quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Resenha - Olhar o Mundo com Olhos de Criança
Dois desses vídeos que nos fazem pensar, dos muitos que pipocam nas redes sociais, chamaram-me a atenção para convidar-lhes a refletirmos sobre a importância de pensarmos o arquétipo da Criança no nosso processo de desenvolvimento pessoal. Em um dos vídeos, uma criança e um adulto - separados por uma espécie de biombo - são estimulados a repetirem as caretas de pessoas que aparecem em uma projeção; quando uma dessas projeções reflete uma criança com o que parece algum tipo de paralisia cerebral (desculpem-me, não consigo identificar ao certo a doença) fazendo uma careta, o adulto fica desconcertado e sente-se desconfortável em repetir o que vê, talvez "penalizado" com a situação. A criança, do outro lado do biombo, nem pensa duas vezes e imita, sem grilos nenhum, a careta como está sendo projetado. (se quiser dar uma olhada no vídeo, clique aqui)
No outro vídeo, com intenção social, duas crianças sentam-se próximos a um balcão parecido com o de uma lanchonete. Após algumas orientações, elas são esclarecidas que, à frente, em dois pratos cobertos, somente em um deles há um sanduíche, o que quer dizer que uma das crianças vai ficar sem o que comer. Após o sinal estabelecido, elas descobrem os pratos, realmente só há um sanduíche. O que acontece? Mais uma vez, ninguém pensa duas vezes e aquele que descobriu o prato em que está o sanduíche, divide-o, natural e generosamente com a outra criança. (para ver o vídeo, clique aqui)
O despojamento e a naturalidade das crianças, representados, simbolicamente, por suas reações nos vídeos, instigam-nos a pensar um mundo em que podemos resgatar a espontaneidade nas relações humanas, em que o que está em jogo é a convivência saudável e compartilhada das alegrias. Além disso, a lição de que a humanidade é o viés mais positivo dessas relações. Quem sabe, podemos, assim, aprender alguma coisa...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
A Formação do Professor - Uma Reflexão sobre os Aspectos Teórico e Prático
Atualmente,
vários pontos são muito discutidos em Educação. Termos como Metodologias,
Estratégias, Avaliações, Disciplinas etc são facilmente encontrados
em debates e discussões sobre o tema. Parece-me que, a despeito do valor que
todos esses itens possam ter no processo de evolução educacional, é preciso
ressaltar e destacar a figura do Educador. O Educador tem uma importância muito
grande, já que desempenha um papel dos mais valorosos no contexto de
significação da prática educacional. Independentemente dos aspectos
sistemáticos, já que cada Instituição de Ensino vai priorizar uma ou outra
referência, a figura do Educador ganha uma conotação muito maior, na medida em
que é ele o principal condutor dos referidos aspectos.
E deve o
Educador perceber, tendo em vista que acaba assumindo uma grande parcela da
responsabilidade na prática pedagógica, que no espaço escolar atuam diversas instituições,
nem sempre integradas ou imbuídas dos mesmos propósitos. Faz-se, então,
necessária uma busca constante de uma orientação positiva ao encaminhamento dos
trabalhos; positiva, aqui, no sentido de que se encontrem soluções práticas de
conversão das dificuldades em possibilidades reais que priorizem as ações
coletivas.
A análise da
importância do professor no processo do estabelecimento de uma visão positiva
da ação educacional vai, também, estar intimamente relacionada com o
questionamento sobre as variáveis de formação por que esse profissional deve
encaminhar o desenvolvimento de seu trabalho.
Quando se
fala em formação do Educador, deve-se ter em mente dois principais aspectos
desta variável: há uma formação acadêmica, oferecida por instituições
próprias, reconhecidas por organismos competentes; e há uma formação que
podemos, aqui, chamar de vivencial, de cunho prático-reflexivo,
oferecida ou não por órgãos e/ou instituições.
Não se pretende, aqui, traçar paralelos comparativos aos
dois aspectos, mas é possível, mesmo empiricamente, conceituar uma análise
diagnóstica a propósito deles. Enquanto a formação acadêmica trata de subsidiar
o profissional com os referenciais teóricos e técnicos, a formação vivencial
procura (ou deve procurar) suprir a carência de uma reflexão mais apurada
acerca da dimensão prática do trabalho, em que se inserem as ações dinâmicas do
cotidiano.
Na formação acadêmica, priorizam-se os elementos
conceituais, não necessariamente buscando adequadamente o estabelecimento de
uma correlação com uma práxis de trabalho. Um paradoxo vai surgir justamente na
extensão prática da atividade do Educador. Ali, no front, em sala de aula, a formação acadêmica não vai ser suficiente
para um bom desenvolvimento das suas funções. É bom que se frise melhor: “a
formação acadêmica não vai ser suficiente”, o que significa não se dever
preterir uma variável de formação a outra. Entretanto, como o objetivo maior da
Educação deve ser o de promover o desenvolvimento
sócio-afetivo-intelecto-cultural do ser humano, o Educador precisa ser um
sujeito constantemente revisor de suas ações e posturas teórico-práticas.
Quando se diz formação
de Educador, essa ideia precisa estar o tempo inteiro à frente de um
planejamento – está no Educador a busca constante de uma releitura de suas
ações. O que é curioso, entretanto, é a observância de uma identidade cultural,
segundo a qual o indivíduo represa o movimento que objetiva o seu
aperfeiçoamento profissional. E esse aperfeiçoamento é o que vai garantir uma
maior positividade na relação com o aluno (desde a percepção do aluno até uma
autocrítica referente às suas características de professor). O resultado de uma
postura inerte frente aos caminhos de formação vai ser, obviamente, a baixa
qualidade de ensino e posterior desmotivação, tanto do aluno, quanto do próprio
educador.
A baixa qualidade de ensino já foi amplamente
discutida e, constantemente, torna-se conclusão indevida para colocar a culpa
em uma ou outra instituição participativa do espaço escolar. Não nos custa
repetir, reflexivamente, que, dada à extensão do seu papel, reside-se nas
funções do professor a importância de atribuir-se maior responsabilidade na
prática educativa e, assim, criar, incansavelmente, situações para que o seu
aperfeiçoamento seja constante, duradouro e - porque não? - prazeroso.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Resenha - A Busca do Extraordinário

Já há algum tempo, uma pergunta de um dos artigos do Contardo Calligaris que vi no jornal, perpetua-se em meus pensamentos: "...como se apaixonar pela vida esperando dela apenas o ordinário?". Contardo Calligaris, naquele texto, explana sobre a necessidade de fugirmos das banalidades cotidianas, mas, ao mesmo tempo, expõe as dificuldades de se fazer o extraordinário. Quem quiser dar uma olhada no artigo completo, clique aqui.
Fico pensando no quanto desperdiçamos nossos sonhos e nossas aspirações na mediocridade dos caminhos. Quanto deixamos de tentar por medo e falta de disponibilidade. Quanto nos represamos na comodidade do que é fácil. Quanto nos cuidamos para não exagerar nos nossos passos e, no imediato, sentirmo-nos frustrados de não termos tentado ir mais adiante...
Apaixonar-se pela vida exige uma certa entrega. Um certo despojamento dos temores que nos retêm. A vida nos reserva fantásticas aventuras e não pode nos encontrar indispostos, fechados os olhos aos brilhos que só os poetas veem. É na poesia que a vida se revela... poesia, aqui, com a tradução de "sentimento". Perceber o referencial poético do que me cerca é estar com os sentidos despertos para captar a integralidade das coisas. Então, estar disposto a afastar-me das banalidades que me atrasam... E só assim o extraordinário pode me alcançar.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Resenha – Aprender Sempre
Escutei, no Metrô, dois senhores
de idades avançadas conversando e apurei a seguinte mensagem, em tom festivo e
de conclusão a algo que estavam observando: “É, vivendo e aprendendo... E nunca
acaba de aprender”... Para o senso comum, não é difícil assimilar a máxima – nunca terminamos de aprender. Na
prática, e saindo do senso comum, percebo que há problemas em pensarmos que nunca
se acaba de aprender. Exatamente por vivermos em uma sociedade notadamente
apressada, que já conta com o produto final, a ideia de aprender sempre parece
representar certo suplício.
Entretanto, e é bom que tenhamos
essa consciência, a aprendizagem, de fato, nunca termina. Quanto mais nos
enxergarmos como seres em desenvolvimento, tanto mais estaremos abertos a novas
experiências de saber. Estar aberto a essas novas experiências significa,
grosso modo, disponibilizar-se para a recepção de novos conceitos e de
transformações mentais. Aprender algo exige um constante colocar-se disponível
para os estímulos – os mais diversos – que nos chegam; estar atento e disposto
a estes estímulos – e observá-los com olhos de querer saber - é o que diferenciam
os que conseguem aprender mais.
Daí é só aproveitar da vida o
que ela nos traz e sempre observar, em tom festivo: “É, vivendo e
aprendendo...”.
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conhecimento,
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educação,
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realização,
resenha
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Resenha - O Lúdico no Desenvolvimento Pessoal
No universo lúdico livre que criam para si, as crianças
jogam e se divertem de forma entusiasmada. É fantástico ver as crianças brincando.
Há entrega, há diversão, há aprendizagem.
É preciso que nós, Educadores, saibamos enxergar as crianças
nestes espaços de ludicidade como sujeitos em desenvolvimento. Observá-las na
realização das brincadeiras, na instituição de suas regras e das elaborações
que o jogo exige, pode propiciar ao nosso entendimento verdadeiras aulas. A
principal delas é que a brincadeira existe e, por si só, é dinâmica e
integradora. Somam-se, em consequência, outras aprendizagens: na brincadeira
livre, a criança exercita a sociabilização; experimenta exercícios de
tolerância; desenvolve aspectos de lideranças e de resolução de conflitos; promove
a elaboração dos conceitos de sucessos e frustrações etc.
Refletir sobre os referenciais lúdicos – esses retirados de
o quanto observamos quando as crianças brincam livremente – pode trazer-nos
subsídios importantes para o aprimoramento das práticas pedagógicas.
Marcadores:
afetividade na educação,
aprendizagem significativa,
construção do conhecimento,
desenvolvimento,
educação,
ludicidade,
lúdico,
realização,
resenha,
sensibilidade
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
O Lúdico na Eduação - Brincando de Dobrar Papel
O universo infantil
está pontilhado de referências lúdicas. E não podia ser diferente: é através de
sua vivência nos jogos de representação, a que costumeiramente chamamos apenas
de brincadeira, que a criança experimenta situações, conflitos e superação de desafios,
que vão proporcionar, além do próprio prazer de brincar, o seu pleno
desenvolvimento.
É nesse ponto que se apoiam as reflexões que relacionam o
lúdico às operações pedagógicas: os sistemas em Educação podem (e devem!) ser
analisados a partir do pressuposto do estabelecimento de variáveis que promovam
exatamente o desenvolvimento do ser humano.
E é com base nessa relação que a ludicidade, já há algum
tempo, deixou de apenas circunscrever seu perímetro de estudo, unicamente, aos
aspectos do jogo e do brincar. As leituras dos referenciais lúdicos têm sido
acompanhadas, via de regra, de implicações educacionais. É no encaminhamento
das reflexões acerca do brincar como variável pedagógica que os educadores,
preocupados com dinâmicas mais significativas, vão buscar novos olhares sobre
sua prática.
Os educadores que trabalham com as crianças pequenas, de 0
a 6 anos, têm refletido muito sobre a
máxima que caracteriza o brincar como atividade em que se pressupõe uma relação
propícia ao processo de desenvolvimento integral:
sócio-afetivo-intelecto-emocional.
Na prática, é preciso estarmos atentos às possibilidades de
redimensionamento das estratégias e dos materiais que temos à mão para o
planejamento de atividades que venham contribuir, efetivamente, com essa
operacionalização.
Sob essa ótica, as atividades que relacionam o prazer de ouvir histórias com os benefícios da prática de dobrar papel podem ser altamente positivas. Ilustro, aqui, com o que pode ser pensado como um sistema: a partir
da escolha de um instrumento prático pertinente a brincadeiras (no caso, o
papel e as possibilidades de sua transformação pelo processo de dobrá-lo),
desenvolvem-se vertentes de descobertas e/ou retomadas das cantigas infantis e
das narrativas orais.
Para explicitar as possibilidades dessa atividade, pensemos em
um modelo simples de dobradura, que todos devem conhecer – a casa. É uma figura
bastante clássica. Pode-se partir de um estímulo qualquer
para motivar o grupo a fazer a dobradura, ressaltando-se o respeito às
potencialidades individuais. Com o modelo pronto, começam as brincadeiras.
Lembrando que já existe uma canção muito popular (“Era uma
casa muito engraçada...”), o educador pode conduzir a brincadeira inicial
justamente para reforçar o que há de engraçado nessa casa – não tem chão, não
tem janela etc. -, com a intenção de tornar vivos os versos da música. Se a
canção não surgir espontaneamente, nada impede de apresentá-la ao grupo,
ensinando-lhe o que diz a letra.
Particularmente, eu gosto de fazer surgir do final da música
uma história – como se uma brincadeira puxasse outra. Nesse caso, também
valoração pessoal, prefiro a história do livro A Casa Sonolenta, já que o seu
enredo permite um dinamismo que agrada muito o público infantil. Finda a
história, a brincadeira toma outros rumos, permitindo algumas escolhas:
recontar a história, inventar outra história com o tema da casa ou explorar as
possibilidades intrínsecas na dobradura da casa: enfeitá-la, usá-la como
aplicativo de colagens etc.
Assim como a casa, outras figuras de simples execução podem
ser descobertas na prática da dobradura. E o encaminhamento até pode ser o
mesmo descrito aqui; dobradura – cantiga – história – exploração após os
contos. Evidentemente, o educador que pretender refletir essa prática vai
desenvolver o seu próprio método de trabalho, valorizando este ou aquele
momento, conforme especificidades de sua turma ou das características de seu
espaço educativo.
O que deve ser ressaltado é a utilização de ferramentas,
marcadamente lúdicas, para a compreensão do processo pedagógico. A linguagem da
brincadeira, algumas vezes pejorativamente identificada com a ausência de
seriedade, mostra-se, aqui, uma variável incomensurável de estabelecimento
metodológico colaborativo no desenvolvimento da criança.
De um lado, a arte de contar histórias permite-nos adentrar
nas reflexões sobre a aplicabilidade dos contos no contexto educativo, ao
oferecerem à criança-ouvinte valores psicológicos e afetivos, presentes nas
estruturas das narrativas orais clássicas, já amplamente discutidos nos estudos
científicos a esse propósito. De outro, atividades de construção – como as
transformações feitas em folhas de papel – abrem-nos outros campos de
prospecção de estudos acerca dos princípios educativos que vão consolidar nossa
prática.
A referência maior,
aqui, da ludicidade acompanhando esse processo de tomada de consciência só
aprofunda a importância de compreender o brincar como manancial valoroso de
análise do crescimento sócio-afetivo das crianças envolvidas em atividades que
o tenham como estratégia.
A integração entre a arte de contar histórias e
as dobraduras de papel, fundamento desta explanação, prevê um mecanismo
bastante envolvente nos trabalhos positivos que se observam em Educação
Infantil: a perfeita sintonia entre brinquedo (o instrumento) e brincadeira (o
que se faz com o instrumento), como facilitadores de variáveis contributivas ao
desenvolvimento das crianças. Caberá ao educador, em nome dos ideais mais
acertados da Educação, além da constante análise de suas potencialidades, o
estudo e a adoção de métodos que corroborem essa sintonia.Esse post é uma síntese do artigo Brincando de Dobrar Papel Entre Cantigas e Contos. Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Resenha - Conversas de esquinas (Desenvolvimento)
... Tenho ouvido e visto pessoas desanimarem de suas buscas. Buscas profissionais, buscas acadêmicas, realizações pessoais. Ao ouvir as pessoas falarem de suas desistências, o que mais ressalta é a ideia de o quanto aquilo dá trabalho, ou de o quanto é difícil perseguir o que se quer.É impressionante! Na maior parte das vezes, dá trabalho, sim. E é difícil, sim. Mas o que mais observo é a falta de tentativas ao que se quer. Já falei aqui da determinação e do preparo para se conquistar algo. A evolução pessoal é fruto, exatamente, da integração desse binômio: a determinação, que me municia de força e resistência; e o preparo, que me estabelece com minhas aprendizagens.
Não há caminho de sucesso normal sem esse pressuposto. Na elaboração de nossos novos caminhos, preciso estar atento de quanto desse binômio (determinação e preparo) eu estou imbuído.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Resenha - Leituras
... O que tenho visto bastante, contrariando os ditos do dito senso comum, são jovens lendo... e lendo bastante! Em quase todos os lugares, há sempre quem saque de suas bolsas e mochilas um livro. Fico feliz de ver esse espetáculo, já que, por algum tempo, ouvi bastante a ladainha de que os jovens não leem. E que qualquer trabalho de leitura encontraria resistência nesta constatação indiscutível: os jovens não leem. O que, talvez, esses críticos tenham querido dizer é que os jovens não leem o que se quer que eles leiam. Isso lá é verdade, é honesto que se diga. Mas, de verdade, não vejo problema algum nisso.
O gosto apurado pela leitura, além de subjetivo, é algo que se aprende. É preciso que o leitor ganhe intimidade com as referências de leitura, para, daí, desenvolver o senso estético. Mesmo, assim, nada impede - e, outra vez, não há problemas nenhum nisso - que o tal senso estético seja direcionado para o que o leitor definir como sendo boa leitura. É preciso, aqui, separar o prazer de ler de ler por ofício.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Reflexões sobre o Planejamento Escolar - Parte Final
Finalizando as reflexões iniciadas aqui sobre o momento de Planejamento Escolar, ofereço três tópicos finais para que ampliemos nossa análise das atitudes em busca de uma Educação de melhor qualidade.
4. CONTEÚDO
No que diz respeito ao desenvolvimento das atividades pedagógicas, o Conteúdo é um dos principais referentes de trabalho do professor. É em torno do conteúdo que se desenvolve um dos fatores primordiais para se alcançar a variável de aprendizagem significativa, sobre a qual refletimos antes.
Na ação pedagógica – em que se trabalha o desenvolvimento escolar do aluno -, a apreensão do conteúdo é elemento significativo. Mas não é só por parte do aluno. Sobretudo, o é por parte do professor, que precisa demonstrar o quanto ele domina daquele instrumento sobre o qual ele formou sua identidade docente. Aliás, a formação da identidade docente vai ser elemento relevante de transformação das ações pedagógicas (voltaremos a esse tema, em algum post futuro, aguardem)... O professor, ao demonstrar o interesse e o domínio sobre seu conteúdo, certamente motivará o aluno aos processos de desenvolvimento e de aprendizagem.
5. METODOLOGIA
No desenvolvimento do conteúdo, é preciso caminhar por linhas claras e que resultem em ações significativas quanto à elaboração dos componentes curriculares. É disso que trata a Metodologia: o estabelecimento de movimentos que orientem os modos de realizações de práticas que guardem relações com os objetivos e com os propósitos que se quer alcançar. A Metodologia será o apoio do professor quanto à melhor forma de conduzir suas aulas, respeitando a especificidade de cada item a ser trabalhado, bem como às características singulares dos alunos.
6. AVALIAÇÃO
A Avaliação tem sido um dos itens mais debatidos, nos últimos tempos, acerca dos referentes pedagógicos. Se a ideia de aprendizagem significativa for bem apreendida, é preciso que a Escola cuide - e bem - das reflexões sobre os sistemas de avaliação. A avaliação, nesse contexto, precisa refletir a preocupação de que os conceitos de trabalho dos professores ofereçam motivações reais para que os alunos desenvolvam seu senso crítico e sua capacidade de construção do conhecimento.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Reflexões sobre o Planejamento Escolar - 3
3. CULTURA DA APRENDIZAGEM
Nos processos de ensino e aprendizagem, é preciso levar em
conta o quanto de compreensão das variáveis de aprendizagem o sujeito
internalizou em sua vida. A cultura da aprendizagem está relacionada com os
propósitos de movimentos a que o indivíduo precisa submeter-se em seu processo
de evolução.
Nesse sentido, há um dado relevante que se contrapõe ao
que convido a refletirmos. A cultura a que estamos acostumados fez-nos acreditar nas
relações de satisfações imediatas, de curto prazo. Normalmente, o indivíduo até
quer aprender algo, mas não quer se submeter aos esforços que gerem a
aprendizagem. Sempre penso na imagem da pessoa que pensa em escrever um livro,
por exemplo - normalmente, essa pessoa concentra seus pensamentos na melhor capa, na melhor
editora, na melhor noite de autógrafos, na melhor caneta para essa melhor noite
de autógrafos etc. Os esforços estão sempre direcionados no produto acabado,
realizado. E aí lembramo-nos de que o livro, como produto, precisa passar por um
processo de elaboração. E, normalmente, esse processo de elaboração é
trabalhoso. É preciso criar uma consciência de exercício do olhar para que se
tenha uma ideia original, no mínimo; é preciso que se tenha passado por uma
experiência intensa de leituras para que as referências de escrita estejam
internalizadas; é preciso que haja uma disponibilidade para o registro das
ideias (no papel ou no computador); é preciso que se busque criatividade para
que esse registro seja diferenciado; é preciso que cada registro passe por um
sem número de reescritas, até que se apure o texto; é preciso, se o interesse
for de publicar o livro por uma editora, que esse texto seja submetido a um
crivo externo - quase sempre não muito justo, diga-se de passagem, e, na maior
parte das vezes, fundamentado mais por interesses comerciais do que por
genialidade no texto; é preciso submeter-se a reuniões várias para ajustes no
texto, quase sempre causando descontentamento em relação à produção; é preciso
submeter-se a revisões, também diversas, que podem interferir nesse ou naquele
caminho do texto… Aí, o livro está pronto. Agora, é só o tempo de
aprovações de capa, de diagramação, de planejamento de lançamentos, de
contratos e, sim, podemos pensar na melhor caneta para a melhor noite de
autógrafos - que será realizada a contento da editora, é bom que se diga.
Desculpe-me se o parágrafo acima foi cansativo. Só
quis expor o quanto o processo é custoso e demanda uma carga de energia muito
grande. É preciso preparo e muita determinação. Normalmente, quando penso nessa
questão, lembro-me do livro Fernão Capelo Gaivota, do Richard Bach. Não sei se
você leu ou se conhece, mas tem lá um tema bastante propício para
refletirmos, futuramente, de forma mais apurada sobre a cultura da
aprendizagem.
O que é bom destacar agora, neste cotidiano de planejamento escolar, é que se a Escola estiver atenta a esse processo de cultura da aprendizagem por que todos nós passamos, talvez o direcionamento das variáveis pedagógicas possam ter caminhos mais interessantes, principalmente na ideia do necessário esforço para o desenvolvimento pessoal.
O que é bom destacar agora, neste cotidiano de planejamento escolar, é que se a Escola estiver atenta a esse processo de cultura da aprendizagem por que todos nós passamos, talvez o direcionamento das variáveis pedagógicas possam ter caminhos mais interessantes, principalmente na ideia do necessário esforço para o desenvolvimento pessoal.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Reflexões sobre o Planejamento Escolar - 2
2. APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Avançando nessa proposição de compartilhar tópicos de
reflexão sobre o momento de Planejamento Escolar por que passam as Escolas,
gostaria de desenvolver uma ideia básica, sem a preocupação de conceituações
acadêmicas, sobre as referências de aprendizagem. Penso que, à medida que nos
focamos em como e porque as pessoas aprendem, teremos mais condições de
entender as relações de sucessos e fracassos dos componentes curriculares com
os quais trabalhamos.
Uma das referências básicas sobre esse assunto é o conceito
de aprendizagem significativa.
Em sendo a aprendizagem o movimento fundamental de aquisição
de variáveis estruturais para a construção do conhecimento, o indivíduo
absorverá melhor essas variáveis tanto mais quanto elas estiverem providas de
significados. Em outras palavras, na leitura e processamento de informações
pertinentes aos estímulos de aprendizagens aos quais estaremos sujeitos, ficaremos
mais propensos a reter e/ou solidificar aquelas que possuem uma carga de significados
vinculada aos nossos interesses, que se relacionam com o conhecimento prévio
que possuímos acerca dos referentes.
Precisa-se frisar, então, que o conhecimento prévio pode ser
entendido, simbolicamente, como a mola propulsora para a modificação e
reconstrução do conhecimento; ao associar informações com os conhecimentos que
possui, a pessoa expande seu conhecimento, o que será uma nova “mola propulsora”
para a aquisição de outros conhecimentos. E por aí vai, em uma corrente de atribuição
de significados reais aos movimentos de aprendizagens trabalhados.
Estar atento a esse processo, entendendo-se como principal dinamizador
da construção de conhecimento, e buscar integrar os propósitos de ensino a essa
corrente pode representar ações muito mais positivas na melhoria do trabalho
pedagógico.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Reflexões Sobre o Planejamento Escolar - 1
Já que iniciamos uma breve reflexão sobre a ideia de
planejamento, em virtude de o que as Escolas passam nessa época, gostaria, se
me permitem, de continuar um pouco mais sobre o assunto. Nesta continuação,
proponho alguns tópicos que, penso, deveriam ser objetos de reflexão para o
aprimoramento desses encontros.
Em minha opinião, a realização de um Planejamento Escolar
deve ser pautada pela disponibilidade dos envolvidos na busca de caminhos que
melhorem o processo pedagógico. Em sendo este processo variável que se
relaciona com o coletivo dos espaços pedagógicos (direção, coordenação
pedagógica, famílias, alunos, professores e demais funcionários da Escola), a
ação deve ser pensada exatamente como elemento de coletividade e não apenas
como referência às aulas que serão ministradas. E é exatamente esse senso de
coletividade a ser explanado como primeiro tópico.
A ideia refletida no simbolismo de
uma atmosfera já nos remete a um conjunto de atores em convivência no mesmo
espaço e guardando, entre si, uma intenção de sinergia. É assim que deveria ser
nos espaços pedagógicos: todos os envolvidos agindo, de forma coesa e natural,
para que os esforços demandem, coletivamente, resultados melhores que se fossem
individuais.
Para isso, é preciso trazer
constante a leitura de quantos participam dessa atmosfera – direção,
coordenação pedagógica, professores, alunos, famílias e todos os funcionários
da Escola. São muitos. E cada um desses atores com suas individualidades e
idiossincrasias, que os constituíram – formação pessoal, familiar, intelectual,
religiosa, profissional, cultural etc. E é exatamente com essa teia que a
Escola precisa lidar, cotidianamente, para que seu trabalho seja positivo.
Entender como se comporta essa
teia em relação a aspectos específicos pode representar uma maior otimização
dos recursos que a Escola possui. Assim, se há algum conteúdo a ser trabalhado
em determinada disciplina, por exemplo, que possa ser integrado e/ou
relacionado com outros professores ou com outros aspectos daquela “atmosfera”,
todos sairão ganhando. De outra forma, se há algum aspecto constituinte do
ambiente da Escola e/ou da comunidade em que está inserida, no qual possa desenvolver-se esta ou aquela proposta, ele deve ser usado e abusado para o bem das ações.
Buscar alcançar a positividade
pedagógica dessa atmosfera vai demandar um pouco mais de trabalho, é verdade. Entretanto,
a melhoria do fazer pedagógico implica, exatamente, a consciência desse esforço.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Planejar é preciso!

Recomeçam os encontros de professores nas mais diversas escolas, em preparo ao ano letivo que, logo, se inicia. É preciso dedicarmos tempo e esforço para esse reinício a que convencionamos chamar de reuniões de planejamento. Planejar é preciso!
O vislumbre de uma educação de melhor qualidade em que todos, alunos, professores e pais, reconheçam o significado das aprendizagens passa pela dedicação e planejamento de uma escola melhor. E cada um precisa dar sua contribuição para o alcance dessa intenção. Pais e alunos têm sua responsabilidade no processo, haja vista que a verdadeira educação começa no ambiente familiar. Escolas precisam se comprometer à seriedade com que trabalham a escolarização.
Não vou me deter aos aspectos familiares, embora reconheça a importância dessa variável, pois não é o propósito direto deste espaço. Aqui, pretendo, ainda que minimamente, envolver os agentes dos espaços pedagógicos em uma reflexão sobre a construção do conhecimento e o quanto esse momento de reuniões de planejamento pode contribuir para uma visão mais positiva do fazer pedagógico.
Cabe à Escola apresentar aos alunos - e por esteira, à família - conceitos de desenvolvimento acadêmico, do saber científico, que os faculte aos processos de desenvolvimento intelectual. Ora, não se faz isso sem um pouco de organização de ideias, de objetivos, de estratégias. Saber o que se vai ensinar, como se vai ensinar, para quê se vai ensinar são reflexões que demandam uma postura crítica e atuante dos professores. E não vale copiar os registros fáceis que se encontram nos materiais didáticos que nos chegam, impensadamente, nos dias tecnológicos de hoje. É preciso um movimento de internalização de seus saberes, de leituras de mundo, de conhecimentos metodológicos, de visão ampla da realidade que nos cerca para que os professores possam entender melhor essa variável de planejamento. Eu coloco no meu planejamento aquilo que é significativo para mim. E, para se ter uma clareza do que é significativo, é preciso recorrer às múltiplas leituras que nos fizeram dotados de um saber. Depois, estabeleço objetivos, traço ações, listo conteúdos, relaciono métodos, prevejo modelos de avaliação e por aí vai. E, sobretudo, jamais perder-se da relação coletiva com que a Escola se mantém.
Tornar seu objeto de trabalho uma instância positiva de desenvolvimento e de evolução de aprendizagens deve ser o norte de todos os professores. Planejar é preciso!
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