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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Para refletir - A construção da felicidade


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Anotações - Os caminhos do entusiasmo na vivência infantil

Outra vez, fui agraciado pela participação infantil em uma de minhas atividades desenvolvidas nesse final de semana que passou. Quem acompanha minhas ideias e apontamentos já percebeu que sou entusiasta da percepção do comportamento infantil, na apreensão das variadas referências de aprendizagens.
A criança, por ter aguçado o seu senso de experimentação, não tem medo de errar. E é nesse caminho de experimentação, que a criança nos ensina as variáveis mais valorativas do aprender.
Nós, adultos, perdemos um pouco dessa capacidade de tentar. E crescemos sufocados pelas instâncias sociais, que nos impelem à ideia de que é preciso acertar sempre... resultado disso é que, quando nos percebemos na possibilidade de errar, deixamos de tentar... de fazer!
Precisamos resgatar aquela criança que um dia fomos, aquela que não tinha medo de tentar, de experimentar. Para que possamos explorar nossas capacidade mais intrínsecas da realização.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A importância do brincar

Em tempos de renovados avanços tecnológicos, em que os brinquedos brincam sozinhos, penso que cabe uma reflexão sobre esse binômio instigante: o brinquedo e a brincadeira.
Observando crianças a brincarem, na entrega do momento, tenho percebido que pouca importância tem o brinquedo em si, já que a mudança, a transformação da brincadeira é uma constante. Entretanto é quase constante também a necessidade de um objeto (o brinquedo) para desencadear a brincadeira.
Essa oposição me faz crer que a coisa não é tão simples assim. Antes de tentar mensurar uma importância maior para um ou para outro, a análise do brinquedo e da brincadeira merece uma melhor e mais elaborada investigação.
O brinquedo, aqui pensado como o material concreto em torno do qual se realiza a brincadeira, ganhou uma conotação comercial e sofisticada. É muito comum, nos dias atuais, os já famosos carrinhos e bonecas, clássicos brinquedos de crianças, aparecerem fazendo referências a esta ou aquela apresentadora ou celebridade de TV ou assemelharem-se a filmes hollywoodianos, para que os pequenos brincantes sintam-se um pouco parecidos com os heróis ou estrelas que desfilam na tela seus super poderes ou suas vaidades. Não sou um cientista do assunto, mas parece-me que as crianças ao brincarem com esses brinquedos deixam de exercitar a criatividade e a fantasia, na medida em que apenas copiam e/ou repetem movimentos pré determinados, ou, pior ainda, ficam simplesmente observando as desenvolturas do “brinquedo”.
O jornal “Folha de São Paulo”, em reportagem antiga, divulgou uma pesquisa, apoiada em estudos neurológicos, que concluiu: “brincar é fundamental para o desenvolvimento humano”. No corpo da reportagem, vamos nos defrontar com o conceito interessante de sinapse, segundo o qual quanto mais a criança brinca, mais são formadas novas sinapses (conexões) no cérebro, a serem utilizadas quando forem necessárias “para atividades que exijam certo tipo de movimento”. Esse conceito de sinapse, se é que entendi, não condena o que expus acima sobre a cópia dos movimentos, mas mesmo assim ainda fico ressabiado sobre a ideia do brinquedo que brinca sozinho.
Quando a criança pega um daqueles carrinhos em que basta por algumas pilhas, apertar um botãozinho e lá vai o brinquedo, todos acham bonito. O carrinho muda de direção, dá umas cambalhotas, volta à posição normal , bate em algum obstáculo, volta, acende uma luzinha, emite um som, e por aí vai, até que alguém desligue o tal botãozinho. A pergunta que me fica, após este espetáculo, é “será que a criança brincou?”. E a resposta que me vem é a imagem de um desenho animado a que eu assistia há algum tempo, chamado “Os Anjinhos”. Não sei se você se lembra ou se viu, o desenho narrava as aventuras e desventuras de um grupo de crianças, em que a maior da turma tinha 3 anos. Num dos episódios, eles entravam num desses tubos que há em parques e o interior do tubo assumia, para cada um deles, um cenário diferente: ora era um oceano, ora uma casa, ora uma floresta, e assim por diante. Em outro episódio do mesmo programa, uma caixa de sapatos sofria o mesmo processo do interior do tubo: a cada hora virava um personagem ou um brinquedo novo. E isso para mim parecia brincadeira de verdade.
Lembrei-me de que gostava de observar minha filha brincando; esse conceito de brinquedo e brincadeira apurou minha reflexão para o assunto. Improvisávamos com um lençol uma espécie de tenda e ela ficava embaixo dessa “tenda” se divertindo a valer; como a brincadeira era tanta, era necessário batizar o brinquedo e ela deu o nome de um desses brinquedos sofisticados que aparecem na TV. Ato contínuo, a minha mente formulou a seguinte questão: “para ela, naquele momento, o brinquedo em si apenas servia como referência, para denominação. O que contava mesmo era a brincadeira”. Não posso atribuir um peso científico a essa ponderação, mas sou levado a acreditar nisso como uma questão bastante séria; claro que as crianças sempre quererão brinquedos, mas deve ficar claro, também, que há de se atribuir uma importância relevada à brincadeira.
Ponderações à parte, o que parece indiscutível mesmo é o ato de brincar. Como este meu apontamento não se pretende conclusivo sobre o tema, é terminado, aqui, com uma breve, mas contundente reflexão a partir da citação do educador francês Jean Chateau (autor de O Jogo e a Criança, Ed. Summus, l987): “Uma criança que não sabe brincar será um adulto que não saberá pensar.”

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Anotações - Questão de gênero

Na Educação, é preciso estarmos atento, continuamente, a este tema, pois é grande o precipício de importância que se verifica nas questões de gênero, em todos os âmbitos. Só para ficar em um exemplo - embora teríamos muitos - e aproveitando a ressaca do encerramento dos Jogos Olímpicos, vale analisar as notícias sobre os esportes e as referências aos medalhistas olímpicos.
Quando se abordou o viés masculino, as demonstrações de valores e de importância foram mais destacadas; quanto às notícias que se referiam à participação feminina, imperavam as futilidades e apregoava-se valor demasiado à aparência. A observação é da jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, em sua coluna do último domingo, 21 de agosto (pág. A6). Mas qualquer um de nós, atentos aos noticiários, também chegaríamos a essa conclusão.
É preciso que as variáveis pedagógicas abracem essa causa, para tornar a discussão um caráter pedagógico. Os jovens, em seu processo de formação e de desenvolvimento pessoal, precisam estar conscientizados da referência de respeito e de valorização das questões de gênero. O universo feminino, ainda, é contemplado por variáveis sexistas e de discriminação e é necessário que mudemos esse panorama. Ainda mais quando um dos principais efeitos colaterais do problema é a ocorrência de situações de violência à mulher. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Anotações - Desenvolvimento

Vi uma campanha publicitária, de um banco governamental, com um mote interessante, aproveitando-se da referência dos Jogos Olímpicos: "Vencedores não nascem prontos. Eles se desenvolvem.".
Novamente, o tema da determinação e dos caminhos de desenvolvimento.
Não há variáveis prontas, acabadas. É preciso que nos entreguemos às trilhas de realização. Com tudo o que vai representar esses caminhos: esforço, competência, talento, obstinação e, admito, até uma ponta de sorte, sim.
O desenvolvimento não é um caminho estanque, em que as variáveis finalizem-se em moldes acabados. Ás vezes, é preciso retomar caminhos, retomar planejamento, rever estratégias, reposicionar metas, modificar metas, e assim por diante. O que torna o caminho da realização uma referência viva e dinâmica.
É preciso falar do desenvolvimento como algo que exige comportamento e postura de vencedores, como os que vemos nos esportes: determinados, esforçados, concentrados, com foco na meta a ser alcançada.
Eis um tema altamente pertinente aos processos de evolução, a ser continuamente trabalhado nos espaços pedagógicos.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Aprendizagens

O processo de assimilação de qualquer referência de aprendizagem é variável que demanda, além dos esforços óbvios, uma postura de reflexão e de consciência crítica constantes. E é interessante que os professores trabalhem essa concepção em todas as instâncias da Educação.
É muito comum enxergarmos as precipitadas conclusões nos mais diversos assuntos - os que requerem percepções científicas e os que não -, gerando distorções de conhecimentos as mais diversas.
Quando se trabalha com os ideais e os propósitos da Educação, é necessário que tenhamos em mente os caminhos, nem sempre suaves, dos processos de aprendizagens. Todo processo de aprendizagem exige dois pressupostos a serem continuamente debatidos, o da determinação e do cuidado nas reflexões críticas.
Estar e ser determinado a algo é um rumo do movimento do conhecimento humano que se veste dos movimentos mais cuidadosos. A tendência que nos acomete é a do mínimo esforço, somos impelidos a acreditarmos mais no produto do que nos processos - queremos ver tudo pronto, seja algo concreto ou abstrato como as ideias. Por isso, lemos mais as manchetes e menos o texto completo de que se constitui a manchete.
Ora, o conhecimento exige um movimento, às vezes longo e estafante, de valorização do processo. É quando (e onde) nos vemos nas lutas infindáveis de consolidação das informações que nos chegam... Aqui, é preciso dizer que são muitas as informações que nos chegam e é o movimento da determinação que transforma estas informações em conhecimento. É o passo do saber, do aprender, de consolidar a aprendizagem.
No meio do caminho, está - ou deveria estar - o cuidado nas reflexões críticas. Ao analisar as informações para este caminho da construção do conhecimento, o intelecto faz o caminho de processamento dos saberes apreendidos, das reflexões críticas, para chegar ao nível do que é necessário saber. Não à toa, costuma-se denominar esse movimento de capital intelectual. O sujeito vale-se do capital intelectual construído ao longo de sua vida para subsidiar os movimentos e as tomadas de decisões.
Em Educação, os trabalhos precisam ser referenciados pelas ideias de aprendizagens, para que os sujeitos possam, verdadeiramente, transformarem-se e transformarem suas realidades.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Criatividade

A criatividade é uma competência bastante exigida no desenvolvimento pessoal e profissional. Desde a capacidade de resolução de problemas até a questão da elaboração de produtos e/ou de inovações, ser criativo é um caminho de sucesso. Assim, exige-se que a criatividade esteja no plano de qualquer realização.
Espera-se que, independente das variáveis profissionais, cada vez mais tenhamos pessoas predispostas a exercerem a capacidade de criar, de inovar. Por esse caminho, é importante que todo indivíduo, na busca de sua evolução, exercite a competência da criatividade de maneira consciente e reflexiva.
Vale destacar que a criatividade não é uma ciência exata. Não há caminhos racionais para o seu desenvolvimento. É importante que o sujeito tenha como pressupostos a experimentação e a realização de exercícios de consciência estética.
Por experimentação, reflitamos que todos temos uma dificuldade bastante peculiar ao nosso avanço biológico. À medida em que crescemos, perdemos a predisposição para a capacidade de experimentar; está nessa variável a ideia de que somos todos temerosos da experimentação porque a nossa evolução biológica nos preencheu com a referência do medo de errar - se experimentamos, a possibilidade do erro é maior. É preciso vencer esse conceito. Para sermos criativos, não podemos ter medo de errar. É um exercício constante - quanto mais perdemos o medo de errar, tanto mais encaminhamos nossa habilidade para as questões criativas.
E para a realização dos exercícios de consciência estética, é preciso entender que esse atributo está condicionado às referências abstratas
Ser criativo é enxergar o novo nas mesmas atribulações do cotidiano. E, desse novo, enxergar alternativas de evolução.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Anotações - Um hino para todas as nações

Aproveitando o tema das Olimpíadas, há uma propaganda, na minha opinião fantástica, de uma marca de telefonia celular, que explorou a ideia da existência de um hino, como se fosse uma colcha de retalhos, com trechos das letras de hinos de diversos países. O mote da propaganda é a questão do orgulho em patrocinar um mundo sem barreiras. Claro que é comercial, mas é um tema interessante para um trabalho pedagógico.
Se você ainda não viu a propaganda, dê uma olhadinha neste link.
A ideia de um mundo sem fronteiras não é nova e foi consolidada, talvez como propaganda sociológica, a partir da música Imagine, de John Lennon, Hugh Martin, Paul McCartney e Ralph Blane. O que a publicidade faz é recriar essa ideia, aproveitando-se do momento de Jogos Olímpicos.
Discutir, no âmbito pedagógico, a questão da globalização e da possibilidade de visualizar um espaço sem fronteiras pode suscitar interessantes discussões, principalmente acerca da tolerância e do respeito ao outro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Os propósitos da educação

Qual o propósito da Educação? Penso que haja muitos, já que o princípio fundamental da Educação seja o de facilitar a promoção do desenvolvimento humano e esse objetivo encaminha-se sob variáveis diversas. E exige diversos caminhões de atuação. Mas, e sobretudo, na minha opinião, a Educação deve encaminhar seus rumos para a correção das distorções de valores que encontramos na sociedade.
Conheci a história da professora, cujo trabalho admiro bastante, revestida da angústia que lhe acometeu, quando se viu acusada por fazer um ótimo trabalho. 
Explico. Mas antes, é preciso que se diga que ela é uma excelente professora; que trabalha com a base fundamental do ensino, que são as séries iniciais; e que leva muito a sério os reais propósitos de uma Educação de melhor qualidade... e que já sofreu muito por causa disso. Normalmente, já foi incompreendida por seus pares, por seu corpo diretivo e até por alguns pais... mas nunca o foi, significativamente, pelos alunos. Seus alunos, como na história maluquinha - do menino e da professora -, traziam sempre brilho nos olhos e uma curiosidade muito grande em aprender.
A história é a seguinte: a professora viu-se em apuros, quando seus alunos do ano anterior começaram a comparar a professora atual em relação a atitudes e comportamentos de atenção com que eles estavam acostumados. No lugar da professora atual pensar em rever programações ou refletir sobre isso, achou por bem tascar uma malcriada resposta: "Eu não sou a professora fulana de tal...".  E deu início um conflito desnecessário... "É muito difícil dar aula para alunos que foram seus", ouviu a professora maluquinha. "Seus alunos querem saber de tudo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter jogo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter histórias...". E por aí vai.ual o propósito da Educação? Penso que haja muitos, já que o princípio fundamental da Educação seja o de facilitar a promoção do desenvolvimento humano, e esse objetivo encaminha-se sob variáveis diversas. E exige diversos caminhões de atuação. Mas, e sobretudo, na minha opinião, a Educação deve encaminhar seus rumos para a correção das distorções de valores que encontramos na sociedade.
Conheci a história da professora, cujo trabalho admiro bastante, revestida da angústia que lhe acometeu, quando se viu acuada pelos colegas, pelo motivo contraditório de fazer um ótimo trabalho. 
Explico. Mas antes, é preciso que se diga que ela é uma excelente professora; que trabalha com a base fundamental do ensino, que são as séries iniciais; e que leva muito a sério os reais propósitos de uma Educação de melhor qualidade... e que já sofreu muito por causa disso. Normalmente, já foi incompreendida por seus pares, por seu corpo diretivo e até por alguns pais... mas nunca o foi, significativamente, pelos alunos. Seus alunos, como na história maluquinha - do menino e da professora -, traziam sempre brilho nos olhos e uma curiosidade muito grande em aprender.
A história é a seguinte: a professora viu-se em apuros, quando seus alunos do ano anterior começaram a comparar a professora atual em relação a atitudes e comportamentos de atenção com que eles estavam acostumados e não eram contemplados agora. No lugar da professora atual pensar em rever programações ou refletir sobre isso, achou por bem tascar uma malcriada resposta: "Eu não sou a professora fulana de tal...".  E deu início a um conflito desnecessário... "É muito difícil dar aula para alunos que foram seus", ouviu a professora maluquinha. "Seus alunos querem saber de tudo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter jogo..."; "Seus alunos perguntam se não vai ter histórias...". E por aí vai.
E é aqui que entram as distorções de valores... Ora, o que se pensa em Educação, principalmente quando se trabalha com crianças pequenas, é a garantia de referenciais que permitam o pleno desenvolvimento. E as questões de ludicidade e de respeito às potencialidades dos pequenos estão amplamente discutidas como principais elementos desse desenvolvimento. E é dessa forma, que se promove, positivamente, o tal desenvolvimento.
É descabido, assim, aquele conflito. A professora maluquinha deveria servir de exemplo, isso sim. A defesa inabalável dos propósitos reais da Educação deve fazer parte de qualquer ética de um bom professor. Mas, reconheço, para isso os tais propósitos deveriam fazer parte das constantes reflexões. As diversas reuniões que se fazem, os encontros pedagógicos que acontecem, os planejamentos que ocorrem, tudo deveria priorizar os debates e os subsídios para a consciência dos propósitos da Educação. Já disse, aqui, em outras ocasiões, que gosto de uma máxima: "A Educação é o processo de desenvolvimento do ser humano.". E, nessa máxima, repetem-se, para mim, os verdadeiros propósitos de uma Educação de melhor qualidade.
É processo, pois está em constante realização... É dinâmico, não estanque. E por estar em constante realização, exige competências também dinâmicas por parte dos professores.
E a missão principal do trabalho pedagógico é o desenvolvimento do ser humano. Reflexões à parte, promover o desenvolvimento do ser humano exige posturas condizentes com os ideais de positividade de um trabalho. Ser positivo e estar positivo.
Que a professora maluquinha console-se na certeza de que, para os propósitos da Educação, sua atuação é digna e merecedora de exemplo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Anotações - Pensar no outro

No caminho de entendimento de uma sociedade mais humanizada, é preciso que ampliemos o conceito de alteridade. Deixar de ser apenas perceber o outro, mas também pensar no outro, preocupar-se com o outro e entender os desejos e os direitos dos outros.
Nesses rumos de avanços tecnológicos, em que nos relacionamos mais no plano virtual, parece-nos que a existência física de uma outra pessoa passa a ser entendida como algo distante. O outro está mais nos espaços abstratos de uma relação tecnológica: no teclado de um aparelho celular ou no vídeo de uma teleconferência. E assim, vamos nos despercebendo do outro.
Daí essa necessidade, repetidamente apontada aqui, da alteridade. O outro deve ser visto como a integração de meus caminhos... É preciso cuidado. É preciso que pensemos no outro, que nos preocupemos com o outro. Nesse caminho, meus propósitos e minhas interações precisam ser observados de forma a entender seus desejos e seus direitos. Não estou sozinho, minhas atitudes e meus comportamentos interferem diretamente nos rumos de outras pessoas.
E, nesse processo de interferência, absolutamente natural para quem vive em sociedade, quanto mais eu me preocupar com os outros espaços e as outras necessidades, tanto mais caminho na plenitude de uma integração real e solidária, em que todos saem ganhando.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Anotações - Desfile das delegações na Olimpíada

É uma ótima sugestão para integração das disciplinas de Geografia, História, Artes e Comunicações, no mínimo: refletir sobre os países menos conhecidos que participam dos Jogos Olímpicos em nossa casa.
Ao ver o desfile, sobram desconhecimentos de algumas nações. E há tanta referência a ser explorada - onde fica o país, regime político, economia, sociedade, cultura, língua, bandeira etc.

Um evento de grande porte, como esse dos Jogos Olímpicos, deve ser visto como uma ótima oportunidade de redimensionamento dos trabalhos pedagógicos. E, em minha opinião, não há problema algum que o tema não tenha sido previsto... É uma oportunidade, como dito aí atrás.
E a questão não se refere apenas ao fato de aproveitarmos um evento midiático. Refere-se, também, ao fator de comunicação com os alunos.
Certamente, as diversas mídias estarão abordando o assunto. Estar conectado com essas situações que transcendem as comunicações corriqueiras é ótimo para transformar as motivações nos ambientes escolares. De quebra, há de se abordar - em caráter crítico, além dos ufanismos propagandísticos - o fato de os Jogos estarem acontecendo em nosso país.
O tema dos países menos conhecidos parece-me um ótimo elemento motivador para diversos trabalhos pedagógicos. Principalmente, porque ouvimos tanto sobre globalização e quebra de fronteiras e, quando estamos sentados ao sofá nos deleitando com a cerimônia de abertura, estranhamo-nos com a entrada da delegação de países como Bareine, Brunei, Darussalam, Chade, Comores, Djibuti, Kiribati, Micronesia, Nauru, Palau, Tuvalu e Vanuatu (só para ficar em alguns países que me deu uma vontade danada de saber mais sobre eles...).

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dos difíceis caminhos de um trabalho positivo em Educação

Desenvolver um trabalho positivo em Educação não é dos caminhos mais fáceis. Há vários entraves e percalços a serem vencidos no trilhar dos rumos.
Há o problema da formação e da desmotivação na busca de estratégias e tecnologias que pudessem ajudar. Há a questão da falta de envolvimento das famílias. Há, também, a falta de reconhecimento dos sistemas e dos empregadores. Há, ainda, os entraves naturais das estruturas precárias. Há o problema da inexistência de uma integração entre os próprios colegas. Há, nessa linha, uma falta de diálogo entre o pessoal do corpo diretivo das escolas e os professores. E há, ainda, o próprio desgaste físico e mental dos atores, que precisam dividir-se em mais de uma unidade escolar, para o desenvolvimento sustentável de suas necessidades.
Nesse quadro, falar de qualidade em Educação parece até cruel. Mas é preciso falar.
Ainda que nos custem tempo e disposições, é preciso que os agentes pedagógicos incluam a questão das melhorias de qualidade no trabalho pedagógico nas discussões que ocorrem. De quebra, a inclusão da pauta pode representar também melhorias para os entraves e percalços aí expostos.
O problema da formação guarda em si uma referência cultural de maneira generalizada e, neste caso, de identidade profissional. Os professores, de uma forma geral, entendem-se como profissionais que sabem e que, por isso mesmo, não têm como elemento principal a busca de seu aperfeiçoamento - são poucos os professores que destinam tempo e recursos para o processo de formação continuada. E em um trabalho que se destina à promoção do desenvolvimento humano, torna-se capital a busca de reformulações de saberes e de diversificadas estratégias e tecnologias que favoreçam o trabalho.
Quanto ao problema da falta de envolvimento das famílias no âmbito das atividades escolares, é preciso que ampliemos a reflexão de o quanto a própria escola contribui - ou contribuiu - para esse caminho. Na maior parte das vezes, há falta de diálogo e de integração. Normalmente, as famílias são chamadas às escolas para resolver problemas de falta de disciplina dos filhos ou para participar de festas ou comemorações cujos roteiros são repetidos à exaustão. Isso pode mudar, quando pensarmos em uma forma de aproximação com as famílias de uma maneira mais positiva e que possibilite integrações mais qualificadas.
A questão das faltas de reconhecimento está mais atrelada aos problemas de comunicação e de postura. De um lado não se tem claros as metas e os objetivos, de caráter pedagógicos, a serem alcançados - cada indivíduo parece fazer o que acha melhor -; o problema revela o quanto os agentes não sabem comunicar-se em relação ao problema. De outro lado, identificamos posturas e atitudes que, nem sempre, parecem vir de profissionais preocupados com o desenvolvimento dos alunos.
No que diz respeito aos problemas das estruturas, nem sempre é possível interferir. Mas o desafio maior é criar um espaço racional de discussão em que esta questão seja constantemente pensada e debatida. O que acontece, em várias ocasiões, é a aceitação das precariedades, quando não a contribuição para que o problema se perpetue.
A ideia da falta de integração entre os próprios colegas torna-se o caminho mais inaceitável. Não se pode atribuir ao espaço de atuação dos professores algo parecido com um campo de batalha, em que se instalem rinhas de combate. Um professor contra o outro, em movimentos de confrontos sem que se pesem os referenciais ideológicos - simplesmente se colocam em campos opostos por questões as mais birrentas possíveis. Os professores, em seu cotidiano de trabalho, devem buscar aparar diferenças sem valor e concentrarem-se no trilhar de caminhos positivos que propiciem um trabalho mais qualitativo. Enquadram-se aqui, naturalmente, as questões das inexistências de diálogos entre os professores e o corpo diretivo. É preciso que se pense na ideia de união e parceria como algo a constituir-se em pontes de desenvolvimento.
Por fim, o desgaste natural por que passam os agentes escolares poderia ser um pouco mais minimizado se as referências racionais de desenvolvimento do trabalho fosse o principal caminho dos planos que se discutem nas escolas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Anotações - Aos que trabalham e convivem com crianças pequenas

Se você trabalha ou convive com crianças pequenas, aproveite bem esse privilégio, para além dos desgastes naturais que a demanda resulta. 
E é mesmo natural esse desgaste. Nessa fase, as crianças têm uma dinâmica muito intensa de vida. Além da energia peculiar, que lhes confere sobrevidas para os mais diversos movimentos.
Acontece que, justamente, precisamos de vivências em que o dinamismo da vida possa nos dar a medida das experiências significativas. E, também, da lição dessa energia de sobrevivência.
Isso mesmo, a convivência com crianças pequenas pode representar verdadeiras lições para nós. Além das ditas aí acima, é possível aprender uma diversidade de variáveis com elas. 
Lições de espontaneidade, da capacidade de experimentação e da coragem de tentar novos caminhos, de coleguismo e solidariedade, do encantamento das coisas, da busca da poesia da vida... E por aí vai. 
E ainda há uma lição essencial, da observação que faço das crianças, a qual precisamos carregar conosco sempre: a inesgotável capacidade de transformar as coisas mais simples e corriqueiras em um manancial de grandes felicidades!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Anotações - A alteridade

Em entrevista sobre um programa de televisão, que ainda vai estrear (A Arte do Encontro), o ator Tony Ramos, que vai comandar a atração, filosofa sobre a ideia de alteridade: "A vida se renova quando você ouve o próximo. Quando você monologa, você não tem vida, tem só uma ansiedade de viver. A vida perde o encanto. O gostoso é quando você ouve a quem está à sua volta, você devolve, concorde ou não. Isso é vida, o resto é perfumaria." (A entrevista está na Revista Monet - Editora Globo -, nº 160, julho 2016, pág. 59).
Já conversamos, aqui, sobre a questão da alteridade - a capacidade de perceber o outro. E de como, por vivermos em sociedade, essa é uma capacidade importante a ser exercitada. Mas a frase do ator Tony Ramos proporcionou-me uma leitura mais urgente: quando você monologa (só vê a si mesmo), a vida perde o encanto. Até penso que, em algumas situações, chega a ser importante o tal do monólogo, talvez o exercício da consciência... Mas só nesse nível, como exercício de consciência. No mais, é imperioso que tornemos a vida encantada: perceber o outro, interagir com o outro, ouvir o outro, conectar-se ao outro.
Na interação, nossa consciência ganha em perspectivas da ideia de viver em coletividade... E, sobretudo, que é possível aprender e dividir com outro.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Equilíbrio emocional

No desenvolvimento de um trabalho que prima pela perspectiva do desenvolvimento humano, como é o realizado nos espaços escolares, é preciso cuidar, sistematicamente, das referências do equilíbrio emocional. Não é raro constatarmos que uma boa parte dos profissionais de Educação passam por reiteradas situações de stress emocional. O cotidiano das ações e das relações propicia essas instâncias.
O equilíbrio emocional deve ser uma variável de cuidado, em que se busque, efetivamente, o comprometimento de estratégias e de organização de posturas para o seu alcance.
Há vários caminhos para esse fim... e é preciso que cada pessoa reflita sobre esses caminhos para o estabelecimento de um rumo positivo, que atenda às especificidades individuais. Note-se que não é possível estabelecer um padrão de encaminhamento, como uma receita de posturas e atitudes. Mesmo assim, proponho-me a convidar à reflexão sobre quatro itens interessantes a serem incluídos no propósito de uma vida que contemple a emocionalidade em equilíbrio: a espiritualidade; o pensamento positivo; o entusiasmo pela vida e pelo trabalho; e a realização de uma atividade manual e criativa.
O exercício da espiritualidade deve estar atrelado à perspectiva da crença em algo divinatório, não necessariamente ligado a uma religião. Em minha concepção, a religião é algo que vem de fora; a espiritualidade está fundamentada na interioridade do indivíduo. E é o desenvolvimento dessa percepção interior, que se encaminha para a reflexão da espiritualidade. Aqui, estão as concepções de fé, por exemplo. Desenvolver a fé e buscar o seu sentido espiritual é algo que faz bem ao escopo das emoções.
A ideia de pensamento positivo não é uma leitura acomodada de quem acha que tudo vai dar certo; ter pensamento positivo sobre algo é, sobretudo, encontrar-se pleno de motivações para vencer os desafios que a vida nos impõe. A variável do pensamento positivo é aquele movimento que nos impele ao caminho da consciência nas competências e habilidades que são necessárias para a realização de algo... Esse algo a ser realizado nunca é visto como um elemento impossível - o enfoque dá-se na necessidade de elaborar certas competências e habilidades para a fundamentação das forças necessárias ao enfrentamento dos desafios.
Daqui, chega-se, por extensão à outra variável: a do entusiasmo pela vida e pelo trabalho. Quando nos confrontamos com a situação de stress emocional, é normal perdermos esse entusiasmo. O que nos afunda na falta de perspectiva das soluções. É preciso estar atento: o entusiasmo está consolidado na visão racional que temos dos problemas e dos desafios enfrentados... E é justamente nesse conceito que se visualiza a referência de entusiasmo: os desafios precisam ser enfrentados. E essa ideia é tão fascinante que, via de regra, quando estamos entusiasmados, conseguimos mobilizar outras pessoas a partilharem do nosso entusiasmo. É quando o enfrentamento dos desafios ganha uma consciência coletiva de realização.
Por fim, há um caminho interessante de mantermos a interioridade em exercício constante de busca do equilíbrio emocional - a realização de uma atividade manual e criativa. Experimente. Dê vazão a suas potencialidades do exercício manual e busque as inspirações criativas para a sua realização. Certamente, você vai enxergar uma transformação que possibilita uma melhor compreensão das buscas do desenvolvimento de uma consciência emocional.