Mostrando postagens com marcador tolerância. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tolerância. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Anotações - A minha vida é diferente da sua

No ônibus, os amigos conversavam. Não prestei atenção nos meandros da conversa, mas sei que ela se concluiu com a frase que dá título a essa publicação: "A minha vida é diferente da sua.". Talvez estivessem falando dos comportamentos que devemos ter frente a uma situação qualquer e um deles, possivelmente, pensou em padronizar as referências, ao que, imagino, o outro saiu-se com essa: "A minha vida é diferente da sua".
E não há certeza mais contundente. Cada indivíduo comporta-se de forma personalíssima frente a qualquer variável. A assertiva vale para entendermos um pouco sobre os relacionamentos vários: cada sujeito vai posicionar-se segundo suas vivências e experiências, de maneira absolutamente individual e não padronizada ou pasteurizada.
A insistência justifica-se pela maneira como nos portamos diante das diferenças. Na maior parte das vezes, queremos que as pessoas concordem com nossos argumentos e posicionamentos, sob pena de instaurarmos o fim da amizade e do querer bem. É o princípio da intolerância.
Ora, cada vida é diferente. Natural que cada vida vai valer-se de suas experiências para julgar ou posicionar-se diante de algum embate, tenha ele o tamanho que tiver. Em alguns casos, pode até haver concordância - mas não o será por causa da beleza dos nossos olhos; a concordância deve ser balizada pelas vivências que o indivíduo experimentou e em cujo propósito residem as opiniões afins.
Em outros casos, podem acontecer discordâncias - mas não o será por conflitos desnecessários; a mesma experiência de vida pode suscitar discrepâncias de opiniões. Tudo normal.
E até porque "a minha vida é diferente da sua", pode até acontecer que, nas suas discussões, eu não precise ter opinião formada. Nesse caso, minha quietude é pura e simplesmente por razão de não ter o que dizer.


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Anotações - Um hino para todas as nações

Aproveitando o tema das Olimpíadas, há uma propaganda, na minha opinião fantástica, de uma marca de telefonia celular, que explorou a ideia da existência de um hino, como se fosse uma colcha de retalhos, com trechos das letras de hinos de diversos países. O mote da propaganda é a questão do orgulho em patrocinar um mundo sem barreiras. Claro que é comercial, mas é um tema interessante para um trabalho pedagógico.
Se você ainda não viu a propaganda, dê uma olhadinha neste link.
A ideia de um mundo sem fronteiras não é nova e foi consolidada, talvez como propaganda sociológica, a partir da música Imagine, de John Lennon, Hugh Martin, Paul McCartney e Ralph Blane. O que a publicidade faz é recriar essa ideia, aproveitando-se do momento de Jogos Olímpicos.
Discutir, no âmbito pedagógico, a questão da globalização e da possibilidade de visualizar um espaço sem fronteiras pode suscitar interessantes discussões, principalmente acerca da tolerância e do respeito ao outro.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Anotações - Alteridade

Os filósofos antigos já haviam debatido os princípios fundamentais que a palavra "alteridade" expressavam. Opondo-se à ideia de "identidade" - em que o "eu" prepondera - a "alteridade" preconiza as referências de percepção do outro, em torno das quais manifesta-se o princípio de sociedade.
Trazendo a referência para olhares mais simplórios, perceber o outro é, basicamente, respeitá-lo. No entanto, vivemos tempos em que o apressado das trilhas levaram-nos, justamente, a deixarmos de enxergar o outro. Ou quando o enxergamos, é pelo prisma do estorvo - em que o outro nos atrapalha -, ou pelo olhar da competição - em que o outro não pode ser melhor do que eu.
A consciência de alteridade é a visão de que vivemos em coletividade, na qual a minha existência só é positiva através do contato com o outro. Pode até ser que haja conflitos, mas eles existirão à luz do que a diversidade permite: o conflito é a base da variável das diferenças e dos necessários respeitos que elas devem suscitar.
Quando deixamos de enxergar o outro, deixamos de valorizar a diversidade de referências que o mundo me apresenta para um convívio de desenvolvimento.

terça-feira, 17 de março de 2015

Resenha - Tolerância

Minha amiga, Elizabeth O, uma cantora de primeira, viu, na semana passada, minha mensagem de reflexão com a frase de Paulo Freire sobre tolerância (a questão de conviver e aprender com o diferente e respeitá-lo). Mas não se contentou e disse-me que faltava algo. Vou tentar, então, desenvolver um pouco do meu pensamento sobre a questão da tolerância.
Um dos maiores males da humanidade, em todos os tempos, é, justamente, o princípio da intolerância - não sabemos conviver com quem pensa diferente dos nossos princípios (futebolísticos, políticos, culturais, de orientação sexual, religiosos etc.). Parece-nos, a princípio, que quem diferencia dos nossos pensamentos não merece nossa consideração e respeito, muito menos a nossa tolerância. Essa tem sido a fundamentação de muitas guerras e de muitos conflitos ideológicos que resvalam para a violência.
A tolerância, dizia Paulo Freire na frase que escolhi, é uma virtude. A que nos ensina, preciosamente, a entender essa diferença como elemento de colaboração para o meu crescimento. Sim, é no processo de convivência com as diferenças que aprendo os elementos básicos de respeito e de multiplicidade de aspectos que constituem os seres humanos. Nessa multiplicidade, não é preciso atribuirmos juízo de valor (um aspecto não é mais importante que outro, por exemplo), na medida em que cada aspecto dessa diversidade vai colaborar para o entendimento da importância da diversidade. E vai colaborar para a constituição de um ambiente macro, no qual as opiniões, as preferências, as crenças etc vão desenhar um corpo maior, pleno de referências variadas e significativas para o nosso desenvolvimento.