ao sofá nos deleitando com a cerimônia de abertura, estranhamo-nos com a entrada da delegação de países como Bareine, Brunei, Darussalam, Chade, Comores, Djibuti, Kiribati, Micronesia, Nauru, Palau, Tuvalu e Vanuatu (só para ficar em alguns países que me deu uma vontade danada de saber mais sobre eles...).

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anotações - A alteridade

Em entrevista sobre um programa de televisão, que ainda vai estrear (A Arte do Encontro), o ator Tony Ramos, que vai comandar a atração, filosofa sobre a ideia de alteridade: "A vida se renova quando você ouve o próximo. Quando você monologa, você não tem vida, tem só uma ansiedade de viver. A vida perde o encanto. O gostoso é quando você ouve a quem está à sua volta, você devolve, concorde ou não. Isso é vida, o resto é perfumaria." (A entrevista está na Revista Monet - Editora Globo -, nº 160, julho 2016, pág. 59).
Já conversamos, aqui, sobre a questão da alteridade - a capacidade de perceber o outro. E de como, por vivermos em sociedade, essa é uma capacidade importante a ser exercitada. Mas a frase do ator Tony Ramos proporcionou-me uma leitura mais urgente: quando você monologa (só vê a si mesmo), a vida perde o encanto. Até penso que, em algumas situações, chega a ser importante o tal do monólogo, talvez o exercício da consciência... Mas só nesse nível, como exercício de consciência. No mais, é imperioso que tornemos a vida encantada: perceber o outro, interagir com o outro, ouvir o outro, conectar-se ao outro.
Na interação, nossa consciência ganha em perspectivas da ideia de viver em coletividade... E, sobretudo, que é possível aprender e dividir com outro.



terça-feira, 26 de julho de 2016

Anotações - Atitude cidadã

Nos caminhos por que passo, uma das coisas que mais me chamam a atenção são os avisos nas estações de trens e do Metrô, chamando a atenção dos passantes para as variáveis do dia a dia, que deveriam mais fazer parte da educação. Normalmente são avisos que se relacionam com os aspectos da cidadania, que, dada a situação de vivermos em sociedade, não deveriam ser avisos, e sim compromissos tácitos: deixar as pessoas saírem dos vagões antes de entrar; não atrapalhar o fluxo; não ficar parado nas portas para não atrapalhar as pessoas; e por aí vai.
A questão maior é que, no mesmo passo em que avançamos nas tecnologias, vamos retrocedendo no reconhecimento do outro, aprofundando-se em um caminho de individualismo absurdo. 
A busca de uma atitude cidadã, razão daqueles avisos, está na implicação de que precisamos caminhar os trilhos que fazemos na percepção de que há um entorno social e coletivo que partilha daqueles mesmos trilhos. Assim, minhas atitudes e gestos implicam na percepção, e têm consequência direta, no caminho de outras pessoas; tudo o que faço - ou meus posicionamentos - relaciona-se com o ir e vir do outro.
Desta forma, algumas questões cotidianas precisam ser refletidas a partir do pressuposto da ideia de cidadania - enxergar o outro; respeitar o outro; respeitar as prioridades; ouvir o outro; respeitar o ambiente de convivência; ser solidário; etc.
Fico pensando que, se ao menos os passantes escutassem aqueles avisos, talvez pudéssemos ser mais esperançosos em relação ao alcance de uma verdadeira cidadania.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Anotações - O silêncio

O blog Conti Outra publicou, recentemente, sem identificação do autor, o que foi chamado de "As 10 Regras do Silêncio". Achei interessante... Pensei nessa sociedade moderna em que vivemos, que, em grande parte de ocasiões, nos impele a dizer algo, a fazer-se presente. Se for preciso, não devemos ter cerimônias para atropelar a fala dos outros; o que conta é o fato de marcarmos presença e dizer algo, mesmo se ninguém nos ouvir.
A publicação discorre sobre 10 preceitos reflexivos sobre a questão de nos calarmos, no sentido de aguçar a nossa capacidade interior de perceber melhor o que nos ronda. Aliás, o primeiro preceito (Devemos ficar em silêncio se não tivermos nada de válido a dizer) já foi exposto aqui, em necessária mensagem a partir de frase do escritor Jorge Luis Borges (clique aqui para rever nossa publicação). Não vou me debruçar sobre as ditas 10 regras, mas se você quiser acessar a publicação integral do Conti Outra, clique aqui.
Escolhi deter-me em duas assertivas, para explorar, por outro viés, a questão do silêncio:
  • Devemos ficar em silêncio quando nos falam, para que fique na nossa mente o que nos é dito
Não é fascinante isso? Se não percebermos o que nos é dito, como vamos reter a mensagem?... O problema é que é essa, exatamente, a questão. Na maior parte das vezes, uma conversa é proclamada com o sentido contrário ao que ela deveria - não se conversa para ouvir o outro; conversa-se para falar, simplesmente. Como chegamos a isso? Fingimos que estamos dialogando com o outro, quando na verdade estamos apenas com a intenção de dizer de nós e de nossas coisas. Ironicamente, o outro, também, está com a mesma intenção... O resultado é que ninguém se conhece ou se entende...
  • Devemos ficar calados quando nos sentimos tentados a ferir com palavras ou a criticar negativamente
De outro movimento, algumas pessoas especializaram-se em falar mal dos outros ou das ideias dos outros... simples assim! Quando aprendermos esse preceito, vamos entender que nossas manifestações não têm importância se não for para o desenvolvimento, seja de ideias, de atos ou de pessoas.
A ideia do silêncio guarda, entre tantas reflexões, a perspectiva do autoconhecimento.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Anotações - Dos conflitos que se veem nos espaços escolares

É impressionante o quanto me chega de notícias dos intermináveis conflitos entre professores e alunos, nos espaços escolares. E não estou falando dos absurdos conflitos que se veem nas mídias, em que uma parte ou outra valem-se de expedientes violentos para resolverem problemas. Esses, não se justificam em hipótese alguma e devem ser mediados por instâncias apropriadas.
Os conflitos a que me refiro são aqueles de natureza ideológica, às vezes subjetivos, que têm como uma das variáveis a ideia de minar os esforços da outra parte. Esses conflitos se configuram na imagem clara de uma parte estabelecer posturas de anulação ao outro. É assim quando os professores defendem, inabalavelmente, a reflexão de os problemas pedagógicos estarem na razão do descaso dos alunos; ou quando os alunos, ao seu modo, posicionam-se, simplesmente, contrários aos argumentos dos professores.
De ambos os lados, veem-se posturas irracionais, desprovidas de fundamentação lógica e reflexiva; normalmente, apenas querem dizer que a culpa é do outro... Normalmente, acreditam que a culpa é do outro.
O caminho seria a criação de um espaço reflexivo, em que os pensamentos fossem estimulados e ditos sobre sua complexidade. E, obviamente, que ambos os lados, permitissem-se examinarem de outra forma seus posicionamentos, de maneira científica e racional.
Claro que a configuração das realidades não permitiriam, assim simplesmente, a modificação de posturas, mas está claro, também, que está aí uma necessidade de mudança.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Anotações - Terapia do Papel

O trabalho manual com o papel revela-se uma fonte interessante para as atividades em que se busca o bem estar (social, emocional, de desenvolvimento de habilidades etc.).
A minha experiência refere-se às técnicas do Origami e aos trabalhos conceituais da Papelaria Artesanal. E não só às variáveis de produção, mas também as de formação e de treinamento. Na primeira variável, em que me valho da aplicação para melhorar minhas percepções - de mundo, estética, do outro, de minha visão interior, das potencialidades etc. -, já é possível valorar para positivo essa premissa; mas é com a segunda referência, a de estimular nos mais diversos participantes o envolvimento com esse trabalho, que mais me gratifica em relação a essa ideia.
Quando as pessoas estão felizes em um trabalho que desenvolvo, claro que tenho uma satisfação muito grande. Mas o que mais percebo é que a razão dessa felicidade é o quanto todos percebem que podem produzir trabalhos fantásticos. E o desenvolvimento de cada fase de meu trabalho é para atestar cada vez mais essa questão: todos podem envolver-se em uma atividade de criação, em que o resultado de um trabalho enche as vistas de cores, de formas, de bem estar.
Normalmente, meus trabalhos são feitos em grupos heterogêneos e que, em grande parte das situações, as pessoas não são velhas conhecidas. O que se vê, entretanto, é uma integração bastante acentuada: pessoas trocando ideias, trocando experiências, falando da vida, jogando conversa fora... Como isso é bom!
A ideia de terapia, cujos princípios respeito muito, aplica-se bem a esses trabalhos: as pessoas participantes, eu inclusive, expressam o encantamento de terem feito parte de um momento em que a tônica foi o sentir-se bem.
Se você desenvolve alguma tipo de trabalho manual com o papel (claro que isso pode estender-se aos demais materiais e técnicas), deve perceber o quanto de nosso envolvimento com o fazer redimensiona nossa sensibilidade e nossa percepção para as variáveis boas do mundo. Pode haver romantismo aqui, é bem verdade, mas também é igualmente verdadeiro que sentir-se bem é uma marca poderosa para as transformações dos caminhos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Anotações - Desacelerar

Vivemos tempos de correria desabalada... A questão é: porque corremos tanto? Parecemos inseridos em um movimento de pressa constante, como se tivéssemos perdido o tempo de um compromisso. Por outro lado, a pressa denota um outro significado: corremos tanto para mostrarmos aos outros que somos responsáveis... e aí, o outro também corre para nos mostrar o quanto são responsáveis, também.
É uma correria sem sentido, trazendo até a percepção absurda de que se você não corre, você está atrapalhando.
Experimente, nem que seja por um momento, desacelerar. Andar um pouco mais lento, dar um pouco mais de volta, fazer um caminho mais longo. Nesse propósito, não se esqueça de observar tudo o que há ao redor. Aproveite, que está submetido à desaceleração, para permitir-se enxergar coisas que, até há pouco tempo, não via... Você vai surpreender-se.
A desaceleração traz consigo a capacidade ampliada de percepção - do espaço, dos outros, de si mesmo... Isso, você pode ampliar a percepção de tudo o que está ao seu redor. E é nessa ampliação dos sentidos que se capta, a fundo, esta dimensão. Desacelerar significa perceber mais, sobretudo perceber-se mais! Conhecer suas potencialidades e reconhecer seus limites ajuda no entendimento mais positivo da evolução pessoal!

segunda-feira, 21 de março de 2016

A responsabilidade da Educação na formação de uma verdadeira consciência política

Nos últimos dias, entre estarrecidos e apreensivos, temos assistido a um sem número de fatos e versões que preocupam a ideia de uma gestão democrática e isenta de culpa na condução das coisas públicas, no Brasil. Nossa Pátria vestiu-se de cores nefastas e aqueles que buscam reflexões mais profundas decepcionam-se com a condução e a resolução dos fatos. Tudo parece vir a ser aquelas brigas de torcidas em estádios de futebol, tamanho o descompasso de argumentos e posicionamentos dos brigões.
É nessa hora que a Educação precisa dizer a que veio. Os agentes pedagógicos precisam assumir a responsabilidade de produzir conhecimentos e debates com isenção e a profundidade que o assunto exige.
Penso que esteja na Educação as possibilidades de vislumbrar novos tempos. Tempos em que as pessoas aprenderão, dentre outras coisas, que viver em um espaço democrático não significa poder fazer o que quer. E que, ao fazer o que se faz, estamos sujeitos a interpretações e opiniões as mais diversas... cabe-nos ter a consciência tranquila de sustentar as ações, embasadas nas premissas mais respeitadoras e fundamentais da vida coletiva. Nesse sentido, além do respeito, estão as variáveis da legalidade, da justiça e da honestidade.
A formação de uma verdadeira consciência política passa pelo exercício de uma mentalidade serena e calcada em valores como discrição e imparcialidade. Não há espaço, ao vislumbrar-se um espaço idealizado da boa consciência política, para demonstrações e atitudes passionais, que nos remetem, exatamente, às tais brigas nos estádios de futebol ditas acima. Se o que se busca é a resolução para um problema público, que guarda relações com posicionamentos de personagens políticos, não se pode cair na figura rasa de quem busca fazer o outro engolir seus preceitos e posicionamentos. Ou de quem cria manipulações para desvirtuar a elaboração das reflexões. Ou de quem se locupleta de benesses privilegiadas para fugirem a julgamentos pertinentes.
Como vivemos uma sociedade em que os agentes transgressores não se acusam - nem mesmo com comprovações exacerbadas -, à Educação caberá fornecer ferramentas e conhecimentos para que as futuras gerações visualizem os desmandos e posicionem-se com imparcialidade (mesmo que sejam contra seus parceiros), na busca de atitudes e leituras mais substanciais.
A ideia é a de que, em nosso posicionamento de Educadores, exercitemos nossa capacidade de raciocínio elaborado, para sobrepor-nos às picuinhas constantes. E, desse exercício, ficarmos mais preparados para alcançar a formação de uma geração que poderá atuar como agente transformadora.
Nada disso é fácil, uma vez que estamos, como todos, impregnados das parcialidades que aprendemos a defender. O que nos falta, à abertura do olhar e das compreensões, é entender que o papel do Educador é promover, verdadeiramente, os processos de transformações pessoais e sociais, para que as pessoas e as sociedades, verdadeiramente, sejam desenvolvidas.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Descompasso

Em conversa entusiasmada com meu irmão dia desses, na qual ele cunhou o termo "para-Educação" - aquilo que está ao largo da Educação... -, que, aliás, gostei muito, ele contou-me um caso de pai chamado na Escola para discutir uma inadequação do filho. Corriqueiro isso, eu sei, mas meu irmão saiu-se com essa, que ficou pairando sobre meus pensamentos: "Deve ser difícil para o professor dos tempos de hoje enfrentar as crianças do século 21, com os aparatos do século 19...".
Terrível descompasso paira sobre os espaços pedagógicos. Crianças e situações - sociais, econômicas, políticas, tecnológicas etc - avançaram, obviamente, no avanço dos tempos (século 21) e as escolas ainda se valem de ferramentas desgastadas com o tempo (carteiras com disposições rígidas, normas e apetrechos desatualizados, arquiteturas descabidas aos tempos modernos, falta de identidade com os aparatos tecnológicos e por aí vai).
Meu irmão, ainda, fez uma análise rápida sobre um dos dísticos fantásticos deste descompasso: "A Educação pressupõe que as crianças tenham a mente aberta, mas oferece um espaço fechado de posturas e percepções...". Bom, foi mais ou menos isso que ele falou (ele o disse com mais propriedade, eu quis dramatizar...). A verdade é que ao pressupor um espaço de mentes abertas, os espaços pedagógicos precisariam estar antenados com a perspectiva de oferecer um manancial, digamos mais libertário de atuação. Sei que a simples menção da palavra "libertário" possa causar um certo incômodo, já que associamos a ideia de liberdade à de bagunça. Entretanto, precisamos criar um espaço em que a liberdade de pensamentos promova uma liberdade de atuação, em um espaço livre para que o protagonismo e a criatividade resultem em variáveis de transformação.
De saída, conceitos como "liberdade de pensamentos", "liberdade de atuação", "protagonismo", "criatividade" e "transformação" remontam a percepções de descontrole. Mas não é  e não precisa ser assim. Na verdade, ficamos com medo de perder os controles, porque somos, em grande parte, de uma geração que foi tolhida, exatamente, dessas variáveis. E é mais fácil, para nós, ficar na malfadada zona de conforto, em que não perdemos a referência do que é tranquilo... ledo engano de visão!
Não há tranquilidade no que não é significativo.
Além do mais, a ideia de liberdade - seja ela de pensamentos, de atuação ou de qualquer outra referência - exige de nós uma alta responsabilidade. E é exatamente a reflexão e a análise dessa responsabilidade, com todas as suas nuances (formação, posicionamento, alteridade, desenvolvimento de habilidade de negociação, revisão de conceitos etc), que devem permear os trabalhos pedagógicos, no desenvolvimento de um sujeito pleno e consciente de seus deveres e direitos. Na extensão, a variável de protagonismo pressupõe exatamente a consciência dessa responsabilidade, para que dali possamos ser sujeitos positivos de nossa representação - social, profissional, política, cultural etc.
A criatividade e a transformação são temas desses novos tempos. De nós, são exigidas características que provoquem transformações nos modelos vigentes, visando benefícios e conquistas coletivas. A criatividade será o referente direto dessa exigência.
As atuações pedagógicas, se querem buscar elementos de qualidade e de proatividade, precisam municiar-se das ferramentas modernas para alcançar os sujeitos dessa modernidade.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Anotações - Alteridade

Os filósofos antigos já haviam debatido os princípios fundamentais que a palavra "alteridade" expressavam. Opondo-se à ideia de "identidade" - em que o "eu" prepondera - a "alteridade" preconiza as referências de percepção do outro, em torno das quais manifesta-se o princípio de sociedade.
Trazendo a referência para olhares mais simplórios, perceber o outro é, basicamente, respeitá-lo. No entanto, vivemos tempos em que o apressado das trilhas levaram-nos, justamente, a deixarmos de enxergar o outro. Ou quando o enxergamos, é pelo prisma do estorvo - em que o outro nos atrapalha -, ou pelo olhar da competição - em que o outro não pode ser melhor do que eu.
A consciência de alteridade é a visão de que vivemos em coletividade, na qual a minha existência só é positiva através do contato com o outro. Pode até ser que haja conflitos, mas eles existirão à luz do que a diversidade permite: o conflito é a base da variável das diferenças e dos necessários respeitos que elas devem suscitar.
Quando deixamos de enxergar o outro, deixamos de valorizar a diversidade de referências que o mundo me apresenta para um convívio de desenvolvimento.