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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Anotações - Dia do Folclore

Hoje, 22 de agosto, comemora-se o Dia do Folclore. É natural que, em alguns espaços escolares, as crianças tenham que fazer trabalhos alusivos à data. E que o tema esteja em alta.
Seria bom se a ideia de folclore tivesse significado em todos os instantes, já que somos todos resultados de nossas experiências e vivências cotidianas (familiares ou sociais). O Folclore, uma grande ciência, estuda exatamente a constituição do povo como resultado das manifestações de usos e costumes de seus entornos (familiares ou sociais, repito).
O Folclore não é só o estudo dos mitos e lendas das regiões (o que por si só, já é uma grande contribuição, é verdade!), mas também se preocupa com as dimensões culturais mais diversas que formam essas regiões: alimentação, comportamentos, religião, uso da língua e das manifestações faladas e escritas, brinquedos e brincadeiras, tradições sociais e por aí vai.
Quando conseguimos entender a dimensão do entendimento folclórico com o desenvolvimento de um povo, fica mais interessante os estudos das relações sociais e de comportamentos desse povo. E, no caminho, fica mais interessante percebermos a grande teia em que somos constituídos.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dia do Saci

Amanhã, 31 de outubro, é comemorado o Dia do Saci. No estado de São Paulo, em cuja capital resido, a data foi oficializada a partir da Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004, com a clara intenção de exaltar o folclore brasileiro, em uma tentativa de oposição à comemoração do Dia das Bruxas, amplamente comemorado na maioria dos países de língua inglesa.
A festividade que homenageia o personagem folclórico tem acontecido em alguns municípios desse Brasil afora. Em São Luiz do Paraitinga, cidade do interior paulista, há uma comemoração fantástica que marca, com renovada participação de um público externo, esta certa resistência em prol do Saci - a Festa do Saci e Seus Amigos, em São Luiz do Paraitinga, está na sua 15ª edição e desenvolve-se em três dias de um banho de cultura e de entretenimento altamente essenciais para quem se preocupa com a evolução da cultura popular e com o respeito às tradições.
Claro que falar em tradição pode suscitar críticas de tratar-se de um pensamento conservador, mas se pensarmos bem veremos que um dos maiores problemas do nosso desenvolvimento cultural é exatamente a falta de uma preocupação com a memória e os valores culturais próprios. Bem sei que a cultura é uma ciência dinâmica e que se fundamenta nas trocas de referências de diversas manifestações, mas essa troca só é positiva quando o conhecimento e a tradição das raízes fundamentam-se de maneira sólida. Senão fica uma cópia destituída de princípios, balizada apenas em aspectos de modismos e de deslumbre. Foi o que aconteceu, na minha modesta opinião, em relação às comemorações do Dia das Bruxas.
Importada mais por modismo, essa comemoração ganhou escolas, clubes e condomínios, sem que ninguém soubesse exatamente o significado de alguns símbolos exaltados. Assim, teias de aranhas, abóboras e fantasias que remetem ao universo de filmes de terror foram, repentinamente, incorporadas ao cotidiano da juventude. Isso sem dizer no incompreensível (aos nossos costumes) mote repetido por crianças nas portas dos vizinhos: "doces ou travessuras".
Do ponto de vista de uma demanda pedagógica, penso que temos em mão uma interessante reflexão que vale a pena fazer, em nome de um trabalho educacional de verdade. Se a ideia é trabalhar conceitos culturais de uma língua estrangeira, a comemoração do Dia das Bruxas vem bem a calhar - escolas estrangeiras ou de idiomas devem valer-se bastante dessa referência. Mas se o caminho é discutir e apresentar referências de uma cultura nacional, o Saci pode dar conta muito bem dessa empreitada.
E olha que o Saci até não é exatamente de origem brasileira. A sua característica, sim, de travessura e de molecagem é que incorporou-se bem ao modelo de formação do nosso povo miscigenado e passou a representar nosso conceito de folclore e de cultura popular. Não à toa os movimentos de resistência cultural adotaram a figura do Saci como de oposição à comemoração das bruxas.
Não considero que seja necessária uma ideia de oposição. Tanto uma cultura quanto outra fundamentam-se em princípios comuns e relacionam-se entre si com elementos de integração. O que penso de maneira mais contundente é que somos responsáveis pelos valores pedagógicos. Se, a partir de um princípio de planejamento e de intenção pedagógica, optarmos pela valorização de uma ou outra manifestação, faz-se altamente necessário que saibamos explicar muito bem aos jovens os fundamentos que sustentam uma ou outra comemoração.
De minha parte, justamente pelos princípios de intenção pedagógica, viva o Saci!

(Obs.: O texto acima, guardadas pequenas observações de atualização cronológica, é o mesmo publicado no ano passado, em mesmo período. Sei que pode parecer falta de originalidade, mas explico a repetição pela urgência do tema e pela necessidade de mantermos vivas a preocupação e a ideia de trazer à tona esta reflexão tão fundamental.)


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dia do Saci


Dia do Saci

Hoje, 31 de outubro, é comemorado o Dia do Saci. No estado de São Paulo, em cuja capital resido, a data foi oficializada a partir da Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004, com a clara intenção de exaltar o folclore brasileiro, em uma tentativa de oposição à comemoração do Dia das Bruxas, amplamente comemorado na maioria dos países de língua inglesa.
A festividade que homenageia o personagem folclórico tem acontecido em alguns municípios desse Brasil afora. Em São Luiz do Paraitinga, cidade do interior paulista, há uma comemoração fantástica que marca, com renovada participação de um público externo, esta certa resistência em prol do Saci - a Festa do Saci e Seus Amigos, em São Luiz do Paraitinga, está na sua 14ª edição e desenvolve-se em três dias de um banho de cultura e de entretenimento altamente essenciais para quem se preocupa com a evolução da cultura popular e com o respeito às tradições.
Claro que falar em tradição pode suscitar críticas de tratar-se de um pensamento conservador, mas se pensarmos bem veremos que um dos maiores problemas do nosso desenvolvimento cultural é exatamente a falta de uma preocupação com a memória e os valores culturais próprios. Bem sei que a cultura é uma ciência dinâmica e que se fundamenta nas trocas de referências de diversas manifestações, mas essa troca só é positiva quando o conhecimento e a tradição das raízes fundamentam-se de maneira sólida. Senão fica uma cópia destituída de princípios, balizada apenas em aspectos de modismos e de deslumbre. Foi o que aconteceu, na minha modesta opinião, em relação às comemorações do Dia das Bruxas.
Importada mais por modismo, essa comemoração ganhou escolas, clubes e condomínios, sem que ninguém soubesse exatamente o significado de alguns símbolos exaltados. Assim, teias de aranhas, abóboras e fantasias que remetem ao universo de filmes de terror foram, repentinamente, incorporadas ao cotidiano da juventude. Isso sem dizer no incompreensível (aos nossos costumes) mote repetido por crianças nas portas dos vizinhos: "doces ou travessuras".
Do ponto de vista de uma demanda pedagógica, penso que temos em mão uma interessante reflexão que vale a pena fazer, em nome de um trabalho educacional de verdade. Se a ideia é trabalhar conceitos culturais de uma língua estrangeira, a comemoração do Dia das Bruxas vem bem a calhar - escolas estrangeiras ou de idiomas devem valer-se bastante dessa referência. Mas se o caminho é discutir e apresentar referências de uma cultura nacional, o Saci pode dar conta muito bem dessa empreitada.
E olha que o Saci até não é exatamente de origem brasileira. A sua característica, sim, de travessura e de molecagem é que incorporou-se bem ao modelo de formação do nosso povo miscigenado e passou a representar nosso conceito de folclore e de cultura popular. Não à toa os movimentos de resistência cultural adotaram a figura do Saci como de oposição à comemoração das bruxas.
Não considero que seja necessária uma ideia de oposição. Tanto uma cultura quanto outra fundamentam-se em princípios comuns e relacionam-se entre si com elementos de integração. O que penso de maneira mais contundente é que somos responsáveis pelos valores pedagógicos. Se, a partir de um princípio de planejamento e de intenção pedagógica, optarmos pela valorização de uma ou outra manifestação, faz-se altamente necessário que saibamos explicar muito bem aos jovens os fundamentos que sustentam uma ou outra comemoração.
De minha parte, justamente pelos princípios de intenção pedagógica, viva o Saci!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Viver a vida

Nas trilhas do desenvolvimento pessoal e nos processos naturais de evolução pessoal, fomos apresentados ao conceito de seriedade. Precisamos ser sérios e responsáveis, é o que nos dizem as máximas de evolução. E a esse conceito, deixamos de lado os aspectos de alegria da vida, já que a ideia de sorrir e de ser feliz opunha-se ao sentido de seriedade. Quanto mais aparentarmos seriedade, tanto mais nos apontarão como pessoas responsáveis.
E assim vivemos a vida negando os conceitos de felicidade, já que fomos nos acostumando aos princípios dos sacrifícios - quanto mais nos sacrificarmos em relação aos caminhos que tomamos, tanto mais adotaremos posturas e comportamentos de pessoas responsáveis... O pior de tudo é acreditar nessa máxima e fazer de nossa vida um porto de tristeza e de lamentações.
A dinâmica da vida não olha para alegrias e tristezas. A vida flutua ao sabor de ocorrências naturais, casuais ou não, todas elas despidas de significado valorativo - as coisas acontecem porque acontecem. Nós é que atribuímos valores a estas ocorrências. Se estamos bem e equilibrados, enxergamos tudo por uma ótica maviosa; se não estamos bem, a ótica é a do negativismo.
Precisamos aprender a viver a vida, como ela se nos apresenta. Não há maquiagem na ocorrência dos momentos... eles são porque são. Quem faz a maquiagem somos nós.
Lembro-me de uma teoria que aprendi, já há algum tempo, do encantamento da vida. Somos os únicos animais capazes de encantar e desencantar as coisas. Diante de qualquer situações que enfrentamos, podemos encantar ou desencantar as ocorrências - é assim, para ficar em uma situação trivial, que há aqueles que gostam do sol e aqueles que gostam da chuva... E não há no sol ou na chuva nenhuma referência valorativa que traga uma dimensão avaliativa para um ou para outro.
Viver a vida é reconhecer que as ocorrências dela são assim: dinâmicas e sem aspectos valorativos.
Dotados desse conhecimento, podemos passar a dar importância ao que realmente é significativo: nossa formação (vivencial, cultural, emocional etc) diante das perspectivas que me chegam (concretamente ou não). É como estou formado que me habilita a perceber os aspectos da vida.
Não é fácil falar de formação. Isso, porque fomos levado por outra instância cultural: a das avaliações. Os sistemas tentam nos balizar por parâmetros reconhecidos como medianos e de certificação. Novamente, a vida mostra-nos outros trilhos: não há sistema de avaliação que parametrize, de forma padronizada, nossa capacidade de portar-nos diante das intempéries: em algumas situações, eu reajo de um jeito: em outras, minha reação é completamente diferente.
Esqueçamos, pois, os parâmetros e os mecanismos de padronização dos sistemas diversos que nos chegam. Vivamos a vida!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Anotações - Sobre cultura e tolerância

A questão da intolerância guarda uma relação direta com a ideia de percepção das diversas culturas. Quanto mais exercitarmos a visão e a leitura de variadas expressões culturais, tanto mais nos permitimos enxergar e conhecer a beleza das diversidades. E o exercício, na maior parte das vezes, é entender as diferenças como extensão da existência.  
A premissa ficou mais clara quando assisti a um episódio de uma série da televisão, que abordava a descoberta, por  parte de um Chef de restaurante de uma grande cidade, das manifestações gastronômicas de povos afastados. A ideia do Chef era vivenciar as manifestações culturais que encontrasse para apreender elementos novos para o seu cardápio (sabores, temperos etc). Entretanto, o que ressaltava era mesmo a experiência - única, na minha opinião - de estar diante de uma manifestação viva da sabedoria de um povo. Eram visíveis, por exemplo, as ocorrências de referências emotivas do apresentador do programa.
Quando entendemos e nos emocionamos com as variáveis culturais diversas que conhecemos, estamos no plano de desenvolver as tolerâncias necessárias para compreender aquela manifestação como representante viva de constituição de um povo. Não faz sentido discutir se essa ou aquela representação cultural guarda em si dimensão valorativa a ser comparada com outra representação... Não há o que comparar! Havemos, apenas, de aprendermos a nos emocionar com as manifestações culturais mais diversas, no entendimento de que o mundo é constituído das necessárias diferenças.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Anotações - A questão do julgamento crítico

Recente matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo aborda o pensamento do físico e professor da USP André Martins, segundo o qual os nossos mecanismos mentais fazem com que sejamos tendenciosos nos raciocínios lógicos e de julgamentos críticos. É um estudo interessante, sobretudo porque mostra como funciona o nosso cérebro quando precisamos fazer análises sobre questões que nos acomete o cotidiano em que vivemos. Nesse conceito, diz o professor que a neutralidade não existe e que, via de regra, assumimos posturas e posições parciais, segundo uma série de elementos que a nossa mente adota como raciocínio. (A matéria saiu na Folha de S. Paulo no sábado, dia 28 de novembro de 2015, pág. B10).
O tema é interessante para pensarmos em como conduzimos os nossos raciocínios diante das necessidades de julgamentos por que passamos em nosso cotidiano - o estudo do professor André Martins propõe alguns caminhos seguidos pelo nosso cérebro: o primeiro deles é o que ele chama de "viés de confirmação", a partir do qual minha análise fundamenta-se na adequação dos fatos às posições que escolho assumir; o segundo, é o que ele denomina de "pensamento de grupo", bem reconhecido na sociedade: o meu posicionamento ajusta-se ao posicionamento do grupo em que estou inserido; o terceiro, chamado pelo estudioso de "viés da autoconveniência" é o que determina o meu posicionamento conforme o interesse e os ganhos que tenho dos fatos críticos; o quarto, que recebe a denominação de "problema de calibração", está relacionado à tendência que temos a considerar que sabemos mais e temos mais domínio de conhecimento do que os outros; o outro caminho, chamado de "simplificação do problema" é o que responde pelos julgamentos rápidos e desprovidos de algum estudo; por fim, a "ilusão de controle" deixa-nos com o problema de que o nosso julgamento é o caminho da resolução inabalável dos conflitos que mediamos.
Penso que o assunto é significativo para ampliarmos nossas reflexões sobre como nos comportamos diante da necessidade de elaboração de julgamentos críticos. 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Anotações - A formação cultural

Recentemente, li algo sobre a questão da formação cultural dos educadores. O artigo versava sobre a deficiência deste aspecto de formação no desenvolvimento dos profissionais de Educação. Mencionando as variáveis de consolidação da bagagem cultural, na ideia de formação de um repertório, o texto expunha a necessidade do conhecimento das diferentes representações artísticas e manifestações culturais nos processos de evolução pessoal. Referenciando-se aos educadores, a premissa básica era a de expansão da realidade, o que propiciava maior positivação do aprendizado. O pressuposto geral já é nosso velho conhecido: não se pode ensinar o que não se conhece.
Acredito que é possível expandir a reflexão para todos os profissionais - investir na formação cultural é base para um desenvolvimento profissional mais positivo e seguro quanto às variações da vida.
Ao constituir-se de uma referência cultural ampla e diversa, a pessoa vê-se melhor preparada para as intempéries que surgirão.