quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Para refletir - Conhecer o dever


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Anotações - Outro plano

Em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo, o ator Marco Ricca fala de sua carreira e de sua visão sobre a arte de representar (F.S.Paulo, 06/12/2015, Pág. C2). Em meio a sua exposição, uma das respostas chamou-me a atenção: "Minha cabeça está sempre preparada para um outro plano. E não é plano B. É só outro plano.".
Pensei na ideia da necessidade de adaptação às eventuais mudanças que nos acontecem e o quanto precisamos estar preparados para essas situações. Às vezes, a referência de reinventar-se frente às intempéries ganha dimensões de alto valor significativo; reinventar-se exige um posicionamento consciente sobre as mudanças.
E não é, como nos ensina a cultura comum, apenas ter um plano B (como se houvesse uma hierarquia valorativa de planos a nos socorrerem - o plano A é melhor do que o plano B, que é melhor do que o C, e assim por diante). "É só outro plano.", diz o ator, chamando a atenção reflexiva para a questão das alternativas que precisamos ter em nossos caminhos. O nosso planejamento de vida exige que tenhamos alternativas, a serem aplicadas conforme o soprar dos ventos. Ter alternativas (ter repertório) é o que importa, na variável de empreendimento. Quanto mais repertório de atuação temos ao empreender nossos caminhos, tanto mais possibilidade de desenvolvimento podemos vislumbrar.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fechamento de Ano

Praticamente, o ano letivo nas escolas está concluído. Enquanto uma parte dos alunos faz conta para determinar o quanto precisa de nota para fechar na média de aprovação, é tempo para que os  atores pedagógicos busquem a ampliação das reflexões que movimentaram os espaços neste ano. Neste espaço de reflexão, podem surgir demandas pedagógicas a contribuírem para as atividades e ações do novo ano.
E não faltaram temas para suscitarem pensamentos. Desde as crises política e econômica enfrentadas pelo país, passando pelos desastres ecológicos (movidos pela ganância humana?), incluída aí a movimentação dos estudantes paulistas que ocuparam escolas em um clamor de defesa da qualidade na Educação. Assunto é que não faltou, fiquemos certos disso.
Cabe a nós, pensadores, transformarmos cada um desses assuntos em propósito filosófico. E daí, aumentarmos o repertório (nosso e o dos alunos), em um movimento de desenvolvimento do saber.
A ideia de conclusão de um trabalho - no nosso caso, de um ano letivo -, no processo de desenvolvimento pessoal, deve ser encarado como uma oportunidade para a elaboração de uma variável analítica de o quanto deu certo, de o quanto não deu. Dessa análise, espera-se o nosso posicionamento na correção de rumos, na consolidação de acertos, na renovação de propósitos, na evolução de projetos.
Esse é o movimento mais natural de evolução. A cada ciclo de trabalhos, analisam-se todos os pressupostos que movimentaram o fazer daquele ciclo. E, com esse material, estudam-se as possibilidades de transformações que podem positivar os resultados futuros. Aliás, aquele planejamento de que falamos nos inícios só podem ser levados a bom termo após as leituras analíticas que fizermos das experiências desenvolvidas. O bom profissional de Educação entende que o desenvolvimento de seu trabalho exige mesmo essa entrega e disposição.
O resultado mais visível é a evolução profissional que conduz à evolução dos trabalhos. Em Educação, essa conta é a das mais importantes e significativas.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Anotações - Sobre o entendimento da vida: lições de Câmara Cascudo

O saudoso Mestre Luís da Câmara Cascudo tinha uma máxima, lembrada pelo jornalista Osair Vasconcelos, que bem vale uma reflexão: "O segredo da vida está no entendimento. Se você não entende a vida, torna-se um desajustado.".
Vivemos tempos em que, além de entender a vida, precisamos, também dar significado e entendimento ao que a vida nos reserva. Não podemos, simplesmente, deixar a vida nos levar, como na canção.
Dar entendimento e significado ao que chega é perceber-nos nos movimentos em que nos colocamos. Em que nos colocamos ou nos que somos colocados, já que um pouco de metafísica não faz mal a ninguém. Há um dinamismo todo em viver que, se não tomamos cuidados, acabamos sendo levados nas rodas vivas de que reclamamos tanto, deixando-nos em um limbo de acomodação e de cotidiano rotineiros, nos quais pensamos pouco, sentimos menos ainda e cegamo-nos demasiadamente às percepções necessárias. Acho que é o tal "desajuste" de que fala o Mestre Cascudo.
A ideia de entender algo é referência complexa e elaborada, nos caminhos do desenvolvimento e do aperfeiçoamento. Entender a vida, por sua vez, é o maior exercício a realizarmos, se não quisermos ficar desajustados nos rumos que nos chegam e nos que devemos alcançar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Anotações - A questão do julgamento crítico

Recente matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo aborda o pensamento do físico e professor da USP André Martins, segundo o qual os nossos mecanismos mentais fazem com que sejamos tendenciosos nos raciocínios lógicos e de julgamentos críticos. É um estudo interessante, sobretudo porque mostra como funciona o nosso cérebro quando precisamos fazer análises sobre questões que nos acomete o cotidiano em que vivemos. Nesse conceito, diz o professor que a neutralidade não existe e que, via de regra, assumimos posturas e posições parciais, segundo uma série de elementos que a nossa mente adota como raciocínio. (A matéria saiu na Folha de S. Paulo no sábado, dia 28 de novembro de 2015, pág. B10).
O tema é interessante para pensarmos em como conduzimos os nossos raciocínios diante das necessidades de julgamentos por que passamos em nosso cotidiano - o estudo do professor André Martins propõe alguns caminhos seguidos pelo nosso cérebro: o primeiro deles é o que ele chama de "viés de confirmação", a partir do qual minha análise fundamenta-se na adequação dos fatos às posições que escolho assumir; o segundo, é o que ele denomina de "pensamento de grupo", bem reconhecido na sociedade: o meu posicionamento ajusta-se ao posicionamento do grupo em que estou inserido; o terceiro, chamado pelo estudioso de "viés da autoconveniência" é o que determina o meu posicionamento conforme o interesse e os ganhos que tenho dos fatos críticos; o quarto, que recebe a denominação de "problema de calibração", está relacionado à tendência que temos a considerar que sabemos mais e temos mais domínio de conhecimento do que os outros; o outro caminho, chamado de "simplificação do problema" é o que responde pelos julgamentos rápidos e desprovidos de algum estudo; por fim, a "ilusão de controle" deixa-nos com o problema de que o nosso julgamento é o caminho da resolução inabalável dos conflitos que mediamos.
Penso que o assunto é significativo para ampliarmos nossas reflexões sobre como nos comportamos diante da necessidade de elaboração de julgamentos críticos. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A Formação Prática

A questão da importância da formação prática do professor veio à tona em fala do nosso Ministro da Educação, por esses dias. Mas, confesso, que a vontade de escrever sobre esse tema não me foi motivada pela fala do ministro; já há algum tempo, percebo a lacuna que a formação prática representa na carreira dos educadores. A bem da verdade, na carreira de qualquer profissional.
Em Educação, como o princípio de trabalho é o desenvolvimento do ser humano, a questão ganha contornos de maior complexidade. Em sendo o ser humano uma instituição dinâmica e suscetível às variadas interferências, o trabalho torna-se mais elaborado.
O problema da formação prática é que o seu desenvolvimento pressupõe um encaminhamento bastante diferente dos estudos teóricos... ou melhor dizendo, os estudos teóricos serão elementos tangenciadores daquela formação. Para a elaboração do desenvolvimento da prática, são exigidas algumas características particulares do profissional: criatividade, inovação, senso apurado de reflexão e crítica e percepção do entorno em que está inserido.
A percepção do entorno determina a consciência de todos os elementos (físicos ou não) que refletem na atuação; as variáveis de criatividade e inovação serão os conceitos que provocarão modificações - extremamente pensadas - acerca dos princípios teóricos das formações básicas; o senso apurado de reflexão e crítica é que será responsável pelos desenvolvimentos das competências e habilidades para uma boa organização prática do trabalho.
De saída, podemos perceber, até por questões óbvias, que não se pode pensar em uma formação prática institucionalizada - algo como uma disciplina ou um curso que promova este viés da formação profissional. As instituições deveriam criar laboratórios em que o profissional em desenvolvimento possa ter acesso constante a grupos de estudos e/ou de reflexões valorativos às questões de ordem prática.
Por outro lado, o próprio profissional deve ser agente autoral de seus processos de desenvolvimento. Assim, tanto o aspecto teórico quanto o prático devem ser objetos de preocupação e de críticas nos caminhos de evolução profissional.
Do que precisamos é de uma visão holística de formação para que o trabalho em Educação tenha um alcance pleno e integral, em relação à transformação das sociedades.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Anotações - Entusiasmo

Transformar em entusiasmo a vontade de ensinar e de aprender é o movimento de maior significação, tanto para mestres quanto para aprendizes. Para alguns dicionários, o sentido da palavra "entusiasmo" remete à ideia de paixão viva, de alegria, de exaltação criadora. Podemos, ainda, pensar a referência de entusiasmo como algo que nos dá sentido para a realização de algo, de forma viva e contagiante.
Em relação ao propósito de desenvolvimento pessoal, a possibilidade de realizar algo com entusiasmo já significa uma grande vantagem. Trazer alegria e paixão viva ao que se pretende, ainda que tenha o seu caráter metafísico, são características notadas de várias realizações. Quem já entra em campo com entusiasmo percorre o caminho com energia redobrada.
É preciso que tenhamos cuidado para não deixar as agruras do cotidiano e as mazelas perdidas pelos caminhos sugarem nossa força e a vontade de alcançar os objetivos. E é um cuidado constante e atento, já que as mazelas e as agruras estão soltas em todas as esquinas e quadras dos nossos rumos... aliás, uma de suas missões mais bem sucedidas é, justamente, a de fazer com que desistamos de nossos propósitos.
O entusiasmo, ao contrário, não está solto por aí. Mas, se olharmos bem, não será difícil também encontrar as mais variadas experiências que o fazem desabrochar em nossas intenções e ações.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Anotações - Sobre a ética e a moral

Vivemos tempos de crise, é verdade. A questão é que não penso na crise econômica e financeira, como todos propagam. Meus pensamentos voltam-se para a crise política, que faz balançar a esperança de uma transformação social. E, no entorno dessa crise política, sobressai a questão da ética e da moral, valores distorcidos de há muito.
Enquanto mergulhamos nas nossas questões de consciência frente os problemas que enfrentamos no dia a dia, nossos ideais de valores vão se perdendo nas relações de conveniência que estabelecemos, de maneira frágil, flutuando aos ditames do que interessa e do que não interessa, no correr da carruagem.
Não pode ser assim. É preciso que estabeleçamos princípios éticos e morais, independentes de vantagens que possamos receber, para não sucumbir às intempéries que nos chegam. Sobretudo, porque esses princípios são o sustentáculo dos nossos posicionamentos.
E é preciso, também, que saibamos enxergar as doenças que acometeram a modernidade e a transformaram nesse desvirtuar de valores e de qualidades.
Penso que a Educação, em sua instituição privilegiada de formar cidadãos, pode - e deve - aproveitar o mote, para incorporar os conceitos de ética e de moral em seus componentes curriculares. E que consiga levar esse tema como aspecto reflexivo constante, ideal para o aprimoramento das pessoas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A questão do analfabetismo social - Parte 2

Volto ao tema do analfabetismo social, que vigora em nossos tempos, responsável pelo afastamento dos vínculos sociais reais. E o que é mais impactante em minha observação é a naturalidade com que o fenômeno ganha dimensão.
Nos dias de hoje, o "isolacionismo" (desculpem-me pela invenção do termo, se ele não existir...) ganha contornos de sofisticação e de estilo. Mas o que está em jogo é a questão do distanciamento das coisas e das pessoas reais. É preciso que se repita: vivemos em sociedade e dela retiramos nossas experiências de convivência, de formação intelectual e de aprimoramento dos traquejos emocionais frente às vicissitudes que devemos enfrentar no processo de evolução pessoal.
Quanto mais nos afastamos dos caminhos reais de convivência, menos nos aprimoramos nas habilidades de que precisaremos para a formação humana ideal.
Os aparatos tecnológicos de que nos valemos, em nome do conforto moderno, acabaram sendo os principais vilões, responsáveis pelo afastamento dos vínculos reais. Mas é bom que se diga que eles não guardam, por si, essa responsabilidade. Os aparelhos tecnológicos são mera ferramentas; o uso que fazemos delas é que estabelecem esse padrão de distanciamento social.
Assim, se eu não sei usar o aparelho de telefone celular, o problema está comigo e não com o equipamento. E cito o telefone celular, pois, em minha opinião, ele acabou sendo a principal ilustração desse viés de analfabetismo, sobre o qual temos que refletir. Os deslumbres e os desvios de condutas acabaram transformando algumas pessoas em distanciadores do mundo real.
Já começa no aspecto visual de quem se entrega aos cliques da maquininha iluminada: a cabeça baixa e o olhar absorto no equipamento. Assim, o mundo real - cheio de experiências e de caminhos de aprendizagens - passa ao largo da compreensão e das sensações.
A utilização de uma ferramenta, seja ela qual for, precisa passar por um viés de consciência, em que o operador entenda que o usufruto dos benefícios daquela ferramenta deve estar atrelado a um conjunto de competências - desenvolvidas ou a serem. A leitura de que o melhor aproveitamento daqueles benefícios será tanto mais elaborado depende de quanto as experiências sociais e emocionais estão mais exercitadas. Quanto mais tenho repertório de convivências (sociais, emocionais, intelectuais etc.), tanto mais estou capacitado ao desenvolvimento das competências que me facultam ao desenvolvimento pessoal.
O analfabetismo social, penso, ainda não é uma tragédia, mas é preciso que estejamos alertas a esses processos silenciosos que privilegiam o afastamento das reais convivências. No plano principal de quem pensa a Educação e o Desenvolvimento Pessoal está a preocupação em que os sujeitos não se distanciem, fisicamente, das relações humanas e sociais.



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Feriado - Dia Nacional da Consciência Negra


Anotações - Como você vê a vida?

Estava conversando com amigos sobre a maneira com que nossa mente direciona a visão da vida, das coisas que acontecem ao nosso redor ou conosco. Chegamos ao ponto em que concordamos com a observação de que há um prestígio da variável negativista da vida, por parte da maioria dos seres humanos. É assim, por exemplo, que nos debruçamos mais em lamúrias do que em comemorações de conquistas... Curiosamente, e a bem da verdade, temos mais motivos para comemorações do que para lamúrias.
Há uma tendência admirável para a percepção negativa da vida. Se temos uma lista de 10 tarefas, das quais em nove verificaram-se conquistas, nosso cérebro vai registrar em maior dimensão, justamente, aquela uma em que fracassamos... E vai tomar essa dimensão como verdade: "Puxa, fracassei!..."... "Caramba, nada dá certo!"...
É preciso que exercitemos, sempre, a transformação desse pensamento e que sejamos mais honestos com as nossas ações. Precisamos valorizar as conquistas e os sucessos, sobretudo, para trazer à nossa mente as percepções de o quanto somos capazes e batalhadores. E, ainda, para treinar a nossa mente à consciência dessas percepções.
A cultura do negativo é uma espécie de armadilha que o nosso cérebro prepara, visando com que nos sabotemos em nossas potencialidades. Se eu acredito, tomando por ilustração o exemplo acima das 10 tarefas, que aquela única variável que não deu certo é a medida do meu desempenho, aí nada mais vai adiantar. Mas se eu coloco na balança, em proporções de significação, as medidas do que alcancei sucesso e as do que não consegui realizar, começo a enxergar com mais racionalidade meus propósitos e as energias que preciso dispender para realizá-los.
Nesse caminho, o processo de desenvolvimento pessoal terá um rumo mais positivo de atitudes e realizações.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Anotações - A formação cultural

Recentemente, li algo sobre a questão da formação cultural dos educadores. O artigo versava sobre a deficiência deste aspecto de formação no desenvolvimento dos profissionais de Educação. Mencionando as variáveis de consolidação da bagagem cultural, na ideia de formação de um repertório, o texto expunha a necessidade do conhecimento das diferentes representações artísticas e manifestações culturais nos processos de evolução pessoal. Referenciando-se aos educadores, a premissa básica era a de expansão da realidade, o que propiciava maior positivação do aprendizado. O pressuposto geral já é nosso velho conhecido: não se pode ensinar o que não se conhece.
Acredito que é possível expandir a reflexão para todos os profissionais - investir na formação cultural é base para um desenvolvimento profissional mais positivo e seguro quanto às variações da vida.
Ao constituir-se de uma referência cultural ampla e diversa, a pessoa vê-se melhor preparada para as intempéries que surgirão.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A questão do analfabetismo social

Volto ao tema dos analfabetismos que acometem a modernidade. Desta vez, queria discorrer um pouco mais sobre ao analfabetismo social. É questão que considero de relevada reflexão, haja vista que a busca de um caminho de desenvolvimento em que aprendamos a nos relacionar com o outro configura-se um grande desafio. Sobretudo, porque grande parte de nós vive os caminhos dos frágeis relacionamentos digitais.
O relacionamento digital permite-nos uma superficialidade, um descompromisso, que aparenta certa tranquilidade. Viver uma interação social de verdade exige certos pressupostos: melhora da intercomunicação, socialização, disponibilidade, paciência, senso de alteridade, respeito, colaboração... É essa exigência toda que confere aos contatos digitais a aparência de leveza e descompromisso. Relacionar-se de verdade dá trabalho... e muito!
Vivemos tempos em que desconhecemos os aspectos sociais de trocas e/ou de colaboração para o crescimento mútuo e interpessoal. Em alguns casos, a simples possibilidade da necessidade de se relacionar com o outro causa estranheza, senão medo. Conversar com o outro, às vezes em situações corriqueiras como pedir informações, vira um contexto de pavor.
A ideia de desenvolvimento pessoal traz uma referência de coletividade, a partir da qual o contexto social torna-se uma premissa significativa: é necessário estar com o outro; é necessário aprender com o outro; é necessário ensinar o outro. É o pressuposto da convivência. Viver com.
Nesse espaço de troca, há uma facilidade muito grande para o enriquecimento das reflexões. O que pode representar uma maior consistência das aprendizagens. E é quando as aprendizagens são consistentes que podemos falar de um processo de evolução positivo.
Exercitemos, pois, os mecanismos reais de interação social, a partir do estabelecimento de encontros. A ideia de encontrar-se guarda uma relação de sentidos nas trocas. Trocas de informações, trocas de posicionamentos, trocas de conteúdos, trocas de aspectos valorativos a propósito das formações culturais, e por aí vai.
Encontrar-se é o caminho mais natural de estarmos juntos, de verdade. E é preciso tanto que estejamos juntos, criando teias de relacionamentos reais em que todos ganhem algo. Nesse movimento, o propósito de evolução ganha contorno mais significativo.
Se pensarmos que a variável de analfabetismo social é uma questão cultural, resultado da modernidade que nos relegou aos cliques de uma ação mecânica, podemos acreditar que é possível mudar esse panorama. Toda referência cultural deve ser objeto de reflexão constante, para que, se não estiver sendo positiva, possamos buscar alterações de rotas nos caminhos de desenvolvimento. A arte do encontro, como disse o poeta, é uma dessas alterações de rotas no combate do analfabetismo social.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Anotações - Mais um pouco de poesia (A sensibilidade)

Em Educação, exercitar a sensibilidade traz um certo conforto de pensamentos. É quando estou com a minha sensibilidade aguçada, que posso entender melhor as dificuldades que circundam os meus caminhos de atuação.
Conversando com uma professora, recentemente, ela abordou a questão da dificuldade em integrar a família nos problemas de desenvolvimento dos filhos. Questão comum a vários professores, não é mesmo?
Por um lado, não é possível fechar os olhos às tentativas de correção dos rumos de evolução das crianças; por outro, nem sempre é fácil contar com a cumplicidade dos pais, que, ao invés de buscarem a promoção do desenvolvimento dos filhos, consideram mais eficiente castigá-los (quase sempre, castigos físicos).
A tentativa de busca de uma solução que, ao mesmo tempo, preserve a criança destes castigos ineficientes e integre a família aos caminhos de desenvolvimento parece colocar-nos em um fio de navalha, de sustentação frágil. E precisamos caminhar nesse fio de navalha, exercitando constantemente a nossa sensibilidade para uma realidade que, quase sempre, nos impele a pensamentos não muito claros de atuação.
A atuação do professor, comprometido com o senso de desenvolvimento humano, precisa estar acima dos procedimentos técnicos e rasos, que parecem soluções fáceis dos grandes problemas que enfrentamos em nossos caminhos pedagógicos.