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terça-feira, 31 de julho de 2018

Para refletir - Lições de Drummond: à procura da poesia


terça-feira, 17 de julho de 2018

Para refletir - A força e o encanto das palavras


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Anotações - O encantamento

A capacidade de encantar-se com o que é simples. Esse, talvez, o princípio essencial da nossa escala de desenvolvimento pessoal. E até existe uma razão bastante especial para essa ideia. O que é simples quase nos escapa da observação... Então, para encantar-se com o que é simples, é preciso ter um senso de observação bastante apurado.
É preciso olhar com calma e devagar, como quem busca preciosidades... Paradoxal? Buscar preciosidades no que é simples? Não, não há paradoxos aqui... A simplicidade é carregada de bens valiosos.
Lembra-se do jogo infantil de buscar a identificação de imagens nas nuvens que teimavam no céu? Pois é!
Precisamos apurar o sentido da observação... Justo nós, que passamos correndo pelos caminhos. Quase que nem os enxergamos direito. Quase que nem nos enxergamos direito nessa pressa toda.
Pois, para observar os caminhos é preciso parar um pouco. Coragem. Você não vai perder nada, acredite. Detenha-se um pouco na sua pressa cotidiana e enxergue melhor o que está ao seu redor. Perca tempo.
Para o encantamento da vida, divague pelos rumos à busca de imagens escondidas, de sons escondidos, de cores escondidas, de aromas escondidos. O que nos encanta, quase sempre, a princípio, está escondido no normal dos olhares.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Anotações - Pensar em coisas lindas

É tão importante, quando não esquecemos dos movimento racionais do nosso processo de evolução, apegarmo-nos aos referenciais poéticos que nos chegam... Na verdade, é preciso que haja um equilíbrio preciso entre a técnica e a poética nos caminhos do nosso desenvolvimento.
Pensei nisso ao ouvir o poema "Pensar em coisas lindas", do Oswaldo Montenegro. A letra faz parte do espetáculo Vale Encantado. Para se ter uma ideia, clique aqui e espere a parte falada da música... acho que vai gostar!
E é tão incrível que associamos os referenciais poéticos da nossa vida ao universo da infância! Está na infância o pressuposto de sabermos enxergar as magias e as poesias da vida, para não nos sucumbirmos às tristezas da vida... (Na letra, há um pedido para que guardemos a tristeza em nome da capacidade de pensar em coisas lindas... "Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas...", diz o verso.).
E há, no poema, uma lista de coisas (algumas absurdas, mas extremamente divertidas e sensíveis) que servem para nos aguçar o universo das tais coisas lindas. Vejam lá... acrescentem outras referências. E quando não conseguirem ver beleza nos seus rumos, pensem em coisas lindas...

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Anotações - Cheios e vazios

Pensei no menino do Manoel de Barros, o que gostava de carregar água em peneira, e em sua predileção pelos vazios ao invés dos cheios. A história está no poema O menino que carregava água na peneira. É um poema bem bonito - na verdade, eu gosto muito dele principalmente pela reação da mãe ao ver os despropósitos do filho: 


(...) A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

O menino do poema está repleto de despropósitos, além de carregar água na peneira e do seu gosto pelos vazios. E na construção de suas imagens despropositais é que é possível enxergar o que há de bonito nesse descaminho todo. Ora, o vazio é maior que o cheio - até porque lá cabem todos os sonhos do mundo (só para dialogar com outro poeta de ponta...). É no vazio que eu posso depositar meus desejos, aqueles que vão transformar meus rumos e caminhos. Não faz sentido gostar mesmo do cheio, do que não cabe mais nada.
Penso que o menino do poeta tem muito a nos ensinar. Vou buscar, também, caminhar meus caminhos criando alguns despropósitos, com a intenção de buscar intensidades para os meus vazios.

Para a Professora Maria Helena




terça-feira, 18 de outubro de 2016

Anotações - Uma escola diferente

Comemoramos, neste final de semana, o Dia dos Professores, desta categoria desvalorizada e desmerecida de certos prestígios. E, na minha opinião, um dos prestígios está justamente no ideal da existência de uma Escola melhor.
Era preciso que houvesse uma alteração nos sistemas escolares, para que os professores, estes que carregam o sentido da Educação na mais alta monta, pudessem sentir-se mais dignificados em seu trabalho.
Conheço trabalhos valorosos por aí, é emocionante. Mas o que mais me toca é a natureza da dificuldade com que esses professores deparam-se para desenvolver esses valorosos trabalhos. Dificuldades que são impostas quase sempre sem sentido e razão; dificuldades que surgem para fazer, por incrível que pareça, que esses trabalhos valorosos não aconteçam. Mas não. Lá vão aqueles professores, movidos sabe-se lá por que energia, literalmente, tirar leite de pedra: inventam um contorno, descobrem uma alternativa, estabelecem inusitadas parcerias, estimulam alunos fadados ao descrédito, reinventam metodologias (para adaptarem-se às necessidades frequentes do improviso), engolem o choro cotidiano das intempéries e lá se vão em busca de uma escola diferente.
Pois é, a busca de uma Escola melhor está exatamente no reconhecimento desses professores e sua inabalável crença de fazer da Educação a visão de um mundo melhor.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A vida que nos escapa

Se não tomamos cuidado, a vida pode nos escapar, inflexível, pela ponta dos dedos... Dia desses, resolvi mudar o caminho para exercitar as percepções - somos assim: fazemos o mesmo caminho para acomodar-nos nas margens de segurança. Acontece que a perspectiva de mudança de caminho, com o pretexto de aguçar sentidos e visão, revelou-se uma boa lição para mim. Escolhi o melhor ônibus; escolhi um lugar em pé mesmo (ainda que houvesse bancos disponíveis), encostado a uma daquelas janelas panorâmicas. Tudo com a boa vontade e a expectativa de olhar a paisagem e sorver novas imagens. Minha intenção era tirar nuvens cinzentas da minha cabeça, em virtude do cansaço dos dias; ao olhar novas paragens, pensei que a contemplação estética do que minha vista alcançasse trouxesse-me alento e encanto.
Quando dei por mim, estava de cabeça baixa, teclando na tela do celular, atualizando-me das notícias importantes e checando contatos e mensagens valiosas... E a vida ia se desvanecendo na automatização dos comportamentos. De repente, a janela panorâmica não me era nenhum atrativo... E as paisagens que o dia bonito me trazia sequer adentrava-me os sentidos... Imediatamente, tomei um sobressalto. E só então dei-me conta de que as mensagens não eram tão valiosas assim, nem tampouco as notícias eram importantes. Era preciso recuperar a vida que me escapava.
Ainda bem que somos feitos da matéria que pode arrepender-se e voltar atrás. Precisava mudar de atitude. Guardei, envergonhado, o aparelho celular, convicto de que não podia perder mais da vida... Modificada a atitude, fui, aí sim, aproveitar minha intenção original: observar a vida que vivia lá fora, no convite ao prazer de aguçar os sentidos. Pudessem todas as pessoas fazerem isso de vez em quando.
O aproveitar da vida que quase me escapou trouxe-me a percepção de o quanto desperdiçamos a essência do que nos é caro. Olhei pela janela, assim, com redobrado interesse e o mais dos ínfimos detalhes parecia saltar em dimensões muito maiores. Foi compensador.
Precisei perder um pouco da vida para ganhar uma melhor compreensão do viver!



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Anotações - Aos que trabalham e convivem com crianças pequenas

Se você trabalha ou convive com crianças pequenas, aproveite bem esse privilégio, para além dos desgastes naturais que a demanda resulta. 
E é mesmo natural esse desgaste. Nessa fase, as crianças têm uma dinâmica muito intensa de vida. Além da energia peculiar, que lhes confere sobrevidas para os mais diversos movimentos.
Acontece que, justamente, precisamos de vivências em que o dinamismo da vida possa nos dar a medida das experiências significativas. E, também, da lição dessa energia de sobrevivência.
Isso mesmo, a convivência com crianças pequenas pode representar verdadeiras lições para nós. Além das ditas aí acima, é possível aprender uma diversidade de variáveis com elas. 
Lições de espontaneidade, da capacidade de experimentação e da coragem de tentar novos caminhos, de coleguismo e solidariedade, do encantamento das coisas, da busca da poesia da vida... E por aí vai. 
E ainda há uma lição essencial, da observação que faço das crianças, a qual precisamos carregar conosco sempre: a inesgotável capacidade de transformar as coisas mais simples e corriqueiras em um manancial de grandes felicidades!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Anotações - Maternidade e Educação

Na proximidade do Dia das Mães, pensei nas relações - necessárias e involuntárias - entre a ideia de ser mãe e o trabalho de educar. Caminhando pelas tarefas do meu cotidiano, observei uma jovem mãe conversando com sua filha de colo e pensei na magnitude dessa relação. A mãe, atendendo às curiosidades da menina, dizia sobre o sistema de atravessar a rua ("É preciso esperar o sinal ficar verde, filha..."). Parece bobagem, mas o pressuposto da Educação é, exatamente, desvendar mecanismos de funcionalidade da vida... o sinal que fica verde, o respeito que se tem aos outros e às coisas, noções de higiene, noções de organização etc. E, para as crianças, muitas das coisas que são plenamente comuns para os adultos, não passam de grandes e fantásticos mistérios a serem desvendados.
E aqui, nesta ilustração da mãe conversando sobre a filha dos segredos de atravessar a rua, temos, ainda, a percepção redimensionada dos valores da Educação. A Educação, ao largo dos trabalhos curriculares que se verificam nos espaços escolares, também precisa ser o desvelamento das coisas misteriosas, em um jogo fantástico de descobertas e redescobertas, em algumas medidas percebidas como mágicas e fantasiosas.
Transformar os propósitos da Educação naquela imagem da mãe revelando (e ela vai ter ainda que insistir nessa variável, porque a aprendizagem se dá por persistência) aos olhos curiosos da filha pequenas instâncias do cotidiano é a máxima que devia conduzir todos os trabalhos pedagógicos.
Parabéns a todas as mães!



quinta-feira, 10 de março de 2016

Anotações - O discurso técnico e o discurso poético

Eu fiquei com o verso na minha cabeça: "A certeza ventilada de poesia...". A letra é da música "Lua e Flor", do Oswaldo Montenegro... Se não conhece, clique aqui. Lembrei-me de uma atividade que desenvolvi por longos anos, "Um pouco de poesia nas agruras do dia a dia". A referência era a mesma: arejar as certezas com um pouco de poesia.
Caminhamo-nos por medidas racionais, como se a seriedade fosse a instância que corroborasse a responsabilidade. Se somos sérios, técnicos, então somos responsáveis. E nessa matemática há pouco - ou nenhum - espaço para a poesia. A poesia, nessa variável, é considerada perniciosa ou, pior, inútil. Não há valor, nem constatação de para que ela serve. Quando julgada de maneira cruel, é dito da poesia como algo que nos desconecta dos espaços reais, alienando-nos da vida que corre lá fora.... Coitada da poesia! Julgada mal, mal compreendida.
A questão é que a poesia não se desincompatibiliza da vida. Se somos humanos, a todo o instante a poesia nos lembra da vida que corre em nossos corpos. Originado do grego "poiesis", que está na direção da essência do agir, o sentido original da palavra "poesia" está relacionado mais aos aspectos da razão do que aos emocionais. Há, ainda, uma ligação com a ideia de "sentir", pressuposta na razão de que o que está nos sentimentos está na vida. Somos o que sentimos.
Quando eu entendo que é possível ventilar (no sentido de arejar mesmo, de criar respiros) toda a certeza que me cerca, estou buscando um espaço em que o discurso técnico e o discurso poético estejam, integrados, consolidando as variáveis da vida. Esta vida que pede técnica e poesia, sem conflitos, nos caminhos da evolução.