sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Anotações - A questão das não-notícias

Na esteira das notícias falsas, aqueles boatos transformados em fatos, outro fenômeno da comunicação vem tomando espaço, já há algum tempo: as não-notícias.
As não-notícias são aqueles comunicados irrelevantes, normalmente envolvendo algum tipo de celebridade, versando sobre coisas banais. Coisas do gênero: "Fulano de tal é visto estacionando seu carro no Shopping tal...". Alguns programas de humor, inclusive, valeram-se deste fenômeno para criarem piadas bem inteligentes, críticas a esse tipo de comunicação.medio
Penso que, devido ao seu formato, as não-notícias nem deveriam estar por aqui fazendo parte de uma análise e reflexão sobre desenvolvimento pessoal. O problema é que elas, logo, estão fazendo parte das discussões rotineiras, carregadas de uma importância que não têm - e nem deveriam ter. Viram assunto e perfazem os diversos círculos e grupos que circundam por aí.
A imediata consequência dessa ideia é a percepção de uma transformação sócio-cultural que virá a interferir nos processos de evolução humana: a apreensão de uma mediocridade frente aos caminhos da racionalidade, tão caros ao nosso desenvolvimento. Quer dizer, aprofundamo-nos em espaços de mediocridade, quando deveríamos investir em variáveis mais interessantes de formação.
Quando pensamos nos processos de desenvolvimento pessoal, não podemos dar-nos ao luxo de cair em instâncias de mediocridade!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Para refletir - Motivação


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Recesso - Carnaval


Anotações - O encantamento

A capacidade de encantar-se com o que é simples. Esse, talvez, o princípio essencial da nossa escala de desenvolvimento pessoal. E até existe uma razão bastante especial para essa ideia. O que é simples quase nos escapa da observação... Então, para encantar-se com o que é simples, é preciso ter um senso de observação bastante apurado.
É preciso olhar com calma e devagar, como quem busca preciosidades... Paradoxal? Buscar preciosidades no que é simples? Não, não há paradoxos aqui... A simplicidade é carregada de bens valiosos.
Lembra-se do jogo infantil de buscar a identificação de imagens nas nuvens que teimavam no céu? Pois é!
Precisamos apurar o sentido da observação... Justo nós, que passamos correndo pelos caminhos. Quase que nem os enxergamos direito. Quase que nem nos enxergamos direito nessa pressa toda.
Pois, para observar os caminhos é preciso parar um pouco. Coragem. Você não vai perder nada, acredite. Detenha-se um pouco na sua pressa cotidiana e enxergue melhor o que está ao seu redor. Perca tempo.
Para o encantamento da vida, divague pelos rumos à busca de imagens escondidas, de sons escondidos, de cores escondidas, de aromas escondidos. O que nos encanta, quase sempre, a princípio, está escondido no normal dos olhares.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Anotações - O tema do acolhimento

A professora comentou, entre preocupada e indignada, sobre a retomada das atividades escolares, quando se viu um certo despreparo da Escola em receber os novos alunos: "Como podemos falar, assim, de acolhimento?...". E ela estava certa.
A Escola precisa preocupar-se com o tema do acolhimento. Seus espaços não podem ser pensados, apenas, com a garantia das estruturas físicas. Lá deve ser um lugar em que todos os agentes envolvidos sintam-se perfeitamente acolhidos.
Alunos, professores, famílias e demais agentes devem tornar os espaços escolares lugares de acolhimento. Acolhimento físico, emocional, de ideias, de projetos, de realizações.
Basta pensar que a Educação, porto de chegada dos movimentos pedagógicos, é instância que acontece em espaços de acolhimento. Quanto mais nos sentimos acolhidos, mais estamos propensos ao desenvolvimento pessoal.
Aproveitem, então, o momento de retomada das atividades escolares para o aprofundamento desse tema. Reflitam sobre a ideia e ponderem em o quanto estamos nos movimentando por essa variável. A realização positiva de todos os processos pedagógicos só tem a agradecer.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A variável do medo

A ideia do medo é uma variável clássica no processo de desenvolvimento pessoal. Todos nós, em determinado momento em nossa evolução, confrontamo-nos com alguma relação de medo. Medo de mudar de carreira, medo de expor-se, medo do desconhecido... e por aí vai. O medo é um aspecto que sempre nos acompanhou.
A primeira reação, natural, frente a qualquer temor, é o da paralisação... não sabemos, exatamente, o que fazer. É natural, mas não pode ser determinante.
Até porque a outra reação, que guarda mais referências com a nossa escala de evolução, é a do enfrentamento do medo.
Pense em uma situação selvagem, por exemplo: um predador qualquer encontrou a sua presa. Ambos serão movidos pelo medo - um, guarda o medo de passar fome; outro, o medo de virar refeição e deixar de existir... E é, exatamente, o medo que vai movimentá-los - um, para alcançar a presa e garantir sua sobrevivência; outro, para safar-se e garantir, também, a mesma sobrevivência.
E o simbolismo da sobrevivência pode ajudar-nos um pouco nestas reflexões. Todos estamos buscando os caminhos da sobrevivência.
Saindo da esfera selvagem e olhando um pouco para as etapas de evolução humana, é certo dizer que foram os enfrentamentos das mais diversas situações de medo que nos fizeram chegar até aqui.
É preciso colocar-se alerta quando em instantes de medo. A posição de alerta funciona um pouco como aquela de paralisação - e agora? Como reagir? De que forças eu vou precisar para essa reação?... Essas e outras questões devem surgir nesse momento. -, para preparar corpo e mente ao enfrentamento.
E, neste momento, chegamos à ilustração da sobrevivência referida acima. Tudo começa com um movimento. O movimento é o pressuposto do enfrentamento. Para enfrentar a situação de medo, faz-se necessário que estabeleçamos algum tipo de movimento... Não à toa, a figura é exatamente oposta à da paralisação.
Quando nos movimentamos, toda a nossa fisiologia prepara-se para a busca das soluções necessárias. E é nesse processo que conseguimos enxergar outras dimensões, outros parâmetros acerca das situações que nos causaram medo. É por isso, ainda, que os manuais ensinam-nos a portar-se diante das variáveis de medo com olhos de analista. Primeiro, certifico-me do cenário - onde estou, o que me causou medo, as possibilidades que me chegam etc. -, para reagir, conforme, exatamente, essa análise.
As situações de medo até podem paralisar-nos a princípio. Mas deve ser uma paralisação para que ganhemos energia de reação.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Anotações - Menos paredes e mais imaginação

Uma campanha publicitária de uma operadora de celular faz a pergunta que parece importante para pensarmos possibilidades de mudanças para o trabalho com a Educação: "E se as salas de aula tivessem menos paredes e mais imaginação?...".
E é interessante pensarmos o quanto estivemos muito mais preocupados com as paredes, de uma maneira geral. Criamos salas disso, salas daquilo, e confinamos nossos jovens em espaços limitadores. Por esse caráter, a limitação criava uma sensação de controle perfeito - tínhamos todos os movimentos ao nosso alcance e poderíamos exercer o nosso poder com muito mais propriedade e inibição... Sim, queríamos inibir todo movimento perigoso.
E nem percebemos o quanto estávamos cerceando os nossos alunos... ou não quisemos perceber. Parecia aquele efeito poético retratado por Rubem Alves, ao que ele chamou de "pinoquização às avessas": as crianças entravam meninos de verdade e saíam como bonequinhos de madeira. Cruel isso!
Então, há um componente metafórico precioso na mensagem da campanha publicitária: paredes são elementos simbólicos de cerceamento (de visão, de movimento etc.) - a parede impede a amplitude, a descoberta; e imaginação é a dimensão que transgride, que liberta.
Eu, particularmente, e aproveitando a retomada das atividades escolares, penso que seria interessante trazer aquela pergunta para as reuniões de planejamento que se fizerem. É preciso lembrar que o conhecimento é matéria adquirida sob o signo da liberdade e do prazer... E que toda aprendizagem tem um quê de transgressão.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O recomeço das atividades escolares

Em muitos lugares, esta semana marca o recomeço das atividades escolares. É certo que, independente de tudo o quanto se pronuncie, há todo um movimento de esperança e de alta expectativa... Tanto por parte dos estudantes, quanto dos professores. E é bom que seja assim.
O grande problema, quando se fala em Educação, é buscar a manutenção desse movimento pelos rumos dos dias. E atrelar a esse movimento um outro: o de acreditar em um trabalho de boa qualidade, sem esmorecer-se com os limites dos recursos...
Antes que se manifestem, preciso ressaltar que não sou a favor da limitação dos recursos. Muito pelo contrário, se há limitação de recursos é preciso que haja posicionamentos críticos e atuantes contra. O que quero dizer é que a limitação de recursos, quando houver, não pode ser impeditiva para as ocorrências de transformações, razão precípua das trilhas da Educação.
E é em torno deste mantra - a ideia da busca de transformações - que gostaria de tecer minhas linhas para esse retorno às atividades escolares.
Um dos caminhos mais preciosos a constituírem as teias de um bom trabalho em Educação é bem esse: o de propiciar todos os esforços para a construção de rumos significativos que redundem nas possibilidades das variadas transformações: a do sujeito, a das sociedades, a dos pensamentos, a do mundo. São tantas as transformações de que precisamos...
Juntemos, então, tanto a esperança quanto a alta expectativa para nos motivarmos, constantemente, nesta missão.
O recomeço das atividades escolares permite esta motivação. É um reinício, pensemos nisso. Todo reinício permite uma reflexão que envolve alguns pressupostos: o de pensar no que deu certo e no que deu errado e aprender com essas variáveis; o de buscar uma renovação dos propósitos; o de acreditar que estamos diferentes - e que precisamos, portanto, fazer coisas diferentes; o de que o mundo está diferente - e que, portanto, nossas ações e leituras precisam ser diferentes; o da necessidade de revermos práticas, posturas e atitudes; e por aí vai...
Assim, se você é um agente dessa retomada (professores, alunos, pais, agentes escolares etc.), venha para o reinício com a alma banhada na esperança de que é possível fazermos melhor. Venha para o reinício, crente da importância de suas ações; e que será sempre com base nessa crença que todas as mudanças podem acontecer. Venha para o reinício, sobretudo, disposto a reiniciar-se e aos seus trabalhos.
Bom recomeço das atividades escolares!


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Recesso - Aniversário de fundação da cidade de São Paulo


Anotações - Devoção e preparo

No momento da Colação de Grau, a professora homenageada incluiu em seu discurso um dístico pensado como uma expressão de efeito: "Não importa como você conduza sua carreira a partir de agora, mas deve estar atento constantemente aos referentes de devoção e preparo em seu processo de formação...". Foi mais ou menos assim.
A ideia de devoção e de preparo resvala para um significado complexo no desenvolvimento profissional de qualquer carreira: é preciso que sejamos devotos (incluídos aí o sentido de crença e de entrega) ao que fazemos; e que estejamos sempre preparados (incluídos aqui todas as variáveis de formação contínua necessárias para o entendimento: estudos e mais estudos).
O sujeito devoto ao seu corpus de trabalho é aquele que vai encontrar todas as motivações necessárias para sua boa realização. Veja, por favor, que, no inconsciente cultural, atribuímos a qualquer trabalho uma relação de castigo e de tortura... Eis porque é bem fácil encontrar pessoas descontentes com suas relações profissionais. Quando se atribui uma relação devocional aos propósitos de trabalho, enxergamos ali uma espécie de missão - nascemos para a realização daquele trabalho. Aí, entendemos o trabalho como algo mais significativo, em torno do qual podemos realizar a nossa vida e constituir as necessárias relações para engrandecê-lo.
A referência de preparo está na relação de que precisamos aprender sempre. Mas também está na variável de que precisamos transmitir uma relação de confiança e de segurança ao desenvolvimento de nossas tarefas... É quando ouvimos - ou sabemos - de o quanto estamos preparados para aquilo.
A professora homenageada, naquele evento do qual apagamos os discursos que ouvimos, ofereceu aos seus afilhados de curso uma grande lição. Tomara que eles a carreguem em seus rumos de desenvolvimento profissional.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Demandas para os trabalhos pedagógicos

Bem sei que ainda estamos em férias escolares. Mas como o retorno aos espaços pedagógicos já se avizinha, vale começar a pensar em como serão dirigidos os nossos esforços para os caminhos de uma educação de melhor qualidade.
Já se falou aqui, reiteradas vezes, sobre a importância de um bom planejamento e de como esse processo representa ganhos indiscutíveis nos trabalhos - pedagógicos ou não. Então, seguindo a natureza de nossas publicações, convido os leitores a uma pequena reflexão sobre a questão de algumas demandas que podem ser trabalhadas nas escolas - ou nos espaços educativos, de uma maneira geral.
Este ano de 2018 apresenta-nos, ao menos, dois belos temas a serem candidatos de uma constituição de trabalho interessante: a realização da Copa do Mundo de Futebol e as eleições políticas que nos movimentarão alguns debates.
Sobre o primeiro, vou excluir de minha consideração a questão propriamente direta do futebol em si, já que não tenho competência - nem interesse - em discuti-lo positivamente. Mas, se sua função/trabalho remeter às variáveis esportivas, fique à vontade para acrescentar o aspecto em suas ações... devem ter muitas referências a serem consideradas.
A primeira variável que me ocorre nas realizações desta natureza - Copa do Mundo, Olimpíadas etc- é a reunião de diversos países. Para mim, esta premissa já é suficiente para os mais diversos trabalhos pedagógicos que podem integrar variadas disciplinas.
Desde as mais óbvias, como História ou Geografia - em estudos diretos como a constituição de um povo, a localização, as políticas internas, as especificidades geográficas e políticas etc. -, até as mais esquecidas, como Artes por exemplo, em que se podem desenvolver projetos fantásticos sobre características culturais dos povos ali representados.
Fico pensando nas curiosidades que podem ser levantadas, principalmente, quando vemos um país sobre o qual sabemos nada ou quase pouco. Nas últimas olimpíadas, em nossas terras, países de nome desconhecidos como Benim, Eritreia, Guam e Kiribati, dentre outros, desfilaram seus sonhos de vitória; na Copa deste ano, haverá a presença de países como Islândia ou Panamá, que, se não são exatamente desconhecidos, não figuram na relação midiática de países sobre os quais sabemos algo. É oportunidade, na minha opinião, para uma diversidade de tópicos que podem gerar alguns trabalhos pedagógicos interessantes: localização geográfica, economia, sistema político, bandeiras e seus significados, desenvolvimento humano e social, alianças e conflitos... e por aí vai.
Sobre as nossas eleições políticas deste ano - eleições importantes, diga-se de passagem -, abrem-se possibilidades reflexivas várias, também. Atravessamos os últimos tempos imersos, via de regra, em um ambiente de desesperança quanto ao nosso sistema político, hajam vistas as constantes notícias de acusações sobre corrupção e participações ilícitas de políticos nos mais variados desvios. Talvez uma das principais questões, em um cenário de reflexão positiva, é sobre o que se fazer neste momento. Bem sabemos os Educadores que uma das principais soluções é o aprofundamento de um trabalho de consciência política necessário. Eis aí, na minha opinião, uma oportunidade rica: como trabalhar esse conceito de conscientização política, principalmente sem esbarrar nas variáveis de polarização ou de partidarismos? É trabalho para a escola toda, penso, em um exercício de integração que pode fazer bem a todo o sistema pedagógico.
Ao longo de nossas publicações, retomaremos essas e outras demandas, só para dizer o quanto as nossas realidades tangentes podem compor todos os planos sérios de um trabalho eficiente e positivo para o desenvolvimento dos cidadãos.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Anotações - A busca da felicidade

A busca da felicidade, tema recorrente nas reflexões e debates das produções de mídias sobre evolução pessoal, insiste em uma ideia, de certa forma até bem simples: a felicidade não está nas coisas, nem nos aspectos externos do ser; é preciso que realizemos uma jornada de interiorização aos recônditos do que somos para aprendermos o caminho da felicidade.
A questão está no aspecto de que devemos - e bem - conhecer as nossas interioridades (de pensamento, de existência, de conhecimentos, de valores etc.). Mas há ainda os que preferem fazer o caminho da busca externa do que nos faz felizes.
Tudo o que está ao nosso exterior, seja ele material ou imaterial, vai ser sempre o produto de o quanto nossas variáveis internas criaram.
Se estabelecemos posses ou desenvolvemos relações sócio-afetivas, o principal combustível responsável por essas ocorrências será a nossa evolução interior... o que somos de fato.
Nesse sentido, a busca da felicidade vai passar pelo caminho mais fácil... e também o mais difícil: o conhecimento de nossa interioridade!