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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Mestres de ofícios - O saber fazer

A ideia dos antigos mestres de ofício estava fundamentada na capacidade do saber fazer. Penso que seria interessante resgatar esse conceito.
O saber fazer é uma competência desenvolvida através da relação do trabalho pelo domínio de ferramentas largamente experimentadas e conhecidas. Os mestres de ofício herdavam - ou desenvolviam - exatamente esse domínio. Normalmente, esse domínio é o resultado de 
inúmeras vivências e experiências no manejo do trabalho, geralmente associadas aos aspectos manuais de realização.
Mas não só. Vários mestres de ofício debruçaram-se em estudos teóricos de longas datas para o aperfeiçoamento do fazer.
Todos que trabalham com as variáveis pedagógicas precisariam espelhar-se nesse modus operandi.
As relações de ensino e aprendizagem devem estar atreladas ao desenvolvimento desses princípios de competência: estudar, compreender o seu objeto de trabalho, aprender novas referências, desenvolver ferramentas, saber ensinar etc.
Precisamos preocupar-nos com a era da superficialidade em que nos vemos. Em grande parte dos espaços escolares, tanto professores quanto alunos veem-se confusos em relação ao que ensinam e ao que aprendem. Uns não dominam muito bem o que estão transmitindo; outros não entendem muito bem o que estão aprendendo. E uma máxima que já conhecia muito bem ("Você finge que ensina e eu finjo que aprendo.") ganha contornos maiores.
E aí corta para o mercado de trabalho (ou para as relações sociais, de uma maneira geral). E estamos diante de pessoas com falta de iniciativa, de atitude e de criatividade. E com falta de paixão por aprender!
Os antigos mestres de ofícios sabiam despertar e motivar os aprendizes... e por algumas razões bem simples: o que eles ensinavam tinham uma utilidade prática; o que eles ensinavam eram produto de uma relação de saber fazer; quando eles não sabiam ensinar algo, os mestres estimulavam a busca de soluções práticas, normalmente em conjunto; o ambiente de aprendizagem era constantemente estimulador de descobertas e de realizações de potencialidades.
Quando pensamos nos espaços escolares de hoje, de uma maneira geral, desculpem-me, não enxergamos muita motivação para descobertas e realizações daquelas potencialidades. E talvez não seja tão complicado assim transpor aquele cenário para as escolas, respeitando-se todos os sistemas e realidades em que estão inseridas.
E a ideia de pensar em uma mudança assim só está refletida na realidade de que o nosso compromisso maior é o da promoção do desenvolvimento dos nossos alunos.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Ensino e Aprendizagem

Eis aqui um tema recorrente nestas nossas reflexões: o ensino e a aprendizagem.
De um lado, você tem um caminho em que alguém (físico ou uma instituição) responsabilize-se pela transmissão de um conteúdo pedagógico qualquer; de outro, há um outro alguém (quase sempre físico) que se responsabiliza pelos processos de apreensão daquele conteúdo.
E a palavra é mesmo essa: responsabilidade. Não há como dizer desses temas, sem apoiar-se na questão de que há uma grande responsabilidade no caminho que leve a uma qualidade positiva desses dois conceitos.
As instituições e as pessoas que detêm a chave do caminho de ensinar precisam ser responsáveis para que os rumos sejam efetivamente levados a bom termo. Aqueles que querem aprender, por sua vez, precisam ser responsáveis o suficiente para que caminhem conscientemente pelas trilhas da determinação e esforço.
E chegamos a outra palavra interessante: consciência. Tanto ensinar quanto aprender são conceitos em que se devem configurar a questão da consciência.
O Mestre e o Aprendiz assim o são por exercitarem constantemente o referente da consciência em relação ao dimensionamento de o quanto sabem. É preciso que o Mestre tenha plena consciência de seu saber para propor-se ao ensinamento; e é preciso, igualmente, que o Aprendiz também tenha plena consciência do que sabe para chegar aos caminhos da aprendizagem.
Há uma variável, também interessante aqui. Não há, como os especialistas se referem, o sujeito desprovido de conhecimentos, algo como uma "tábula rasa"; somos detentores de algum tipo de saber. E esse saber foi se formando em nossa constituição com a passagem dos tempos, com a nossa evolução.
Os níveis de sabedoria deveriam ser, de partida, as variáveis essenciais para a realização daqueles caminhos. O quanto sabemos coloca-nos, devidamente, nos dois papéis: podemos ser Mestres e Aprendizes.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Refletindo sobre a evolução pessoal

A ideia de evolução pessoal, a rigor,  nem precisaria ser refletida. É uma espécie de pressuposto. Temos, em nossa compleição física e mental, um preparo natural para que nos desenvolvamos. Se apenas andarmos e movimentar-nos em um ritmo normal e despretensioso, já estaremos em evolução. O grande problema, quando paramos para pensar no desenvolvimento, é que nem sempre enxergamos esse conceito com a simplicidade com que apresentamos.
Parece que evoluir e/ou desenvolver exige mecanismo complexos de constituição - um livro caro, uma faculdade nobre, um curso top etc-. E muita gente acredita nisso. Ao acreditar, posta-se com prepotência em relação àqueles que não leram o livro caro ou que não frequentaram o curso top. O que, na minha modesta opinião, até não teria muito problema, já que esse é um erro que configura aquele sujeito.
O que é problema mesmo, para mim, é em relação ao outro. Aquele que acredita no ato de prepotência daquele sujeito e passa a duvidar de sua própria capacidade, só porque não teve acesso ao top dos recursos.
O que se fazem necessários, de fato, para evoluir em qualquer déficit de aprendizagem, são dois elementos fundamentais: a consciência de o quanto não se sabe sobre determinado tópico e a vontade de aprender.
O caminho em si já estará pronto. É como uma estrada em que se vislumbram rotas e trilhas de encaminhamento. Basta caminhar por ela. Caminhar por ela e trazer aqueles elementos: a consciência do aprender e a vontade de saber.
A ideia de consciência parte de uma viagem interna, em que se vislumbram os contextos de formação individuais: o que sabemos; o que não sabemos; o que precisamos saber; quais as ferramentas de que preciso me valer para descobrir.
A ideia da vontade de saber está na percepção de o quanto devemos nos determinar para a busca do que pretendemos.
Quando esses dois elementos estão em sintonia, não é só no caminho que nos concentramos. Agregamos a esse fator, os tais elementos que nos constituem: consciência de nossa individualidade e da nossa percepção de energia em relação ao fato do que vamos demandar para transformar a tal individualidade.
E o conceito de transformação é bem a síntese desse movimento de evolução. O desenvolvimento é o resultado de o quanto consigo provocar variáveis de transformação pelos caminhos aos quais estou naturalmente fadado a prosseguir.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Anotações - Comunicação

Andei lendo alguns artigos que expunham o problema da falta de comunicação como limitadora para variados propósitos. Mas, restringindo o nosso assunto para as questões de desenvolvimento pessoal, penso que a falta de comunicação, aqui, cria limites muito mais complicadores.
Não há como andar no caminho da evolução pessoal sem se preocupar com as questões de comunicação. Já começa que é por ela que nos damos ao conhecimento do que somos. E se estende por ser em causa dela que nos damos ao conhecimento do mundo.
O conhecimento do que somos e o conhecimento do mundo que nos cerca perfazem o ciclo das apreensões do que se precisa saber. Individualmente, a consciência do que somos é o movimento principal da valorização do eu.
A ideia de comunicação, nesse sentido, sustenta-se por ser necessário, além de constituir a consciência do que somos, fazer chegar aos outros essa constituição. É necessário saber dizer desse caminho e, sobretudo, fazer os outros entenderem todo esse processo. Sem prepotência ou arrogância. A questão é saber fazer uso da comunicação para que os outros percebam todos os percursos feitos.
Na verdade, é um ciclo mesmo. Ao conseguirmos dar conhecimento do que somos, criamos uma via de mão dupla com as leituras do mundo que nos cerca. A consequência principal é a ampliação desse desenvolvimento. Mas não só; nessa consciência de percepção, abrimos caminhos para as trocas necessárias entre as nossas apreensões e o que se constitui conhecimento do outro.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Anotações - Sobre o erro

Estava olhando a propaganda de um site de cursos digitais e a questão veio-me, de novo, à tona. No anúncio do curso, após a demonstração dos conteúdos e das ferramentas da plataforma, o instrutor saiu-se com essa: "E a primeira lição é: errar!...". A palavra "errar" estava em letras grandes, vermelhas e parecia saltitar na tela. Achei curioso.
E o instrutor continuou com um discurso, na minha opinião interessante, sobre a ideia de errar como um pressuposto de aprendizagem. Algo como uma sustentação à opinião de que só se podia avançar na aprendizagem se aprendêssemos a lidar com os inevitáveis erros. E que os erros são movimentos normais quando se quer conquistar algo; é preciso, apenas, transformá-los em caminhos de aprender.
Noves fora o apelo mercadológico para atrair os alunos, a ideia já foi explanada por aqui. Só se pode chegar à evolução quando somos instados a entender o erro como mecanismo de soluções. 
Para isso, nossa atenção não deve se concentrar no erro em si, mas no seu significado. No seu significado e como a reversão dele pode acontecer. É na capacidade de apreensão das lições que um erro pode trazer que podemos transformar as lições.
Curioso é que na escola o erro é tratado como aspecto negativo... Na vida, o erro pode ser transformado em oportunidade de aprender mais. Basta querermos.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Anotações - O Saber

A busca do saber é a identidade do conhecimento.
Percebo, e muito, em minhas caminhadas, o quanto muitas pessoas querem saber. Saber usar uma ferramenta, saber desenvolver uma ideia, saber relacionar-se com seu público ou clientes etc.
Mas a questão maior é que, circundando essa busca do saber, há sempre um princípio mágico - consciente ou inconsciente - que vai propiciar a materialização do saber. Basta querer saber que o saber acontece... Bom, não é exatamente assim.
A busca do saber, seja ele direcionado a qualquer aprendizagem, relaciona-se com os processos de aquisição de conhecimento. Só para rememorar, transformamos algo em conhecimento quando nos detemos na necessidade de aprender e vinculamos à questão todas as informações que pudermos apreender sobre ela. Apreender e aprender!
Veja que há um sistema: busco informações, detenho informações, transformo informações em conhecimento, sei.
Então, não há mágica. Esse caminho aí exposto, com simplicidades, acima, na verdade é um emaranhado cheio de esforços e determinação. Todo esse caminho vai exigir de nós grande e extensa determinação.
Saber, assim, implica em movimentos obstinados e críticos de processamento das informações que recebemos, cotidianamente... Desnecessário dizer que precisamos estar atentos a esse rumo dos cotidianos.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Anotações - Menos paredes e mais imaginação

Uma campanha publicitária de uma operadora de celular faz a pergunta que parece importante para pensarmos possibilidades de mudanças para o trabalho com a Educação: "E se as salas de aula tivessem menos paredes e mais imaginação?...".
E é interessante pensarmos o quanto estivemos muito mais preocupados com as paredes, de uma maneira geral. Criamos salas disso, salas daquilo, e confinamos nossos jovens em espaços limitadores. Por esse caráter, a limitação criava uma sensação de controle perfeito - tínhamos todos os movimentos ao nosso alcance e poderíamos exercer o nosso poder com muito mais propriedade e inibição... Sim, queríamos inibir todo movimento perigoso.
E nem percebemos o quanto estávamos cerceando os nossos alunos... ou não quisemos perceber. Parecia aquele efeito poético retratado por Rubem Alves, ao que ele chamou de "pinoquização às avessas": as crianças entravam meninos de verdade e saíam como bonequinhos de madeira. Cruel isso!
Então, há um componente metafórico precioso na mensagem da campanha publicitária: paredes são elementos simbólicos de cerceamento (de visão, de movimento etc.) - a parede impede a amplitude, a descoberta; e imaginação é a dimensão que transgride, que liberta.
Eu, particularmente, e aproveitando a retomada das atividades escolares, penso que seria interessante trazer aquela pergunta para as reuniões de planejamento que se fizerem. É preciso lembrar que o conhecimento é matéria adquirida sob o signo da liberdade e do prazer... E que toda aprendizagem tem um quê de transgressão.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Um novo ano

Bem vindos sejamos todos a este novo ano... Mas, como nas lições da receita do Drummond, não se pode pensar um ano novo como apenas uma virada de página nos calendários que enfeitam as nossas mesas e paredes.
A renovação precisa ser algo vivo e transparente. É normal que iniciemos os novos anos cheios de boas intenções, de largas promessas, de pensamentos positivos transformadores; e, logo depois, retomamos as rotinas dissonantes das intenções e promessas. Toda renovação deve nascer no interior da vida. Deve acontecer na urgência de ver as transformações.
Para isso, a ideia de mudança deve ser vigorosa e sincera. É preciso mudar mesmo! Como mudam os instantes na evolução da vida.
E a vida representa uma eterna evolução, alheia à passagem dos dias, dos meses, dos anos. Estamos evoluindo a cada instante em que vivemos.
Então, bem vindos sejamos todos nós a essa constante evolução que vivenciamos. Evolução carregada do signo das transformações. Não seremos os mesmos, essa é uma verdade inquestionável... Mas é assim a cada sopro do nosso respirar.
Aproveitemos, portanto, o motivo da festa para desenvolvermos a nossa consciência de transformação. Vivamos a cada instante com a perspectiva de que tudo ao nosso redor também recebe essa consciência. E que há - ou deveria haver - uma sintonia entre a nossa evolução e a das coisas que estão ao nosso redor... E que poderemos escolher como representar essa sintonia, essa vivência... E, se não estivermos lá muito satisfeitos com o que estiver acontecendo, poderemos interferir nas ocorrências; esse, o real conceito de transformação.
Feliz novo ano, assim dizendo, com esse conceito de transformação. Não será necessário, perceba, esperarmos os dias findarem nos calendários, para que o exercício de transformação seja real. Podemos fazer acontecer a transformação todas as semanas, todos os dias, todas as horas, todos os instantes, dos nossos caminhos. E é a essa percepção de renovação que se dirigem os meus votos.
Feliz renovação cotidiana dos nossos caminhos!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Anotações - Um novo mundo

Um novo mundo, já há algum tempo, desenha-se para a escala da nossa evolução, com um aspecto bastante precioso às reflexões necessárias: os valores positivos podem ser caracterizados como essencialmente importantes para a busca de melhor qualidade nas ações; os valores negativos têm sido observados cada vez mais negativos.
De um lado, as referências de conectividades, associadas aos meios digitais, aproximaram as relações sociais, intensificaram os meios de aquisição de conhecimentos e, de alguma forma, representaram acréscimos nas dimensões das inteligências. Tudo isso muito positivo, quando empregado de forma 
ética.
De outro lado, vemos crescer um comportamento, também na esteira das referências digitais, cada vez mais individualista e ensimesmado. E carregado de atitudes egocêntricas, em que se perdem as instâncias de humanização. E tudo isso é muito negativo na escala de evolução.
Esse novo mundo, repito, desenhado há algum tempo, precisa fazer parte dos nossos propósitos pedagógicos. Entender cada um dos aspectos - positivo e negativo - neste processo de evolução por que estamos passando é o que deve fundamentar nossos comportamentos e atitudes para um bom caminho de desenvolvimento.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Anotações - Quando o problema é meu

Normalmente, nestes tempos e lugares em que vivemos, é muito mais fácil e cômodo pensar que o problema pertinente a qualquer desvio é do outro e não nosso. Isso evita-nos um trabalho custoso de análise de percepção de nossas falhas.
Mas não deve ser assim. Em certos casos, o problema é meu, sim. E aí é necessário saber reconhecer onde estavam as falhas.
A ideia de percepção de que o problema é meu está atrelada ao processo de desenvolvimento do senso crítico.
Desenvolver o senso crítico, em modo geral, é o caminho de saber olhar para o que se fez e mensurar as referências com todas as nuances ao redor. É medir as variáveis em todas as suas instâncias, consequências e alcances. Quando faço isso, exercito uma redimensão do olhar para aperceber-se do todo. Altamente necessário esse caminho... nem sempre tranquilo, reconheço.
Já de saída, nota-se a grande dificuldade básica de reconhecer o próprio erro. Somos seres constituídos de certa prepotência em não aceitar-se no erro.
Mas não deve ser assim! A ideia de errar não é um problema em si; a questão é quando o erro não provoca uma certa aprendizagem, para a transformação dos rumos. E é aqui que a conotação de perceber ser o dono do problema pode ser altamente positivo para o desenvolvimento pessoal: estamos na necessidade de procurar a transformação dos rumos.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Anotações - Teoria e prática

Uma propaganda de uma instituição de ensino, que vi um dia desses, chamou-me a atenção pela exploração de sentido entre dois elementos pertinentes ao universo da Educação: "Teoria é algo que só se aprende na prática", dizia a mensagem da propaganda.
Desde sempre, nos espaços acadêmicos, somos instados a tratar os dois conceitos com uma certa polarização... "Na teoria, a prática é outra..." é o mantra que perpetuamos em nossos discursos, para referirmos, justamente, ao distanciamento entre um e outro conceito. E vimos, cotidianamente, em nossas ações exemplos de que, decerto, esses conceitos são opostos.
Penso o que se passa em nossa mente nem é exatamente a ideia de oposição. Mas, sim, a de confronto com o que acreditamos ser uma referência (balizada, talvez, em nossas elaborações, tanto das práticas, quanto das teorias...).
O que a propaganda me trouxe foi uma nova maneira de olhar para tais conceitos. Ora, os conceitos teóricos são resultados de estudos e elaborações científicas de percepções, exatamente, de realizações práticas. Não se inventou nada; apenas os estudiosos fundamentais valeram-se da capacidade extrema de observar o que estava acontecendo e formularam conceitos para aquilo. E a validação, ou não, destes conceitos, estava no exercício da volta à observação da prática.
Então, as ideias de teoria e prática são, na verdade, elementos de uma correlação magnífica no campo do conhecimento.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Presentificação

Neste dia chamado hoje, neste exato momento chamado agora, nos caminhos de sua evolução pessoal, eu só tenho um desejo: que você descubra a força imponderável que está dentro de você e que a utilize de forma positiva.
Grande parte dos problemas que se verificam em relação à busca dos caminhos para o desenvolvimento (pessoal, social, emocional etc.) está na questão de que vivemos em falta de sintonia com o momento presente. A máxima que aprendemos nas lições do cotidiano está correta, lamentavelmente: estamos em grande parte concentrado na projeção de um futuro que não se conhece ou na lamentação de um passado em que vivemos.
Ainda não podemos prever o futuro, não certamente. O nosso futuro será sempre a soma das ações, das intenções e das realizações que estamos a desenvolver no agora.
Não há como mudar o que fizemos... o nosso passado é aquilo e pronto! Se ele foi ruim, por alguma questão, é preciso que aprendamos a passar por isso; se ele foi muito bom, é preciso que, também, vençamos isso. O máximo que podemos tirar das realizações passadas é a lição que tudo representou; se não houver lições a verificarem-se (sempre há!), de acordo com a nossa visão, esqueçamos...
Esse momento presente é o que, verdadeiramente, conta!
Olhe bem para dentro de si. Há, aí, um emaranhado de forças prestes a serem elaboradas a seu favor. Faça isso! Desembaralhe todos os nós de que elas são feitas e aprenda a olhar bem para elas. Conheça-as. Meça-as em toda a sua dimensão. Sinta sua constituição, sua pulsação.
A força que habita o seu interior, certamente, será a realização das lições e dos ensinamentos que lhe fizeram ser o que é. Se perceber que falta alto, ou é porque os ensinamento foram poucos, ou é porque as aprendizagens foram poucos - reflita sobre isso.
As aprendizagens sempre são o resultado de tudo o que você converteu em conhecimento dos ensinamentos que recebeu. Perceba que é preciso ser ativo. Os ensinamentos sempre chegaram - e sempre chegarão - até você. A conversão disso tudo em conhecimento é pura responsabilidade - e dever! - seu. Pense, então, no quanto de conhecimento habita o seu ser. E não se preocupe com as inevitáveis comparações. Cada pessoa passou por experiências e vivências diferentes; é normal que tenhamos, também, experiências de aprendizagens diferentes. O que deve incomodar-lhe, se me permite, é a reflexão de o quanto de conhecimento você precisa para tomar suas decisões.
Se aquelas aprendizagens pelas quais passou não o municiaram dos conhecimentos necessários, você tem que ir atrás de novas aprendizagens. É um moto contínuo essa vida de evolução, não se assuste.
Para perceber esse dinamismo todo, não há outro caminho que não o da presentificação. Viva o presente, sinta o presente, respire o presente, conecte-se ao presente, esteja atento a esse presente. É, talvez, a única forma de você entender essa força que habita em você!


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Anotações - Quando a chuva nos dá algumas lições

Sábado passado, choveu muito por aqui em São Paulo, de onde produzo essas reflexões. E pensei na ideia de que ficamos idealizando tudo em nossos caminhos. E que, nesse processo de idealização, de uma maneira geral, um dia de chuva sempre é visto como algo que atrapalha nossa programação.
Bom, até pode ser, dependendo da programação, mas o problema não é a chuva em si.
Na verdade, estamos tão presos ao nosso pressuposto de coisas ideais, que vivemos à margem das coisas reais. Não sabemos lidar com a realidade dos momentos.
E, se a realidade nos obriga a repensar rotas e trajetos e orientações (como é o caso de um dia chuvoso), ficamos mesmos sem saber o que fazer. Parece que não há alternativas... ou, se elas existem, parece-nos, ainda, que os caminhos de busca dessas alternativas exigem muito de nós e o melhor mesmo é ficar parado... É assim que estamos.
Uma das preciosas lições vindas com um dia de chuva é aprender aguçar a nossa competência de estabelecimento de rotas outras. Somos dotados de inteligência e de criatividade, basta acrescentarmos alguma dose de determinação e de vontade de realizar algo.
Agora, quando podemos rever o propósito, de tal modo que ele passe a ser o de molhar-se na chuva, outra grande lição é a de que não há problema algum em molhar-se na chuva.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Repertório pessoal e cultural

Pensei na imagem de uma jornada como metáfora para o desenvolvimento; fico pensando na ideia de uma bagagem, com suprimentos necessários, que se levaria nesta caminhada. A bagagem é a ilustração ideal para o conceito de repertório, que aparece no título desta apresentação.
Somos sujeitos que estamos sendo formados, ao longo de nossa existência.  A cada etapa da evolução, recebemos uma espécie de estampagem, que nos constitui como indivíduos. Essa constituição marca-nos, indelevelmente, aos olhos dos outros. Somos o que somos. Possuímos características específicas; leituras de mundo conforme nossas observações do mundo; comportamentos particulares; disponibilidades tais... e assim por diante, em uma complexa estrutura humana.
Esse, o conceito de repertório, aquilo que nos constitui. É um jeito de falar, de ouvir, de expressar-se, de portar-se. E somos reconhecidos por isso. Devemos respeitar essa característica... e fazer com que sejamos respeitados, também.
Nossas formações pessoal e cultural são balizadas nas aquisições e elaborações desse repertório. Aqui, abrem-se algumas linhas de pensamento.
O processo de aquisição e de elaboração de um conhecimento qualquer não se configura no plano abstrato. Há um movimento racional do sujeito, que se deve colocar, ativamente, no trilhar daquele caminho. O comportamento deve ser o de atenção constante, pois só se adquire algo em estado de despertar, de percepção. O estado de percepção consolida-se na capacidade e competência de captar sinais que a vida nos aponta, na fundamentação do que queremos realizar. Que é o que nos dá subsídios para a escolha dos melhores caminhos. Se eu não estou atento ao meu redor para captar melhor os sinais que aquele caminho me traz, eu não consigo escolher melhor os rumos que quero dar. Lembra-se da história da Alice, repetida aqui outras vezes, que, ao perder-se no País das Maravilhas, encontra o Gato? A Alice, pobrezinha, toda atrapalhada, pergunta ao Gato qual caminho tomar, ao que recebe o questionamento: “Onde você quer chegar?”. “Não sei ao certo”, diz a menina. “Se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”, diz o Gato, entre sorrisos.
A ideia de aquisição e de elaboração não é automática. Entre o momento de aquisição e o de elaboração há todo um esforço a ser feito. Quando adquirimos um conhecimento qualquer, há todo um processamento de dados e de leituras, realizado em função de nossas vivências e de nossas experiências. É a saída desse processamento que se configura, de fato, o que elaboramos a propósito do nosso conhecimento. Desnecessário dizer que, se não prestarmos atenção (de novo!) nas nossas leituras, nas nossas vivências e nas nossas experiências, não teremos qualidade nesse fundamento de elaboração. As vivências e as experiências são, também, o que nos constituem.
Quando passamos pela vida, em nossa escala de evolução, vamos acumulando as mais diversas vivências e experiências. Familiares, sociais, acadêmicas, profissionais, culturais e por aí vai. Quase todas, carregadas de conhecimento; algumas delas, de precioso conhecimento. O nosso comportamento de atenção a esse processo e a competência (a ser exercitada) de assimilação do quanto nos chega é que vão determinar o quanto de positivas são essas vivências, fundamentais para todas as relações de leituras de mundo que nos vão ser úteis.
E aí, sim, constituído o nosso repertório pessoal e cultural, a jornada pode descortinar-se mais interessante e repleta de possibilidades de transformação... que, afinal, é o que todos queremos!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Anotações - É preciso estar atento e forte

Na música "Divino maravilhoso", de Caetano Veloso, há uma série de oposições que nos remetem ao exercício da consciência. ("Atenção para as janelas no alto; atenção ao pisar o asfalto...")... E que, ao mesmo tempo, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso. Não sei se você conhece a música; se não, dê uma olhada aqui.
Só a ideia de estarmos atentos a tudo, já que tudo pode ser perigoso e maravilhoso ao mesmo tempo, é um ótimo exercício de nos descobrirmos ao que nos ronda. E até exatamente para aprendermos a distinguir entre o que é perigoso e o que não é. Ou melhor, de estarmos conscientes às percepções dinâmicas da vida.
Não à toa o refrão da música (a própria letra da música pede-nos que estejamos atentos ao seu refrão) reverbera: "É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte...".