terça-feira, 22 de novembro de 2016

Anotações - Saúde emocional

A preocupação com um trabalho que vise ao estabelecimento das situações de equilíbrio emocional, principalmente no desenvolvimento dos trabalhos pedagógicos com as crianças e jovens, deve ser uma constância para as demandas dos educadores e agentes escolares.
Os problemas emocionais, já há algum tempo, estão sendo tratados como doenças e, como tais, suscitam a referência da necessidade de tratamentos específicos.
Nos espaços escolares, local que congrega crianças e jovens em um ambiente em que pode ocorrer as mais diversas situações, é muito comum o desencadeamento de variáveis às vezes incontroláveis - disputas de posições, conflitos tantos, frustrações variadas e por aí vai. Resultado: desequilíbrios emocionais, que podem ser muito prejudiciais ao desenvolvimento dos jovens.
A questão da saúde emocional dever ser pensada com muito seriedade, para que ações preventivas possam ser planejadas a contento. A modernidade nos apresenta alguns males com os quais precisamos lidar bem e temos que estar preparados para o problema.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O olhar integral

A vida, em sua plenitude de ocorrências, é extremamente dinâmica e seus acontecimentos passeiam entre os aspectos positivos e negativos. Alguns momentos são tristes; outros, alegres. Absolutamente normal. Mas o que é interessante é que, se formos honestos em nossa apreciação, certamente, detectaremos que os momentos positivos são em maioria aos negativos. Vivemos mais abençoados pela fortuna do que pelos infortúnios. Curioso é que a nossa percepção registra, de forma mais representativa, aqueles instantes que nos fizeram sofrer.
Havemos de refletir sobre esse dado cultural... Sim, na minha opinião, além das variáveis mentais e biológicas, há um dado cultural que nos impele às referências negativas de percepção da vida. Parece que fomos levados, no avanço da sociedade, a aproximarmo-nos das pessoas pelo viés do sofrimento... Repare nas conversas das pessoas. É mais fácil captar as de interesse pelas questões trágicas ou mórbidas - doenças, dores, mortes etc. Não se vê, facilmente, alguém comentando os aspectos de felicidade.
Pois bem, a questão da percepção da vida deve ser vista em sua totalidade. Não se deve perceber, apenas, as coisas ruins, que faltam. É preciso ter um olhar integral para a vida que nos cerca.
E esse olhar integral vai observar os polos, os lados que compõem o todo das coisas que nos acometem. Há um quê de sofrimento, sim. E há um quê de contentamento. São esses dois aspectos que perfazem a totalidade da vida.
Precisamos fazer esse exercício constante de observação do que está ao nosso redor. Somos feito da integralidade da vida - momentos, aspectos, características... bons e ruins!
Quando eu consigo exercitar o olhar integral a propósito do que me cerca, é possível enxergar as variáveis da vida no seu dinamismo de existência, sem que haja necessidade de atribuir-lhe um valor. As coisas ruins podem transformar-se em boas e vice-versa.
E o exercício do olhar integral para o exterior de mim prepara-nos para outro exercício mais complexo ainda, mas necessário: é importante trazer essa integralidade do olhar para o interior de nós mesmos - aquilo que me faz mal pode-se converter em força, em foco, para driblar as dificuldades que encontro.
Ao perceber a importância do desenvolvimento do olhar integral para as variáveis do mundo que me cerca, eu passo a perceber, também, sua importância para o desenvolvimento do meu ser.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Anotações - O pensamento científico

Defendo que deve ser uma preocupação constante da Escola a de garantir que os alunos tenham pleno desenvolvimento do senso crítico e do pensamento científico. Premissa básica dessa preocupação seria o estabelecimento de um projeto pedagógico que contemplasse os trabalhos de pesquisas e de elaboração do conhecimento.
Não deveria ser difícil. Bastaria uma metodologia fundamentada no exercício constante da aplicação de estudos científicos, que motivassem os alunos a questionarem a realidade. Seria o suficiente para criar uma nova disposição de mentalidades mais preparadas para a transformação do mundo com que tanto sonhamos. Mas é difícil...
A aplicação de trabalhos escolares, atualmente, visa mais a uma prática de "CTRL C" e "CTRL V", o "copia e cola". É mais cômodo para todo mundo.
A ideação do estabelecimento de um modelo que se encaminhe pelas elaborações científicas daria muito trabalho. De um lado, é preciso que os professores estejam mais bem preparados - orientar fontes (o que exige o conhecimento das fontes a serem pesquisadas), mediar encaminhamentos, propor revisões, estimular hipóteses, questionar soluções, testar aplicações... e por aí vai. De outro, é preciso que os alunos busquem alternativas de estudos, que entendam de cronograma de estudos e que estejam dispostos às leituras diversas que serão necessárias. De outro lado ainda, há a questão das famílias, que precisam envolver-se mais nos processos de pesquisas para motivarem os filhos aos caminhos dos estudos. Enfim, é tanta coisa para se mexer que é até compreensível a acomodação dos atores...
Compreensível, mas inaceitável!
Uma postura que privilegie o pensamento científico é o caminho perfeito para a modificação dos rumos que tomaram a Educação. E a modificação desses rumos é o pressuposto básico para as mudanças em busca de uma melhor qualidade nos trabalhos pedagógicos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Anotações - A busca de uma Educação de verdade

É líquido e certo! Todas as escolas privadas que se prezem vão colocar em seu material de divulgação alguma ilustração que a mostre como a melhor escola para a educação das crianças e jovens. Do outro lado da linha estão os pais que, justamente, procuram a melhor escola para a educação de seus filhos. Está feito o contato... Perfeito, não?... Não!
De uns tempos para cá, várias escolas apoiam-se nos exames e rankings consagrados para apresentarem-se como a melhor opção formativa. Por estarmos próximos da realização do ENEM (não se falou, por aqui, em outra coisa por esses dias...), o ranking do Exame passou a ser base para a aferição do valor de algumas escolas na atração dos clientes (sim, clientes... nessa reflexão, só consigo ver a aproximação das escolas com os pais como uma relação mercadológica...). Antes de qualquer menção à proposta pedagógica, o cartaz da escola vai referir-se à quantidade de alunos que se saíram bem no ENEM.
Chega a haver casos absurdos como o da Escola próxima à minha casa, que fixou um banner exaltando a participação de seus alunos no Exame, fazendo menção aos "valores pedagógicos" da instituição... O problema é que o tal banner foi colocado no muro externo duas semanas antes da realização do ENEM...
Pois bem, neste domingo que passou, dia 6 de novembro, li o artigo do Ricardo Semler na Folha de São Paulo, com o seguinte título emblemático: "Truque sujo no Enem" (Folha de S.Paulo, 06/11/2016, Pág. A3).
Em sua coluna, Semler analisa a questão de uma forma extremamente científica e sobra bronca (legítima) para todos: professores, pais, escolas... Vale a olhada! Quando da busca de uma Educação de melhor qualidade, é preciso ficar atento à seriedade das escolas e ao respeito à dinâmica das crianças e jovens, que precisam desenvolver senso crítico e não decorar fórmulas de acertos de questões pasteurizadas.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Anotações - Mudança

A ideia de mudança, imperiosa nos propósitos do desenvolvimento pessoal, é algo que ainda nos incomoda. Se ainda é necessário pensar na mudança, ela causa algum desconforto, pois gera incômodos e transformação de rotas, de algo que parecia tranquilo e indissolúvel. Como está aí atrás, a mudança é necessária.
Há uma canção do Oswaldo Montenegro que pode nos ajudar na reflexão. Intitulada de "Mudar dói, não mudar dói muito", a letra já carrega no título todo o viés filosófico de que precisamos para pensar na complexidade da questão: se a mudança é dolorida, a não mudança é mais dolorida ainda. (Se ainda não conhece a música, clique aqui).
Sobretudo, porque a ideia de mudança envolve uma diversidade de variáveis que vai nos incomodar: aspectos físicos, aspectos relacionais, mentais etc. Talvez até seja por isso que a maioria das pessoas estacionam-se em ditas zonas de conforto (que de conforto não tem nada...) e não arriscam rever caminhos e rotas.
Acontece que a vida não é estanque. O seu dinamismo e seus reveses pedem que nos coloquemos também como sujeitos dinâmicos. Nesse conceito, a ideia de mudança acompanha-nos a todo o instante. E algumas pessoas não vão entender muito bem o princípio da mudança e da necessária adaptação a esse dinamismo... Na mesma canção, Oswaldo Montenegro acode-nos em uma das passagens da letra, exigindo de nós uma postura reflexiva e de crença em nossas atitudes. Lá pelas tantas, a música parece trazer-nos a resposta da determinação nesta atitude: "Quem não ouve a melodia / Acha maluco quem dança...".


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A busca da excelência

Em todos os níveis de desenvolvimento profissional, a busca da excelência é atributo incondicional de evolução. Todo e qualquer profissional, no desempenho de seus trabalhos, deve ter como premissa a busca da evolução. E essa busca exige muito esforço e determinação.
Nos caminhos do desenvolvimento pessoal, as ideias de talento e competência não são atributos mágicos ou de nascença. É preciso que gastemos algum tempo e algum esforço para os exercícios de atribuição ou de aprimoramento, tanto do talento, quanto das competências.
O sujeito, consciente desse rumo, vai buscar o preparo nas infindáveis horas de estudo e de prática, fundamentado na determinação de alcançar a excelência. Penso em alguns profissionais (em todas as profissões e carreiras esse caminho deve ser comum), principalmente os músicos e atletas de alto rendimento, em que a busca da excelência não aparece ao público comum... Ao assistirmos a eventos esportivos ou de coros, deliciamo-nos com o resultado, como se tudo fosse a representação de uma interferência mágica ou de um dom divino. Não temos ideia de o quanto de preparo cada um deles dedicou àquele momento.
Conheço história de pessoas que renunciaram aos mais variados momentos (inclusive familiares) para dedicarem-se ao seu aprimoramento. São sempre histórias tocantes, em que tudo ao redor parecia não ter muita importância.
E é sempre assim a busca da excelência: renunciar a movimentos tangenciais e estabelecer o foco principal em fazer o melhor. Fazer o melhor significa aprimorar-se, conhecer melhor o seu universo de atuação, buscar referências de qualidade, aprender métodos e instrumentais de aplicação, participar de fóruns de discussão do seu objeto de estudo, treinar o olhar e os outros sentidos para o aperfeiçoamento, criar referências mentais de busca da evolução, produzir conteúdos pertinentes ao seu objeto de trabalho, expor-se a observações alheias, filtrar comentários que chegarem, rever rotas de caminhos... e assim por diante. É uma lista grande, a da determinação em relação aos movimentos da busca da excelência.
Todos os profissionais que se permitem a esses movimentos, de alguma forma, alcançam um reconhecimento. Mas não há maior reconhecimento do que a certeza de que se faz o melhor... e a alegria de poder dizer desse fazer!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Anotações - Organização e produtividade

Paralelamente às minhas atividades de formação e treinamento, desenvolvo um trabalho de elaboração artístico-artesanal com o papel. Esses dias, uma senhora, observando este meu trabalho, comentou: "O senhor é organizado, né?". Tomei como um elogio, agradeci, mas pensei não ser tão organizado assim. A questão é que desenvolvo algum método de arranjo das ferramentas e dos acessórios que utilizo... Isso, o método assemelha-se a um processo de organização. Processo, aliás, obrigatório para quem desenvolve uma tarefa baseada nos princípios da produtividade.
Para quem depende das relações de produtividade, os métodos de organização são dinâmicas essenciais para as realizações.
Aliás, está documentado que a organização do espaço físico interfere diretamente na produtividade. Reflita: se você perde tempo tentando adivinhar em que local estão as coisas de que você precisa para o seu trabalho, essa perda de tempo gera algum tipo de desgaste e de desestímulo ao desenvolvimento das tarefas. A organização, então, economiza, além da perda daquele tempo, todas as situações de desgaste pelas quais você passaria.
Mas a organização não se prende apenas ao espaço físico, é preciso que sua mente e seus pensamentos também estejam organizados. A desorganização mental gera cansaço e falta de criatividade. Não é fácil cuidar da organização mental e dos pensamentos, uma vez que a subjetividade dos dias colabora para essa variável, mas é importante pensar nesse cuidado.
Como os processos e métodos de organização são individuais, vale a reflexão sobre essa questão. Produtividade e criatividade agradecem!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Anotações - Tempo

Li em algum lugar - e acredito ser uma verdade significativa - que o tempo deve ser o nosso maior ativo (no sentido mesmo de lucro). E penso que é uma grande dádiva você não precisar ter pressa para realizar as coisas. Poder andar devagar, observar as paisagens, respirar com calma. Ter tempo, enfim.
Mas o que aconteceu conosco? Na maior parte das vezes, estamos correndo em uma desabalada pressa (às vezes, sem mesmo sabermos do quê), atropelando os outros e a vida por conta da correria cotidiana.
Sinceramente, vejo com preocupação esse movimento. Há uma disputa frenética nas infindáveis escadas rolantes dos caminhos por uma dianteira de centésimos de segundo, como se fôssemos atletas daqueles esportes em que esses centésimos de segundo valem alguma coisa. Vejo isso sem entender muito bem as razões que levam aquelas pessoas a ficarem correndo e debatendo-se uns com os outros pela disputa dos espaços exíguos que conduzem a uma pretensa vitória... Vitória do quê, pelo amor das razões e sentidos?
Penso, nestes momentos, naquele sujeito que, considerado maluco, vai andando devagar e curtindo os espaços, com uma expressão de felicidade boba no canto da boca. E ele vai caminhando, dissonante aos passantes, em ritmo próprio, em respiração própria, conseguindo enxergar as nuances da vida. Ele parece mesmo feliz.
Quando se consegue usar o tempo ao seu favor, entendendo a dinâmica da vida, a ideia de pressa ganha uma outra dimensão. A pressa é de viver e não de ser engolido pela vida.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dia do Saci


Dia do Saci

Hoje, 31 de outubro, é comemorado o Dia do Saci. No estado de São Paulo, em cuja capital resido, a data foi oficializada a partir da Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004, com a clara intenção de exaltar o folclore brasileiro, em uma tentativa de oposição à comemoração do Dia das Bruxas, amplamente comemorado na maioria dos países de língua inglesa.
A festividade que homenageia o personagem folclórico tem acontecido em alguns municípios desse Brasil afora. Em São Luiz do Paraitinga, cidade do interior paulista, há uma comemoração fantástica que marca, com renovada participação de um público externo, esta certa resistência em prol do Saci - a Festa do Saci e Seus Amigos, em São Luiz do Paraitinga, está na sua 14ª edição e desenvolve-se em três dias de um banho de cultura e de entretenimento altamente essenciais para quem se preocupa com a evolução da cultura popular e com o respeito às tradições.
Claro que falar em tradição pode suscitar críticas de tratar-se de um pensamento conservador, mas se pensarmos bem veremos que um dos maiores problemas do nosso desenvolvimento cultural é exatamente a falta de uma preocupação com a memória e os valores culturais próprios. Bem sei que a cultura é uma ciência dinâmica e que se fundamenta nas trocas de referências de diversas manifestações, mas essa troca só é positiva quando o conhecimento e a tradição das raízes fundamentam-se de maneira sólida. Senão fica uma cópia destituída de princípios, balizada apenas em aspectos de modismos e de deslumbre. Foi o que aconteceu, na minha modesta opinião, em relação às comemorações do Dia das Bruxas.
Importada mais por modismo, essa comemoração ganhou escolas, clubes e condomínios, sem que ninguém soubesse exatamente o significado de alguns símbolos exaltados. Assim, teias de aranhas, abóboras e fantasias que remetem ao universo de filmes de terror foram, repentinamente, incorporadas ao cotidiano da juventude. Isso sem dizer no incompreensível (aos nossos costumes) mote repetido por crianças nas portas dos vizinhos: "doces ou travessuras".
Do ponto de vista de uma demanda pedagógica, penso que temos em mão uma interessante reflexão que vale a pena fazer, em nome de um trabalho educacional de verdade. Se a ideia é trabalhar conceitos culturais de uma língua estrangeira, a comemoração do Dia das Bruxas vem bem a calhar - escolas estrangeiras ou de idiomas devem valer-se bastante dessa referência. Mas se o caminho é discutir e apresentar referências de uma cultura nacional, o Saci pode dar conta muito bem dessa empreitada.
E olha que o Saci até não é exatamente de origem brasileira. A sua característica, sim, de travessura e de molecagem é que incorporou-se bem ao modelo de formação do nosso povo miscigenado e passou a representar nosso conceito de folclore e de cultura popular. Não à toa os movimentos de resistência cultural adotaram a figura do Saci como de oposição à comemoração das bruxas.
Não considero que seja necessária uma ideia de oposição. Tanto uma cultura quanto outra fundamentam-se em princípios comuns e relacionam-se entre si com elementos de integração. O que penso de maneira mais contundente é que somos responsáveis pelos valores pedagógicos. Se, a partir de um princípio de planejamento e de intenção pedagógica, optarmos pela valorização de uma ou outra manifestação, faz-se altamente necessário que saibamos explicar muito bem aos jovens os fundamentos que sustentam uma ou outra comemoração.
De minha parte, justamente pelos princípios de intenção pedagógica, viva o Saci!