terça-feira, 10 de outubro de 2017

Anotações - Quando a chuva nos dá algumas lições

Sábado passado, choveu muito por aqui em São Paulo, de onde produzo essas reflexões. E pensei na ideia de que ficamos idealizando tudo em nossos caminhos. E que, nesse processo de idealização, de uma maneira geral, um dia de chuva sempre é visto como algo que atrapalha nossa programação.
Bom, até pode ser, dependendo da programação, mas o problema não é a chuva em si.
Na verdade, estamos tão presos ao nosso pressuposto de coisas ideais, que vivemos à margem das coisas reais. Não sabemos lidar com a realidade dos momentos.
E, se a realidade nos obriga a repensar rotas e trajetos e orientações (como é o caso de um dia chuvoso), ficamos mesmos sem saber o que fazer. Parece que não há alternativas... ou, se elas existem, parece-nos, ainda, que os caminhos de busca dessas alternativas exigem muito de nós e o melhor mesmo é ficar parado... É assim que estamos.
Uma das preciosas lições vindas com um dia de chuva é aprender aguçar a nossa competência de estabelecimento de rotas outras. Somos dotados de inteligência e de criatividade, basta acrescentarmos alguma dose de determinação e de vontade de realizar algo.
Agora, quando podemos rever o propósito, de tal modo que ele passe a ser o de molhar-se na chuva, outra grande lição é a de que não há problema algum em molhar-se na chuva.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Repertório pessoal e cultural

Pensei na imagem de uma jornada como metáfora para o desenvolvimento; fico pensando na ideia de uma bagagem, com suprimentos necessários, que se levaria nesta caminhada. A bagagem é a ilustração ideal para o conceito de repertório, que aparece no título desta apresentação.
Somos sujeitos que estamos sendo formados, ao longo de nossa existência.  A cada etapa da evolução, recebemos uma espécie de estampagem, que nos constitui como indivíduos. Essa constituição marca-nos, indelevelmente, aos olhos dos outros. Somos o que somos. Possuímos características específicas; leituras de mundo conforme nossas observações do mundo; comportamentos particulares; disponibilidades tais... e assim por diante, em uma complexa estrutura humana.
Esse, o conceito de repertório, aquilo que nos constitui. É um jeito de falar, de ouvir, de expressar-se, de portar-se. E somos reconhecidos por isso. Devemos respeitar essa característica... e fazer com que sejamos respeitados, também.
Nossas formações pessoal e cultural são balizadas nas aquisições e elaborações desse repertório. Aqui, abrem-se algumas linhas de pensamento.
O processo de aquisição e de elaboração de um conhecimento qualquer não se configura no plano abstrato. Há um movimento racional do sujeito, que se deve colocar, ativamente, no trilhar daquele caminho. O comportamento deve ser o de atenção constante, pois só se adquire algo em estado de despertar, de percepção. O estado de percepção consolida-se na capacidade e competência de captar sinais que a vida nos aponta, na fundamentação do que queremos realizar. Que é o que nos dá subsídios para a escolha dos melhores caminhos. Se eu não estou atento ao meu redor para captar melhor os sinais que aquele caminho me traz, eu não consigo escolher melhor os rumos que quero dar. Lembra-se da história da Alice, repetida aqui outras vezes, que, ao perder-se no País das Maravilhas, encontra o Gato? A Alice, pobrezinha, toda atrapalhada, pergunta ao Gato qual caminho tomar, ao que recebe o questionamento: “Onde você quer chegar?”. “Não sei ao certo”, diz a menina. “Se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”, diz o Gato, entre sorrisos.
A ideia de aquisição e de elaboração não é automática. Entre o momento de aquisição e o de elaboração há todo um esforço a ser feito. Quando adquirimos um conhecimento qualquer, há todo um processamento de dados e de leituras, realizado em função de nossas vivências e de nossas experiências. É a saída desse processamento que se configura, de fato, o que elaboramos a propósito do nosso conhecimento. Desnecessário dizer que, se não prestarmos atenção (de novo!) nas nossas leituras, nas nossas vivências e nas nossas experiências, não teremos qualidade nesse fundamento de elaboração. As vivências e as experiências são, também, o que nos constituem.
Quando passamos pela vida, em nossa escala de evolução, vamos acumulando as mais diversas vivências e experiências. Familiares, sociais, acadêmicas, profissionais, culturais e por aí vai. Quase todas, carregadas de conhecimento; algumas delas, de precioso conhecimento. O nosso comportamento de atenção a esse processo e a competência (a ser exercitada) de assimilação do quanto nos chega é que vão determinar o quanto de positivas são essas vivências, fundamentais para todas as relações de leituras de mundo que nos vão ser úteis.
E aí, sim, constituído o nosso repertório pessoal e cultural, a jornada pode descortinar-se mais interessante e repleta de possibilidades de transformação... que, afinal, é o que todos queremos!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Anotações - A tecnologia e as pequenas gentilezas

O aparato tecnológico que nos chega nos dias de hoje pode permitir uma série de variáveis positivas. É a sábia utilização dessas ferramentas todas que pode vislumbrar os aspectos de positividade.
E é preciso que nos preparemos para essa sábia utilização. Ou, pelo menos, entender que está em nossas mãos essa possibilidade.
Outro dia, assisti a uma interessante cena. Uma senhora conversando através do sistema de vídeos de seu aparelho de telefone celular, utilizando-se da linguagem de sinais. Imaginei que do outro lado poderia estar seu filho, deficiente auditivo talvez. E que estava ali uma imagem da comunicação moderna, conectando pessoas, derrubando barreiras e elevando pontes que até há pouco tempo seriam inimagináveis.
E imaginei, ainda, a netinha distante e saudosa de seu avô, procurando nos comunicadores de seu aparelho símbolos que correspondessem aos gostos dele, simplesmente para desejar boa noite. E a facilitação do reencontro de amigos e familiares distantes no tempo e no espaço... E aqueles enamorados que se surpreendem com corações coloridos desavisados para expressarem o amor. Vieram-me tantas imagens.
Quando a tecnologia permite pequenas gentilezas, podemos perceber o quanto somos mais ligados à humanidade.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Anotações - É preciso estar atento e forte

Na música "Divino maravilhoso", de Caetano Veloso, há uma série de oposições que nos remetem ao exercício da consciência. ("Atenção para as janelas no alto; atenção ao pisar o asfalto...")... E que, ao mesmo tempo, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso. Não sei se você conhece a música; se não, dê uma olhada aqui.
Só a ideia de estarmos atentos a tudo, já que tudo pode ser perigoso e maravilhoso ao mesmo tempo, é um ótimo exercício de nos descobrirmos ao que nos ronda. E até exatamente para aprendermos a distinguir entre o que é perigoso e o que não é. Ou melhor, de estarmos conscientes às percepções dinâmicas da vida.
Não à toa o refrão da música (a própria letra da música pede-nos que estejamos atentos ao seu refrão) reverbera: "É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte...".



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A felicidade

Não sei se você já reparou que a ideia de felicidade é transmitida como algo fácil e presente em todos os momentos de nossa vida. Pelas propagandas de televisão, vemos o mundo feliz em filas de bancos, nos transportes públicos, nos supermercados, nas rotinas da vida e por aí afora. Quando passamos desse universo onírico para o mundo real, demoramos a encontrar essa tal felicidade.
O que aconteceu? Onde estão aqueles sorrisos fáceis e contagiantes?
Como na música, "a vida é real e de viés...". Não existe essa felicidade fácil e contagiante nas esquinas à nossa espera. É preciso que construamos um espaço de energia e sintonia que permita situações de felicidade, isso sim.
Então, precisamos conversar sobre isso, para o bem do nosso desenvolvimento. Como construir esse espaço?
Em primeiro lugar, é preciso que nos afastemos daquelas imagens das propagandas da televisão. Não que haja nada errado com a televisão, mas há algo errado com algumas coisas que as televisões nos mostram. E o interessante é que essa mostra toda até tem uma função, já explorada em diversos estudos sobre o poder das mídias - de uma maneira geral, o propósito da alienação é o que se pretende com esse bombardeio de imagens oníricas que nos afastam, sobretudo, de nossas potencialidade.
Sim, e aqui chegamos ao segundo lugar, é preciso que nos demos conta das nossas potencialidades. Daquilo que somos verdadeiramente capazes de fazer. Ou da possibilidade de sermos verdadeiramente capazes de fazer. E, veja, entre o fazer e a possibilidade do fazer está, tão somente, a nossa determinação de realizar algo, nada mais.
O problema da alienação é que somos treinados a acreditar que a nossa realização está consoante ao alcance daquela situação imagética que nos é apresentada (se eu não usar aquele tipo de creme dental, não terei jamais prestígio... esse é o mantra que a propaganda da televisão nos passa). Isso quando, na verdade, a capacidade de realização está, internamente relacionada, ao propósito que me atribuo de determinação e de crença nas minhas potencialidades. Façamos um alerta, por favor: a ideia de potencialidade não está vinculada à questão da natureza; os potenciais podem ser desenvolvidos.
Visto por esse ângulo, é até mesmo mais fácil encontrar, enfim, a felicidade. Ela vai estar nos momentos em que você se permitir enxergar suas possibilidades e determinar-se a realizá-las. Tenha a dificuldade que tiver, a capacidade de buscar a realização daquilo a que você se pretender trará as percepções necessárias para enxergar o mundo com outros olhos.
Certamente, você vai descobrir que a ideia de felicidade é mais abrangente do que possamos imaginar. Uma série de eventos e ocorrências que, talvez eu nem os percebesse, vai ser responsável por diversos momentos de alegrias e satisfações.
A busca da felicidade não está nos externos dos meus caminhos; antes, ela está na percepção da minha interioridade e nos rumos que atribuo à minha determinação de modificar as trilhas espinhosas que me chegam.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Anotações - Metodologia

A questão do desenvolvimento de uma metodologia de trabalho é assunto importante para pensarmos a evolução profissional. Sobretudo, se estamos como empreendedores.
Para quem trabalha com produção, vai entender a questão. A ideia de planificar um método para a realização de um trabalho está na variável de elementos sérios para uma atividade: economia, busca de qualidade, otimização de recursos, de tempo e por aí vai.
E é interessante que tenhamos essa percepção no planejamento de um trabalho. Pensar no todo, relacionado às especificidades dos detalhes, e ter claros os processos para a realização das tarefas são os elementos essenciais desse planejamento.
Torna-se, então, necessário enxergar as etapas de produção e criar estruturas de trabalho que contemplem essa ideia metodológica. Em algumas situações, ainda que os componentes científicos e técnicos sejam importantes, as soluções até podem ser intuitivas. Basta estarmos atentos aos sinais e ao entorno que circunda os meios de produções.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Anotações - A primavera

Na semana passada, em nossa região no hemisfério, começou a primavera. É uma estação que guarda uma representação metafórica interessante para falarmos da vida. 
Já começa que, se estamos comemorando a entrada da primavera, é porque vencemos os rigores do inverno. E, aqui, na dualidade inverno-primavera, temos essa ilustração do renascimento: enquanto no inverno temos a impressão de uma hibernação fria (a morte), a primavera nos reserva as cores do desabrochar (a vida).
E, assim, podemos aprender um pouco com esse movimento climático natural. Também nós estamos a mercê das situações corriqueiras que nos afligem ou nos alegram. São estações naturais do nosso cotidiano de vida. E o renascimento representa a capacidade que temos em vencer as vicissitudes que nos chegam.
Em alguns momentos, dependendo das situações, podemos até pensar em desistir e soçobrar-se diante das fraquezas normais. Mas que esses momentos, dada a nossa determinação, durem instantes insignificantes, para, logo em seguida, renascermos a nossa primavera.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O alfabetizar


Por mais que sejamos ótimos professores, acredito que não vamos experimentar tão facilmente a emoção que se tem com o trabalho de alfabetizar as crianças... Pensem: é o desvelar do segredo do mundo letrado em que vivemos. É como iluminar os caminhos múltiplos de revelação das comunicações escritas por que vamos passar.
Imagine a professora (sim, nessa profissão, a tarefa é feminina, por excelência), depois de mais de trinta anos com essa experiência, ainda chegar com brilhos nos olhos e dizer, toda vaidosa: "Todos os meus alunos estão alfabéticos!...". E só é possível entender essa felicidade quando se tem clara a importância do que ela significa: aqueles alunos que estão alfabéticos já conseguem reconhecer as letras e juntá-las e entenderem-nas em uma leitura qualquer. A dimensão desse alcance está na constatação de que vivemos em um mundo letrado e o prestígio (também o sucesso e as conquistas) das pessoas estão diretamente proporcionais ligados à competência de traduzir e saber representar bem o código letrado (seja ele escrito, falado ou escutado). Vejam a importância da alfabetização.
E não é só. Há professoras que se dão ao luxo, ainda, de embelezar ainda mais esse trabalho, quando complementam à missão nobre sessões de pura poesia. Literalmente falando. Acrescentam ao processo de alfabetização leituras de poemas, de cantigas, de obras de artes, de brincadeiras... E entre um espaço e outro, ainda trabalham conceitos importantíssimos de vida: respeitar o outro, o senso de coletividade, de organização, de higiene e por aí vai. 
O trabalho de educar precisa ser visto com a grandiosidade que ele guarda. E, aqui, a propósito do alfabetizar, a ideia de grandiosidade extravasa as dimensões possíveis. É tudo muito imenso.
Fico, ainda, pensando, a professora revendo seus alunos depois de alguns muitos anos; aqueles alunos mirrados, sem letramento, que mal projetavam o que viria pela frente. Mas que para a professora eram sementes de alguma árvore frondosa, cujos frutos nem ela mesma saberia dizer estariam por vir. E aí, em nome da consciência dessa ideia de semente, começava a transmitir-lhes as luzes daqueles mistérios que passariam a ser conhecidos por letras. E, ao largo desse iluminar, vinham carinhos, broncas, alegrias, tristezas, reprimendas, recompensas, conversas com os pais, bilhetinhos nas agendas e por aí vai. Tangenciando tudo isso, desenhos e mais desenhos com declarações de amor as mais diversas (algumas, a professora guardaria em cadernos amarelados, que, vez ou outra, olharia para relembrar esse ou aquele aluno...). Mas o reencontro com um desses alunos seria o prêmio maior: o menino, agora um profissional de destaque, diria, quase trinta anos depois, que jamais se esquecera da importância das ações da professora... e que adora ir a museus para olhar as obras de arte, como ela incluíra nas aulas.
É certo que a professora vai chorar um pouco, na emoção que transborda o que a razão tenta calar, mas vai ter cada vez mais certeza de que, quando disser, vaidosa e feliz, que os seus alunos estão alfabéticos, estará expressando a consciência do quão importante e significativo é o seu trabalho!


(Para a Professora Maria Helena)

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Anotações - Epitáfio

Não me lembro se já falei, aqui, sobre a letra da música Epitáfio, da banda Titãs. De qualquer forma, há sempre algo novo a se falar do que já dissemos. Vamos lá.
A música, para quem não conhece, é aquela que diz sobre o que deveríamos ter feito, de forma a sentir melhor as coisas presentes. ("Devia ter amado mais... complicado menos... ter visto o sol se por..." e por aí vai.). Para quem, por acaso, ainda não conhece a música, clique aqui para ver um clipe bem legal sobre ela.
Interessante que a palavra Epitáfio, além de significar a inscrição sobre as lápides nos túmulos, também significa um tipo de poesia que traduz um certo lamento.
Penso que a banda queria, exatamente, fazer significado desse sentido, o de um lamento. Às vezes, esquecemos tanto a vida presente porque estamos presos a convenções e ditames que nos impuseram, que nem a vivenciamos como deveríamos. E perdemos algo da essência que a poesia da vida nos preparou, seja ela como for.
Em uma virada de esquina, sofremos um pouco com as tristezas que nos vêm; em outra virada, somos surpreendidos pelas alegrias imprevisíveis que nos chegam. E tanto para um quanto para outro momento, faz-se necessário que estejamos atentos ("atentos e fortes", como diz outra canção...). E aí o que acontece? Não estamos atentos.
É o que me chega com a letra desta canção. O lamento para que nunca - jamais! - percamos a capacidade de atentar-nos para o dinamismo da vida. Ou, dizendo como está na música, "Queria ter aceitado / A vida como ela é / A cada um cabe alegrias / E a tristeza que vier...".

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Anotações - Educação política

Noves fora os debates, os entendimentos e os desentendimentos sobre a questão da escola sem partido, é imperioso que os espaços escolares incluam em sua programação as referências de uma educação política que ajude os jovens a entenderem o mundo nosso. Sobretudo, essas questões da nossa política suja, cujas notícias inundam os noticiários de referências negativas, de desesperança.
Não sei se acontece com outras pessoas, mas comigo, eu tenho ouvido os políticos e as notícias e fico em uma reação de quem acha que está tudo perdido. Claro que, por conta de minha natureza, acredito na esperança de que as coisas vão mudar, mas que parece está tudo perdido, ah, isso parece.
Penso que uma educação política, dessas que trabalham os conceitos e as estruturas da administração dos bens públicos, para uma verdadeira conscientização dos jovens sobre os sistemas que regem as cidades, possa ser uma solução. Ainda que seja uma responsabilidade muito grande, não há como deixar de dizer que cabe aos jovens a elaboração de uma mudança significativa no panorama que hoje nos assola.
Assim, é necessário que os jovens estejam preparados - técnica, moral e conceitualmente - para novas regências. E novas transformações. E a nós, ainda que estejamos no espaço de transição, devemos nos preparar para as responsabilidades que as nossas escolhas determinam.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O feminino

Entendo que a Educação deve criar um conjunto de estratégias para trabalhar o feminino como aspecto curricular. Preocupam-me as constantes notícias das mais variadas espécies de violências por que passam as mulheres e os aspectos do feminino, de uma maneira geral. Além das situações de violência física, há as questões de violência moral, de desrespeito profissional, de injustiças nas oportunidades profissionais e assim por diante.
A mulher passa, ainda que estejamos em avanços de tempos modernos, por constrangimentos os mais diversos pura e simplesmente por ser mulher. E não pensem que é uma ocorrência por aqui, na nossa terra. O problema, de natureza cultural, é global, é universal... Lamentavelmente, o problema atinge as mulheres no mundo todo. E em todas as instâncias, situações, profissões e ocorrências.
No meio artístico, nos ambientes corporativos, nas estruturas políticas, nas práticas desportivas, nas situações corriqueiras... em tudo, o feminino é vítima dos mais variados tipos de desprestígios.
É preciso que encontremos uma via para trabalhar a conscientização para essa questão. E, como sempre no que acredito, a Educação pode ser a tábua de salvação.
Imagino, então, um trabalho sendo feito desde os níveis da educação infantil. Em duas frentes: uma delas, com as meninas, para o exercício do que vem sendo chamado de "empoderamento"; em outra, com os meninos, uma espécie de "escolas para homens". Para os dois grupos, constantes debates e reflexões sobre o distanciamento de oportunidades e de respeito para homens e mulheres.
A ideia do "empoderamento" é interessante. Fazer com que as meninas percebam seu lugar no mundo e busquem posicionamentos frente aos espaços de injustiças. É preciso que se diga desse aspecto cultural, que se consolidou há séculos, para que as meninas entendam a dificuldade que vão enfrentar neste mundo. É um trabalho de conscientização - dizer que, no mundo todo, há, em cada segundo, as mais variadas situações de desrespeito e de violência contra as mulheres. E, com esse trabalho de conscientização, é preciso que se municiem as meninas das informações e das estratégias para que elas aprendam a reverter esse universo o quanto possível.
Vejam que esse é o conceito de "empoderamento". Que as pessoas aprendam a reverter as situações que lhe aflijam. E as meninas só vão poder conseguir essa situação se entenderem o processo de conscientização do problema e terem informações de o quanto é possível fazer. Esse, o objetivo de um trabalho pedagógico bem feito.
Já a ideia de "escolas para homens", que pode guardar em si algumas reações não muito simpáticas, teria como pressuposto a razão mesma de ensinar para os homens algumas variáveis de respeito e consideração aos aspectos femininos. Até porque quase toda situação de violência à mulher - se não toda - é causada pelos homens. 
Pensando bem, há uma terceira frente. As instituições escolares precisam estar preparadas para, além dela mesma, saberem atuar com as famílias e as instituições de seu entorno, quando perceberem ou detectarem sinais de que os aspectos femininos estão sendo atacados, em virtude do gênero.
No mais, é preciso que nos incomodemos quando recebemos as informações de que, em algum lugar, uma mulher sofreu certa situação de constrangimento ou de violência de qualquer natureza pela simples razão de ser uma mulher.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Anotações - As pesquisas escolares

Estudantes e professores já pressentem do que vou falar, mas não sei se todos desvendam esse contexto. Na esteira do que publiquei aqui, dias atrás, sobre as lições de casa, deu-me vontade de conversar um pouco sobre essas tarefas propostas pelos professores.
A ideia está tomada de boas intenções, principalmente a de desenvolver nos estudantes a necessária capacidade científica de estudar determinado tema pertinente ao currículo. É preciso que os jovens consigam elaborar hipóteses acerca dos assuntos verificados em sala de aula e, a partir de questionamentos salutares, testar ou invalidar tais hipóteses. As pesquisas escolares deveria ter esse pressuposto. Deveria, eu disse.
Na prática, a realidade é a mesma de tempos antigos dos bancos escolares, com a referência de que, nestes tempos em que vivemos, a tecnologia ajuda e bastante. Tanto naqueles tempos, como nesta modernidade de cliques, o império é o da técnica do copiar e colar; naqueles idos, a cópia era das enciclopédias que enfeitavam as estantes. Hoje em dia, basta, como se diz, "dar um Google".
Tanto nas antigas, quanto na modernidade, o que fazia e faz diferença é a atitude do professor na análise do trabalho apresentado. Via de regra, fazia - e faz-se - um pouco de vista grossa nas deficiências... e assim caminha a humanidade.
A prática das pesquisas escolares deveria ser a prática de trabalhar a competência dos estudantes no que diz respeito ao exame das fontes consultadas, principalmente nestes tempos em que o que mais existem são fontes dizendo de um mesmo assunto. Aquilo é verdadeiro? É confiável? Pode ser complementado?... e assim por diante. No elaborar destas e de outras questões que poderiam até ser exercitadas é que deveriam ser balizados os conceitos das pesquisas escolares.
Claro que daria um pouco de trabalho, mas aí já é outra história.