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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Educação transformadora

Todos os processos e variáveis que se verificarem nos espaços escolares, pontuados pelas referências de natureza pedagógica, devem ter a característica de provocar certa dimensão transformadora. A ideia é a de transformar as pessoas para transformar as realidades.
Paulo Freire já havia nos ensinado que a educação é consubstanciada em um exercício de consciência social e política, quase como uma referência de subversão aplicada. Subversão da ordem instaurada para criar uma outra ordem. Transformação.
Professores e alunos - agentes principais da atmosfera pedagógica - devem ser atores e pacientes dessa visão: ambos precisam entender-se como seres que vão propiciar e receber as instâncias do caminho de transformação.
Transformar-se é buscar uma nova forma; é criar uma nova forma. Uma invenção que reforma o que já não dá mais certo. Transformar-se é buscar acertar.
E nesse processo, a reformulação das estratégias que vêm sendo usadas é o maior caminho. A reformulação, do que vem sendo aplicado em nome do comodismo e da segurança dos caminhos conhecidos, precisa ser levada a sério. É preciso andar por caminhos novos.
A busca de uma educação transformadora vai exigir um pouco de todos nós. Sobretudo, a saída dessa zona de conforto em que nos metemos, crentes de que isso seria bom. Quando nos encostamos em alguma zona de conforto, na medida das coisas, é porque estamos cansados... por isso ou porque não temos visão de alternativas. A questão é que a zona de conforto não nos deixa caminhos de evolução, na razão em que tudo já está experimentado e gasto.
A educação precisa caminhar por trilhas de aventuras. Aventuras responsáveis, mas aventuras... Em que todos descubram-se desbravadores de conhecimentos. Precisamos dessa motivação: desbravar conhecimentos. Seguramente, nossos olhos brilharão mais energizados e nosso corpo despertará para reluzentes descobertas.
O que é alentador nessa poesia toda é que professores e alunos, como seres humanos que são, estão dotados das mais eficientes ferramentas buscadoras daquela intenção. O ser humano, em sua compleição fundamental, está pleno das competências e habilidades transformadoras, aquelas que subvertem as ordens inertes. O que aconteceu foi que, por razões das mais variadas, deixamos nossa plenitude escorada em escusos portos dos nossos cansaços físicos e morais... Se foi assim, precisamos despertar!
A busca de uma educação transformadora é o pressuposto da subversão consciente que nos faz maiores e melhores. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Para refletir - Amor sem medida


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Anotações - O autoconhecimento

Se houver um tópico, em torno do qual deve-se priorizar os fundamentos da Educação, penso que a ideia de autoconhecimento deva ser fator a ampliarmos nossa reflexão.
A questão de o sujeito ter clara a variável do que se é capaz de fazer - em justa medida, o conceito síntese do autoconhecimento - parece-me uma das apreensões principais do desenvolvimento pessoal. Saber do que se é capaz de fazer torna melhores os alunos e os professores. De um lado, sei que as medidas de minha aprendizagem precisam desse ou daquele complemento; de outro, entendo que o meu conhecimento pode ser importante ou significativo para que minhas aulas possam ser positivas.
O autoconhecimento é, antes de qualquer coisa, o fator de consciência mais importante na elaboração das inteligências e dos saberes, na evolução das pessoas. É com base no que se é capaz de fazer que as pessoas devem ser movidas à busca de novas apreensões e elaborações da construção do conhecimento.
Nesse sentido, uma das tarefas recomendadas a quem está buscando os parâmetros de seu desenvolvimento é, justamente, aprender a listar os tópicos que perfazem o seu atual conhecimento: ao listar os tópicos do que se conhece, aprendemos a observar o que não conhecemos. E nessa elaboração socrática da busca de aprendizagens, buscamos, melhor, nossa evolução pessoal.



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Anotações - O analfabetismo social

Quando usei o termo, aqui, de passagem em uma publicação, pensei que ainda há muito o que se falar sobre esse conceito, o do analfabetismo social. A matéria, de onde apreendi a ideia, é uma entrevista realizada com o professor Carlos Neto, também investigador, da Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, Portugal. Se quiserem dar uma olhada na entrevista, clique aqui.
O conceito é bem entendido por aqui - talvez seja uma variável global -, em que estamos nos afastando das relações humanas, sociais. Os aparatos tecnológicos - de que nos valemos para trazer mais conforto e agilidade aos processos humanos - são os grande vilões da história. Em princípio, pensei que seria um problema que mais afetasse os jovens, detentores das maiores habilidades em se comunicarem melhor por smartphones e quiçás, em detrimento aos convívios humanos e sociais, que tão bem nos fazem. O professor Robinson Gessoni, destacado especialista em aprendizagens, mostrou-me que o problema é maior; em um comentário a uma das publicações por aqui, o professor Gessoni abordou a questão preocupante do fator de analfabetismo social observada por ele nos ambientes corporativos, por que trafega ministrando suas palestras e cursos de alto interesse.
Fato é que, nós, seres humanos, estamos mais propensos a realizar os propósitos de comunicações que se apoiem em instâncias tecnológicas (telefone, e-mail, aparelhos celulares, redes sociais etc.). Não obstante os facilitadores que essas instâncias nos oferecem, o efeito colateral parece cruel: não conseguimos mais nos relacionar, no que diz respeito aos aspectos da comunicação, de uma maneira direta e objetiva, buscando no olhar do nosso interlocutor as variações de entendimento à mensagem. Em outras palavras, trocar dois dedos de prosa com outro ser humano passou a ser um périplo de difícil realização (ou porque não estamos disponíveis para isso; ou porque o outro não está disponível, também; ou porque não conseguimos mais deter o código das comunicações presenciais...).
Vamos voltar a esse tema, qualquer hora, pois o problema é demasiado grande para refletir só um pouquinho.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Diversificação de repertório

Nos espaços escolares, o pressuposto fundamental de um trabalho pedagógico que vise, verdadeiramente, aos processos de desenvolvimento pessoal, deveria estabelecer como paradigma básico o princípio da diversificação do repertório do aluno.
Ao ingressar na Escola, os alunos apresentam certo conhecimento de mundo e das relações sociais; não nos cabe a preocupação em julgar se esse aparato que o aluno possui está em aspecto valorativo dessa ou daquela natureza. Entretanto, minha função de Educador permite-me antecipar que, nos caminhos naturais de evolução, essa estrutura que o aluno traz não é suficiente. A vida que virá pela frente, dinâmica e pontilhada de desafios, vai exigir um constante aperfeiçoamento na revisão de trilhas e rumos.
Além disso, sabemos, ainda, que a diversidade não se consolida em singular conhecimento. Cada situação representará uma demanda específica de ação e comportamento, fundamentada nas percepções das inteligências múltiplas.
É aqui que entra o princípio da diversificação do repertório.
Ao trazer o seu repertório de informações e premissas, o aluno até já está constituído de bases, às vezes até bastante elaboradas. Os processos pedagógicos devem ser constituídos, na dimensão da reformulação dos conhecimentos, de forma a proporem a tal diversificação de repertório.
Talvez a primeira grande reflexão sobre esse princípio seja a de que os agentes pedagógicos - alunos, professores etc - necessitam estabelecer a consciência precisa da dimensão de o quanto se conhece desse repertório - primeiro, do que é trazido para a Escola; depois, do que será necessário aos caminhos da sociedade.
Veja que deve haver uma leitura de mundo, por parte dos professores e da Escola, de o quanto a sociedade estabelece de repertório necessário para que os sujeitos tenham sucesso e prestígio em seus caminhos. E aqui, essa leitura de mundo transcende o que se estabelecem nos componentes curriculares; é preciso, além dos conteúdos, que a Escola traga a consciência do que é necessário, nos tempos e locais em que estão inseridas, para que a formação de seus alunos seja mais elaborada.
O conhecimento do repertório trazido leva, justamente, à reflexão ao entendimento das demandas de alternativas - a percepção das potencialidades e limites dos indivíduos -, em torno das quais verificam-se as possibilidades de mudanças de rotas e aplicação dos acréscimos de novos repertórios, que serão exigidos. O aluno precisa entender que ao seu conhecimento devem ser juntados outros, respeitadas as potencialidades e estabelecidos os limites de suas ações. A propósito da questão das potencialidades, a diversificação do repertório precisa levar em conta essa variável - é no conhecimento dos potenciais e limites, que se positiva essa diversificação de repertório.
Ao circunstanciar seu trabalho no princípio da diversificação do conhecimento que o aluno traz, a Escola possibilita melhores caminhos no processo de desenvolvimento e contribui para que a evolução pessoal seja fundamentada em variáveis de elaboração mais positiva.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Anotações - O uso das tecnologias

A utilização das variáveis tecnológicas, entendendo-as como ferramentas de possibilidade de redimensionamento positivo das práticas pedagógicas, pode fazer uma diferença e tanto no desenvolvimento dos trabalhos que visem à consolidação das aprendizagens.
Um dos maiores problemas dessa utilização é a questão das deficiências que temos em relação às ferramentas tecnológicas de que podemos nos valer. A definição de o que pode ser feito, a partir da inserção desse ou daquele equipamento no contexto de uma aula ou de uma atividade pedagógica, exige de nós uma percepção elaborada. Essa percepção deve estar fundamentada nas leituras que tenho sobre o tal equipamento.
Ou, simplesmente, estar disponível para perceber a realidade que envolve o domínio dos alunos em relação a alguns elementos de seus contextos. Foi o que fez uma professora, que integrou um trabalho de Artes com as relações de um jogo eletrônico. Veja o seu relato nesta matéria.
Como a linguagem tecnológica está melhor apreendida no domínio dos jovens, a utilização desta linguagem para relacionar a um trabalho pedagógico, certamente, será altamente motivadora. E esse é um dos pressupostos fundamentais para os encaminhamentos de qualquer referência de aprendizagem: tornar o objeto de conhecimento um elemento motivador. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Anotações - O trabalho colaborativo

O assunto das ideias do trabalho colaborativo, e de todas as suas relações com o desenvolvimento pessoal - encontra defesa, aqui, nas publicações contextuais. Particularmente, fico feliz de conhecer notícias que corroborem o encaminhamento dessa variável.
Recente, tomei contato com a experiência de uma professora da rede pública de uma cidade do Paraná, Brasil, que vale a pena a citação. Em seu relato, a professora conta a história das motivações da utilização de tablets como suporte do processo pedagógico em sua região. Se quiser conhecer melhor o relato da professora, clique aqui.
De quebra, já há uma reflexão importante sobre a questão do uso das tecnologias como ferramenta de trabalho pedagógico. O tablet, equipamento que cativa a atenção dos jovens, passa a ser, nessa vivência, um pressuposto de encaminhamento mais positivo das variáveis de trabalho do espaço escolar. Além das motivações, é um trabalho que aproxima as linguagens dos alunos e professores relacionados, em que todos ganham.
Quando se enxerga e há um movimento de disponibilidade geral para o entendimento de utilização de uma ferramenta dita pouco convencional para os ambientes pedagógicos, mas altamente eficiente, a atmosfera de aprendizagem torna-se concreta e a colaboração para o desenvolvimento dos envolvidos deixa de ser uma vã teoria em manuais de formação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Gerenciamento das comunicações

Fazer se entender e entender os outros têm parecido verdadeiro suplício nestes dias em que vivemos. Parece termos perdido, paulatinamente, a capacidade de bem nos comunicarmos. Estamos em um momento de sociedade que caminhamos, justamente, para o sentido inverso, o de não nos esforçarmos muito para entender o outro.
A comunicação sempre foi a chave de positividade em qualquer relacionamento - familiar, social, profissional - e, lamentavelmente, estamos nos distanciando desta competência. Tecnicamente, a comunicação é até um processo simples: há um emissor, que se vale de uma mensagem em um código comum, direcionada a um receptor para que se configure o propósito daquela mensagem; em havendo desentendimento, retoma-se o ciclo.
A capacidade de bem comunicar-se, entretanto, não é só dominar o tal código comum e dizê-lo da melhor forma possível a um receptor, também dominante do mesmo código. É preciso uma habilidade maior, que é a de negociar e intermediar a compreensão da mensagem - nesse sentido, faz-se necessário um domínio das variáveis humanas inerentes ao processo de compreensão: sabedoria, percepção, sensibilidade etc. E é aqui, na minha opinião, que reside o problema.
Estamos em uma fase da humanidade em que perdemos a paciência de nos relacionarmos com o outro: não conseguimos ouvir o outro; estamos sempre com pressa; nossa capacidade de leituras - tão valorosas a propósito do tema sobre o qual estamos refletindo - anda rareada; andamos distanciados dos círculos de convivências reais... E aí, vamos perdendo a capacidade de elaborar relações, sejam elas tácitas ou não.
Justamente, por essa referência, somam-se outras características, resultantes do que se explanou - a parca capacidade de compreensão do mundo e as dificuldades de entendimento; a falta de vontade para dedicar-se, em tempos perdidos, à compreensão do que nos rodeia; a falta de jeito em estar próximos de outras pessoas (o que, em justa medida, um estudioso português denominou de "analfabetismo social", para referir-se a esses tempos que atravessamos); e tantos outros tópicos que poderiam ser citados.
No que se refere às reflexões pedagógicas que propomos aqui - sejam elas direcionadas aos espaços escolares ou aos de desenvolvimento pessoal de maneira geral -, é preciso que assumamos um papel de contrariedade ao movimento que se instaurou: se as variáveis humanas estão em desprestígio, o meu trabalho deve ser, exatamente, o de retomar as propriedades em que os seres humanos estão em evidência, na instalação de um caminho em que possamos exercitar a retomada da humanidade; se o espaço de convivência afasta-me da possibilidade de ouvir o outro, o meu exercício é, na obviedade, o de aprender a ouvir, com todas as nuances que essa aprendizagem me destina; se a modernidade instala a cultura da pressa, devo me apresentar em pensamentos de o quanto essa pressa interfere no meu espaço de entendimento do mundo que me cerca; se as leituras estão equivocadas, meu movimento deve ser o de aprimorar a referência, vestindo-me de informações e conhecimentos a positivarem o que leio da minha realidade; por fim, devo refletir, constantemente, sobre o meu papel nas relações de que sou participante, à busca de valores que me tornem agente ativo e positivo do processo de sua evolução.
É nesse complexo e intrincado caminho de evolução que a comunicação torna-se ferramenta de razão valorativa sem igual.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Anotações - O impacto da arquitetura em um ambiente de desenvolvimento

Não sei se você viu a matéria, mas se se interessa por desenvolvimento infantil e por concepções de aprendizagens em ambientes de educação infantil, penso que é boa leitura. A matéria apresenta o proprietário de uma empresa de arquitetura, com sede em Tóquio, no Japão, falando sobre uma de suas criações arquitetônicas, a concepção de um espaço totalmente diferenciado em uma escola de educação infantil de lá.
É impressionante! Se você ainda não viu a matéria, acesse-a por esse link.
Além da percepção das intervenções no ambiente físico da escola, há de se considerar, para reflexão, vários trechos da fala do Sr. Tezuka, que desenhou a planta da Escola. Em outras publicações, por aqui, voltaremos aos temas que ele levanta.
A ideia de que o ambiente físico interfere nos propósitos de aprendizagem não é nova. Vários de nós já nos sentimos, literalmente, aprisionados em nossos espaços de aprendizagens, alguns muito desestimuladores. Professores e alunos experimentam, cotidianamente, uma frustração muito grande de não ter um ambiente que propicie, verdadeiramente, o desenvolvimento. Obviamente, não está em nossas mãos a transformação dessa realidade... Mas não precisamos ficar de braços cruzados.
A transformação do ambiente em que vivenciamos nossas ações pode ser real. Em alguns casos, pequenas mudanças já impactam bastante; em outros, a demanda vai pedir um pouco mais de esforço. O que é certo é trazermos o incômodo que nos acomete, à luz de novas ações e atitudes, buscando posicionamentos mais conscientes com a questão: o ambiente físico, em que nos dispomos - alunos, professores, gestores, famílias etc - a construir uma realidade diferenciada de desenvolvimento, merece constantes reflexões de suas melhorias.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Anotações - O catastrofismo

O que mais se percebe na apreensão das leituras que chegam é a anunciação insistente da crise que estamos atravessando. Crise política, crise financeira, crise moral, crise ética, enfim, é crise para todos os gostos.
Do ponto de vista do empreendedorismo e da busca de uma visão realista do mundo, a ideia de crise não parece de todo negativa. Desde que o mundo é mundo, o indivíduo foi obrigado a enfrentar as mais diversas crises, além daquelas ditas acima, em um moto contínuo de resistência e de determinação. Enfrentou precariedade de alimentação, de moradia, de emprego, de dinheiro etc. Em nome dessa precariedade - e da necessidade de subsistência -, inventou um sem número de alternativas que o alentaram dos males das crises. Foi em função das dificuldades que enfrentou, que o sujeito realizou travessias fantásticas. E vai ser sempre assim - é um moto contínuo, não nos esqueçamos. Exatamente como o simbolismo de nosso desenvolvimento, expresso em um gráfico de altos e baixos, que rejeita o comodismo dos patamares médios de existência.
E aí vêm essas leituras propagando um clima de catastrofismo (talvez a palavra nem exista, mas seu significado, sim), impondo-nos uma justificativa subliminar à falta de nossas tentativas ("eu bem queria tentar, mas estamos em tempo de crise..."; "...não vai dar certo, porque estamos em crise..."; e por aí vai.).
Que possamos rejeitar essa ideia! O sucesso ou o fracasso de nossas empreitadas serão resultados das múltiplas e estudadas tentativas que impormos aos nossos planos. E, sobretudo, tanto o sucesso quanto o fracasso não serão eternos, eles demandam sempre revisões de estratégias. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Educar para o presente

Há algumas ideias e conceitos que se cristalizam na percepção dos profissionais, a ponto de pouco serem discutidas em relação aos avanços dos métodos e sistemas de trabalho. Em Educação,  há vários tópicos, norteadores das diversas práticas, que precisam ser repensados.
A ideia de que devemos preparar os alunos para o futuro é uma dessas que merece ser revista. O futuro é um espaço de tempo que ainda não está pronto, não se sabe ao certo como vai ser. Qualquer tentativa de antecipar-nos a este tempo, pode redundar em inconsistências que nos frustrem a todos.
A referência de preparar alguém para o futuro é modelo dos mais antigos de entendimento de desenvolvimento pessoal: prevê-se - ou por modismos, por concepções equivocadas, ou por relação parental - o encaminhamento de variáveis técnicas e de formação, para que o sujeito seja preparado para o desempenho dessa ou daquela especialidade. Nem sempre dá certo, já que não considera as habilidades individuais - sejam elas próprias ou adquiridas - para a formação do sujeito.
Outro fator que não se considera é o tempo presente, esse dinamismo intenso de energias e de vivências que acontece no contínuo da existência. Vivemos o presente, estamos no presente, nossas ações precisam acontecer nesse presente. A questão maior é que o presente reserva tantos desafios, que o problema deveria ser esse: educar para o presente.
Claro que a Educação pressupõe um conjunto de ações e de estratégias que preparem o indivíduo para sua formação - intelectual, social, emocional, profissional etc. E que a ideia de "preparar para" relaciona-se com o âmbito futuro, do que vai acontecer.
A questão, então, precisa ter sua leitura organizada. O indivíduo deve passar por um conjunto de ações que demandem uma resposta no tempo presente e que o prepare para um comportamento mais adequado no tempo futuro.
No tempo presente, estão as angústias, os desafios, as tomadas de decisões, as resoluções de conflitos, as conquistas e o que mais lhe exigir um compromisso de atitudes e ações, em um correr dinâmico de acontecimentos. A educação para o presente será o conceito que perfaz o indivíduo nesse comportamento, que lhe pede soluções e encaminhamentos que o conectem com seu tempo de amadurecimento e de preparo. Só neste tempo presente, ele está em integralidade com o ambiente e com seus aspectos de formação; só neste tempo presente é que pode existir o que se conhece e o que se vive.
Quando o sujeito entende a necessidade de seu preparo para este tempo presente, sua entrega de energia para as demandas que surgirem terá sido em consonância a suas etapas de desenvolvimento - nada é desperdiçado, nada faltará.
Assim, quando os futuros chegarem (sim, futuros, no plural), sejam eles quais forem, aquele sujeito estará preparado para a consciência do que deve fazer e do que deve representar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Anotações - Os sonhos no olhar

Uma das publicações dessa semana, aqui, abordou a questão de indagar o quanto estaremos percebendo dos sonhos dos nossos alunos. Será que estamos observando esse olhar de sonhos? E, em relação a nós, estamos cultivando os sonhos nos nossos olhares?
A palavra "sonho" sempre vem acompanhada de desconfiança acadêmica, uma vez que a ela é atribuída, equivocadamente, a referência de quem está sempre esperando algo acontecer. Como dito lá na publicação, a compreensão de sonho é percebida pelo viés do desejo, de quem se motiva a buscar algo que foi sonhado.
E é exatamente essa percepção - a da busca -, que não poderá ser descartada dos espaços escolares. Alunos, professores e demais agentes dos espaços escolares devem trazer os olhos carregados de sonhos.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Anotações - A inspiração da infância

Mais uma vez, encontrei, entre anotações perdidas, a referência de uma frase, que, penso, devo ter retirado de uma palestra a que assisti: "Cada um é um adulto responsável formado pela esperança aberta pela criança que foi...". Não me lembro mais do tema, nem das circunstâncias, dessa referência, mas a ideia é companheira de minhas reflexões já há bastante tempo. Buscar a clareza de significado das variáveis da infância no processo de desenvolvimento humano é um dos meus maiores tópicos.
A ideia de criança, arquetípica ou não, é a de um tempo em que todas as experimentações, fundamentadas na curiosidade, na criatividade e nas variáveis de integração social, levam aos mais verdadeiros quesitos de sustentação de um adulto melhor.
Nesse sentido, nós, os que trabalhamos com a infância real, podemos retirar da frase alguns pressupostos de encaminhamentos de reflexão. O principal deles é o de que somos responsáveis pelo desenvolvimento da esperança na formação das crianças. E abrir esperanças exige de nós uma visão elaborada dos processos de desenvolvimento, aliada ao pensamento constante de o quanto a realidade externa influencia os relacionamentos de progresso dessas crianças.
Abrir esperanças e enxergar a realidade, eis os fundamentos imprescindíveis a serem acrescentados na longa lista de competências para a Educação.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Sobre o recomeço das aulas

Em grande parte das escolas, por essas paradas e nesse período, acontece o recomeço das aulas, na retomada do segundo semestre letivo. Em um plano ideal, todos os agentes constituintes nos espaços escolares chegam a esse dia carregados de energia boa e de vontade positiva... Bom, em um plano ideal, é verdade. A questão é que, pelo menos no âmbito reflexivo, podemos pensar um pouco em o quanto este idealismo afasta-se do real.
Em princípio, e é preciso que se ressalte, uma boa parte de professores, de escolas e de alunos, realmente, voltam ao segundo semestre letivo carregados de boa vontade e de esperanças em um crescimento de qualidade.
O retorno às aulas precisa ser pensado como uma retomada, em que se analisem os prós e contras dos rumos que se seguiram até aqui. A palavra "retomada" não pode ser pensada de forma retórica, sem que enxerguemos aí as várias possibilidades de redimensionamento do que já aconteceu. O pressuposto para isso está no malfadado planejamento escolar.
Quando se organiza um planejamento (de qualquer empreitada), deve-se considerar os processos de encaminhamento dos rumos de onde se quer chegar. A dinâmica escolar já é conhecida de longa data e as pausas semestrais são rotinas que bem conhecemos.
Na organização do planejamento escolar, lá no começo do ano, havemos de dar importância a todos os caminhos das atividades pedagógicas, estabelecendo propósitos bem claros e definidos. A retomada é um desses caminhos e propósitos, a ser enxergado desde cedo.
No mais, é preciso, para além dos processos burocráticos, acreditar em novas ações (ou velhas ações com novos propósitos, que seja!) que reinventem os fazeres pedagógicos. Sobretudo, que todos percebam que a reinvenção não é falácia e nem está imbuída de espetáculos pirotécnicos - a reinvenção está, como já nos ensinou o mestre Rubem Alves, no fazer artesanal, delicado, de entender a Educação como o mais importante referencial de desenvolvimento humano.
Nesse campo, havemos de nos perguntar: onde estão os nossos sonhos?
Trazer os olhos carregados de sonhos e levá-los (os olhos brilhantes e os sonhos, idem) aos espaços escolares há de ser elemento contagiante irresistível para a construção de novos parâmetros em busca de uma educação de melhor qualidade. Sem contar que os nossos olhos carregados de sonhos enxergam melhor os olhos carregados de sonhos dos outros; imaginem uma teia em que os olhos carregados de sonhos de um encontram-se com os olhos carregados de sonhos dos outros e perfaçam uma grande comunidade de sonhadores, em que se vislumbre uma realidade melhor possível.
Por favor, não façam a leitura rasa de que sonhos não enchem barriga. Não estou falando dos sonhos que residem na inércia de quem acredita na espera; estou falando dos sonhos que se vestem de desejos na proatividade dos que acreditam na esperança.
E é de esperanças que devemos fazer o projeto de retomada das atividades nas escolas que recebem, por esses dias, o movimento frenético de mentes desejosas de reconstruírem sua realidade.
Bom recomeço a todos!