quarta-feira, 19 de julho de 2017
terça-feira, 18 de julho de 2017
Anotações - A aprendizagem e a percepção do erro
Retomemos o assunto da aprendizagem, apresentado ontem, aqui, neste espaço. Um dos movimentos mais importantes ao aprender algo é o quanto estamos conscientes dos erros que cometemos. Sim, cometer erros é mais comum do que se possa imaginar. Aliás, erramos muito nos caminhos de evolução e nem há tanto problema nisso. O maior problema é quando não nos damos conta dessas situações de erro. Sentimo-nos perfeitos e capazes de acertar sempre...
O ser humano, nas trilhas do desenvolvimento, está muito propenso a estas situações de erro.
É preciso aguçar o sentido da percepção de o quanto estamos possíveis a essa variável. Nessa ideia, o pressuposto da dúvida é o que nos salva. Já viram aquelas pessoas que afirmam esta ou aquela exposição com tamanha veemência que nem se dá conta de que pode dar uma informação imprecisa, ou mesmo que cometam algum tipo de erro? São aqueles que acreditam serem donos da verdade. Quando a dúvida nos acontece, somos impelidos a confirmar o que dissemos - ou o que fizemos - e valemo-nos de um exercício fantástico, o da consciência. Estou certo? Agi certo? Tenho convicção do que estou fazendo?
Esse é o momento da percepção. Se erramos, nesse exercício, é preciso voltar atrás e corrigir a rota, com todos os encaminhamentos que essa correção demanda. Vai até existir situação em que devemos nos valer do significado metafísico do erro - às vezes, e preciso errar -, mas tudo precisa estar nos planos da consciência, em que somos controladores de nossas ações.
Quando é assim, o caminho da aprendizagem configura-se em rumos muito mais positivos.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Cultura de aprendizagem
Estava encartado no jornal Folha de S. Paulo, neste domingo, dia 16 de julho, um caderno especial, de caráter publicitário, sobre Educação (o Estúdio Folha), que trazia na capa a seguinte chamada: "Avante! Trabalhar, no século 21, exige cultura de aprendizagem ao longo da carreira.".
Quem acompanha as publicações deste espaço sabe que a ideia do desenvolvimento de uma cultura de aprendizagem é tema recorrente em minhas exposições. Há uma necessidade a ser sempre pensada, em relação aos propósitos de Educação, de os caminhos estarem sempre voltados a esse movimento contínuo de formação, em que não se esgotam as disposições em aprender.
O conteúdo do dito caderno privilegia os espaços formais de aprendizagem: as universidades e seus cursos de extensão e de especialização. Muito importante, nos dias modernos, essa preocupação com a busca da formação teórica e acadêmica oferecida pelas instituições consagradas. Entretanto, a minha ideia do estabelecimento de uma cultura de aprendizagem vai muito além das possibilidades teóricas ofertadas pelos espaços formais.
É preciso que o indivíduo entenda o conceito de aprendizagem para além desse estabelecido formalmente. O próprio caderno, que me inspirou esta publicação, ajuda-me na exposição. Ali, pelo caráter de conteúdo patrocinado, há, em cada página, um anúncio de uma instituição de ensino. E é aqui que me vem a principal variável de entendimento do meu tema. É preciso distinguir, conceitualmente, as ideias de ensino e de aprendizagem, tomando como ponto de partida analítica o sujeito que busca a formação.
A referência de ensino está balizada em algum aspecto externo (a escola, a universidade, o livro, o professor, a palestra etc.); a de aprendizagem, por outro lado, está calcada nos aspectos internos de quem busca a formação (o entendimento, a motivação, a determinação, os limites, as competências, as capacidades, as habilidades etc.). E é importante que os dois determinantes estejam concatenados: uma boa instituição de ensino vai contar com a melhor estrutura de formação (os aspectos do ensino), sem perder de vista as variáveis que interferem no processo de aprendizagem (o entendimento do aluno e o dos ambientes formativos).
Fora disso, estão as dissonâncias. Pode ser o melhor grupo de professores, mas que não conseguem fazer com que os alunos aprendam. Pode ser a melhor disposição de os alunos quererem aprender, sem o apoio estrutural que favoreça essa disposição. Pode ser a realização dos melhores projetos pedagógicos, sem que estejam integrados aos espaços de vida... E assim por diante: ensino e aprendizagem são temas que precisam estar integrados, senão um dos referentes vai ficar sempre prejudicado. Como na música do Beto Guedes, "a lição sabemos de cor, só nos resta aprender...".
Além dos aspectos formais, a busca de formação deve estar antenada a inúmeros espaços informais em que a aprendizagem está muito mais voltada às características internas do sujeito. Vai estar na percepção, e no quanto essa habilidade está desenvolvida, o reconhecimento de situações que favorecem o crescimento pessoal. A lista é imensa, mas vamos lá na citação de alguns elementos: um filme a que você assiste, uma conversa despretensiosa e casual, uma música que você escuta, uma imagem que lhe chega, um pensamento que lhe acomete em alguma ocasião... e por aí vai. São tantos os elementos que podem se transformar em situações de aprendizagens.
A ideia de cultura de aprendizagem está em como nos comportamos diante desses elementos, de maneira consciente e ativa. Quanto mais nos apercebermos dessas situações, tanto mais estaremos alimentando essa referência de cultura.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Anotações - Sobre a vida
Esses dias, ouvi uma senhora falando um pouco das sensações nostálgicas que lhe acometiam. "A vida não é como a gente quer...", dizia ela, repetindo a máxima. Imaginei, no contexto do que podia observar, que as reticências simbolizavam algo negativo, como se fosse um preceito de resignação: a vida não é como a gente quer, temos que aceitá-la...
Mas, imediatamente, associei aos aspectos intangíveis dessa mesma vida. Esses, que nos surpreendem, cotidianamente, de uma forma positiva e arrebatadora.
Pensei nos dias que amanheciam cinzentos e, que, por um movimento qualquer (às vezes, imponderável), ocorria uma transformação de luz e alegria. A vida não é como a gente quer, mas às vezes é bem melhor.
Para perceber o melhor que a vida pode oferecer, é preciso que estejamos de olhos e coração bem abertos aos movimentos imponderáveis que podem nos chegar.
quarta-feira, 12 de julho de 2017
terça-feira, 11 de julho de 2017
Anotações - O trabalho pedagógico: ensinar e aprender
Quem se dispõe à realização de um trabalho pedagógico qualquer, há de se defrontar sempre com as máximas reflexivas que se relacionam com as responsabilidades de ensinar e a de aprender.
Primeiro, do ponto de vista das relações que se estabelecem entre as palavras. Ensinar e aprender são conceitos que se conectam o tempo todo. No caminho do ensino e da aprendizagem, as ideias estão tão coesas que uma trilha depende da outra sempre. Ensina-se ao aprender... aprende-se ao ensinar.
Só por essa percepção, já poderíamos refletir o conceito de responsabilidade. Quando temos a consciência de que a variável do ensino e da aprendizagem pode confundir-se, conceitualmente, assumimos a variável de o quão responsável devem ser nossas atitudes.
Por outro lado, ainda que não enxerguemos essa conexão entre os conceitos de ensinar e aprender, devemos cuidar para que essa ideia de responsabilidade esteja no centro dos pensamentos. Quando nos propomos a ensinar algo a alguém, precisamos ser responsáveis para que os nossos discursos sejam formativos; quando estamos aprendendo algo, precisamos ser responsáveis ao ponto de desenvolver o senso crítico em relação ao que estamos aprendendo.
Mas, na minha opinião, a maior máxima reflexiva a que se pode pensar em relação a esses conceitos é a de que tanto aprender quanto ensinar são rumos contínuos do nosso desenvolvimento.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Formação e desenvolvimento pessoal
Na busca da evolução pessoal, os caminhos da formação e do aperfeiçoamento técnico-profissional são trilhas obrigatórias, além dos da formação pessoal propriamente dita. Então, é preciso que o sujeito se comprometa à consciência do aprender constantemente.
E a ideia de conscientização em relação aos movimentos de aprendizagem deve ser um exercício cotidiano nesse propósito.
Quando o sujeito conscientiza-se desses seus caminhos, a busca do desenvolvimento torna-se um princípio conceitual. Desses que fica internalizado e estabelece níveis de atuação mais condizentes com o que é possível. Aliás, a referência de atuação é um tópico a ser explorado, reflexivamente. Quando se propõe à evolução, deve-se estar atento à variável de atuação; tudo vai estar relacionado à capacidade de atuação. Quanto mais atitude tiver o sujeito na busca de seus propósitos de evolução, tanto mais ele se aproxima desse desenvolvimento.
O ponto de partida das reflexões passa pela ideia de potencial. Todo ser humano apresenta, em sua constituição evolutiva, pelo menos um determinado potencial... ele é capaz de fazer algo! É preciso, então, reconhecer-se nessa(s) potencialidade(s). E olha que é muito comum a negação desse pressuposto (talvez você já tenha ouvido alguém falar não ser capaz de realizar determinada tarefa ou atividade), em que se atribui a falta de traquejo para essa ou aquela proposição. O reconhecimento de um potencial (ou vários, sim, é possível...) é o reconhecimento de suas capacidades.
Esse reconhecimento, do ponto de vista reflexivo, permite, pelo menos, duas leituras. A primeira, e a mais óbvia, é a do estabelecimento de sua inteligência frente aos caminhos do desenvolvimento (se eu me reconheço em alguma inteligência, eu consigo motivar-me mais facilmente a esse aperfeiçoamento); a segunda leitura é a do estabelecimento dos desafios: se eu reconheço uma potencialidade em mim, eu posso buscar outras variáveis de inteligências.
Esse desenvolvimento do potencial, do que é natural e dos que podem ser atrelados, é o caminho cotidiano do aperfeiçoamento.
Como vivemos em sociedade, nas mais diversas estruturas de relacionamento (pessoal, escolar, profissional etc), outro ponto dessa reflexão, que interfere nos caminhos de evolução, é o reconhecimento do outro, dos que convivem conosco nas trilhas em que nos deparamos. Aqui, fundamenta-se o exercício da tolerância, em que a consciência do outro deve levar-nos à questão do respeito a esse outro. Sobretudo, porque esse outro também é um sujeito em busca de evolução. O normal é que todos estejamos propensos a essa evolução.
O desenvolvimento do senso crítico, tanto em relação aos meus propósitos quanto no que diz em relação à percepção do outro, é o princípio que nos move à formação científica dos nossos conhecimentos. Aquele que preconiza a importância de estudar muito.
Assim, passando pelo conscientização da necessidade de formação e pela descoberta e evolução das potencialidades, e dedicando-se ao estabelecimento de uma mente científica, os caminhos do desenvolvimento pessoal vão ficando mais sólidos e permeados dos movimentos positivos de crescimento.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Anotações - Sobre movimentar-se
Corre pela internet uma dessas frases motivacionais, das que mais gostei: "A vida é como andar de bicicleta: para equilibrar-se é preciso estar em movimento.".
O que mais me chama a atenção na mensagem é a ideia do equilíbrio, vinculada ao aspecto do movimento. Há vários aspectos na imagem que podem nos fazer pensar. O primeiro é justamente o da contrariedade a propósito do que seria normal - quando em movimento, estamos mais propensos a perder o equilíbrio; quando estáticos, a tendência é manter o equilíbrio... Claro que a ideia não é acompanhar as padronizações do esperado.
Ao associar as referências com a questão do movimento de andar de bicicleta, vem-nos as lembranças das quedas e dos temores em não manter o equilíbrio necessário. E o movimento, então, torna-se a salvação dos desequilíbrios. Não se pode parar, é preciso movimentar-se.
E a óbvia referência de fazer-nos pensar em não desistir, em não se acomodar diante de tudo o que nos causa temor, fica forte na mensagem.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
terça-feira, 4 de julho de 2017
Anotações - Engajamento
Engajar-se em um movimento, a partir da constatação de que algo não vai bem, não é tão simples como pode parecer. Nem tampouco basta o descontentamento com o ruim para motivar-nos ao engajamento.
A reflexão veio da articulista Angela Afonso, em seu artigo Três níveis da política, publicado no jornal Folha de S.Paulo, neste domingo passado, dia 2 de julho. A autora parte das notícias políticas que nos assolam todos os dias para analisar o problema da falta de envolvimento maior na busca de soluções para a questão. O artigo, muito interessante, propõe-nos a distinção de três níveis de participação política - o do eleitor, o do político profissional e o do ativista. Vou cometer a frustração de não me adentrar em sua análise, repito, muito interessante (fica o convite para você dar uma olhada na matéria: caderno Ilustríssima, pág. 2). É que fiquei parado em um trecho de seu texto, que, no contexto dessas publicações aqui, parece-me mais oportuno: "O problema é que se incomodar com um estado de coisas e fazer algo a respeito não são sinônimos... Querer é uma coisa, fazer é bem outra.".
A motivação de quem está engajado em alguma causa é justamente a intenção de modificar o panorama. E, não tem outro jeito, a ideia é fazer algo. Pronto, levanta-se e põe-se a fazer, a realizar. Aquele que está descontente, que se incomoda com o que está errado, nem sempre tem essa determinação e vê no seu descontentamento o suficiente para manifestar-se a respeito... para ele, está bom assim.
Quando nos sentirmos engajados em alguma necessidade, certamente, teremos o momento de nossa atuação.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Atitude e consciência ética
No plano do desenvolvimento pessoal e da evolução natural do ser humano, os conceitos de atitude e de consciência ética perfazem a obrigação de qualquer caminho de formação.
Neste caminho, de elaboração constante e de exercícios de experimentação contínua, somos convidados a estarmos sempre em busca do melhor que há em nós. Quando não conseguimos entender as trilhas que há nesse caminho, perdemos o bonde da história do aperfeiçoamento. E porque há sempre muito trabalho na constituição deste caminho, para muitos é mais fácil perder-se em encurtamentos de rumos, que nem sempre revelam-se em o que é certo a fazer.
Por esse pensamento, é que as ideias da atitude e do desenvolvimento da consciência ética é que se tornam obrigatórias na percepção de cada um.
A atitude é a variável que nos move no fazer. Tudo o que está por vir é o mote do que está a ser feito. É preciso o movimento da atitude para tornar concreto aquilo que está no plano das ideias, dos sonhos, dos desejos. É preciso levantar-se, erguer a cabeça e construir as realizações.
Às vezes, não é muito fácil, entendo, mas não há outro jeito: nada vai se realizar por si só; é preciso esforço e determinação na elaboração do que é possível.
E, à determinação do fazer, junte-se a premissa de que é preciso fazer o que é certo. Nossas ações não podem ser embasadas na visão que temos do nosso umbigo, é preciso pensar no outro (o outro como ser humano, o outro como ambiente, o outro como o espaço coletivo em que vivemos, o outro como o plano geográfico em que residimos)... e são tantos esses outros, que a nossa responsabilidade de ação está em nunca prejudicar quem quer que seja. Por isso, a ideia de ética é importante.
O desenvolvimento da consciência ética é quem vai determinar os parâmetros para o meu fazer como algo a ser correto. E também não é lá muito simples, já que vivemos tempos de distorções de valores e de comportamento; nossa atenção deve ser exercitada para as consequências de nossas ações. Constantemente. Se o que faço transforma positivamente meu entorno (físico, geográfico, relacional etc.), tenho aí um sinal de que os meus rumos estão no caminho certo; se minhas realizações não contribuem para a positividade do que está ao meu redor, devo rever os planos. E a coisa pode ser sintetizada assim: faço e tomo consciência da análise do meu fazer... foi bom? Ajudou alguém? Prejudicou?... E por aí vai, em um ritmo frenético de senso crítico. Trabalhoso, é verdade, mas que permite uma consciência tranquila.
Quando juntamos a competência da atitude com a percepção ética de nossos movimentos, somos agentes especiais de um processo de modificações positivas nos caminhos pelos quais atravessamos... semeando e colhendo mudanças significativas em favor da coletividade.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Anotações - Sobre coincidências e sorte
O assunto vira e mexe vem à cabeça: quanto de coincidências e de sorte os nossos caminhos são constituídos?
Minha percepção mental puxada à racionalidade procura sempre negar esses preceitos de coincidência e sorte nos rumos do desenvolvimento pessoal; ou se compromete com os desgastes das trilhas ou pouco se vê logo ali adiante, penso quase sempre. Acontece que, no meu caso, há mesmo um embate sempre profundo: percebo que em alguns momentos ocorrem lances um pouco inexplicáveis que parecem conduzir para variáveis metafísicas... Puxa, e não faz muito tempo (acho que foi antes de ontem) acabei publicando aqui nestas páginas uma reflexão que preconiza uma ideia contrária aos ditames metafísicos. É a vida... ou, como diria o maluco beleza, é preferível ser aquela metamorfose ambulante.
Mas os conceitos de coincidência e de sorte são temas complexos de se abordar. É preciso descer do aparato sagrado e puxar para a ciência na tentativa de encaminhar algum pensamento sobre o assunto.
E a ciência vai dizer que o nosso cérebro responde a estímulos concatenados com a visão de mundo que temos. Se somos otimista, encaminhamos nossas soluções para uma realização; se somos negativos, não achamos a solução das realizações. Somada essa premissa às capacidades de determinação e de preparo, inerentes aos processos de desenvolvimento pessoal, o sujeito otimista vai navegar por mares, ainda que revoltos, com valentia e coragem no enfrentamento dos dissabores; o sujeito pessimista, ainda que o mar esteja em forma de regato, vai enxergar sempre obstáculos nos caminhos (e creditar esses obstáculos a alguma entidade divina e à sua culpa em relação à crença naquela entidade...).
Ora, de enfrentamento em enfrentamento, pensando nos sujeitos mais positivos, é natural que surja uma luz no fim do túnel. E é essa luz no final do túnel que chamamos de coincidência ou de sorte.
quarta-feira, 28 de junho de 2017
terça-feira, 27 de junho de 2017
Anotações - Transpiração
Vou confessar outra coisa, e espero que os amigos seguidores da metafísica não me queiram mal: incomodam-me bastante as ideias esotéricas de evolução pessoal, que apregoam umas referências etéreas de aperfeiçoamento pessoal. Há, por aí, uns discursos meio simplistas de que se deve fazer essa ou aquela experimentação sensorial para se atingir o nirvana. Respeito muito tudo isso, mas é preciso que sejamos claro: qualquer relação evolutiva a que se pretender é necessária muita transpiração. Creio até que os gurus que apregoam aqueles caminhos sabem disso - e até se valem desse pressuposto para alcançar seu desenvolvimento -, mas proferem os discursos de ensinamento como se fosse simples assim: respire assim, vibre assado e todo o universo entrará em sincronicidade com suas aspirações.
Mas não é só assim, é preciso muita transpiração, sim! Vejamos o ensinamento de um dos nossos poetas maiores, João Cabral de Melo Neto, que nos deixou o legado, a propósito da poesia, de que ela não é mero resultado de inspiração em razão do sentimento, mas do fruto do trabalho paciente e lúcido do poeta.
E ainda que acreditemos naqueles postulados metafísicos, é preciso que entendamos a nossa responsabilidade na realização dos nossos trabalhos.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Percepção estética
O trabalho com a arte - ou com elementos artísticos - exercita, sobremaneira, a referência de percepção artística no desenvolvimento das pessoas. E é com essa percepção que o sujeito conta para as elaborações de criatividade e sensibilidade, só para ficar em duas variáveis que rimam e contribuem bastante para os estágios de evolução.
Nas escolas, os agentes pedagógicos devem valer-se dessa premissa. Qualquer indivíduo, ao largo de suas formações, precisa dos componentes estéticos desenvolvidos para o seu pleno desenvolvimento. Enxergar o mundo pela ótica da sensibilidade, além de uma possibilidade formativa, é uma necessidade neste mundo que exige comportamentos dinâmicos e de soluções positivas. Pode ver, o sujeito que consegue ver além das superfícies rasas e enxergar ali nuances quase que mágicas de caminhos possíveis desenvolve uma postura de proatividade e de transformações de mundos... é desse sujeito de que precisamos!
Precisamos de alguém que coloque resoluções coloridas nas trilhas preenchidas de cinzas impossibilidades. Para isso, é preciso modificar olhares, modificar comportamentos, modificar atitudes. Aqui, a capacidade de exercitar a experimentação deve ir além do que é normal. Eis aí a ponte com a referência aos espaços escolares: cabe aos agentes pedagógicos procurar motivar nos estudantes essa capacidade de experimentação; vale destacar que a ideia de experimentação é tão válida para o desenvolvimento pessoal, que ela nos acompanha cotidianamente. Está na experimentação, essa variável diária, o movimento constante de aperfeiçoamento. O que aconteceu com esse aspecto foi que nos avanços da humanidade, perdemos as instâncias da experimentação, porque nossa evolução cultural cobriu-nos de medo e de insegurança frente às tentativas que devemos fazer.
E a percepção estética, além dos preceitos da experimentação, passa por uma série de variáveis: vivências, experiências, formação etc. É um processo extenuado de evolução.
Por esses dias, acerca desse tema, fui indagado por uma senhora que se deu conta de que estava frente a frente com um artista (vejam só!) da minha opinião sobre cores e combinações. Eu a ouvia atentamente, mas disse-lhe que não havia uma resposta pronta e única sobre o seu questionamento, que a ideia de combinação de cores abrigava-se um referencial mais pessoal e abstrato do que se poderia imaginar. Por fim, conversamos bastante sobre as ideias contidas aqui neste publicação. Ao final de tudo, quis dizer-lhe que o meu trabalho artístico é, em grande parte, intuitivo, mas não sei como ela entenderia isso. Normalmente, associamos a referência de intuição a um processo mágico, em que se "recebem" as ideias já encaminhadas. Para mim, o trabalho intuitivo, componente das elaborações de percepção estética, é resultado de dois processos desgastantes: a autocrítica e a determinação de experimentar.
E vejam que apontei sobre a ideia de determinação... Experimentar é uma determinação! A autocrítica, por outro lado, nasce da capacidade de rever-se o tempo todo.
O conceito estético, que molda os aspectos do desenvolvimento humano, pode tornar-se o elemento de essencialidade nas transformações do mundo que nos cerca.
sexta-feira, 23 de junho de 2017
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Anotações - Sobre Deus, o mito do Herói e os caminhos das oportunidades
No filme "A volta do Todo Poderoso", o personagem de Morgan Freeman (o próprio Deus!) ensina: "Quando alguém pede coragem a Deus, não é isso que Ele concede; Ele mostra oportunidades para a pessoa ser corajosa.".
Pensei, nas relações do empreender, que o ensinamento tem a ver com a ideia dos caminhos das oportunidades, tão expostas em treinamentos os mais diversos... E também com a questão do mito do Herói, que versa sobre o desenvolvimento pessoal.
Independente das percepções religiosas de cada um, é natural que acreditemos em um ser supremo, criador do mundo que existe e sobre o qual se escreveram as mais diversas façanhas. A questão é que, por conta da magnitude desse ser, grande parte das pessoas credita a ele todos os vieses de sua vida e encaminha seus rumos ao sabor do que determina esse ser. Torna-se, portanto, comum que se espera o próprio Deus conceder todas as respostas e as ferramentas de que precisamos; quando não acontece, creditamos às nossas falhas perante o sagrado a impossibilidade de alcançar tais ferramentas e respostas. E assim caminha a humanidade.
Ora, pensemos, porque um ser supremo nos daria tudo pronto? Está na raiz do nosso desenvolvimento os caminhos de transformar as trilhas, com todas as suas nebulosas pistas, nas ferramentas e respostas necessitadas. Somos, assim, responsáveis por essa transformação. Não seria o pressuposto de enxergar as oportunidades? E de fazer com elas o combustível necessário para modificar todos os caminhos. Exatamente, como no mito dos Heróis.
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